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setembro 07, 2004

Que amor preferem?

Redpassion.jpg


Desculpem, mas a minha falta de inspiração hoje leva-me a pedir a quem por aqui passar para colaborar comigo. Vou transcrever aqui 15 citações sobre o amor e o que vos peço é que me digam qual preferem. Em alternativa, podem sempre deixar uma vossa, original. No fim, publico os resultados. Boa maneira de não fazer nada, não acham? Vá lá, o amor é um tema que inspira qualquer um (ou uma, bem entendido)!


1 - "O prazer do amor é amar e sentirmo-nos mais felizes pela paixão que sentimos do que pela que inspiramos"
François La Rochefoucauld

2 - "Se julgarmos o amor pela maior parte dos seus efeitos, ele assemelha-se mais ao ódio do que à amizade"
François La Rochefoucauld

3 - "Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos e a outra metade a deixar os que amamos"
Victor Hugo

4 - "O amor, tal como existe na sociedade, não passa da troca de duas fantasias e do contacto de duas epidermes"
Sébastien-Roch Chamfort

5 - "Só se ama o que não se possui completamente"
Marcel Proust

6 - " Dizer que se vai amar uma pessoa a vida toda é como dizer que uma vela continuará a queimar enquanto vivermos"
Léon Tolstoi

7 - "Amar, é ver-se como um outro ser nos vê, é estar apaixonado pela nossa imagem deformada e sublimada"
Graham Greene

8 - "Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa"
Fernando Pessoa

9 - "O amor não é o lamento moribundo de um violino longínquo - é o rangido triunfante das molas da cama"
Sidney Perelman

10 - " Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito"
Bertolt Brecht

11 - "O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só"
Léon Tolstoi

12 - "Ama o impossível, porque é o único que te não pode decepcionar"
Vergílio Ferreira

13 - " Quem disser que pode amar alguém durante a vida inteira é porque mente"
Florbela Espanca

14 - "Para ser adorado por uma mulher convém amá-la pouco, prometer muito e fingir sempre"
Pierre Ronsard

15 - " Amor é o que acontece entre um homem e uma mulher que não se conhecem muito bem"
William Maugham


Ilustração daqui


Citador

Publicado por lique às setembro 7, 2004 10:44 PM

Comentários

olá lique!

Escolho duas opções: a do Proust e a do Vergílio Ferreira,; gosto imenso da do Fernando Pessoa; acrescento a minha:

Amor é uma babel de emoções que cresce enquanto a construção feita pelos parceiros estiver fortalecida.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em setembro 7, 2004 11:18 PM

A cor do amor ( ou como o pinto, já que tenho o péssimo habito de me pôr a inventar cores)

O Amor só pode ser branco ou preto, sem meios-termos.
O Branco, não sendo cor é certo, reflecte todas as cores todas as tonalidades, ou seja, DÁ! Oferece cores sem fim aos olhos atentos que conseguem entender a medida do Dar, a subtileza equilibrada de cada sentimento, de cada gesto, de cada toque, que lhe percorre o corpo e a alma, sem pressas, sem tempo, sem direcção. O preto é amor também, mas “fobagico” ! Absorve, apodera-se das cores, afoga-as no seu corpo, não as deixa respirar, e mata-as em fome insaciável.
Pecado, não é ser vermelho, não é ser Paixão!
Pecado, é ser SÓ vermelho, só paixão, quando pode ser multicolor e suavemente branco, recatadamente branco.


Publicado por: almaro em setembro 7, 2004 11:23 PM

Não escolho nenhumas das tuas opções : O amor acontece quando aceitamos tudo no outro, quando gostamos até de todas as suas imperfeições... quando o aceitamos no seu todo...

Deixo-te as palavras de José Lui Peixoto, é este amor que sinto:

"O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda. O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor é a paz fresca e a combustão de um incêndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante da manhã, o céu a deslizar como um rio. À tarde, o sol como uma certeza. O amor é feito de claridade e da seiva das rochas. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de claridade e da seiva das rochas. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins etéreos, a salvação é uma brisa que cai sobre o rosto suavemente."

Querida Lique, desculpa o tamanho... Beijinhos Muitos

Publicado por: Maria Branco em setembro 7, 2004 11:25 PM

Proust, sem dúvida - "Só se ama o que não se possui completamente". bjks

Publicado por: ognid em setembro 7, 2004 11:36 PM

Se a questão é colocada sobre a vertente: "Que amor preferem?", eu não hesito em eleger o que a expressão de Proust encerra.

