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outubro 13, 2004

O inferno dos dias

Todos os dias repito os gestos conhecidos que me dão a segurança da vida cómoda, da casa, do emprego, da televisão, do computador, do video, do cinema…
Ao meu lado, à minha frente, quase em directo morre gente e eu olho. E indigno-me. Ah, claro que me indigno ! E até sou capaz de participar em acções de protesto e todas essas coisas bem intencionadas que fazemos para aliviar consciências. Assino petições e coisas assim. Posso também escrever um texto a que alguns chamam poema...
Não sei porque é que hoje olho para mim e acho tudo isto uma hipocrisia. Hoje não aconteceu nada de especial. Morreram mais uns milhares de crianças de fome e doenças em África. Aqui em Portugal e um pouco por todo o mundo, mulheres morreram em consequência de abortos realizados em condições indescritíveis. No Iraque, devem ter morrido mais uns quantos que vão engrossar as estatísticas , dos dois lados. Na Palestina, a guerra de pedras e pessoas-bomba contra mísseis continua em bom ritmo. No Sudão, tenta-se que os milhares de refugiados voltem a Darfur, restando saber até quando durará a acalmia. Esta lista está, claro, muito incompleta.
Aqui mais perto, mesmo no nosso jardim à beira mar plantado, a corrupção, a iniquidade, a injustiça aparecem abundantemente espalhadas nos media. E não sabemos da missa a metade. Pois claro que me indigno. E digo-o com todas as letras. De vez em quando também escrevo qualquer coisa razoavelmente poética sobre o assunto. E depois? Ah, claro, voto em quem me parece estrategicamente a melhor opção para melhorar este estado de coisas. E tudo continua igual.
Hoje sinto-me hipócrita, triste e impotente perante a voragem de um mundo em que a espécie humana conseguiu construir vários infernos nos quais vamos ardendo, devagar.


Após ter escrito o post, ao reler a Obra Poética de Sophia de Mello Breyner, este poema pareceu vir, em parte, de encontro às minhas dúvidas. Nas palavras de Sophia pareceu-me haver uma resposta.


A FORMA JUSTA

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos-se ninguém atraiçoasse-proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
-Na concha na flor no homem no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in O Nome das Coisas

Publicado por lique às outubro 13, 2004 12:08 AM

Comentários

Sim, há dias em que nos sentimos ainda mais impotentes, desejamos tanto, mas todos os passos que damos para que aconteça a mudança, parecem insuficientes, mas um apenas que seja é um passo para o seu aparecimento, e muitos passos.... Não, não podemos deixar de nos indignar, impossivel! Querida amiga, que nunca se perca a capacidade de acreditar, de lutar!! Perde-la implica que nenhum passo seja dado.. Muitos beijinhos. Tem uma excelente noite!

Publicado por: Maria Branco em outubro 13, 2004 12:26 AM

E dás tão pouco? Ou será tanto? Como avaliar o peso de cada acto e quem o avaliará?
Recomeçar sem cessar, como nos diz a Sophia. Talvez escolher um lado da barricada - opção confusa, mas não impossível - e manter a chama acesa.
(E eu, que te queria animar, estou para aqui a debitar expressões batidas, de efeito duvidoso...)

Mas o mundo é imenso e nós somos e sentimo-nos pequenos... até nos lembrarmos que nós próprios somos um mundo.

Publicado por: OrCa em outubro 13, 2004 12:29 AM

Por mais pequenitos que sejam os nossos actos, eles são importantes. E sempre.

São as gotas de água que fazem a imensidão dos oceanos. Umas são maiores. Outras quase nem se podem ver. Mas é a sua união que faz a diferença.

