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agosto 27, 2004

Women on waves

womenonwaves.bmp

É verdade que vamos entrar em fim de semana, dias em que é costume haver por aqui uns poemas dos autores que eu gosto, para que a minha inspiração possa respirar um pouco e pensar na próxima semana. E haverá, amanhã.
Hoje tenho que trazer aqui este assunto, sem querer obviamente chocar as convicções de ninguém. O chamado “barco do aborto” está a caminho de Portugal. Uma interrogação fundamental se me depara:

- Que diabo de país é este que ainda não conseguiu resolver este assunto a contento de ninguém, a ponto de ser considerado um dos países onde os direitos das mulheres nesta matéria são espezinhados?

Assim de repente, parece-me que despenalizar o aborto e criar condições de apoio e aconselhamento médico não é incentivar à prática do aborto. Isto é o que diz o senso comum. Afinal, as mulheres que se vêem sem condições para criar uma criança não deixam de praticar o aborto. Simplesmente, se tiverem dinheiro fazem-no sem riscos, se não tiverem arriscam-se a morrer.
Pensando um pouco sobre tudo isto, não consigo sequer perceber porque é que, num país em que, que eu saiba, já não existe religião oficial do Estado, se continua a seguir a política (mais habitual em países dominados até politicamente pela Igreja católica) de proibir e penalizar criminalmente as mulheres que decidem abortar. Despenalização significa que quem é contra continua a sê-lo e a seguir a sua consciência mas não obriga os outros a seguir as suas convicções. E isto é democracia e estado laico. Não me venham falar em direito à vida os que defendem que, quando há a escolher entre a vida da mãe e do bebé, se deve escolher o bebé e deixar morrer a mãe.
Dito tudo isto, eu não sou a favor nem contra o aborto. Sou totalmente a favor do direito de opção. Apoiado, aconselhado e acompanhado por uma política correcta de planeamento familiar.
Agora já desabafei, pronto. Tenho andado com esta conversa entalada na garganta há uns dias. Quem quiser saber mais sobre a “Women on waves” pode consultar este sítio.

Publicado por lique às agosto 27, 2004 09:23 PM

Comentários

Um assunto melindroso que já debati no meu blog Polittikus, e devo-te dizer q é dificil comentar este post, sem ferir sensibilidades... Sou a favor da legalização do aborto.

Publicado por: polittikus em agosto 27, 2004 09:36 PM

Eu não tenho qualquer problema em comentar este assunto. Sou totalmente a favor da despenalização. Pertenço a um partido que tem batalhado por isso. Mas nada se pode fazer enquanto não se mudarem mentalidades e não há que esperar que este governo resolva o problema. Não basta querer é preciso poder. E o poder não quer.

Publicado por: stillforty em agosto 27, 2004 10:42 PM

{ ... normalmente tento comentar com uma única frase (tento), e ao pensar numa para este texto*assunto, deparei-me com um resultado*problema no qual existia(e) a ligação de duas palavras, aborto e morto, por isso não me atrevi a escreve-la ... }{ beijos* e bfs }

Publicado por: o5elemento em agosto 27, 2004 10:50 PM

Concordo, Lique. E esta era questão em relação ao fatídico referendo e seu resultado nada representativo.
Não entendo como tal questão pode ferir susceptibilidades qdo nunca se falou que as mulheres todas seriam obrigadas a abortar. Não. O que lhes foi negado em nome de uma "pseudo-democracia" foi o acesso a condições de segurança e livre-arbítrio sobre esta questão tão fundamental como a de ter o seu(s) filho(s) por opção e com condições de criá-lo(s). Segundo sua realidade, seus credos ou não. Em nada feria qualquer direito das que são contra por razões pessoais.Portanto,é um assinte o que acontece e a situação em que estas mulheres são abandonadas por completo e, não bastasse, algumas a enfrentarem as barras de Tribunais. Isto só pode ser mesmo um arremedo de democracia.Um assinte. Uma vergonha. Desculpe, Lique, mas qdo lembro daquela campanha publicitária representante da ideologia do NÃO ao aborto, qdo me lembro..., dá-me náuseas.Carregada de uma ideologia completamente descontextualizada, cruel, moralista e mentirosa. Excelente post, Lique.Bj, amiga e bfs

Publicado por: Lia em agosto 27, 2004 11:05 PM

Somos um estado laico, mas temos uma Comissão de Ética religiosa e mais um bando de hipócritas que decidem sobre a vida alheia. Mas quando os problemas lhe passam pela porta, não há ética nem moral, há aborto em clinica estrangeira da especialidade.
Se o barco tiver de fazer várias viagens entre a Figueira da Foz (onde vai atracar) e as águas internacionais, ficamos a conhecer, uma vez mais, a dimensão do problema português, nesta área.
As estatísticas estrangeiras dizem que Portugal é o país europeu com maior incidencia de adolescentes grávidas. As estatísticas nacionais devem desconhecer o problema. Afinal temos a "inducação sexual" e os "grupos de aconselhamento" e mais não digo...

