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setembro 27, 2004

Mas as crianças...

p0002607.jpg


Vejo fotos tuas mas não te imagino
Correndo nos campos em dia de sol
Não te vejo rir os risos de infância
Sonhar com fadas, anjos, feiticeiras
Não te vejo ser a princesa Aurora
Aquela que o beijo do príncipe acorda
Nem dançar com ele no salão dourado
Onde perderás o sapato de cristal
Não te vejo voar para a Terra do Nunca
Mão dada com Peter eterna criança

Vejo de ti dias de árduas canseiras
Tristeza espelhada em teu olhar adulto
Que briga e desmente os teus poucos anos
Desamor demais quando amor é preciso

Vejo fotos tuas mas não vejo a agonia
Quem quer ver crianças que nunca o foram?
Quem dá o amor quando é tempo de salvar?

(para a Joana e todas as crianças maltratadas)

Publicado por lique às setembro 27, 2004 12:15 AM

Comentários

Muito bonito. Obrigada. Pobres crianças.

Publicado por: jornablogar em setembro 27, 2004 12:39 AM

As principais vitimas da fome, sa guerra, da desgraça são sempre as cranças. Ou seja o nosso futuro está muito, mas muito comprometido.

Publicado por: polittikus em setembro 27, 2004 01:09 AM

:((((((( Que mal fazem as crianças como a Joana, para lhes fazerem tanto mal? Emocionante o que escreveste Lique e fica-se com uma lágrima no canto do olho. A imagem a condizer perfeitamente com o poema. Muitos beijos:))***

Publicado por: wind em setembro 27, 2004 02:07 AM

Não consigo entender nem aceitar.

Publicado por: madalena em setembro 27, 2004 09:11 AM

Por ela pelos milhões de outras que nunca souberam o que é ser CRIANÇA, Obrigada: MUITO OBRIGADA!

Publicado por: seila em setembro 27, 2004 10:19 AM

Os Miseráveis de Victor Hugo continuam a existir neste principio do século XXI porque os Miseráveis que nos governam continuam a dormir até que, de quando em vez, despertem com mais um escândalo que põe a nu a miséria social, a miséria cultural, a miséria do ensino e a miséria… mais miséria e sempre a miséria… Não tarda nada que os Miseráveis que nos governam continuem a dormir à sombra da misericórdia cristã. Gavroche e Joana, estarão sempre no pensamento de quem NÃO ACEITA e espevite a revolta.

Publicado por: Pantanero em setembro 27, 2004 10:48 AM

Muito bonita e séria esta tua prosa doce Lique.
Um beijo lá do Olimpo.

Publicado por: Zeus em setembro 27, 2004 10:56 AM

Retrataste uma miséria humana - como já aqui alguém referiu - não apenas com uma prosa/poética belissima.
Tudo o que acabei de ler, SEI que vem lá de bem fundo, de dentro de ti.
É essa mulher aqui desnudada que eu admiro e respeito por seres genuína e de convicções.
A todas as "Joanas" deste mundo o respeito que lhes é devido, por terem pago com a vida o facto de serem crianças e inocentes.
Alice, pq sou humano, duas lágrimas rolaram rosto abaixo.
Deixo-te um beijo de Amizade.

Publicado por: LetrasAoAcaso em setembro 27, 2004 11:07 AM

apenas o tempo de ler, deixar um abraço e desejar-te uma excelente semana. ;-)*

Publicado por: adesse em setembro 27, 2004 11:12 AM

Um assunto de muito interesse. As crianças continuam a ser o melhor do Mundo. Ainda assim, teimam em ver-lhe os direitos negados por aqueles que também já foram crianças!

É uma realidade complexa!

As suas palavras são belas... o cenário é horrível. Este choque permite um belíssimo post.

Saudações

Publicado por: Carriço em setembro 27, 2004 11:25 AM


arrepiante, Lique, não é?! este o (nosso) mundo de "modernos" : crianças, velhos descartáveis e jovens ( e menos jovens ) atirados para valeta do desemprego, imolados na ara de uma globalização desumana! regressão ao sec. XIX, como já foi notado!

beijos

Publicado por: DonBadalo em setembro 27, 2004 12:29 PM

Não consigo comentar. Obrigado por teres escrito por mim. Mudei o nome ao meu blog. Não me percas o rasto, please. Beijo grande

Publicado por: fernanda em setembro 27, 2004 12:30 PM

tomei um taxi......o taxista ligou a radio estava a dar a noticia sobre a Joana desligou e comentou:eu já nao confio em ninguem no mundo senao na minha mae.e agora???????nego-me a acreditar nestas noticias.............sao demais para mim...........