Porém, se for para escolher quem, com maior rigor, melhor descreve, aí, quem leva a palma é o Pessoa. E só estando em estado são se poderá amar; tudo o mais são condutas desviantes, baseadas em obsessão e posse; ou outros quaisquer sucedâneos de idêntico aspecto, mas de índole duvidosa.

A abordagem sociológica mais interessante que me foi dado ler, foi a de Alberto Alberoni, ENAMORAMENTO E AMOR, que muito bem destaca ser obrigatório amar o amor; que se está 'em estado de graça' antes de se lhe apensar o objecto (impulsionado pelo móbil do desejo.

(O poema da Espanca, obriga-me a sorrir; é o único fado que me permite ser sincera, sempre que o canto -"...e se um dia hei-de ser pó cinza ou nada, que seja a minha noite uma alvorada; que me saiba perder, p'ra me encontar!")

Gostei muito dessa tua preguiça. Algumas das citações, não conhecia, e daríam ampla discussão.
Hugs, with all my heart

Publicado por: MJM em setembro 8, 2004 12:23 AM

Entre a do Proust e a do Fernando Pessoa, vacilo...Mas, inclino-me bastante para as duas...
Contudo, a definição que mais comungo não tens aí, é a do Camões:
"Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
(...)" ...Muito boa e tua ideia, amiga... Beijinho grande...

Publicado por: maria em setembro 8, 2004 12:27 AM

Vinicius, terminava assim um dos seus belíssimos poemas:
"...Eu possa me dizer do amor que tive,
Que não seja imortal
Posto que é chama,
Mas que seja infinito
Enquanto dure!"
Achei esta forma de falar do Amor, lindíssima, por tão verdadeira!
Beijo

Publicado por: Cris em setembro 8, 2004 12:42 AM

Olha, podias ter-me "emprestado" a 14 para ilustrar melhor um dos meus últimos devaneios, Ficaria óptima!
A minha preferência vai para a de Fernando Pessoa mas,a de Florbela Espanca também está muito interessante.Amanhã pensarei em algo mas, definir o amor???Ai, ai, ai...nem 300 devaneios!Vou pensar...talvez ainda cá volte a passar...beijos

Publicado por: MWoman em setembro 8, 2004 12:59 AM

Lique! adorei sua idéia..
Ficou lindo este post e muito democrático..Rss temos definições lindíssimas de amor, aqui.. fico portanto na dúvida, mas
voto no Fernando Pessoa, e deixo-te esta:
"Por fim amamos o próprio desejo, e não o desejado"
"Friedrich Nietzsche, in Além do Bem e do Mal"
e esta:
Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando te deixo partir ou ficar – conforme você queira.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo sempre os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é o câncer do amor.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que era quando eu te conheci.
Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.( essa é do meu amigo -Marques)
Lique adorei, vc do lado da cá do oceano..
Vou te linkar para chegar mais rápido!!
beijinhos!!!

Publicado por: em setembro 8, 2004 01:31 AM

Lique, escolho a de Proust. Estou colocando a frase inteira dele.

"O amor, tanto na ansiedade dolorosa quanto no desejo feliz, é a exigência de um todo. Somente nasce e sobrevive se fica uma parte por conquistar. Somente se ama o que não se possui por completo."

Beijos

Publicado por: Marcia em setembro 8, 2004 02:12 AM

Sou mais Pesoa sempre atual, sempre ele. E depois discordo de ti Lique.. vivo escrevendo de amar , amor e querer ser amada.. monotemática que ando...rs.. mas sempre adoro este tema... vc bem me leu... e amor bem.. são tantas a coisas ainda a serem ditas...
beijos
maria

Publicado por: digressiva maria em setembro 8, 2004 07:25 AM

Bom Dia... Há quaisquer dificuldades com o Blogger... Não consigo deixar "post".. E .. vou estar em reformulações de espaço outra vez! :/ Pensei que o erro era meu!**

Publicado por: M.P. em setembro 8, 2004 10:03 AM

o Amor é um espelho de fogo cujas labaredas são o Outro.

bjs.

Publicado por: maat7 em setembro 8, 2004 10:45 AM

O Amor não é darmo-nos, é dar-se reciprocamente. Bjinhos Lique. Hoje não consigo postar no blogger e lá fui eu para o sapo. Obrigada pela visita, agora tudo bem.Um bom dia para ti.

