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novembro 11, 2004

Em memória de Yasser Arafat

arafat.jpg


"Gostaria de ser lembrado como um dos palestinianos que sofre, a tentar fazer o melhor pelo seu povo"

Yasser Arafat, numa entrevista ao correspondente da SIC no Médio Oriente

Descansa em paz, essa paz que não te deixaram ter nem na vida nem na morte.

Publicado por lique às novembro 11, 2004 08:45 AM

Comentários

o Nobel da Paz partilhado com Rabin foi de algum modo a lição de que a paz não se faz só de um lado e o reconhecimento da parte do mundo de que estes dois homens, vindos de dois lados opostos do mesmo mundo, quiseram a paz.
Descansam em paz agora.

Publicado por: madalena em novembro 11, 2004 09:08 AM

Em tempos idos, não me recordo do ano, mas por alturas do “verão quente” em Portugal, ele veio cá a um comício no Pavilhão dos Desportos a convite da Associação de Amizade Portugal-Palestina.

Eu, e muitos milhares de Portugueses, fomos vê-lo.

Não me esqueço.

Publicado por: Papo-seco em novembro 11, 2004 11:02 AM

Não consigo esquecer-me que este senhor era lider da Fatah....

Publicado por: myryan em novembro 11, 2004 11:47 AM

bela homenagem, Lique!

Arafat, como Moisés, atravessou o deserto e não alcançou a Terra Prometida!

mas, tal como S.Martinho, carregou às costas o peso do mundo! acredito, (malgré moi même), que o Deus-Menino fará o milagre ...

beijos

Publicado por: DonBadalo em novembro 11, 2004 12:12 PM

Bela homenagem a um Homem que teve um Sonho! Palavras simples, as tuas, Lique...
Cheias de força que, espero, com muitas outras palavras hoje sentidas por todo o Planeta, ajudem aquele POVO a, finalmente, chegarem à sua Terra.
Arafat, descansa em Paz... até sempre!

Publicado por: jose gomes em novembro 11, 2004 12:31 PM

Mais uma personagem da história que sinto longinqua... Beijo linda Alice

Publicado por: fernanda em novembro 11, 2004 01:04 PM

Uma bela e merecida homenagem... Que descanse em paz! Beijos querida Lique

Publicado por: Maria Branco em novembro 11, 2004 02:01 PM

Bem lembrado, Lique!Bonita e merecida homenagem. Ele, como ninguém deixou seu próprio comentário (ainda em vida). Na sequência, a evidencia da morte, só desejo mesmo que, apesar da partida do "Homem", frutifiquem muitas, muitas sementes e que aquele povo não desista nunca da luta pelo que lhes é de pleno direito.Bj

Publicado por: liaccarvalho em novembro 11, 2004 02:13 PM

Culpado de muitos ataques suicidas, culpado de ser terrorista, culpado!!!
No entanto, premio Nobel? Se este premio não é atribuído aquem merece acabem com ele...
Nada disso!
Arafat, fica como o CHE, mas de forma mais convicente, por ter lutado por ideais sem quebrar pela sua "casa" e até na morte foi resistente. Se os judeus sofreram têm dado provas tambem das maiores atrocidades, espécie de vingança pelo que lhes fizeram no tempo nazi...
No fundo poucos lutam com pedras contra canhões!
Foi exemplar em tudo? Cometeu erros?
Se me assaltarem a casa eu ataco!!

Publicado por: hammer em novembro 11, 2004 03:18 PM

Associo-me à tua homenagem a Yasser Arafat. E é escusado dizer, de momento, muito mais. Bjs

Publicado por: Ermelinda em novembro 11, 2004 04:28 PM

tão singela homenagem, lique. meu bjo. cal

Publicado por: cal em novembro 11, 2004 04:54 PM

Cá estou a assinar por baixo, claro. Que nunca os Palestinianos o esqueçam e que continuem o seu combate. Justíssimo. Vamos esquecer, por enquanto, a vergonha que foram estes últimos dias. Isso comentar-se-á depois. bjks

Publicado por: ognid em novembro 11, 2004 05:11 PM

Toda a vida que acaba merece o nosso respeito,no sentido de que não estando já entre nós para se defender , se devem calar os seus inimigos.Uma coisa é certa a História não o vai esqueçer e terá a designação imparcial que o passar do Tempo permite .Deixemos então passar o tempo .

