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novembro 15, 2004
Contenção
Contido. Foi o que a Ardelua/Cecília disse num comentário, já há uns tempos. E deixou-me a pensar…Por outro lado , a MJM ,num outro post, disse :“tens assim esse à vontade de lamber feridas em público, impudicamente.” Talvez , de facto, alguns textos sejam contidos demais. Será? Por vezes acho até que exponho aqui uma boa parte da minha vida. Ou que, pelo menos, procuro ser verdadeira quando os textos versam a minha intimidade. Afinal será que lambo as feridas de forma contida? E, de facto, será a vida privada de cada um ,só por si, e a não ser que a qualidade da escrita o justifique, matéria de interesse literário? Talvez de interesse humano. Mas será que os blogs são para despertar o interesse humano?
Encontra-se todo o tipo de blogs neste mundo virtual, sendo que a qualidade literária se pode encontrar em qualquer um dos géneros. Os diários pessoais, os de divulgação literária, os de obra poética própria, os de opinião, etc. E há também muitos em que, como é o caso deste, várias coisas se misturam : textos próprios, textos de autores consagrados, artigos de opinião e artigos sobre a vida pessoal. Resumindo, uma mistela. As opções são: separar por tipo de artigos e manter mais que um blog ou deixar ficar assim mesmo, ainda que incaracterístico. Por agora fica assim, até porque não há tempo para mais.
Mas esta conversa (isto hoje vai mesmo ao correr dos dedos no teclado) tinha começado por causa do adjectivo “contido” relativo ao poema Navegando e do comentário, que eu sei pleno de carinho, da minha querida MJM no post A(s) viagem(ens). Os meus textos serão contidos ou exponho demais ao meus sentimentos? Será que não deixo transparecer mais do que exactamente eu quero que transpareça? Muitos textos não serão meros jogos de palavras, sem qualquer motivo real a sustentá-los? Eu não vou responder a estas perguntas. Estou a fazê-las a mim própria, sabendo que explícita em termos de sentimentos e emoções nunca fui. Gosto de reflectir sobre aquilo que sinto. E de ter o retorno relativamente ao que senti no momento em que escrevi. Talvez a contenção esteja nas palavras usadas. Talvez simplesmente eu não acredite em sentimentos arrebatados e, como tal, não os possa passar ao teclado. Tenho para mim que, às vezes, as palavras são demais. O olhar chega mas esse não se vê desse lado do ecran….
(Obrigada à Cecília e à MJM por me porem a pensar, ou não haveria post hoje)
Publicado por lique às novembro 15, 2004 12:00 AM
Comentários
Pois Lique ,por mim gosto muito mais de palavras contidas.Dizem mais!
Publicado por: annie hall em novembro 15, 2004 09:32 AM
A Cecília não conhecia, mas a MJM tem sempre esse condão: deixa-nos a pensar!
Saudações
Publicado por: Carriço em novembro 15, 2004 11:05 AM
É interessante reflectires sobre o que escreves e questioná-lo aqui. Isso é para todos os efeitos uma prova de sinceridade...literária. Depois, quantos de nós -senão a maioria-, não se apoia na vida real para relatar factos...embora ficcionados (leia-se com outras vestes). Com muita dificuldade se representa a realidade sem experiência da mesma. Voltamos irremediavelmente às "viagens" em torno de nós e dos outros; sem elas, não havia escrita (no caso vertente) e diálogo-retorno...que tão bem nos sabe.
Tem uma boa semana, beijos e intés!!
Publicado por: porquinho da india em novembro 15, 2004 11:46 AM
Não acho que sejas nem contida demais nem tão pouco te expões demasiado! És como és. E eu gosto de ti assim. Tenho dito! Beijinhos, lique e votos de uma boa semana para ti.
Publicado por: MWoman em novembro 15, 2004 12:28 PM
Não vejo problema na contenção, nem na exposição... no fundo o que interessa é que te sintas bem com o que resolves expôr ;) Bjs
Publicado por: ridufa em novembro 15, 2004 01:36 PM
Alice, não será a contenção uma forma de castração?
Quando te leio faço-o sempre com todos os sentidos despertos.
Tu és uma pessoa inteligente, arguta, culta e que além de tudo tem a coragem de se questionar.
Só o facto de o fazeres mostra a tua imensa coragem e raça.
Apesar de tudo isso acredito que se te pudesse ver os olhos te poderia entender melhor, pq acredito que os olhos são espelhos d´alma.
Gosto da tua frontalidade.
