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setembro 30, 2004
Das flores

Deixa-me falar-te das flores
Que crescem com a chuva e o sol no solo liberto
Ou são de carinho cercadas em jardins privados
Da paixão das rosas, da inocência das margaridas
Do belo amor-perfeito que o é por si mesmo
Da modéstia da violeta e do aroma do jasmim
Do cravo de puro amor feito por nós liberdade
Deixa-me hoje falar-te das flores
Que todos os dias chamam o sol e a água
E fazem com eles o amor que as alimenta
Deixa-me hoje ser eu flor
E querer-te sol ardente e água fresca.
Publicado por lique às 11:40 AM | Comentários (81)
setembro 28, 2004
Privação
Bolas!! Agora fiquei sem net. Como é que eu consigo trabalhar assim? Já protestei lá para baixo ( a Informática é sempre no andar de baixo?). O remédio é esperar.
Começo a ter aquela sensação de angústia e privação que todos os viciados em alguma coisa tão bem conhecem. Baseei todas as minhas rotinas de trabalho no mail e na Intranet cá do sítio. Como ultrapassar isto? O papel branco arrumadinho ali ao lado diz-me para o preencher com as palavras que o mail ia levar. E depois? Vai por fax, quem o recebe demora horas a entregá-lo ao destinatário… Não vale a pena. Entretanto a ligação há-de voltar. Abro o browser de cinco em cinco minutos. Nada!!
Resolvo ir beber um café que não me acalmará mas, pelo menos, algum conforto me há-de dar. E sempre falo com o pessoal que está no bar (mais vezes que o necessário) para esquecer tudo isto um pouco. Para surpresa minha, o bar está cheio de gente que, não tendo net, foi beber um café… Ideia original, a minha! Ao menos, podia ter ido a outro lado, sempre dava um passeio pela quinta (hoje as vacas e os cavalos estão felizes com o sol). Vou falando um pouco com alguns e não é que a porcaria da conversa tem que ir parar à política? Caramba, nem futebol? O Sporting perdeu ontem, não é assunto de conversa? Dou-me conta que não, talvez porque predominem por aqui os sportinguistas…. É claro que a conversa acaba por azedar que isto de política está longe de ser consensual e eu sou daquelas que não se calam (vocês sabem…).
Aproveito uma aberta e vou andando, de volta ao gabinete. Abro o browser outra vez e ainda nada! Começo a caminhar pelo gabinete que felizmente é comprido (privilégios, privilégios… e não me venham falar da D. Fátima, fazem-me o favor!) e penso que o melhor é mesmo sair porta fora e dar um giro (serviço externo, não é que dá bom tom?) e , sei lá (a propósito queres vir comigo?), talvez fazer umas compras no shopping (é o melhor remédio para curar depressões e leves crises de privação). Já vou direita à porta quando o PC me chama .Juro, eu sempre tive um relacionamento íntimo com os PCs (nada de más intenções aqui, hem?), mas nunca pensei que este fosse capaz de me chamar. Abro o browser e aparece o sítio cá do sítio (isto entende-se?). Desapareceram as depressões, as angústias, vamos lá despachar o trabalho para lá para o fim da manhã e da tarde poder blogar um pouquinho!
(Que me desculpem os sportinguistas, o texto foi escrito no dia seguinte ao Sporting ter perdido, não a ter empatado...)
Publicado por lique às 05:46 PM | Comentários (81)
setembro 27, 2004
Mas as crianças...

Vejo fotos tuas mas não te imagino
Correndo nos campos em dia de sol
Não te vejo rir os risos de infância
Sonhar com fadas, anjos, feiticeiras
Não te vejo ser a princesa Aurora
Aquela que o beijo do príncipe acorda
Nem dançar com ele no salão dourado
Onde perderás o sapato de cristal
Não te vejo voar para a Terra do Nunca
Mão dada com Peter eterna criança
Vejo de ti dias de árduas canseiras
Tristeza espelhada em teu olhar adulto
Que briga e desmente os teus poucos anos
Desamor demais quando amor é preciso
Vejo fotos tuas mas não vejo a agonia
Quem quer ver crianças que nunca o foram?
Quem dá o amor quando é tempo de salvar?
(para a Joana e todas as crianças maltratadas)
Publicado por lique às 12:15 AM | Comentários (50)
setembro 25, 2004
Navegando (I)