Publicado por: MAC em agosto 27, 2004 11:09 PM

Eu sou a favor da despenalização, lógico. E não preciso sequer estar para aqui a desenrolar um ror de argumentos sobejamente conhecidos. Agora o que me faz realmente impressão e que só aproveita aos que são contra é a designação, que sei que não é inventada por ti, de "barco do aborto". É de um mau gosto atroz. bjks

Publicado por: ognid em agosto 27, 2004 11:15 PM

Nesta, como em todas as outras contradições da vida, o problema, ou é visto do ponto de vista da classe social a que se pertence, ou o debate esgota-se antes de começar... Continuaremos sujeitos à pressão dos “Fazedores de Opinião” e outros intelectuais, que animam o debate sobre o sexo dos anjos, enquanto as mulheres morrem ou põem em risco a própria vida. Naturalmente, as mulheres de determinada classe social e que até vão à missa todos os Domingos.

Publicado por: Pantanero em agosto 27, 2004 11:16 PM

Não sou nem a favor nem contra o aborto. Confesso que seria incapaz de o praticar, mas não julgo quem o faz, acredito ainda que ninguém o faça de animo leve, e nem consigo imaginar o que se sente numa altura dessas. Concordo totalmente com o direito de opção! Está realmente na hora se fazer alguma coisa, E nesta demora, as muitas mulheres continuam a sofrer atrocidades nas mãos de carniceiros e de quem não tem qualquer preparação para desempenhar essas funções!

Publicado por: Maria Branco em agosto 28, 2004 12:03 AM

Não vou repetir o que já aqui foi escrito.
Sou a favor do direito de escolha.
Mas acima de tudo indigna-me o facto de - como num dos últimos julgamentos de mulheres que abortaram - o Ministério Publico ter pedido a absolvição para os companheiros.
O fardo, o "crime", torna-se apenas das mulheres, que não os fizeram sozinhas e muitas vezes nem sequer tomaram a decisão de abortar sozinhas.
Perdoem-me os homens que nos lêem - nem sequer me passa pela cabeça que pensem todos assim ! - mas se fossem eles a engravidar não acredito que ainda andássemos a viver esta hipocrisia.
Toda a situação é de uma injustiça tremenda: para mulheres, homens e crianças.
(Desculpa o desabafo...) Beijo

Publicado por: inconformada em agosto 28, 2004 12:20 AM

Olá Lique. Em primeiro lugar quero agradecer-te a visita e as palavras que deixaste no //nossoportugal.blogspot.com. Tu que gostas tanto de poesia, quero informar-te que Pedro Homem de Melo foi um poeta do Porto, um senhor que amava o nosso povo e as suas tradições. Relativamente ao teu artigo, estou completamente de acordo contigo sobre a despenalização do aborto. Acho que quando houve o referendo o tema não foi bem colocado e que induziu muita gente em erro. Cada um deve ter o direito de decidir. Bjinhos amiga

Publicado por: amita em agosto 28, 2004 12:26 AM

e não é proibindo que se melhoram as coisas, tal como, quando se diz a uma criança:
- não faças isso...
e o efeito é o contrário, ela faz mesmo.