Publicado por: M. (de Manuela) em outubro 13, 2004 12:32 AM

Lique , genial e inteligentíssima exposição dos factos. Mas também um não baixar os braços e recomeçar do nada, que não é nada:-)Muitos beijos e obrigada por seres como és:))*****

Publicado por: wind em outubro 13, 2004 12:35 AM

Errata: Que não é o nada

Publicado por: wind em outubro 13, 2004 12:37 AM

Há dias em que tudo nos vem à mente, em que o nosso lado negativo impera, devido à consciência que temos do que nos rodeia, além de que somos bombardeados por todos os lados por coisas tristes, desoladoras e revoltantes. Há que isolar este lado e fortalecer o da positividade. Apesar dessa miséria toda, há coisas tão belas a rodearem-nos e nós nem damos por elas. Bjinhos, Lique, que amanhã seja um melhor dia para ti

Publicado por: amita em outubro 13, 2004 12:42 AM

Lique...apenas um abraço! o resto (o que me anda aqui a bailar e não sai) virá fazer-se voz...um dia... que assim, como me encontro, apenas sei dizer (eu tb lendo Sofia) com ela " Com fúria e raiva acuso o demagogo/ E o seu capitalismo das palavras" e o poema todo "Com fúria e raiva" no " O nome das coisas" Mais um abraço!

Publicado por: seila em outubro 13, 2004 01:55 AM

E fazes muito bem em indignar-te, lique! E dizê-lo de uma forma tão bonita...Eu também sinto essa agitação, esse tédio picado, digamos.Acho que, entre outras coisas, ainda estou a recuperar da mensagem do nosso P.M. na segunda-feira. Da vacuidade e da pobreza expressas. Mas agora não posso pensar nisso, vou deitar-me! Boa noite para ti :-)
Nota: tenho andado longe dos blogs e só hoje vi as tuas referências cinéfilas. Obrigada. Por tudo :-)

Publicado por: Dora em outubro 13, 2004 02:00 AM

Acho que o PSL e o Marcelo me fizeram tão mal que eu nem sei o que tenho andado a fazer. Cheguei, agora, à conclusão que não passo por aqui há montes de tempo. Nem o post sobre cinema tinha lido. Aproveito para numa especie de três em um me referir a todos.
O filne ainda não o vi, portanto não tenho opinião formada, mas concordo inteiramente contigo sobre as potencialidades de LA. Aquilo deve ser um mundo com algumas nuances de mundo cão.
O poema do post anterior é bem bonito.
Quanto às tuas angústia, que tão bem são expostas neste post, nem sei o que te diga... se calhar é só preciso olhar para o lado com atenção, e se não temos cuidado entramos em depressão. Tudo é triste de nais!
Um abraço.

Publicado por: Cecília em outubro 13, 2004 03:08 AM

É impressionante como os nossos problemas parecem tão pequenos comparados com os do mundo... que pode ser ao virar da esquina ;) bjs

Publicado por: ridufa em outubro 13, 2004 03:56 AM

Sentimos que somos pequenos para tanta miséria pelo mundo fora... mas acredito que o que fazes não é, de todo, pouco! Tem a certeza que neste teu espaço pões a pensar muitas cabeças, agitas muitas mentalidades.
Mas há dias assim, em que nos sentimos impotentes. É preciso coragem pra viver neste mundo! bj pa ti, linda.

Publicado por: pandora em outubro 13, 2004 05:17 AM

E essa é mesmo a forma justa querida Lique. "Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo".

Publicado por: Zeus em outubro 13, 2004 09:57 AM

É a nossa impotência de sermos um ponto na multidão e a incapacidade da multidão ser um ponto.
É uma espécie de castigo de termos a nossa própria individualidade.
Quando soubermos gerir a nossa individualidade e o horizonte deixar de ser uma recta ( nossa e de cada um), mas um circulo, talvez nasça esse ponto…Universal…
São no entanto, estes pequenos “basta” que nos saltam em grito inconformado, em cada um de nós que desenham ponto a ponto, o Novo Homem …( ah, mas como é lento este evoluir…)

Publicado por: almaro em outubro 13, 2004 11:16 AM


à tua/nossa indignação e ao belo poema de Sofia, apetecia-me acrecentar dois versos apenas de um poeta de quem gosto muito : Juan Ramón Jimenez! diz assim : "que perto já da alma/ o que está tão imensamente longe/ das mãos, ainda..."

Publicado por: DonBadalo em outubro 13, 2004 11:28 AM

Alice, às vezes revejo-me naquilo que tu escreves, pensas e sentes. Já nem sei se senti as tuas palavras ou se serão as tuas palavras que me fazem "sentir" o mundo que me rodeia.
A escolha da Sophia foi a mais apropriada... e, repara, que mesmo que este globo já não tenha solução, temos uma Ana, uma Sónia, temos mil Anas e mil Sónias que esperam que nunca baixemos os braços...
Nem nestes dias mais negros que atravessamos!