Navego num mar de azul
Sigo o caminho do vento
Não tenho amarras perto
Nem baias no pensamento
Em frente só há o limite
Que o tempo me quiser dar
Deixei os porquês à espera
De quem quiser perguntar
É no quebrar do meu vidro
No pleno grito lançado
Que a alma leve se eleva
E a vida larga o passado
Publicado por lique às 12:34 AM | Comentários (58)
setembro 23, 2004
A batalha da manhã (ou um início de dia surreal)

Salvador Dali, Galatea
Garrafas de água em linha
Qual exército preparado
Para uma dura batalha
Contra bolas de papel
Porque de papel se trata
Em grossas pilhas deitado
Coberto de tristes letras
Com sentido quase hermético
Há sentidos que despertam
Pelo aroma já rasante
Da doce amarga carícia
Que transborda do café
Naquele café da manhã
Que inicia mais um dia
Bolas de papel esvoaçam
Em luta com gotas de água
(Do sangue do amado morto, Galatea criou um rio. Que obsessão por rios me leva a ver gotas de água a lutar com os meus papéis?)
Publicado por lique às 12:20 PM | Comentários (73)
setembro 21, 2004
Paisagem

Amanheceu um céu de chumbo de Outono adiantado. Não sei se a melancolia é minha ou da paisagem lá fora. Para lá do muro da quinta, ao fundo do horizonte da minha janela, prédios de diversas cores perfilam-se, parecendo também eles abrigar vidas estagnadas, sem sol. São caixotes em que nos enfiamos todos os dias, mais ou menos pela mesma hora e dos quais saímos pontualmente para os mesmos afazeres. Há roupa estendida nas varandas que, se eu tivesse aqui binóculos de voyeur, me diria, de quem lá habita, mais do que eu preciso saber. Os prédios apertam-se uns contra os outros numa disposição irregular, invadindo o espaço de privacidade e solidão que cada um deveria proporcionar.
Vivemos em prisões construídas por nós, quando temos a vocação da liberdade. O ambiente à nossa volta, nestes aglomerados em que nos juntamos, é agressor. Qualquer animal, colocado em ambiente que o agrida ou o ponha sob stress, desenvolve comportamentos aberrantes e doenças físicas. Seremos nós diferentes? A nossa “racionalidade” não impede a depressão e o desenvolvimento de neuroses de todo o tipo. Parece-me que o homem, no seu “desenvolvimento” civilizacional, criou para si próprio um ambiente hostil, coisa que os outros animais não conseguem fazer sozinhos. Aparentemente a racionalidade trouxe-nos também algumas desvantagens que, infelizmente, se repercutem em nós, homens, e nos restantes habitantes deste planeta dito azul.
(num dia cinzento, há uma semana atrás, olhando para lá da janela)
Publicado por lique às 11:25 AM | Comentários (71)
setembro 19, 2004
Poema de Outono

