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setembro 21, 2004

Paisagem

big_city.jpg


Amanheceu um céu de chumbo de Outono adiantado. Não sei se a melancolia é minha ou da paisagem lá fora. Para lá do muro da quinta, ao fundo do horizonte da minha janela, prédios de diversas cores perfilam-se, parecendo também eles abrigar vidas estagnadas, sem sol. São caixotes em que nos enfiamos todos os dias, mais ou menos pela mesma hora e dos quais saímos pontualmente para os mesmos afazeres. Há roupa estendida nas varandas que, se eu tivesse aqui binóculos de voyeur, me diria, de quem lá habita, mais do que eu preciso saber. Os prédios apertam-se uns contra os outros numa disposição irregular, invadindo o espaço de privacidade e solidão que cada um deveria proporcionar.
Vivemos em prisões construídas por nós, quando temos a vocação da liberdade. O ambiente à nossa volta, nestes aglomerados em que nos juntamos, é agressor. Qualquer animal, colocado em ambiente que o agrida ou o ponha sob stress, desenvolve comportamentos aberrantes e doenças físicas. Seremos nós diferentes? A nossa “racionalidade” não impede a depressão e o desenvolvimento de neuroses de todo o tipo. Parece-me que o homem, no seu “desenvolvimento” civilizacional, criou para si próprio um ambiente hostil, coisa que os outros animais não conseguem fazer sozinhos. Aparentemente a racionalidade trouxe-nos também algumas desvantagens que, infelizmente, se repercutem em nós, homens, e nos restantes habitantes deste planeta dito azul.

(num dia cinzento, há uma semana atrás, olhando para lá da janela)


Ilustração daqui

Publicado por lique às setembro 21, 2004 11:25 AM

Comentários

Por isso, cada vez mais, nos refugiamos dentro de casa. Ela funciona como o reduto de liberdade e protecção que nos resta, no meio hostil, lá fora. Sabes, Lique, por vezes penso como é um paradoxo a nossa vivência. Sentimo-nos sós e isolados, mas procuramos a nossa interioridade e excluímos a abertura aos outros. Desviamos o olhar ou tornamo-lo transparente a tudo e a todos, construímos uma couraça impedindo os sentimentos, o calor, a palavra.
Protegemo-nos do meio ambiente que construímos e do qual nos queixamos em desespero, por vezes.
Por isso a "ideia" dos espaços abertos, do campo é tão importante! Ela mantém-nos vivos! Beijinho, amiga.

Publicado por: moriana em setembro 21, 2004 11:59 AM

Doce Lique, doce prosa.
Cuidado com a solidão!
Bj lá do Olimpo

Publicado por: Zeus em setembro 21, 2004 12:43 PM

O pior é que a cada dia, se estreitam as janelas nessas construções. O que aumenta a sensação de prisão.
Um beijazul, Lique.

Publicado por: Márcia em setembro 21, 2004 01:33 PM

Entre uma fugida... vou já sair!
Acabei de ler o teu "post" de hoje (mais um que vou açambarcar para a Noite de Poesia!!!) e subscrevo as opniões da Moriana, Zeus e Márcia. Penso que se completam.
Eu iria repeti-los, mas deixa-me dizer - pessoalmente - que gosto do "céu de chumbo de Outono"... porque sei, quando se põe o sol, esse mesmo céu ficará deslumbrante na sua sinfonia de cores quentes! Aquelas cores que irradiam de um mar que nos atira novelos de espuma perfumada.
Sabes, é este o remédio que se encontra na natureza para curar o stress, certas feridas civilizaçionais...
Temos ainda o que resta de espaços verdes, numa qualquer aldeia perdida nos montes onde a lenha ainda não tenha sido substituida pela electricidade, onde as estrelas brilham num céu escuro com o esplendor que nos aconchega...
Cala-te, Zé, que só dizes asneiras!
Um beijo para ti.