(...)
Pára, Homem, pára um minuto…
Porque corres, porque foges, de quem foges?!!!
Pára, Homem, pára!…

(Na África, uma criança entre mil, de olhos tristes fitando a fria objectiva da câmara de vídeo, com as moscas a passear pelos lábios secos de fome e de sede, deixa escapar o fio que ainda a prendia à vida… no lado de cá do televisor, olhando sem nada ver, despeja-se o que sobrou do jantar num saco preto, rumo às lixeiras que alimentarão as moscas que irão afagar os olhos frios de outros meninos do lado de lá do televisor…).

E tu, Homem, fechas os olhos e avanças!
A escuridão é a berma da estrada que calcorreias indiferente, a noite o descanso da tua consciência, as trevas o ignorar de tudo aquilo que te rodeia!…
Abre os olhos, Homem, e vê…
Há LUZ! (...) - (Excerto de um texto poético de José Gomes).

Publicado por: josé gomes em outubro 13, 2004 11:35 AM

Hipócrita acho que nunca me senti, em relação aos problemas que apresenta. O que sinto é uma grande impotência, como também refere!

Saudações

Publicado por: Carriço em outubro 13, 2004 11:49 AM

São sentimentos próprios de quem, com consciência e lucidez, olha o mundo, sem perder a sua humanidade...
Adorei esta reflexão, Lique.
Bjs.

Publicado por: LE. em outubro 13, 2004 12:49 PM

Hipócrita...nunca.Algum desânimo ,isso sim.Anda por ai,em surdina,mas talvez um destes dias nos lembremos de fazer algum barulho.Acho que está na altura....

Publicado por: annie hall em outubro 13, 2004 12:55 PM

Tb eu sinto que ninguém me representa!
As milhentas partículas que formamos não se agrupam num todo líquido, que forme corrente e arraste as ervas das margens. Por isso depomos nas gargantas de quem (não) nos representa os gritos de ordem NÂO e BASTA. Mas, ao que parece, o negócio de megafones é proveitoso, que os utilizam enquanto adereço, mas para lá debitam... de patilha esquecida em off.

p.s.- Tb muito apreciei o excerto do poema do José Gomes. Bem haja!

Publicado por: MJM em outubro 13, 2004 01:32 PM

Todos temos tiques, vicios manias que nos deixam confiantes, há dias que fugimos há regra e ficamos fora de nós próprios... Gostei.

Publicado por: polittikus em outubro 13, 2004 01:54 PM

Reflexões de quem é lúcida e sensível.
Um beijo.

Publicado por: Márcia em outubro 13, 2004 02:51 PM

...uma vez por ano, uma vez por mês, uma vez por dia (que cada um de nós tem os seus timings...)tiramos um pedaço ao nosso tempo e "auto-flagelamo-nos"; não penso que seja hipocrisia: é antes um teste de avaliação à nossa maneira de estar na vida. Quem o não fizer, quem não se questionar a si próprio, quem não se indignar com a miséria do próximo, com a mentira, a chantagem ou a brutalidade, na verdade não merece o nome de cidadão.
Sei que ficas bem. Beijos e intés!!

Publicado por: porquinho da india em outubro 13, 2004 03:41 PM

beijo grande. Fizeste-me pensar...

Publicado por: fernanda em outubro 13, 2004 04:52 PM

Lique, todos os dias temos de recomeçar, como diz Sophia, a escrever uma pagina em branco. Não há outra forma, apenas não cruzar os braços e continuar a resistir e a lutar.
Beijinhos, amiga.

Publicado por: moriana em outubro 13, 2004 05:12 PM

Pego no meu blog e digo para mim próprio;
- então, hoje, o que é que pode interessar a muitos, não a todos porque nem todos precisam? - e penso, busco e aparece sempre algo... negativo.
Mas, depois, olho a vida e vejo que existe ar e saio, compro um maço de cigarros que nos mata a todos... devagar. Fumo o primeiro cigarro e reconheço que me sabe bem e que talvez não seja tão mau assim.Depois, o dia avança e há coisas que me fazem rir tambem e penso:
-afinal, sou mais ou menos feliz, quando olho para a TV e vejo mais uma explosão, algures, que rebentou com 30 mulheres e meninos...
depois, digo-me, que os poetas sentem de outra forma diferente mesmo quando não sabem dizer...