O vento soprou
Tão doce e sereno
Tocou-me ao de leve
Girou sentimentos
Dormentes, silentes
Que em voo rasante
Tocaram o chão
O fundo da alma
Fez-se de cor de ouro
Castanho ou laranja
Deu frutos já secos
De um doce amargo
Surgiu o Outono
No meu coração.
(Num dia de sol a antecipar o outono)
Publicado por lique às 10:11 PM | Comentários (72)
Tu és quem?
Acho que ainda não tenho os olhos completamente abertos. Entrar em casa de madrugada já não está muito nos meus hábitos, claro. Mas não é só isso. Se não fosse o formigueiro nos dedos que me avisou que tinha que escrever sobre isto, estaria só a recordar-vos, já com alguma melancolia.
Dar rosto a alguns que por aqui passam era uma expectativa grande. Dar-lhes personalidade e olhar (sendo que para mim o olhar é o reflexo interior de cada um) era um autêntico desafio e talvez também um risco. Afinal, a minha expectativa e o meu desafio eram também a expectativa e o desafio dos outros.
Encontrámo-nos. Olhámos nos olhos uns dos outros, não todos claro ( seria impossível no meio de 50 e tal pessoas), mas aqueles com quem mais desejávamos esse “olhos nos olhos”. Foi pouco tempo, foi fugaz mas agora eu sei as gargalhadas de uns, os olhares solidários de outros, as palavras simples fora do registo literário.
Alguns que não “conhecia” despertaram-me uma enorme curiosidade pela vivacidade, pela graça natural, pela simpatia. Com esses eu vou fazer o percurso contrário: a partir da pessoa quero conhecer a obra.
Tudo isto aconteceu ontem (ou já foi hoje?) e eu já tenho saudades. Para mim foram algumas horas muito ricas de sensações múltiplas, desde o reconhecimento automático, à surpresa, à cumplicidade e, claro, ao divertimento. Espero que tenha sido igual para todos.
(Tudo isto vem a propósito do grande jantar da Irmandade dos Blogs organizado pelo Zecatelhado , a quem temos todos que agradecer o enorme trabalho que os preparativos do acontecimento lhe devem ter dado. Podes continuar, Zeca, nós estamos lá!)
Publicado por lique às 11:18 AM | Comentários (26)
setembro 17, 2004
Momentos

Momentos há
que nos desligam da vida
que nos desdizem saberes
que nos levam por arrasto.
Furacão dentro da alma
Coração em cavalgada
Cegueira de olhos abertos
Momentos há
que sem sabermos de nós
sem contemplarmos futuro
perseguimos a miragem.
Publicado por lique às 11:34 AM | Comentários (40)
setembro 15, 2004
Do querer e não querer

Quero seguir um caminho
Não quero ver o destino
Quero atravessar um rio
Não quero passar a ponte
Quero caminhar no limite
Não quero olhar a falésia
Quero alcançar aquele porto
Não quero prever tempestades
(Mas tempestades são sempre o que aguarda quem oscila entre o querer e o não querer.)
Publicado por lique às 04:12 PM | Comentários (70)
A magia da colaboração (II)
Mais uma vez a Sara do Estrela Vertiginosa convidou alguns amigos aqui da blogoesfera para, em colaboração, fazerem o post Conversa à mesa do café. Aconselho todos a ir lá espreitar. Podem aproveitar também para ficar a conhecer os belos textos e fotos que por lá vão aparecendo, noutros posts.
Publicado por lique às 11:23 AM | Comentários (9)
setembro 13, 2004
Lembraram-se?