Na verdade gosto de ti e estou certo que dificilmente alguém conseguirá arranjar melhor amiga do que tu.
Um beijo, Alice.
Publicado por: LetrasAoAcaso em novembro 15, 2004 02:27 PM
não deixo palavras, deixo te um beijo
Publicado por: Luna em novembro 15, 2004 02:48 PM
Pensa à tua vontade, mas olha que adoro a tua "mistela". Beijo grande linda Alice
Publicado por: fernanda em novembro 15, 2004 03:55 PM
Contida ou expondo a sua vida, és verdadeira e tens muita sensibilidade. Seja você mesma, sempre. Beijos
Publicado por: Marcia em novembro 15, 2004 04:04 PM
eu também me tenho questionado muitas vezes sobre iss tudo. até que ponto nos devemos conter, até que ponto somos transparentes, até que ponto... mas depois mando tudo às urtigas e continuo a escrever e a postar tudo o que me dá na real gana. uma mistela como tu propria lhe chamas... mas uma mistela que nos reflecte como somos. beijinhos
Publicado por: sonia em novembro 15, 2004 04:10 PM
Ola Lique, passei so para dizer adeus. O meu tempo tem andado muito contado..lol
Publicado por: Tiegas em novembro 15, 2004 06:05 PM
Devido a acontecimentos recentes não sei que te diga. Comigo passaram-se coisas de "bradar aos céus" só porque escrevo e tenho um blog. Então é assim: expor todos nos expomos quando escrevemos para aqui, agora aquilo que cada um faz de nós nas cabecinhas deles é que me deixa de boca aberta.
E adiante...????
Publicado por: stillforty em novembro 15, 2004 07:06 PM
Eu tenho vantagem :)) não comento. Mas que está bem enjorcado está. bjks
Publicado por: ognid em novembro 15, 2004 07:39 PM
Não sei se as tuas palavras são contidas, mas sei, por mim, que reservo sempre algum pudor no que escrevo, não pelo que revelo sobre mim mas pelo que poderei inconfidenciar sobre outros. E como as "histórias" muitas vezes se entrelaçam é difícil não me conter :-)
Contida ou não (e comentando-te ou não) gosto de te ler.
Beijo grande, amiga
Publicado por: inconformada em novembro 15, 2004 08:10 PM
Lique.. contida ou exposta
tua forma de expressão é tua e única..
Tem coisas que são muito mais para serem sentidas do que para serem explicadas..
Faz sempre o que o teu coração mandar..
não existem regras para se expressar..
Em entrelinhas..as vezes dizemos mais de nós
do que se possa supor..
" A gente pensa uma coisa
acaba escrevendo outra,
e o leitor entende uma terceira coisa,
e, enquanto se passa tudo isso, a coisa própriamente dita, começa a desconfiar que não foi própriamente dita..
"Mario Quintana."
beijos Lú
Publicado por: Lú em novembro 15, 2004 08:44 PM
A escrita é isto mesmo: uma expressão íntima.
Não gosto da expressão lamber as feridas. Todos temos feridas, mágoas. Todos queremos curar essas feridas. A escrita é uma terapia. mas não é por isso que vale menos como escrita, sobretudo quando está presente o objectivo estético.
beijinhos, Lique
Publicado por: madalena em novembro 15, 2004 09:00 PM
Independentemente de haver algo contido, passa sempre algo. Quem escreve (seja seu ou não)não consegue deixar de mostrar o que é. Até a sua contenção. E isso já é mostrar algo:) Gostei desta reflexão tua, amiga Lique;) Muitos beijos:)
Publicado por: wind em novembro 15, 2004 09:44 PM
{ ...
deixo-te apenas esta frase:
nas nossas palavras (nos) tentamos mostrar ou esconder, dizer verdades ou mentiras, mas de facto, (é que sempre) nos descrevemos em falsas verdades
© pipetobacco
beijos*
... }
Publicado por: pipetobacco em novembro 15, 2004 09:50 PM
Por mais que queiramos a escrita, a nossa, transparece sempre algo do que sentimos, do que nos vai na alma. Até no que não dizemos ou sobretudo...
O olhar não chega quando não se fixa quem nos lê, as palavras são o espelho, o espaço que medeia entre nós e os outros. Mas as palavras não são entendidas da mesma forma, depende de cada sentir, de cada receptor.
Confessional ou não, que importa? Quem escreve, escreve como sente...mesmo que sejam apenas jogos literários.