Publicado por: hammer em outubro 13, 2004 10:00 PM

Por vezes não conscencializamos o quanto podemos ser infelizes se pensarmos na cruel realidade que nos rodeia. Por outro lado, ignorar faz-nos sentir hipócritas e pouco verdadeiros até para connosco. Procura sorrir... não mudarás o mundo, mas farás o mundo de alguém feliz :)

Publicado por: yogipijama em outubro 13, 2004 10:08 PM

Lique...
Injustiças, desgraças, impunidades... Há por toda parte! O que não podemos é nos deixar abater... Precisamos fazer cada um a sua parte, e seguir em frente, espalhando o amor que temos no coração!!! Minha avó materna, tão amada costuma dizer que o bem sempre vence no final, embora o mal seja um tanto forte! E acho que p/ continuar de pé e em frente, prefiro acreditar nisso... E seguir fazendo minha parte! Momentos de revolta como o teu, sempre irão e virão... P/ que tomemos consciência das coisas, mas não podemos nos deixar dominar por eles!!! Beijos carinhosos querida........ Vinha

Publicado por: Vinha em outubro 13, 2004 10:12 PM

Quanto mais não seja nas palavras do poeta há sempre umas esperança, uma luz pequenina lá bem ao fundo. bjks

Publicado por: ognid em outubro 14, 2004 12:37 AM

eu não venho dar-te alento infelizmente.
Chego tarde mas chego!E as palavras que te deixo são do coração, que não tenho outras. Deixei de ver televisão há muito tempo. Os jornais quase os evito. Tomei a opção mais fácil que é enfiar a cabeça na areia e fazer de conta que não aconteceu nada que não se passa nada.Tomei essa opção por agora, estou cansada de falar do amor, da compaixão, de tentar carregar tanta coisa ás minhas costas como se fosse um alpinista com uma mochila cheia de pedras. Ninguem quer saber.Há quem oiça mas não age...Deixo-me eu agora ficar quieta tambem...descansar.Da vida.Do mundo.Dos homens.

Publicado por: myryan em outubro 14, 2004 03:51 AM

Lique querida!! Nestes momentos em que nos sentimos hipócritas e impotentes diantes de tantas barbáries e injustiças, é que percebo que
abraço a liberdade das minhas concepções estéticas - e escrevo. Na verdade, rabisco palavras de amor em defesa da Vida. Não para que alguém concorde comigo, mas para transmitir emoções.. para relembrar que temos na mãos um produto chamado Vida, um verdadeiro tesouro e que muitas nem sabemos o que fazer com ele. Vemos nossos semelhantes feito doidos querendo vendê-lo a todo custo, por qualquer preço, nesse mercado vulgar em que se expõem. Desgraçam-se. Viram comerciantes de si mesmos. Exploram-se. Dilaceram seu próprio presente com voracidade absurda de piranha faminta. Despedaçam-se. Consomem-se. E acabam desperdiçando, um a um, todos os instantes mais gloriosos que a Vida tem.E se a história da humanidade sempre foi a história da crueldade.. tb sempre foi a história contra a crueldade, nas mãos de poetas..escrevendo suas páginas em branco.
bjs amiga!!!

Publicado por: em outubro 14, 2004 06:29 AM

Olhando para o presente e avaliando as alternativas achamos para quê? e baixar os braços pelo cansaço é por vezes a unica opção credivel. ...
não os baixe Lique, há de certeza próximo de si, quem lhe agradeça por lhe ter indicado caminho certo e por ter ajudado a construir...
da minha parte um obrigado, pelo que escreve, por partilhá-lo connosco, e por vezes ajudar-me a levantar os meus.
P

Publicado por: PLH em outubro 14, 2004 10:53 AM

Quando não se pode fazer toda a diferença... que se faça a diferença possível. É claro que sabemos sempre que não basta.

Como disse o poeta :
"Infimo sou
mas quando ao Nada empresto
a minha elementar Realidade
o Nada é só o Resto"


Publicado por: MQF em outubro 14, 2004 11:41 AM

...deixar apenas o meu abraço e um beijinho...