Publicado por: jose gomes em setembro 21, 2004 02:30 PM

Cada vez mais sentimos nas nossas casas e local de trabalho, as amarras da tecnologia que nos condiciona, individualizando-nos, dificultando o contato e relacionamento com os outros, mutilando indiretamente a criatividade, a imaginação, a percepção e a espontaneidade. Vamos deixando de lado a capacidade criadora para nos tornarmos parte da “engrenagem de uma máquina”. o desenvolvivemto de que falas, a estrutura urbana, a arquitetura, desta sociedade midiática correspondem à nossa estrutura da vida. O resultado que dai advém não é com toda a certeza o melhor, não somos mais felizes com todas estas transformações, muito pelo contrário, e mesmo assim deixamo-nos levar nesta engrenagem, quase que sem reagir… Beijinhos

Publicado por: Maria Branco em setembro 21, 2004 03:02 PM

São dias cinzentos... que nos chamam à terra... ;) bjs

Publicado por: ridufa em setembro 21, 2004 03:56 PM


crescimento versus desenvolvimento! rios de tinta que têm corrido para desatar o nó górdio dessa equação! tenho para mim, porém, que "todos" os engenheiros ( e arquitectos, juristas, economistas, políticos, etc.) deveriam ser prioritariamente poetas e outro galo cantaria...

beijos

Publicado por: DonBadalo em setembro 21, 2004 04:11 PM

Parece que, de certa maneira, andámos os dois a pensar em coisas muito semelhantes. Lique. Um dia feliz. Beijos

Publicado por: yardbird em setembro 21, 2004 04:14 PM

É sempre bom olharmos para lá da janela...
Beijinhos.

Publicado por: João da Cal em setembro 21, 2004 04:20 PM

Pois é Lique vivemos em prédios que parecem caixotes todos juntos. Não há comunicação entre as pessoas (vizinhos) só uma mera saudação, às vezes, a nossa cabeça é afectada pelo clima de um ambiente assim cinzento, nada azul, como sempre precisaríamos. Os próprios animais ditos "irracionais" são afectados, parece que andam mais tristes. Belo e real texto! Haja sol:-)Ilustração "assustadora" a condizer perfeitamente com o que está escrito;)Muitos beijos:))***

Publicado por: wind em setembro 21, 2004 04:47 PM

Afinal os nossos dois posts não são assim tão diferentes, Alice.

O cinzento quase negro é obra de uma Sociedade doente que em detrimento de uma saúde mental, opta claramente(?) pela alienação como forma de controle da maior parte de nós.

"Pintei" os meios corpos sem rosto definido.
Como calculas o que leste é apenas uma parte de um todo. Na sequência do mesmo, vêm os novos escravos, que agora usam fato e gravata, inchados com pormenores, mas explorados de uma forma muito mais requintada.

Imagina um fulano de seguros, ou de um banco a quem todos os dias são pedidas horas extra, jantares de negócios e tudo isto sem remuneração suplementar. O carro da empresa, o telemóvel, o fato, dão-lhe o aspecto de bem sucedido na carreira.

Mas tudo o resto fica para trás. Onde fica a família? - Os amigos? - Resta-lhes as tais noites de meios corpos em arremdos de vida, quando são afinal mortos que ainda não se deram conta dessa condição.

Contudo, acredito num mundo melhor.

Um beijo e adorei estas tuas cores outonais.

Publicado por: LetrasAoAcaso em setembro 21, 2004 05:01 PM


Eu conheço essa paisagem. Fugi dela muito recentemente. Os bairros rosa aglomerados de gente e betão são lugares que comprimem o sonho, mas onde ele ainda assim respira, às vezes agoniza, outras cede. São nossas apenas as nesgas de céu que as janelas permitem. As crianças crescem com medo dos carros que lhes atropelam a liberdade de brincar nas ruas, nos passeios, nos largos. E o Outono, tem a melancolia dos lugares sem luz. Por isso, minha amiga, me vez aqui a viver no campo, no meio de uma serra sem mais vizinhos que a bicharada que me entra pela casa, sempre que pode. Isolamento? Não. A alegria de passear pela mata a colher pinhas e feixos de lenha para o Inverno. As aventuras das crianças em céu aberto. E um sol que nasce numa encosta e nos rodeia a casa para desaparecer na outra... À noite... silêncio apenas e uma escuridão vinda do fundo dos tempo...
Mas nem todos podemos viver as nossas vidas no campo. Tudo se centraliza cada vez mais nas cidades litorais. Nada no interior. Nem sequer incentivos para que os quadros se mudem, médicos sobretudo, engenheiros, gestores, que os professores, esses... vão à força.
Resta assim descobrir nas cidades essa suave melancolia que soubeste encontrar e louvar a réstia de racionalidade que nos permite esta capacidade de auto-habituação aos ambientes mais deshumanizados. Gostei muito do teu texto. SUAVE MELANCOLIA. Não lhe chamaria solidão de estar só. Chamar-lhe-ia distanciamento em relação às coisas - uma forma de olhar a realidade e ordenar o caos. Beijinho de saudade. Xiiiiiiii, desculpa o abuso!