Publicado por: Maria em setembro 27, 2004 01:14 PM

Horrível, não é? No entanto, e se me permites que digo, conheço alguém, que foi muito maltratada em criança. Teve que fugir, mas com ajuda de pessoas amigas, deu rumo à sua vida e agora é uma advogada, não sei se neste tipo de casos. Gostava muito que a Joana tivesse vivido e dado a volta por cima, como esta pessoa. Por ela! Porque é alguém que mereçe respeito, amor, carinho e tudo mais!!
Um beijinho
Marta

Publicado por: MARTA TEIXEIRA em setembro 27, 2004 02:08 PM

Há coisas que nos deixam assim: perplexas sem conseguir perceber. Há coisas que é impossível não mexerem connosco. Enfim...
Há coisas imperdoáveis.

Bela (infeliz o momento) escrita a tua, lique.

Publicado por: AmigaTeatro em setembro 27, 2004 02:51 PM

Sobre o poema não digo nada. As palavras estão lá, arrepiantes, no sítio certo, acutilantes, que marcam aquilo que temos de mais belo: o FUTURO!
Joana é o rosto visível de tantas Joanas que caem por este mundo cão, vítimas de pais sem coração, de governantes sem sentimentos, de nações que se transformaram elas próprias carrascos desse FUTURO!
Dizem que as crianças são o melhor do mundo... pois sim! Então porque matá-las fria, cirurgica e friamente?
Uma lágriama de desalento em nome de todas as CRIANÇAS que tombam sem saberem bem porquê.
Um abraço, Alice, e que o bicho homem tome juizo enquanto é tempo...

Publicado por: jose gomes em setembro 27, 2004 03:22 PM

Na realidade a miséria extremada leva o ser humano a comportamentos onde a ausência de valores (familiares por exemplo)têm epilogos tão dramáticos quanto este. Este que vem ao nosso conhecimento porque de uma morte se trata. a miséria extremada, repito, não vive, a maior parte das vezes paredes meias com o conhecimento dos sentimentos mais nobres do ser humano. Embrutece. Ponto final e parágrafo. E isto, incrivelmente, serve interesses hediondos de muita gente.
Fica bem. Beijos e inté!

Publicado por: porquinho da india em setembro 27, 2004 04:00 PM

não sei desenhar uma lagrima,
sem a chorar,
tocar ou sentir.
não sei gritar a dor, sem dizer letra a letra a palavra, basta...
mas acobardo-me no gesto,
prendo-me no silêncio e sem forças,
assustado, murmuro,
sou animal,
sou besta...

Publicado por: almaro em setembro 27, 2004 05:02 PM

Não há comentários possíveis lique. Acho que aos poucos o SER HUMANO está a voltar a ser IRRACIONAL!!! Bela homenagem a todas as crianças maltratadas e neste caso à Joaninha.
Um grande beijinho*.

Publicado por: Estrela do mar em setembro 27, 2004 05:27 PM

Uma bonita e sentida referência às crianças em geral e à Joana em particular.
Aspecto que sempre me tocou e revoltou.
Com a Joana, o organismo que tratou do caso acabou por falhar... Sei que não é nada fácil ajuízar do risco, mas tenho a impressão que reina alguma frieza no tratamento preventivo destes casos.
Beijinho e boa semana.

Publicado por: Nilson em setembro 27, 2004 06:18 PM

Mais um belíssimo poema. Infelizmente, existem muitas crianças que continuam vítimas de maus tratos. Todos os dias. Pergunto-me: mas porque tiveram filhos? Que raio de mães e pais, ou padrastos ou família é esta que não tem respeito pela vida? Eu tive sorte com os pais que tive. Beijos

Publicado por: Betty em setembro 27, 2004 06:20 PM

O texto é muito bonito

Apenas consigo dizer. Obrigado por todas as joanas deste.


Publicado por: João Norte em setembro 27, 2004 06:37 PM

É dificil comentar quando tudo já foi dito! bjs

Publicado por: yogipijama em setembro 27, 2004 06:45 PM

lique
essa do beijão só para quem não me conhece...
acima de tudo espetar a farpa bem no lombo!
a justiça tem coisas destas, às vezes ser justo significa ser mordaz, rasgar ...e ferir no ponto exacto!
e não é sinónimo de maldade, tudo depende do "bicho" que temos à frente e daquilo que ele é capaz de fazer...mal!

Publicado por: hammer em setembro 27, 2004 06:59 PM

Lindo Poema para todas as Joanas que há por aí por esse mundo fora, Lique! As que sobreviveram mas morrem em cada minuto que vivem e as que já se foram, ambas vítimas de monstros encapotados que se arrogam o direito de viver em paz com a sua consciência quando nem sequer sabem o que isso é!**

Publicado por: M.P. em setembro 27, 2004 08:24 PM

Adoro-te companheira! É preciso avisar toda a gente, transmitir-lhe a palavra e a senha...
que essa sensibilidade e humanismo sejam benditos, e BENDITA SEJAS TAMBÉM!