Publicado por: hammer em agosto 28, 2004 12:27 AM

Para variar, lá estamos a tropeçar no problema velhinho e tão querido no nosso burgo, das públicas virtudes e dos vícios privados. Enfim... deixo um elemento de reflexão: na natureza, a regra geral é a de que ninguém defende mais ferozmente a vida dos filhos do que a mãe. Esta regra é complementada por uma outra que nos mostra, com frequência, ser da competência, também, da mãe pôr termo à vida das crias quando as circunstâncias envolventes não lhe garantem a salvaguarda da sua integridade física. Chegam algumas espécies ao requinte evolutivo de "programarem" o parto para um momento propício.
E nós, ainda herdamos alguma coisa disto? Não, senhor. Apenas inventámos umas "araras" e alguns "papagaios" a debitarem opiniões (que ninguém lhes encomendou) sobre a tragédia dos outros.
Na minha óptica, esta é, por excelência, uma questão de consciência individual, com primazia para a decisão da mulher, nos casos em que exista um casal. Rico, "remediado" ou pobre, não interessa. É uma questão de consciência. Ninguém consegue meter-se na pele de outrém, pelo que reputo da maior hipocrisia e, até, violência as enormidades que se ouvem dos "mentores de consciências" que por aí pululam.
Aqui exige-se recato. Respeito pela dor alheia. Cultura desassombrada de vida. E, depois, que cada um 'ame y haga lo que quiera'. Xiça, que o cidadão possa determinar alguma coisa na sua vida... Respeito pela vida? Quando deixamos os nossos velhos e doentes ao abandono que por aí grassa? Não me lixem... Talvez tudo tenha a ver, de facto, com aqueles versos em que "a rica teve um menino / e a pobre pariu um moço"... Decididamente, estou a ficar anarca. Beijos nervosos, Lique (lá atafulhei o espaço dos outros...). A culpa é tua! Provocas...

Publicado por: OrCa em agosto 28, 2004 12:31 AM

Voltei apenas para dizer que o assunto está resolvido. O Portas (o outro) que dizem que é ministro da guerra e senhor dos mares,(talassocrata) resolveu o problema, para descanso de todas as consciencias . O barco está simplesmente PROIBIDO de entrar em portos portugueses. Isto é que é democracia. O velho António, de Santa Comba, deve estar a esfregar a barriga de contente. Só ele iria tão longe.

Publicado por: MAC em agosto 28, 2004 12:54 AM

É sem duvida dos temas mais complicados da actualidade... Eu sou completamente a fovor da liberdade de escolha.. Sou é completamente contra é usarem este metódo como um metodo contraceptivo normal... Não sei se me entendes.. :s Daí dizer que é uma tematica muito complicada.. Enfim.. Bom fim de semana lique :)

Publicado por: Bruno em agosto 28, 2004 06:33 AM

Por mais que tente não consigo entender os argumentos das organizações auto- intituladas “a favor da vida". Qual vida? Da vida de um bebé que não é desejado ou que não tem condições para ser criado dignamente mas que deve nascer à força? Da vida de uma adolescente que não sabe o que fazer à criança? Da vida do décimo filho de uma família sem rendimentos, que nunca terá acesso a educação e é visto como “mais uma boca”. A despenalização não obriga quem é contra a fazer abortos. Nem sequer quem é a favor. Aliás ninguém é totalmente “a favor”. Porque parece que os “defensores da vida” temem que as mulheres passem a fazer abortos como se fossem ali tomar um cafezinho. Ninguém faz isso. É sempre uma escolha triste, mas se tem de ser tomada, ao menos que seja com as condições de higiene e segurança que todas (TODAS) as mulheres merecem e não só aquelas tias tão católicas que entopem as clínicas em Espanha... Beijos

Publicado por: sefaxavor em agosto 28, 2004 09:36 AM

Não conhecia o site... é de facto muito explicativo. Concordo contigo na ideia de opção... embora ache que Portugal ainda precisaria de ser educado nesse sentido... é errado pensar-se que lá por serem "proibidas", as coisas não se fazem na mesma... ;) Bjs

Publicado por: ridufa em agosto 28, 2004 12:05 PM

esrou totalmente de acordo contigo,obrigado por falares neste assunto.....

Publicado por: Maria em agosto 28, 2004 01:08 PM

Concordo plenamente contigo.
Cada mulher deverá poder escolher.

Publicado por: João da Cal em agosto 28, 2004 02:13 PM

Ontem discordei, hoje assino por baixo tudo o que escreves.
Bom fds. ;-)**

Publicado por: adesse em agosto 28, 2004 02:21 PM

"- Que diabo de país é este que ainda não conseguiu resolver este assunto a contento de ninguém, a ponto de ser considerado um dos países onde os direitos das mulheres nesta matéria são espezinhados?"
Não era uma pergunta, pois não???
Se era, o Paulo Doors acabou de te fornecer a resposta...