Publicado por: LibeLua em setembro 21, 2004 05:42 PM

Somos especialistas em encurralarmo-nos na nossa liberdade. Imaginamo-la e convencemo-nos que somos livres, poetas ou artistas. Criamos a ilusão da felicidade, na nossa insegura e efémera racionalidade. Levamos um a vida inteira a inventar formas de nos tornar escravos do existir, com um sorriso de satisfação que arrepia.
Vou parar por aqui, o teu Outono pegou-se cheio de cinzentos e eu hoje deixei fugir o azul... Proíbo-me de escrever hoje qualquer outra palavra…
Um beijo, posso!

Publicado por: almaro em setembro 21, 2004 07:51 PM

Creio que somos o unico animal a desenvolver um habitat hostil porque, na verdade, somos o unico animal a sucumbir à ganância, ao poder, ambição e tantos outros catalizadores nefastos que desencadeam a selva urbana. Concerteza não será apenas por este motivo, mas o que me chateia mesmo é a falta de qualidade inerente à construção. Eu escrivi sobre a insustentabilidade futura de que todos nós sofreremos futuramente... se não há uma alteração de mentalidades e políticas, as cidades serão um desterro inabitável! Se tiveres tempo e paciência, espreita :

http://pijamateca.blogspot.com/2004/09/leitura-de-fim-de-semana.html

bjs :)

Publicado por: yogipijama em setembro 21, 2004 08:31 PM

Olhar pra lá da janela... nunca havia pensado na força desta expressão! Durante muito tempo fiz isso com olhos que só eu sabia e que é de um lado que pede grandes espaços. Existe uma solidão dolorida nestes momentos, né? Este texto - lindo - t´ame fazendo pensar em tantas coisas... é o contraponto no meu dia de moleca! rs.. Beijo grande

Publicado por: Loba em setembro 21, 2004 09:57 PM

Venha para o campo!Isto é uma ordem !:)

Publicado por: annie hall em setembro 21, 2004 09:59 PM

O dia que tu descreves é talvez o dia de alguém que acordou depois de ter sonhado com a Saudade. Mas olha, hoje venho falar-te do que vejo e do que tenho no meu local de trabalho!
Hoje esteve um dia quente de Outono, tão perto. E... das muitas janelas de uma sala num edifício de eleição (casarão imenso onde tílias contam estórias)onde senti que o tempo se arrastou enquanto me retiveram na clausura de 4 paredes muitas vezes a discutir o sexo do anjos, tive por escape exactamente essas frondosas copas que se vão lentamente dourando na cor de um Outono pleno. A "música" de fundo era uma sinfonia desconcertada de vozes e de passos que vão contra imponência que o antigo impõe!
Estava Sol lá fora! **

Publicado por: M.P. em setembro 21, 2004 10:34 PM

Na realidade viver num espaço, do qual descreves como um retrato a preto e cinzento, é deprimenta.
Mas é o preço que se tem de pagar para viver numa cidade, que tem as suas ventagens e desvantagens.
Como é bom viver numa ilha, onde ainda se pode olhar o céu e imaginar as formas das nuvens, sentir o cheiro do campo, o barulho do mar no vaivem das ondas, o reflexo do sol se escondendo num por de sol laranja.
Como é bom viver na minha ilha.