Publicado por: amita em setembro 8, 2004 10:58 AM

Estou indecisa entre a de Marcel Proust e a de Fernando Pessoa... ambas verdadeiras, ambas incrivelmente reais... ;) Bjs

Publicado por: ridufa em setembro 8, 2004 10:59 AM

Há 20 anos atrás, escolhia a opção 1.
Agora, fico-me pela 8.
Beijo grande

Publicado por: fernanda em setembro 8, 2004 12:28 PM

Lique,minha amiga, acho q tb não estou mto inspirada mas achei giríssima esta coisa da interacção proposta hj (do debate, em outros posts teus) e que tem caracterizado este teu espaço.Qto às definições (e eu que sempre duvido mto de definições...rsss)... ficaria com a do Vinícius de Moraes pq além da belíssima forma poética carrega tb a realidade do amor do dia a dia.Bj, minha amiga.P.S.ontem envieit-e e-mail

Publicado por: Lia em setembro 8, 2004 01:19 PM

Olá.. Só para dizer que estou temporiariamente de volta oa Sapo... Deixo o link aqui de novo... **

Publicado por: M.P. em setembro 8, 2004 03:21 PM

eu escolho a de Proust, mas comigo funcionou a de Brecht... é pena!
Mas como dizia Vinicius "que seja infinito enquanto dure".
jinhus amiga...

Publicado por: pandora em setembro 8, 2004 04:07 PM

Ao ler o tema que proposeste e como hoje estou numa do não te rales, lembrei-me este soneto do Camões:

Soneto

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piedoso;
Quem o contrário diz não seja crido:
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens e inda aos deuses odioso.

Se males faz Amor, em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
Todos estes seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

(assinado: Luís Vaz de Camões)

A Florbela também tem umas coisas interessantes, mas hoje saiu este.

Mas como agora estou sempre de correria (desvantagens de 2 computadores, uma Net e uma Sónia ...) fica lá com mais isto (que ainda me lembro de cor...)

"Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer."

E não me lembro mais...

Um abraço...

Publicado por: josé gomes em setembro 8, 2004 05:37 PM

Interessante, o jogo, Lique! Há um pouco de muita coisa em todas as frases! Agrada-me a de Proust, a de V. Ferreira, a de Victor Hugo, sem excluir uma parte de todas as outras. Mas dou o meu contributo em dois excertos de poemas de Ruy Belo:
(...) vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
e penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia"

(...) e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
(...) ainda que antes mesmo de chegares lé estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ter-te à minha frente"

Beijinhos!

Publicado por: moriana em setembro 8, 2004 05:48 PM

Lique, adorei a sua falta de inspiração, viu? Além de ter reunido belas frases, nos deu em que pensar! Ai se a minha falta de inspiração passasse por aí! rs... Fico com Proust, mas tendendo a aceitar tb Graham Greene e Pessoa. Às vezes me sinto amando a mim mesma no outro e buscando nele o reflexo do meu próprio amor. Meu beijo, amiga.

Publicado por: Loba em setembro 8, 2004 06:59 PM

Amar é dar-se ao outro na medida do Infinito. Acho que não há nenhuma definição daquelas que listaste que me convença totalmente...Amar é um permanente intercâmbio de sensações e sentimentos, uma descoberta perene que, se tem momentos de tempestade, ainda se torna mais forte se se ama mesmo. Amar para mim e mesmo isso : Amar! **

Publicado por: M.P. em setembro 8, 2004 08:46 PM

No meu escalão etário e estado actual de circunstâncias, definitivamente (pelo menos, enquanto dure o escalão e o estado...)a definição de Pessoa.

Diria, até, que amar é a sublime projecção de nós - do que somos e idealizamos - sobre o outro. Amar é dar-se todo, quando o receber não faz sentido. Ser-se amado tem tanto de ilusão como de dúvida, nesse espaço que não pode - ai de nós! - depender de provas... Amar será, pois, o grande exercício de egoísmo altruista, a que Vinícius empresta a ironia mensurável de ser o amor "infinito enquanto dure".

Olha, Lique, está-se tão bem por aqui que nem sei se vá hoje "dormir a casa"...

Publicado por: OrCa em setembro 8, 2004 11:54 PM

Gosto mais do Fernando Pessoa.
O verdadeiro amor é o amor-perfeito
beijkas

Publicado por: lmatta em setembro 13, 2004 09:04 PM