Beijinhos, Lique
Publicado por: moriana em novembro 15, 2004 10:00 PM
Olá, Lique! Essa pergunta já eu a fiz a mim também! Porquê vir para aqui afastar os fantasmas que nos assombram e, neste marasmo virtual, falar de coisas que só a nós dizem respeito??? Mas ... não acho que seja "lamber de feridas" coisissima nenhuma! Cada qual escolhe o que deseja fazer passar aos outros e a forma como o faz. Se irá ter impacto ou não, isso depois se verá!
GOSTO MUITO do que sempre venho encontrar aqui. Tem qualidade literária, tem Sentir. É como se te estivesse a ouvir ou a ver-te! Já me perguntei como nasceu esta empatia virtual!O certo é que existe! No que tu escreves e no que tu deixas como comentário! Portanto, menina, não há nada como continuar a publicar da maneira a que nos habituaste! Beijo.
Publicado por: M.P. em novembro 15, 2004 10:35 PM
Olá lique
Uma coisa me parece segura em ti: só editas aquilo que te deu prazer a escrever.
Para mim, essa característica é primordial.
Sendo composto assim o post com essa sinceridade inevitavelmente acabará por reflectir uma certo estado de alma que pode ser - conforme o carácter do seu autor, mais ou menos aberto.
Não vejo qualquer mal nisso.
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em novembro 15, 2004 10:48 PM
Tenho para mim que toda a escrita é um pouco autobiográfica. E tenho para mim também, que ninguém é totalmente contido ou totalmente extrovertido.
Mas, tudo isso que interessa, quando de toda esta partilha resulta tanto de bom??...
Beijinho grande...:))
Publicado por: maria em novembro 15, 2004 11:42 PM
Somos múltiplos sempre em busca da nossa unidade (aqueles que se dão a esse trabalho, claro. E longe de serem todos...). Mas essa demanda não é fácil... Contudo, neste espaço privilegiado, tudo é muito mais possível e está ao alcance da mão. Entre dedos e teclas podemos exorcisar tudo e todos os nossos fantasmas - talvez até cometamos a veleidade de, aqui e ali, tentar exorcisar os fantasmas dos outros!
Quanto à exposição que referes, julgo que isso tenha algo a ver com uma postura de honestidade que, de súbito, tu consideras que "o outro" merece (ou espera) de ti... Não será? Não estou absolutamente certo... Mas interrogo-me, a cada passo, com esta estranha e peculiar característica da blogosfera que me leva a pensar que - à força de sermos tão obrigados, no nosso dia-a-dia, a desempenhar papéis que nos são estranhos - procuramos este espaço para nos lavarmos, redimindo-nos... Daí descobrirmos, num passeio de meia-hora pela blogosfera, mais grandeza humana por metro quadrado, do que em dias inteiros de vidinha.
Olha, como isto já vai um abuso de extensão, termino com beijos e vontades de continuar a visitar-te.
Publicado por: OrCa em novembro 16, 2004 12:04 AM
Já li o post desde que está escrito e suponho que, sem querer, ao tempo, te terei já dito o que sobre isto penso. Escrevi então assim noutros comentes e deles vou retirar bocados:
"Oh! Lique como gostava de ter aqui assim essa simplicidade de contar. Não. Eu de águas turvadas recreio andarilho de mim me faço consciente sim mas desdobrada enviesada...espaço de viver como outro? sim. mas desviada desses turvos que me desatam em dizeres não dizendo de mim!ao menos não o dizendo assim...(novembro 3)
Tu, Lique pareces(me) uma menina ... crescida (novembro 5)
Eu, assim me faço, e tu o vês, estendo nas palavras (por vezes sem sabê-lo) o que de mais sentido existe, no momento, em mim! Tu sabes! E porque assim o faço, assim fiquei a ler o teu poema como leio a mim! (outubro 9)
e, mais recente, em resposta a uma questão tua sobre o publicar de um texto antigo meu, escrevi assim: Lique ...eu escrevo...às vezes (muitas!) aqui directamente, outras num papel ou ficheiro e depois venho aqui e "olha vou colocar isto" ,outras vou, como diz a Inconformada, "à gaveta" e desses, como disse à Fernanda: "Sobre colocar um post com dois anos...significa que já não é aquilo que foi...simplesmente foi!" e agora acrescento: serve de exorcismo ou já foi exorcisado antes! ficaram escrita e desenho e, nisso, relacionados com o momento presente ah! claro!!!(novembro 13)
Lique,aqui nos blogs é (como na) vida (escrita, dita, gestual, sentida, chorada, rida..) por mais que "contenha", alguém se deixa de dizer e cada um é como é e como nos dão os outros a entender!