Publicado por: Alma de Poeta em setembro 21, 2004 10:41 PM

Sendo capaz de criações com importância estética intemporal, a condição humana parece impotente para, controlando a sua sensibilidade, fazer das emoções um sistema que o ampare nos períodos de fraqueza de carácter, nos períodos de desânimo, sempre que se deixa sobressalar, que o libertem da vertigem de ciclos de euforia tremenda e, quase de imediato, na mais pura, densa melancolia...condição humana!
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em setembro 21, 2004 10:48 PM

E ainda tu dizes que eu tenho a obsessão dos Açores ou de outros lugares fora daqui. Claro que tenho. Só posso ter. Até porque já lá vivi e sei a diferença. Aqui até a noção da real importância das estações do ano, das fases da lua, se perde. Lá tudo isso ainda se sente. Aqui é (quase) o inferno. A Sara é que fez bem. bjks

Publicado por: ognid em setembro 21, 2004 11:31 PM

Num dos recreios da escola onde dou aulas, há uma tília enorme cuja copa,curiosamente, tem a forma de um coração (ainda hei-de fotografá-la para a trazer até aqui)... Não imaginas o bem que essa tília me faz!!!... Gostei muito deste teu post... Fechamo-nos tanto, que qualquer dia somos estranhos até do nosso próprio corpo... Beijo e grata por teres aqui trazido este tema...:))

Publicado por: maria em setembro 22, 2004 12:04 AM

Lique, creio que os enquadramentos sócio-económicos nos levam a encerrar-nos em torres sonhando com prados. Cumprimos rituais de calendários diversos em que o "natural" parece estar esquecido e no entanto...apesar de toda a racionalidade, a emoção assoma em cada brecha. E nós sonhamos com prados, praias ou florestas que mais não são que o nosso "eu" idealizado em liberdade edénica...Beijinhos :-)

Publicado por: Dora em setembro 22, 2004 01:26 AM

Alice, admite: a imagem é a do Caos..
Um beijo amiga e um bom dia.

Publicado por: LetrasAoAcaso em setembro 22, 2004 08:47 AM

gostei, mas podes tambem ver fotos da Shinkas que é a minha filha
vale a pena, passo a pub

Publicado por: hammer em setembro 22, 2004 10:22 AM

Essa imagem representa onde e como vivemos! Infelizmente é assim mesmo, afinal somos escravos de uma invencão nossa.. O tempo.. :) Boa semana ****

Publicado por: Bruno em setembro 22, 2004 12:23 PM

É por isso que estou sempre a procurar o sol, porque tudo é tão triste!!
Gostei muito.
Um abraço
Marta

Publicado por: MARTA TEIXEIRA em setembro 22, 2004 02:07 PM

Como o meu avó costumava dizer, na sua sabedoria popular:" o homem vai matar-se a ele próprio" A nossa evolução vai para onde????

Publicado por: polittikus em setembro 22, 2004 03:12 PM

tenho a grande vantagem de ser do campo! Do quase alentejo. Onde os meninos brincam nas ruas á vontade, onde as pessoas vão ao café e deixam a porta só no trinco, onde todos se conhecem. Onde há noite não se ouve mais que os grilos e um ou outro cão. Tenho a vantagem de viver num mundo(este tão pequenino) onde ninguem dorme na rua, onde não se passa fome porque todos ajudam todos. Adoro a cidade mas a indiferença das pessoas umas em relaçao ás outras parte-me o coração. Tenho tambem a vantagem de ter a minha cidade (setubal) a 15km daqui(feito em minutos, não sao o mesmo que 15km ai, que se fazem tantas vezes em horas!). A solidão no entanto minha amiga, bate em todos os corações, em todas as almas, vivam elas no paraiso ou no meio do caos!

Publicado por: myryan em setembro 22, 2004 04:35 PM

Belo texto, Lique. Continuo a deliciar-me por aqui. Bjs

Publicado por: ângela em setembro 22, 2004 05:57 PM

Lique,
Gostei da tua prosa, que ilustra melhor que a fotografia o ambiente criado para a maioria das pessoas.
Eu tenho conseguido viver à margem desse habitat e, embora o compreenda, tenho uma percepção talvez minimalista da pressão a que os humanos estão submetidos nessas condições.
Mas também não percebo que na maioria dos casos nem sequer existam relações de vizinhança, como nas aldeias, o que poderia aliviar todo esse stress que descreves tão bem.
Se puderes foge para a aldeia. Tem inconvenientes mas tem vantagens que podem evitar toda essa angústia por ti descrita.
Beijinho.