Eu estava a trabalhar. Uma das pessoas que colaborava comigo mais directamente na altura disse-me:
“Vê lá se consegues ver aí alguma coisa na net. Estão a dizer que caiu um avião em cima dum arranha-céus qualquer em Nova Iorque”
Foi assim que soube do acontecimento que faria com que a nossa visão do mundo nunca mais fosse a mesma. Depois veio a incredulidade, o horror das imagens, os debates infindáveis, as discussões dos pró e dos contra (América, naturalmente) e a indefinida sensação de que algo tinha mudado definitivamente.
Os anos que se seguiram provaram que algo tinha, de facto, mudado. Para os americanos que perderam a noção de serem inatacáveis no seu território e para o resto do mundo que assistiu à retaliação e contra-retaliação, numa escalada de violência sem aparente necessidade de qualquer justificação plausível.
E é sobre isso que, três anos passados, eu me interrogo. Perdeu-se todo o “pudor” de agredir sem que as razões convençam ninguém. A expressão pode parecer estranha mas é o que sinto. Sempre se soube que os americanos (e não só) estavam por trás de golpes de estado, revoluções, etc. mas era algo que não era assumido publicamente sem escrúpulos. Sempre houve ataques terroristas ligados a causas e, podendo condenar-se a violência, havia uma relação causa/efeito que era possível perceber. Hoje os ataques, as agressões são assumidas contra todo e qualquer direito internacional, com umas esfarrapadas desculpas de um lado e doutro, afinal apenas porque sim, porque há interesses em jogo que têm que ser defendidos. E ponto final, que o mundo é o pátio de diversões deles.
Não estou aqui a negar a mais que injusta situação no Médio Oriente, particularmente na Palestina. Pelo contrário, choca-me profundamente o que ali se passa no dia-a-dia, numa clara violação dos direitos de um povo ao seu território e à sua independência. Mas não consigo entender esta noção de “terrorismo global” (por sinal uma expressão da qual não gosto particularmente), até porque o recurso a uma violência tão brutal faz esquecer as razões iniciais.
Relativamente à América, não posso, não quero, nunca entenderei o “terrorismo de Estado” que impera sob esta administração. Tudo é possível, tudo é justificável e aparentemente a tudo os americanos se habituam, em nome da cultura do medo que os mantém, na sua maioria, ignorantes das razões do outro lado do mundo e aterrorizados em relação a perigos reais e induzidos. Qualquer agressão, qualquer violação do direito internacional é praticada com uma arrogância desmedida a que, aparentemente, a Europa se verga com algumas excepções que, no fundo, também encontram motivação em interesses não muito confessáveis.
Então, é isto o futuro do mundo em que vivemos? Quando dizemos que, depois do 11 de Setembro nada mais será igual, é a este panorama que nos referimos? Que alternativas nos restam para transformar esta terrível realidade? Sabem, eu só deixo perguntas…
(escrito em 11 de Setembro de 2004)
Publicado por lique às 07:08 PM | Comentários (64)
De volta
Pronto, já está dito, estou de volta. O meu "contrato" comigo própria enquanto pessoa que sente necessidade de escrever e convosco , os que por aqui passam, comentando ou não, está renovado. As condições serão ligeiramente diferentes, sendo que não me vou obrigar a publicar diariamente, dando-me assim mais tempo de reflexão e capacidade para ler e comentar todos aqueles que eu gosto de visitar e também procurar outros com tanto valor que por aí há, coisa para a qual não tem havido qualquer disponibilidade.
Todos os que estão nisto comigo sabem que o acto de "criar" (no meu caso escrever) é, por vezes, difícil e revela/rasga a nossa intimidade. Acaba por ser sempre assim. Também, para mim, só assim faz sentido. Do que vocês adivinham de mim e do que eu tento ler nas vossas entrelinhas resulta a tão gostosa interacção que temos tido em alguns posts. Isto é para continuar neste novo "contrato".
E, assim sendo, sem mais delongas nem conversas lamechas, eu assino este "contrato" com o meu nome real.
Alice
Publicado por lique às 03:52 PM | Comentários (26)
setembro 08, 2004
Até já!
Este mês de Agosto (agora já Setembro) deu-me algumas pancadas que me fizeram perceber até que ponto eu sou mais frágil do que o que mostro por aqui. Ainda não me refiz da partida da minha filha e o desaparecimento destas actividades bloguísticas de várias pessoas que eram meus pilares de apoio quase desde o princípio faz com que eu precise de dar a mim própria uns dias para pensar. Não estou a perspectivar desistir mas sim reformular a minha actividade aqui, de uma forma que aligeire o tempo que gasto com tudo isto. Talvez passe a publicar só duas ou três vezes por semana. Logo se verá. O post Blogando era já um sinal das minhas inquietações e o dia de ontem só veio piorar tudo.
Assim, quero, antes de mais, lembrar os que foram desistindo de tudo isto por razões que profundamente respeito: a doce e talentosa Anomalia, a poetisa guerreira Encandescente, a mulher solidária e extraordinariamente culta Adesse, o artista e homem de causas TCA, a tão talentosa fotógrafa e defensora da justiça Lia e a minha comentadora ventania, a Wind. De todos vou sentir a falta e espero que todos me vão dando notícias, como puderem. Vocês fazem-me falta.
Agradecendo a todos os outros a amizade, o carinho, a colaboração, digo-vos até já, provavelmente para a semana. Beijos a todos.
Publicado por lique às 09:39 PM | Comentários (62)
O prometido é devido
Prometi que faria uma divulgação dos resultados do post anterior. Para começo de conversa, é óbvio que as minhas escolhas das citações não foram inocentes. De propósito não há aqui visões românticas do amor. Eu só queria ver quantos incuráveis românticos aqui passam. Então, acho que podemos concluir que as citações mais votadas são :
"Só se ama o que não se possui completamente" , Marcel Proust – 9 votos
“"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa", Fernando Pessoa – 9 votos
"Ama o impossível, porque é o único que te não pode decepcionar", Vergílio Ferreira – 2 votos
"Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos e a outra metade a deixar os que amamos", Victor Hugo - 1 voto
"Amar, é ver-se como um outro ser nos vê, é estar apaixonado pela nossa imagem deformada e sublimada", Graham Greene - 1 voto
Quem quiser ver as belas definições deixadas pelo José Duarte, pelo Almaro, pela Maria Branco, pela MJM, pela Lú, pela maat7, pela Amita, pelo José Gomes , pela Moriana e pela M.P. vai ter que ler os comentários.
Irei actualizando os resultados, se houver mais comentários. Bem me parecia que havia por aqui muitos incorrigíveis românticos.
E qual prefiro eu? Das citações prefiro a de Proust, sem hesitação. E transcrevo aqui um poema de Nuno Júdice que, neste momento, (porque o amor não é igual em todos os momentos) significa muito para mim:
"Eu, sabendo que te amo,
E como as coisas de amor são difíceis,
Preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças."
Publicado por lique às 07:12 PM | Comentários (4)
setembro 07, 2004
Que amor preferem?