Publicado por: MJM em agosto 28, 2004 03:15 PM

Voltei, apenas p sugerir um post de sequência:
"Triagem para licenciamento de maternidade - Para quando a interdição à progenitura deficiente?"
ou, alternativamente:
"Ganhe consciência; pergunte-me como"

Publicado por: MJM em agosto 28, 2004 03:22 PM

É um tema que me doi fundo no sentir, para o qual apenas consigo tentar gerir a minha tristeza. Não imagino dor maior do que uma mãe decidir desligar-se fisicamente de um filho através da morte. Quem se sentir capaz de julgar termenda decisão, é um hipocrita!
ps: a palavra "aborto", não existe no meu dicionário!O acto de terminar uma vida, seja ela qual fôr, já carrega em si todo o sofrimento do mundo, não há necessidade de lhe dar nome tão aberrante e desenquadrado, de todas as emoções trágicas que levam à pratica do acto.

Publicado por: almaro em agosto 28, 2004 04:20 PM

Antes de tecer qualquer comentário, quero agradecer o mail e dizer-te que tal como apareceram os problemas (pelo menos aqui em casa, mas na segunda feira vou ver o que se passa no computador do "emprego")desapareceram. Das duas uma. Ou pirei de vez ou foi o resultado duma "directa" que tive de fazer para escrever um artigo que me "encomendaram"!! Agora está tudo bem, tanto neste site como no teu outro antigo.
Sobre o tema, não me cabe a mim obrigar a Mulher a ter de decidir. Caberá a mim, isso sim, arranjar condições físicas, morais e psíquicas para ela poder decidir em consciência. Ela é dona do seu corpo, da sua consciência, do direito de poder optar pela melhor solução para o seu filho em termos de um Futuro. Uma Mulher, penso, não interrompe uma gravidez porque lhe deu na real gana!... Essa cambada de pseudo moralistas e de hipócritas querem fazer passar a mensagem duma ética e de uma moral (que não cumprem quando a fatalidade lhes bate à porta) vêm agora agitar o pendão do direito à Vida...
Termino, abusando das tuas palavras que transcrevo e assino por baixo:

"Sou totalmente a favor do direito de opção. Apoiado, aconselhado e acompanhado por uma política correcta de planeamento familiar".

Um abraço e um bom fim de semana.

Publicado por: josé gomes em agosto 28, 2004 05:05 PM

AMIGOS: desculpem não dar as respostas individuais que as vossas intervenções bem merecem. De uma forma geral, com algumas nuances, as opiniões são semelhantes.
Penso que se pronunciaaram de forma diferente o biquinha (5º elemento) e o almaro.
>>biquinha: tenho pena que não tenhas sido mais claro na tua opinião, poderíamos trocar opiniões mais facilmente. Dizes no entanto que aborto rima com morto e eu, que não tenho pretensões de que tudo na vida seja poesia, digo-te o que é que para mim rima com morte: miséria, desinformação, violentação física ou psiquica. Isso rima com aquilo que eu considero morte da dignidade humana.
>>almaro: embora não te sintas capaz de julgar uma mulher que o faz, repugna-te o termo aborto. Pois o termo científico é interrupção voluntária de gravidez. Pode não ser tão chocante mas é igualmente doloroso. Às vezes a paleta de cores reduz-se, meu caro. E fica tudo muito negro.

Prémio da originalidade (não é costume?) à MJM. Baby, a tua ideia até que nem é má...

Quero saudar particularmente (desculpem lá...) o MAC que voltou a aparecer. Já acabaram as férias? Como sempre, vens com a teu poder bélico a todo o pano. Sê muito bem vindo.

Quero só confirmar aquilo que o MAC disse a respeito da proibição do navio entrar em águas nacionais e, de acordo com o que dizia a SIC on-line, passo a citar:

"O secretário de Estado para os Assuntos do Mar disse que a orientação do Governo visa fazer respeitar o quadro jurídico português, já que, para Nuno Fernandes Thomaz, sendo Portugal um país soberano, "nenhum grupo, seja em que circunstâncias for, pode desafiar a ordem jurídica portuguesa ou incitar a actos contra a lei" portuguesa.

"É uma questão de legalidade e não de moralidade. Aceitar que terceiros viessem violar a nossa lei tornaria para nós mais difícil exercer a autoridade com os portugueses", sublinhou.

O segundo motivo apresentado pelo secretário de Estado para os Assuntos do Mar prende-se com uma questão "de saúde pública", uma vez que no navio pretende-se utilizar medicamentos proibidos pelas autoridades portuguesas, nomeadamente a pílula abortiva.