Há quem CONTE (se) e quem (re)CONTE (se)
de contenção eu dou de exemplo(e nem sequer me parece que seja de intenção que o fazem e me perdoem mas é de coração que neles falo!) duas pessoas que lemos ambas com atenção e gosto: Biquinha (nas suas várias vertentes) e Almaro! e, Lique, queres mais dito de cada um naqueles dizeres "contidos"?!!!
Acho que para se dizer de si (redundante sim!)o importante é ser sem problemas de se conter ou ter cuidado---e nem precisa de se dizer nem se contar para falar de si
ih!que testamento!!!:)
beijinho
Publicado por: seila em novembro 16, 2004 12:07 AM
A TODOS: normalmente, falaria com cada um de vós deste assunto/reflexão que me parece importante fazer, de vez em quando. Lamento que a sobrecarga de trabalho não o torne possível. Só interrompi mesmo para fazer o post que se segue, por não querer de forma alguma deixar de participar nequela corrente de amizade.
Peço desculpa aos que não tenho conseguido visitar. Espero que hoje a situação volte ao normal e que hoje à noite já me seja possível ler-vos com a atenção que merecem.
Beijinhos e abraços para todos.
Publicado por: lique em novembro 16, 2004 08:33 AM
Mais uma vez esta cabeça andou feita tonta com a política e sem tempo para as visitas obrigatórias. Por isso, só agora me confronto com esta discussão/reflexão sobre a contenção. Tenho pena de não ter aparecido mais cedo, cheguei no fim da festa e foi pena.
Lembro-me que quando escrevi esse comentário, tinha gostado particularmente do que estava escrito e achei que tinha havido uma economia de palavras para transmitir algo de profundo e esta é uma forma de dizer coisas que, a mim, me agrada muito. Foi só isto. Nunca me passou pela cabeça que fosse dar origem a tão boa cavaqueira. Olha Lique, ainda bem que me deu para ter escrito o que escrevi pois gosto muito destas reflexões e mesmo quando há discordâncias, desde que as pessoas saibam manter o respeito, acabamos sempre por aprender alguma coisa.
Um abraço e desculpa se te trouxe algum embaraço.
Publicado por: Cecília em novembro 16, 2004 10:00 PM
Não lutes contra a transparência. Ela persegue-nos sempre para onde quer que caminhemos. No simples andar, sorrir, ou mover de lábios. No mais ínfimo olhar, na concha de cada palavra. Todos somos transparentes. A verdadeira arte está em saber reconhecê-lo e ainda assim intentar gerir cada gesto que nos move, cada frase que tecemos, cada sentimento que deixamos livremente assomar à janela dos nossos olhos.
E como tu sabes fazê-lo, bela Lique... Já tinha lido o texto antes, mas na altura não sabia muito bem o que te dizer. Beijinho de sol.
Publicado por: deSaraComAmor em novembro 17, 2004 02:26 PM
Querida Lique, já por aqui tinha estado e fiquei surpresa com este teu post. Não reagi de imediato porque sei como são essas coisas do coração ao pé da boca e não quis passar vibrações que atrapalhassem a levedura da reflexão.
Sabes-me operária de positividade; sabes-me agricultora de optismo. - Já me sabes.
Os afectos são complicados, de tão simples, quando os pensamos. Este mundo convertido em bits adultera a imagem real - ora magnificando, ora minimizando -, mas é incontrolável a percepção nesse binómio emissor/receptor, com mensagem ao meio.
Se não sei escrever afecto, sinto-o. Se privilegio produção literária, digo-o. Se faço tudo isso de maneira dúbia, ressinto-o. Contudo, é inegável a empatia que sempre senti contigo, por me identificar com as vibrações que por estes bits perpassam. Magnifíco? Minimizo? A ideia que subjaz é partilhar: recebo-reajo/ interpreto/ sinto (de forma errada? acredito. mas todas as edições são do público).
Admiro-te a postura e devoro a tua mensagem, seja qual for a forma que escolhas para de ti te dares: sem pejo de exposição, ou contida numa forma de escrita. Tão irrelevante eleger a casca, quando é desse sumo que me alimento!
A expressividade é sempre espartilhada, seja qual for o canal escolhido. Como me está a acontecer agora, que preferia mergulhar o meu olhar no teu e aconchegar-me no teu abraço. Servem de tão pouco as palavras, quando de gestos que se carece...
Sei que entendes todos os meus beijos, Mulher!
(Até aqueles que não consigo escrever.)
Publicado por: MJM em novembro 18, 2004 11:48 AM