Publicado por: Nilson em setembro 22, 2004 06:02 PM

Voltei amiga. Por este ano já não há mais férias o que constato a contragosto. Porque a viajar estabelecem-se comparações, conhecem-se outras formas de pensar agir e viver, digam o que disserem do "mundo global".
Bjs e inté!

Publicado por: porquinho da india em setembro 22, 2004 06:07 PM

Neste aspecto tenho sido uma surtuda. Nunca vivi em prédio. Acho que se alguma vez o tiver de fazer nunca me irei habituar. Claro que vivo fora da cidade mas, mesmo assim, os inconvenientes conpensam.
É tudo muito agressivo. Há subúrbios que são um atentado à sanidade mental das pessoas. Daí provém grande parte da carga de stress.
Um abraço Lique.

Publicado por: Ardelua em setembro 22, 2004 10:08 PM

Aqui ainda se pode fugir a isso, mas Lique muita coisa está no modo como nos colocamos face a esses muros que se erguem, a esses silêncios que nos isolam até de nós...olha ontem pela tardinha fui ver o mar e fiquei de conversa com a dona do café e o nadador salvador, sabes que me lembrei (ai eu estou "apanhada de todo") deste post e senti como era de agradecer aos deuses (apesar de/os tudo/s...) esta despoluição da alma... Um grande beijo nesta já entrada madrugada

Publicado por: seila em setembro 23, 2004 01:41 AM

Nos dias cinzentos realmente a cidade parece cair sobre nós com mais força e maior violência que a chuva. Os prédios parecem prisões sufocantes que nos tornam pequenos demais até para ter sonhos, quanto mais para os realizar... Realmente vivemos num ambiente muito hostil e só os laços que vamos criando, os laços verdadeiros, ajudam a superar a agressividade deste ambiente criado por nós. Beijos

Publicado por: sefaxavor em setembro 23, 2004 07:38 AM

>>moriana: a tendência de nos isolarmos no nosso canto e boquearmos o contacto com os outros ainda acentua mais a dsumanização das grandes cidades. Quando pensamos no campo, nos espaços abertos estamos a dar-nos uma ideia de liberdade de que necessitamos.Mas não resolvemos o problema de fundo que a humanidade criou. Beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 08:45 AM

>>Zeus: a solidão caminha connosco, mesmo quando estamos acompanhados de mais! Bjs

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 08:47 AM

>>Márcia: pois é, estreitam-se janelas nas construções e fechamos também a nossa abertura aos outros. Beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 08:48 AM

>>José Gomes: não disseste asneiras nenhumas, amigo. É de facto com essa aproximação à natureza que nós procuramos conforto para a desumanização das cidades. Mas tal como eu disse á Moriana, pode ajudar-nos a nós mas o problema de fundo mantém-se. beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 10:38 AM

>>Maria: tudo o que referes são os males da "civilização". Dir-se-á :"vamos voltar ao início?". Nem me parece desejável quanto mais possível. Talvez devesse era ter havido algum equilíbrio, algures quando todo este processo de desenvolvimento acelerado começou. Beijinhos, amiga

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 10:42 AM

>>ridufa: esses dias cinzentos só nos chamam mais a atenção para os problemas que estão aí todos os dias. Beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 10:47 AM

>>DonBadalo: pois é, amigo, mas não são. A maior parte, pelo menos. Poesia é uma lamechice que não interessa a ninguém, não sabias? :)) Importante é mesmo o tilintar dos euros no bolso. Beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 10:57 AM

>>Yardbird: é verdade. Talvez por isso o teu texto me tocou tanto. Coincidências (?). Beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:00 AM

>>João da Cal: Pelo menos mantem-nos os olhos abertos para o que está lá fora e, se clhar, também dentro de nós. Bjs