Publicado por: quim em outubro 14, 2004 04:46 PM

>>Maria Branco: lutamos e indignamo-nos durante anos e anos e, na verdade, o que muda é para pior. No entanto, este processo de olhar para nós, para o que fazemos e o que poderíamos talvez fazer acontece de vez em quando, sempre que nos defrontamos com a nossa impotência para com os males do mundo. Mas claro que nao desisto. Gostava era de poder fazer mais. Beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:19 PM

>>OrCa: sabes, eu acho sempre que dou pouco. E nem sequer escolher um lado da barricada é fácil, em muitos casos. Só posso continuar a fazer o mesmo, recomeçar em cada dia. O que não significa que me sinta confortável comigo própria quando dou para pensar nisto tudo a sério. Beijos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:23 PM

>>M.(de Manuela): as tuas palavras fazem todo o sentido. De facto, se juntarmos o pouco que cada um vai fazendo, talvez consigamos engrossar o caudal do rio. beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:26 PM

>>Wind: pois é, amiga, recomeçar todos os dias mesmo que pareça que o que fizemos anteriormente não tem nenhuma importância. É a única atitude a tomar. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:28 PM

>>amita: de facto, há coisas lindas à nossa volta. Talvez olhando-as consigamos inspiração para fazer mais qualquer coisa por quem não pode ou nem tem tempo de as ver. Os meus desânimos não costumam durar muito! ;) Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:33 PM

>>seila: obrigada pelo abraço que já retribuí lá no teu espaço. Ando à espera que o que te está aí engasgado saia. Um dia será, mulher. Quando fôr altura. Beijão.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:36 PM

>>Dora: tédio picado é uma boa expressão! Mesclado de desalento. E se penso no nosso PM então, isto passa a depressão profunda. Vou continuar a indignar-me, claro... Não me agradeças nada. Amplamente memerecido. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:41 PM

>>Cecilia: traumatizados com PSL e MRS (isto das siglas é de mais) andamos quase todos! Vens aqui quando puderes, sem cobranças nenhumas. Gosto de te ver por cá, claro. Eu acho que temos arranjar algo positivo para carregar baterias porque os dias que passam não são fáceis de aguentar. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:45 PM

>>ridufa: é essa perspectiva que, por vezes, assusta. Andamos nós embrulhados com os nossos problemas e, de repente, tudo nos parece tão relativo, tão pequeno... Beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:49 PM

>>pandora: obrigada pelas tuas palavras, linda. Há tanta gente que escreve, que alerta, que diz tudo isto todos os dias e bem melhor que eu! Por vezes, gostava de estar a fazer algo de que visse a utilidade imediata. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:52 PM

>>Zeus: pelo menos, as palavras de Sophia assim o dizem. Mas as palavras dela significavam, de facto, algo. Bjs

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 05:55 PM

>>almaro: que bom era, conseguir fazer surgir esse ponto universal. É de facto, um evoluir muito, muito lento! Beijos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 06:00 PM

>>DonBadalo: o "teu" poeta também disse:
"Atira a pedra de hoje,
esquece e dorme. Se é luz,
amanhã hás-de encontrá-la,
feita sol, ante a aurora."

Palavras de esperança. Em resposta às que me deixaste, só desejava que o que está perto da alma pudesse também estar perto das mãos. Seria, também, um sinal de esperança. Beijos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 06:04 PM

>>José Gomes: que bom teres-te lembrado das Anas e das Sónias qye esperam um futuro melhor. E como gostei do excerto do teu texto! Estás sempre a dizer que escreves umas coisinhas, mas isto, Zé, é bem mais que uma coisinha. Muito obrigada, amigo! Beijos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:14 PM

Cheguei já muito tarde, Lique... mas .. ainda estou a tempo de te dizer que partilho esse sentimento. É de "conspurcação pessoal" de que também sofro muitas vezes... Desculpa se ponho as coisas neste termos. Contudo há momentos que me provam que também há pessoas que nos trazem alegrias que têm algo para nos dar... E isso faz bem... :)**