Desculpem, mas a minha falta de inspiração hoje leva-me a pedir a quem por aqui passar para colaborar comigo. Vou transcrever aqui 15 citações sobre o amor e o que vos peço é que me digam qual preferem. Em alternativa, podem sempre deixar uma vossa, original. No fim, publico os resultados. Boa maneira de não fazer nada, não acham? Vá lá, o amor é um tema que inspira qualquer um (ou uma, bem entendido)!
1 - "O prazer do amor é amar e sentirmo-nos mais felizes pela paixão que sentimos do que pela que inspiramos"
François La Rochefoucauld
2 - "Se julgarmos o amor pela maior parte dos seus efeitos, ele assemelha-se mais ao ódio do que à amizade"
François La Rochefoucauld
3 - "Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos e a outra metade a deixar os que amamos"
Victor Hugo
4 - "O amor, tal como existe na sociedade, não passa da troca de duas fantasias e do contacto de duas epidermes"
Sébastien-Roch Chamfort
5 - "Só se ama o que não se possui completamente"
Marcel Proust
6 - " Dizer que se vai amar uma pessoa a vida toda é como dizer que uma vela continuará a queimar enquanto vivermos"
Léon Tolstoi
7 - "Amar, é ver-se como um outro ser nos vê, é estar apaixonado pela nossa imagem deformada e sublimada"
Graham Greene
8 - "Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa"
Fernando Pessoa
9 - "O amor não é o lamento moribundo de um violino longínquo - é o rangido triunfante das molas da cama"
Sidney Perelman
10 - " Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito"
Bertolt Brecht
11 - "O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só"
Léon Tolstoi
12 - "Ama o impossível, porque é o único que te não pode decepcionar"
Vergílio Ferreira
13 - " Quem disser que pode amar alguém durante a vida inteira é porque mente"
Florbela Espanca
14 - "Para ser adorado por uma mulher convém amá-la pouco, prometer muito e fingir sempre"
Pierre Ronsard
15 - " Amor é o que acontece entre um homem e uma mulher que não se conhecem muito bem"
William Maugham
Publicado por lique às 10:44 PM | Comentários (25)
setembro 06, 2004
Por vezes

Por vezes dou por mim a imaginar
O rosto que sonha a palavra escrita
Vou assim num pensar doce e sereno
Envolta em som e de aroma aspergida
E nessas vezes paira uma nostalgia
De não saber lábios desse clamor
Ignorar dedos de rudeza ou suavidade
Em teclas das quais não vejo a cor
É então que o sol chama por mim
Ou a chuva me convida para a dança
E eu começo caminhando pela vida
No meu real atalho da esperança
Publicado por lique às 10:13 PM | Comentários (52)
setembro 05, 2004
Blogando