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:01 AM

>>Wind: fizeste o panorama completo, minha querida. É isso mesmo. E nem o sol que hoje brilha até demais pode mudar isso. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:03 AM

>>LetrasAoAcaso: este post e o teu de há dois dias são reflexo da constatação de uma mesma desumanização. Concordo contigo. Muitas vezes, de facto, as noites de meios corpos que tu tão bem retrataste têm tudo a ver com todo este ambiente agressor que para nós próprios criámos. Quanto à ilustração é de facto o caos da grande cidade (este nem sequer organizado).Beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:07 AM

>>LibeLua(sempre Sara com amor): Sabes que te invejo um pouco? Tu saiste quase do mesmo sítio onde vivo e foste para o campo. Obrigada, é verdade. Mas sinto-te satisfeita com a possibilidade de olhar para dentro de ti que esse isolamento te dá. Mas, como tu dizes, uma solução individual ou mesmo muitas não resolvem o PROBLEMA. Não há nada que auxilie a decentralização, o reencontro com a (já não muito) nossa paisagem natural. E assim... Beijinhos, amiga. Alonga-te por aqui o que quiseres quando quiseres.

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:14 AM

>>Almaro: Ficou-me uma frase "levamos uma vida inteira a inventar formas de nos tornar escravos do existir". Acho que resumiste tudo. Nem era preciso dizer mais nada. O AZUL já voltou? Beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:19 AM

>>yogipijama: a nossa espécie é de facto única, nessas "capacidades". Fui ler o que me sugeriste. Sem dúvida que a aplicação em larga escala da arquitectura sustentável, tal como referes, seria um passo importante para a melhoria deste panorama. Não resolveria tudo, mas afinal ao menos que apliquemos a tecnologia em nosso favor! Bjs

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:26 AM

>>Loba: tu olhas para lá de outras janelas. Adorei o teu texto sobre o Vinicius. Coisa linda! beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:27 AM

>>annie: olhe, não me importava nada! A humanidade em geral não ganhava grande coisa com isso, mas eu ganhava de certeza. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:28 AM

>>M.P.: hoje até me sinto como tu te descreves, nesse comentário. Vejo o sol lá fora e nem olho os prédios. Mas eles estão lá! Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:31 AM

>>Alma de Poeta: pois é, tu estás nos Açores (és mesmo daí?). Ah, então tens que falar com o ognid que tem a paixão dos Açores. Isso é outra qualidade de vida, embora também tenha o seu preço. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:33 AM

>>José Duarte: o que eu questiono é em que medida o ambiente que para nós criámos não nos condiciona mais que a condição humana. Isto é que daria uma grande discussão, Zé! Beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:36 AM

>>ognid: ora, ora, quase o inferno! Não, tens razão, há momentos em que a vontade é fugir disto tudo e ir para aí viver de uma forma bem diferente. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:38 AM

>>maria: por vezes são pormenores como a tua tília que nos reconciliam com a vivência diária. E fazem toda a diferença. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:40 AM

>>Dora: tu deves ter essa noção bem interiorizada. Pelo que escreves, eu acho que tu sonhas ser parte física da natureza. Algo que, se calhar, todos devíamos ser (pelo menos vivendo em harmonia com ela). beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:45 AM

>>Hammer: já lá fui, papá babado! A menina tem talento, sim senhor. Bjs

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:46 AM

>>Bruno: é uma habilidade nossa, tornarmo-nos escravos das nossas invenções. O tempo... devia existir para tudo o que nos é essencial. Mas nem por isso... beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:48 AM

>>marta: procura o sol, amiga. Eu acho que a tristeza também está dentro de nós e temos que a espantar. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:53 AM

>>polittikus: tinha carradas de razão, o teu avô! O homem tem uma tendência danada para a auto-destruição. Bjs

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:54 AM

>>myryan: tão bom viver nessas terras! Mas por vezes também existe nelas a tristeza do tédio, da falta de estímulos. Isto é um equilíbrio difícil. Quanto à solidão, surge em todo o lado, amiga. No meio das multidões ou no isolamento do campo. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:58 AM