Publicado por: M.P. em outubro 14, 2004 08:15 PM

>>Carriço: quando falo de hipocrisia em relação a mim, é pela presunção que por vezes tenho de que estou a fazer alguma coisa que faz diferença quando adiro a qualquer protesto ou iniciativa do género. Fará mesmo diferença? Não estarei só a enganar-me a mim própria? É nesse sentido. Um abraço.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:19 PM

>>LE. Obrigada pelas tuas palavras. É bom ver as coisas por essa perspectiva. Bjs

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:21 PM

>>Annie: já tarda a altura de fazer barulho, amiga. Já tarda. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:23 PM

>>MJM : mais uma vez a tua lucidez apanhou o quadro completo. O bom seria que as partículas se agrupassem, mas... Beijinhos, baby.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:25 PM

>>polittikus: há dias em que nos enfrentamos sem artifícios. E em que olhamos o mundo com o que nos resta de lucidez. Bjs

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:27 PM

>>Márcia: obrigada, amiga, pelas tuas palavras. Beijos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:27 PM

>>porquinho: estava mesmo a precisar dessa tua maneira pragmática de ver as coisas. A sério... Há dias piores que outros. Obrigada por seres como és. Bjs

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:33 PM

>>Fernanda: beijo grande para ti, amiga. Também tu me fazes pensar muitas vezes. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:43 PM

>>moriana: é isso, amiga. Tem que ser. Recomeçar todos os dias todas as lutas da vida. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:44 PM

>>hammer: gostei da tua análise. Não sei se os poetas sentem de maneira diferente. Que sei eu de poetas, homem? Sei que também há dias em que tudo parece suportável e outros que não. Bjs

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:47 PM

>>Vinha: que bom era que a tua avó tivesse razão! Nas desgraças deste mundo, infelizmente, nem conseguimos por vezes identificar bons e maus. Mas claro que há que seguir em frente. Beijos, amiga.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:49 PM

>>yogipijama (desculpa, saltei o teu comentário): é bem verdade que um sorriso faz o meu mundo e dos que me rodeiam mais feliz. Agora, fizeste-me mesmo sorrir... Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:52 PM

>>ognid: assim a luz ao fundo túnel... mas o túnel é tão comprido! Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:53 PM

>>myryan: querida, chegas sempre a tempo. Mas não gosto muito desse desalento que aliás se nota no que escreves. A vida é para ser vivida e temos que lhe dar a volta. A olhar em frente. Desalentos todos temos. Mas há que os ultrapassar. Um beijo grande, amiga.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 08:59 PM

>>Lú: que bela mensagem de esperança me deixaste! Cada dia admiro mais a tua escrita, as tuas fotos, a tua atitude perante a vida. Um beijo grande.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 09:01 PM

>>PLH: acho que é a primeira vez que comentas e agradeço-te muito as tuas palavras. Se o que aqui escrevo contribui para algo positivo, já me sinto satisfeita. E é claro que não vou baixar os braços. Um abraço

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 09:05 PM

>>MQF: primeira vez também, não é ? Já fui espreitar o teu blog e gostei. Mas hei-de lá ir com mais calma. Obrigada pelas palavras e pelo excerto do poema. Beijinhos

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 09:09 PM

>>Quim: abraço e beijo para ti e para o lobo que contigo caminha.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 09:10 PM

>>M.P.: nunca vens tarde, ora essa! Logo tu... Concordo contigo em que há pessoas que são óptimas surpresas na nossa vida. E que até nos fazem "esquecer" tudo isto. Beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em outubro 14, 2004 09:14 PM


Não és hipócrita, não. Se o fosses calavas. Apenas a impotência é tal que te encontras de mãos atadas para quase tudo. Como todos nós. Ir para a política de olhos brilhantes e mudar o mundo? Talvez. Mas uma só vontade não move barragens... Talvez o amor. É urgente pregar o amor... Mesmo que só alguns nos ouçam...

Gosto das tuas reflexões. Fazem-me sentir-te muito real. Beijo.

Publicado por: deSaraComAmor em outubro 17, 2004 08:24 PM

>>Sara: tu sabes porque já me conheces que há dias assim em que me sinto perfeitamente inútil perante tanta injustiça, tanta mediocridade. Talvez o amor sim... Beijos

Publicado por: lique em outubro 18, 2004 10:28 PM