Por outro lado, para o Governo, o barco é uma unidade de saúde móvel não certificada pelas autoridades de Saúde portuguesas. Por esse motivo, acrescentou o secretário de Estado, o barco pode pôr em risco a vida das mulheres que a ele recorram, apesar de ter sido verificado pelas autoridades de Saúde holandesas."


Se não fosse tão triste, não era de rebolar a rir? Beijinhos e abraços a todos. Bom fim de dia.


Publicado por: lique em agosto 28, 2004 06:33 PM

OLá! Que TEMA! De mais difícil e inconclusiva solução!... Tal como aqui foi dito anteriormente a palavra "aborto" por si só é horrenda. Acho que deve ser terrível ter que ponderar uma atitude dessas! Não posso dizer que sou a favor porque NÃO SOU! Apenas compreendo que haja casos que penso serem os permitidos na lei vigente em que haja uma ponderação para interrupção da gravidez. Bom... Há que alertar e elucidar as pessoas e fazê-las ver que há métodos anti-concepcionais que têm eficácia! Esta é uma opinião muito pessoal, Lique! E sempre que falo nisto, lembro-me duma foto que andou pela Net há uns tempos que me fez uma impressâo imensa: uma mãozita de um feto saindo de uma barriga ensanguentada em procura de socorro! Se era para "funcionar" em mim, conseguiu-o realmente! **

Publicado por: M.P. em agosto 28, 2004 07:39 PM

>>M.P: respondo-te isoladamente porque a tua opinião também é discordante. Eu percebo e também não disse que era a favor do aborto. Sou a favor de que existam condições para que quem decidir fazê-lo não corra riscos. E não considero o aborto um método anti-concepcional. É a última solução. Eu disse :"Sou totalmente a favor do direito de opção. Apoiado, aconselhado e acompanhado por uma política correcta de planeamento familiar". E quanto a essas imagens que algumas até foram mostradas a crianças nas escolas (havia de ser eu mãe dessas crianças...) , posso mostrar-te para a troca imagens de mulheres a esvairem-se em sangue, em consequência de abortos realizados em condições precárias. É tudo uma questão de ponto de vista. Beijinhos, amiga. Bom fim de semana.

Publicado por: lique em agosto 28, 2004 08:47 PM

Direi apenas que a vida só vale a pena se for vivida com dignidade. Sobre a despenalização do aborto já se disse tanta coisa!Beijinho, Lique.

Publicado por: moriana em agosto 28, 2004 08:58 PM

Olha lique, o que vale é que ninguém nos liga enquanto país, senão isto era para andarmos de cara tapada... mesmo assim ainda se me põe a seguinte questão: e o ex-1º Barroso? não irá ficar mal visto na Europa?
Tão amigos que 'eles' eram...

Publicado por: Ardelua em agosto 28, 2004 09:58 PM

Ainda a questão... Colocar-se a questão, em qualquer forum, sobre quem é A FAVOR ou CONTRA o aborto ou a sua penalização é, na minha opinião e logo à partida, uma forma condicionante e pouco honesta de a colocar.
Ninguém, em seu juízo perfeito, pode ser "academicamente" a favor do acto de abortar, ou seja, de interromper "voluntariamente" uma gravidez. (Atenção que mesmo aqui o termo "voluntariamente" tem muito que se lhe diga e a aceitação acrítica de certos termos também nos condiciona o raciocínio, pois, no caso, o termo utilizado não será sinónimo de "bom grado"...).
Posto isto e encurtando razões, tudo o resto não pode deixar de ser uma questão de consciência individual.

Publicado por: OrCa em agosto 28, 2004 11:57 PM

Oh OrCa,
Penso que ninguém é favor do aborto como processo anti-concepcional, o que se pretende é despenalizar a prática de aborto, o que é bem diferente.
Quanto aos foruns, que por aí pululam, são bons para o lixo. Tudo viciado à partida, os acessos a eles são quase privados, e limitam-se a uma camada da população mais ou menos homogénea. O que quer dizer que não é possível tirar qualquer espécie de conclusão.