>>Ângela: bom é "ver-te" por aqui! Vai aparecendo sempre, amiga. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 11:59 AM

>>Nilson: que bom para ti, se vives num ambiente diferente. As relações de vizinhança são dificilmente estimuladas quando as pessoas saem de casa cedinho de manhã e voltam já noite. E esta agora, todos querem que eu vá para a aldeia!:)) Talvez, daqui a uns anos. Bjs

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 12:02 PM

>>porquinho: é bom ter-te de volta! Os amigos "antigos" fazem sempre uma falta danada. Viajou, viajou... Concordo que as viagens nos dão uma perspectiva diferente deste mundinho. Mas agora exigimos que assentes. Queremos ler-te, bolas! Beijos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 12:04 PM

>>Ardelua: que bom amiga! Compensa viver fora das grandes cidades. Mas depois há o trânsito e outros problemas do género... É civilizacional e causa alguma angústia, quando nos dá para olhar para lá da janela. Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 12:08 PM

>>seilá: pois, esses teus locais eu conheço. Por aí, mais ou menos, retempero forças sempre que posso. E gostava bem de um dia ir viver para essas bandas. Ainda se consegue alguma paz (sobretudo fora do verão). beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 12:10 PM

>>sefaxavor: de facto, as nossas verdadeiras amizades são sempre um lenitivo para as angústias que a cidade nos provoca. Na verdade, a amizade é indispensável ao nosso equilíbrio. beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 12:13 PM

Sentada no meu jardim, tantas vezes, mas ao cair da noite, teço pensamentos como este! Beijo grande

Publicado por: fernanda em setembro 23, 2004 01:29 PM

>>Fernanda: partilha connosco os teus pensamentos, amiga. Sempre! Já vi que voltaste. Já lá vou ;) Beijinhos

Publicado por: lique em setembro 23, 2004 02:23 PM

Bem focado. Mas, sabes? Gosto de cidades; gosto de desertos. O deserto da cidade permite quase tudo, sobretudo pq a proximidade da mão não obriga a sair do lugar; sabemos q tudo ali está, e por vezes isso basta. É connosco q fugimos, qd fugimos, e é connosco q ficamos, mesmo se não queremos ficar.

Fui onze vezes ao deserto do Sahara. Nos últimos anos, tenho ido sempre, pelo menos uma vez por ano, assim como outros vão a Fátima ou outros a Paris. A devoção tornou-se assim uma espécie de obsessão, aos olhos dos amigos ou dos estranhos: perguntam-me frequentemente o que é que eu lá procuro e o que é que encontro. E a esta pergunta, tão simples e tão vasta, costumo dar uma das minhas respostas preferidas: não procuro nada e não se encontra o que se procura, mas o que se encontra. (...)
O que é que se procura num deserto? Por definição, nada. O deserto é a ausência de tudo. É esse, afinal, o segredo desta estranha atracção: a ausência de tudo equivale ao princípio de tudo, como uma página em branco. (...)
Porquê, então, este desejo veemente de deserto, esta vontade de nada, de vazio absoluto, esta viagem ao mais fundo de nós mesmos - lá, onde não resta sombra de arrogância, do orgulho, e da sabedoria que julgamos ter? Talvez porque ali estamos a sós com o Absoluto, ali, se os Deuses existem, é o mais próximo deles que podemos estar, porque ali reside, mesmo que jamais o decifremos, a chave para o eterno enigma da Criação. É ali que começa a vida, é o nosso útero, o princípio de todas as coisas. Só então ficamos a saber que tudo o resto são circunstâncias.

(NÃO TE DEIXAREI MORRER, DAVID CROCKETT, Miguel Sousa Tavares)

'ele' há imensos desertos...... ;)

Publicado por: MJM em setembro 24, 2004 12:21 AM

>>MJM: No entanto, o desejo de fuga ao deserto da cidade não deixa de nos assaltar, periodicamente, sabendo embora que de nós nunca fugiremos. Que o verdadeiro deserto é o que se intala cá dentro e que é desse que é necessário fugir a todo o custo. Obrigada pelo Miguel. beijinhos, baby.

Publicado por: lique em setembro 24, 2004 12:06 PM