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado em setembro 27, 2004 08:29 PM

É tão triste ver que há gente tão má!:(

Publicado por: Raquel em setembro 27, 2004 09:18 PM

Querida Lique, não tenho palavras, apenas posso deixar o meu silêncio e as minha lágrimas, pela Joana e por todas as crianças que passam por aquilo que a Joana passou, por todas as crianças que não podem ser crianças! Beijinhos amiga

Publicado por: Maria Branco em setembro 27, 2004 09:29 PM

Lique, o que me mais me arripia no nosso sistema de justiça é a forma como olham as crianças, não como seres humanos, mas como bonecos sem quaisquer direitos a protecção. Só depois de as tragédias acontecerem, é que se arromba a porta. E os vizinhos, nunca ouviram nem viram nada? Agora gritam, mas algué levantou a voz para acusar os maus tratos? Ai, Lique, nem digo mais, tenho uma Princesinha de 5 anos ao pé de mim, e tremo só de pensar que alguma coisa de mal lhe poderia acontecer!

Publicado por: moriana em setembro 27, 2004 10:04 PM

De lágrimazita ao canto do olho só te quero dizer que o teu poema é muito mais eficaz para despertar as pessoas que as centenas de directos disparatados e sensacionalistas que as televisões fazem. Beijinho grande.

Publicado por: ognid em setembro 27, 2004 10:38 PM

Está muito bom este texto, lique.
Estou completamente de acordo contigo.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em setembro 27, 2004 11:05 PM

Gostaria de saber se posso alterar a morada do seu blog que faz parte dos meus links favoritos!

A justiça é uma espera dura para os mais frágeis, é talvez o principal motivo para nunca sermos completamente felizes!

Até logo!

Publicado por: João Maria em setembro 27, 2004 11:17 PM

Lique querida!
Eu não sei quem é a Joana.. mas a vejo no rosto de tantas outras crianças sem infância
que sofrem torturas, passam fome e são exploradas..Vítimas dos próprios pais.
Vítimas do descaso de toda uma sociedade.
bjos para ti Lique!! Fica bem..

Publicado por: em setembro 27, 2004 11:26 PM

Enquanto o bom senso nos deixar discernir entre o q é certo e o q é errado, sobrará capacidade para o retratar, como o fizeste, e para lamentar o q está por fazer.
"... e a chuva não bate assim..."
Como se depende da sorte para se ser criança! Sobra muito pouco para se acrescentar, sobretudo pela forma justa e escorreita como o fizeste.
Kiss, mas triste

Publicado por: MJM em setembro 27, 2004 11:39 PM

Sem palavras pelos horrores cometidos. Gente insana. Bjinhos amiga

Publicado por: amita em setembro 28, 2004 12:15 AM

Não sei comentar. Desculpa...

Publicado por: M. (de Manuela) em setembro 28, 2004 12:24 AM

Não entendo como é possível tal acontecer. Mas desculpa-me amiga... onde estava toda a aldeia quando sabiam dos maus tratos ? Não consigo deixar de me sentir responsável também...
(beijo)

Publicado por: inconformada em setembro 28, 2004 12:27 AM

Cheguei até aqui atraida pelo título de seu blog. Encantei-me. Estarei sempre a visitá-lo e espero a sua visita ao meu também. --- Não conheço a história da pequena Joana, mas sinto uma imensa angustia despertada pelas suas palavras que constituem esse belo poema.Percebo que aqui no Brasil vivemos também essa triste realidade. Que aqui também as crianças são as maiores vítimas do descaso dos governantes que relegam aos nossos pequenos o abandono. Tudo isso agravado por leis ultrapassadas que não punem com o devido rigor. Desculpe-me se fui rude. Sou mãe e avó.

Publicado por: LIA em setembro 28, 2004 04:12 AM

Cheguei até aqui atraida pelo título de seu blog. Encantei-me. Estarei sempre a visitá-lo e espero a sua visita ao meu também. --- Não conheço a história da pequena Joana, mas sinto uma imensa angustia despertada pelas suas palavras que constituem esse belo poema.Percebo que aqui no Brasil vivemos também essa triste realidade. Que aqui também as crianças são as maiores vítimas do descaso dos governantes que relegam aos nossos pequenos o abandono. Tudo isso agravado por leis ultrapassadas que não punem com o devido rigor. Desculpe-me se fui rude. Sou mãe e avó.