Como já disse por aí num comentário, estou no lento processo de importação dos posts do Sapo, aqui para o weblog. Lento, por falta de tempo e também porque, a maior parte das vezes, quando eu posso o Sapo não deixa. Num dos meus posts iniciais que se chamava “A razão de ter um blog” encontrei um comentário de alguém, a quem infelizmente perdi o rasto, que transcrevo, não na íntegra porque não teria lógica, mas naquilo que pode servir de base a algo que até sei polémico (eu adoro meter-me nestas coisas…) mas que de certa forma interessa a todos os que por aqui andam. Trata-se das virtudes e dos vícios deste mundo virtual e desta blogodependência.
“... isto do blog tem sempre por detrás uma necessidade, a necessidade de nos mostrarmos a coberto deste anonimato. Depois, evolui, sublimamos aqui tanta coisa, inventamo-nos personagens disto, nos caso mais "graves", desenvolvemos múltiplas personalidades que se vão distribuindo pelos vários blogs que vamos criando. (…) Numa fase mais "eufórica", somos embriagados pelo suposto poder que isto nos dá sobre os outros.. é como uma droga, percebes? E tem que haver um grande equilíbrio por parte do blogger para não ser arrastado por isto e deixar de viver a sua vida real, isto toma-nos tempo, muito...desenvolvemos "relações" com outros que são tão "sombras" como nós. E sim, os reais ficam a perder. Tudo depende da maneira como encaras isto. Até porque o que de "grandioso" se passa, é atrás do blog e essa é última fronteira: quando se passa do blog para o mail e do mail para o chat e seus "derivados", pode criar muita infelicidade. Lique, aqui podemos ser tudo, ser o que sempre desejamos e nunca fomos, percebes? E os outros podem ter a tresloucada ideia de nos manipular, ou porque pensam detectar supostas fragilidades,ou por mero exercício de poder gratuito. (…) Sim, isto pode ser perigoso se se confundir com a realidade, ou se começarmos a criar novas personalidades.”
Por vezes a criação de múltiplas personalidades tem a ver com a coerência e o arrumar do que se escreve e pode até ser sinal de multifacetados talentos. Portanto, nessa parte, não concordo a 100% com o comentário. Também me parece que, no global, o balanço entre os aspectos positivos e negativos depende da atitude que tomamos perante este fenómeno que se apodera um pouco de nós. Mas há muita coisa aqui sobre a qual vale a pena meditar, não vos parece?
Publicado por lique às 07:55 PM | Comentários (58)
A todos os amigos alojados no Sapo

Desde ontem, tenho passado nos vossos blogs para vos ler, o que fiz, e comentar, o que é impossível, parece que desde há dois dias. Também não consigo entrar nos meus comentários do blog antigo pelo que presumo que o bichinho verde voltou a fazer das suas, desta vez durante bastante mais tempo que o habitual. Continuarei a passar nos vossos espaços e espero que o problema se resolva rapidamente. Beijinhos para todos.
Publicado por lique às 11:01 AM | Comentários (10)
setembro 04, 2004
Passou o dia

Passou o dia, foi-se o perigo.
Ressuma brandamente a
cabeleira de crinas sobre as vagas,
faz-te um leito de espuma.
Dilata o curto coração que te
dizima, ordena-lhe que cresça e
à sombra da repousada brisa
se aquiete e durma.
Eu sei. É o amanhã. De véspera
te consome, por ele tremes já neste
crepúsculo de vigília. Porém eu digo-te
que será sempre igual a hoje, nada
temas. Dilata o coração e dorme.
Nuno de Figueiredo
Publicado por lique às 08:12 PM | Comentários (33)
setembro 02, 2004
Petição contra a proibição da entrada em águas territoriais do barco da Women on Waves
Quem estiver interessado em assinar esta petição, basta clickar aqui
Publicado por lique às 09:55 AM | Comentários (18)