Publicado por: Ardelua em agosto 29, 2004 11:13 AM

Excelente post, Lique, e não vou repetir o que aqui já foi dito. Sou total e incondicionalmente a favor do direito de opção e despenalização do aborto, e só lamento que não haja por aí da nossa parte nenhum plano na forja (tipo Lysistrata :):)ou o que quer que seja), pois às vezes sou tentada a pensar que a mesmo a melhor argumentação envelheceu na espera, e que é preciso algo mais. Que me perdoem os muitos homens decentes desta terra!
Beijos

Publicado por: Nuri em agosto 29, 2004 11:23 AM

{ ... e eu que tenho a pretensões de que tudo na vida seja poesia, porque se o fosse “tudo poesia”, não haveria necessidade de tantos desarranjos, de opiniões e de perca de tempo a falar com razão ou sem ela. Uma coisa é certa, e te digo, existe o sim e o não, e pelo facto, pergunto, qual a razão ou com que direito estes extremos se achem os mais correctos, os mais válidos, os mais íntegros ou detentores da verdade, com que direito, pergunto. de facto a minha opinião não foi explícita, nem nunca o perderá ser, porque dela ou não sou possuidor, ou devo ser um “senim” ou um “simnão”, algo em mim diz que sim, algo diz que não, por isso ( indefinição consciente ) prefiro eu, não escrever a tal frase curta, que de curto nada tinha… mas afinal quem sou eu que tenho a pretensões de que tudo na vida seja poesia ... © biquinha }{ beijos* }

Publicado por: o5elemento em agosto 29, 2004 12:04 PM

>>o5elemento: parece-me ter deixado claro que não sou a favor nem contra o aborto e que não o considero um meio de contracepção. Por isso, acho que, não podendo ser juiz de consciência de ninguém, devo pugnar para que sejam criadas condições que permitam opção sem riscos. Também não me considero possuidora de nenhuma verdade, quem me lê sabe que sou um poço de dúvidas. Agora não acho que se "perca tempo a falar com razão ou sem ela". Acho precisamente o contrário: nunca se perde tempo a falar dos problemas da vida real. Quanto à questão da poesia, amigo, são posições que se têm na vida. Para mim é algo que me faz muita falta mas alturas há em que a vida real exclui a poesia, porque esta tende a dar contornos de beleza ao que, de todo, não a tem. Mas é a minha opinião e só. Ainda bem que a tua é diferente porque nos permite ler o que de belo tu crias. beijos

Publicado por: lique em agosto 29, 2004 12:23 PM

ainda que quisesse parir, não podia, porque nasci homem e gosto de o ser.
mas, se tivesse nascido mulher e não quisesse ter um rebento não tinha mesmo, pela simples razão de que quando não quero comer qualquer coisa não como mesmo, ainda que me me digam " olha lá vem o avião..."

Publicado por: hammer em agosto 29, 2004 04:24 PM

Lique: tenho que ser mais claro com o que escrevo.
Traduzindo: sou incapaz de julgar, ou admitir que alguém julgue a opção de uma mãe de interromper voluntariamente uma gravidez, logo a favor da despenalização do acto.
Se fosse mãe, seria incapaz de tomar tal decisão, eu próprio, mesmo correndo perigo de vida. ( juro que por ser Homem, não estou a ser hipócrita).
O tema, tem necessariamente cor negra, na minha ou em qualquer paleta!
Um beijo grade e um obrigado por trazeres temas destes ao teu espaço.

Publicado por: almaro em agosto 29, 2004 05:51 PM

>>AMIGOS (mais uma vez): biquinha e almaro, obrigada por terem clarificado as vossas posições. Isso significa, para mim, que o tema vos toca e, como afinal todos aqui, não se sentem também capazes de julgar as mulheres que se encontram numa situação desesperada destas. Assim sendo, não andamos muito longe das posições uns dos outros, sendo que existirão nuances em volta de uma posição central. Fico feliz por algo que quase não passou de um desabafo meu, resultante de algumas coisas que tenho lido por aí,ter dado azo a tanta participação. Sinal de que este tema dói a todos. E também estou contente por ver por aqui tantos homens a pronunciarem-se a favor da despenalização. Não é verdade que este seja só um problema das mulheres. Toca-lhas mais porque do seu corpo (e às vezes da sua vida) se trata. E como a proibição do barco entrar em águas territoriais portuguesas ainda vai dar pano para mangas, teremos tempo para ver como é que este governo descalça a bota que calçou sem qualquer necessidade. Beijinhos e abraços a todos.

Publicado por: lique em agosto 29, 2004 07:36 PM