Publicado por: LIA em setembro 28, 2004 04:14 AM

................. :'(

Publicado por: Bruno em setembro 28, 2004 06:36 AM


O espantoso é ter preciso "acontecer" a Joana para o assunto dos maus tratos ser falado .Por quanto tempo? :(......

Publicado por: annie hall em setembro 28, 2004 11:07 AM

{ ... dói mesmo no peito chorar esta “joana” que em seu rosto reclama inocência e seu olhos criança, nesta falta de sentido de vida, nesta falta de carinho imenso, choro estas palavras por ti escritas, neste grito sentido por ti gritado… crianças mal tratadas por ti recordadas, nesta falta de tudo e de nada. dói, dói memo no peito. obrigado lique por teres lembrado o que nunca pode ser esquecido… e choro, choro sempre que vejo o sorriso da minha criança ( filha ) e que “joana” sinto, abraço forte em meio peito também ... }

Publicado por: o5elemento em setembro 28, 2004 11:35 AM

Alice, desculpa, mas deixa-me dar um apontamento a esta nossa amiga:
"O espantoso é ter preciso "acontecer" a Joana para o assunto dos maus tratos ser falado .Por quanto tempo? :(...... annie hall em 28 setembro)"

Annie, infelizmente, enquanto o assunto VENDER notícia (seja ela escrita, falada, fotografada ou filmada)!! Depois cai no rame-rame do dia a dia... e a carga emotiva que tem vai-se esfumando com o passar dos dias... é isto a porca da vida! Desculpa lá meter foice em seara alheia... um abraço.

Publicado por: josé gomes em setembro 28, 2004 03:40 PM

lindo poema, estas cada vez melhor, minha mae poetisa. vou por um da sophia no meu abandonado blog se conseguir. aqui nao consigo escrever os meus... beijo

Publicado por: hana_le em setembro 28, 2004 04:27 PM

lique
claro! quando falo no beijão não é dado na Maria do Carmo...é no Portas.....................................................................
ah, ah , ah

Publicado por: hammer em setembro 28, 2004 05:08 PM

A TODOS: Ia ser complicado hoje responder individualmente. Acho também que as diferentes opiniões debateram suficientemente o assunto, aliás já dissecado pelos media de forma algo repugnante. Agradeço muito as vossas contribuições. Quero só dizer aos amigos do outro lado do Oceano que não estão a par do assunto que podem ler sobre o que sucedeu em
http://jornal.publico.pt/publico/2004/09/24/Sociedade/S10.html

Não posso deixar de reflectir sobre dois pontos que me parecem importantes: a falência completa da assistência social no detectar destes casos antes que as tragédias aconteçam e a responsabilidade de cada um de nós quando tem conhecimento de algum caso do género. Trata-se de um crime público, qualquer pessoa pode denunciar.

E só quero dar uma grande beijo à minha filhota que, lá da Holanda, veio pôr um comentário ao blog da mãe. Para todos os outros, beijinhos e abraços.

Publicado por: lique em setembro 28, 2004 05:44 PM

À Joana, um pequeno acróstico:

Já não há flores
Ou caminhos por onde ias...
Apenas se ouve a angústia e o horror
Na imensa solidão em que vivias
A gritar-nos o desamor dos teus dias.

Publicado por: OrCa em setembro 29, 2004 12:26 AM


Resta-nos chorá-la e cuidar das restantes Joanas de olhos tristes... Tenho muitos este ano. Salvos por uma instituição de caridade. Onde tão pouco se sabe se estão a salvo. De si mesmos, dos seus pesadelos. Eu só posso semear sorrisos. Mas dói. Muito sentido o teu poema, evocativo da infância feliz que pertenceria por direito a qualquer criança. Atrasada como sempre, ainda te deixo o meu Obrigada. E beijo.

Publicado por: LibeLua em setembro 29, 2004 08:25 PM

Incapaz de escrever o que quer que seja, permite-me que copie o último parágrafo dos esteiros:« -Gaitinhas! 'tou aqui, Gaitinhas!
Mas a sua voz afasta-se. Gaitinhas-cantor vai com o Sagui correr os caminhos do mundo, à procura do pai. E, quando o encontrar, virá então dar liberdade ao Gineto e mandar para a escola aquela malta dos telhais - moços que parecem homens e nunca foram meninos.»
Este livro foi escrito em 1940. Os tempos mudam e estes mesmos problemas surgem com novas roupagens. É muito triste...
Um abraço.

Publicado por: Cecília em setembro 30, 2004 02:37 AM

Vejo esta fotografia e compreendo então até que ponto as palavras de Raul Brandão que tenho citado no meu blog continuam a ser tão actuais.
Beijos

Publicado por: henrique doria em setembro 30, 2004 10:32 PM