Publicado por: annie hall em novembro 11, 2004 05:19 PM

VIVA A LIBERDADE!
VIVA A PALESTINA!
VIVA A PAZ!

Publicado por: albino santos em novembro 11, 2004 07:25 PM

Merecida homenagem a um grande Homem que sempre lutou pelos seus ideais, inclusivé não podendo estar com a família. Que os Deuses lhe dêm a paz que merece...Muitos beijos amiga Lique:)***

Publicado por: wind em novembro 11, 2004 07:34 PM

“À morte voraz, / Nem boa, nem má, / Tanto se lhe dá / Levar o audaz, / Levar o sagaz, levar o tenaz, / Levar o mordaz, / Levar o capaz, / Levar o incapaz. / As destrinças que há / A vida é que as faz.”

Publicado por: Pantanero em novembro 11, 2004 07:56 PM

e para o povo Palestino.
A LUTA CONTINUA.

Publicado por: jgonçalves em novembro 11, 2004 10:53 PM

Foi-se um HOMEM...que os que ficaram o não esqueçam...que não tenham a memória curta...Perdoa, Lique, perdoem-me todos, mas...vamos ver, vamos ver...

Publicado por: Cris em novembro 11, 2004 11:22 PM

Que descanse em Paz! Mas... associo-me às palavras de hammer.. As suas palavras poderiam ter sido as minhas! **

Publicado por: M.P. em novembro 11, 2004 11:52 PM

Descansa em Paz! Paz!

Publicado por: stillforty em novembro 12, 2004 01:17 AM

Yasser vai viver para sempre

Nos braços do menino palestino

Não naquele que explode o próprio corpo

Mas sim naquele que atira pedras contra tanques

Feito David enfrentando Golias.

Minha admiração por Arafat é simbolizada pelo seu espírito de luta, pelos seus ideais de uma nação justa e de direito, não quero aqui polemizar se ele empregou os meios certos em sua luta, quem sou eu para julgá-lo! As pessoas erram, Todas...Os árabes dizem que todo nosso destino já está escrito quando estamos ainda no útero de nossas mães e essa foi a sina de Arafat, lutar por um estado palestino assim com os judeus lutaram por um estado judeu...ninguém tem razão, cada um deveria ter o seu quinhão. Homens como Arafat não declaravam que as estrelas estavam mortas só porque o céu estava nublado....não defendo homens-bomba, defendo homens-sonho!Todo palestino é um David na alma...Se empregar todas as suas forças, até o rato pode devorar o gato...se um dia houver uma pátria, uma nação, um país palestino Yasser Arafat será o seu pai.

Publicado por: em novembro 12, 2004 05:16 AM

Palestina
A continuação da Intifada coloca em xeque a ofensiva imperial-sionista
A ofensiva imperialista pode ser derrotada no Médio Oriente

A 27 de Setembro de 2000, 8 anos após o começo das conversações de paz, irrompia a Nova Intifada. Barak, então primeiro-ministro israelita, havia tentado, como os seus antecessores trabalhistas, impor ao povo palestiniano um "acordo de paz" que significava a completa dependência económica, militar e política, mais miséria, desemprego e o confinamento nos bantustões reservados a eles nas conversações de Oslo. Essa situação insustentável levou à eclosão da segunda Intifada, apesar dos esforços da direcção colaboracionista de Arafat. O fracasso de Barak em conter a Intifada provocou uma crise política no estado sionista e levou à eleição de Sharon, o mesmo que provocou a rebelião palestiniana com sua visita à mesquita de Al Aqsa protegido por um cordão de militares. Após a sua posse, este conhecido criminoso de guerra, que prometia 'segurança' aos israelitas, avançou com a repressão generalizada e assassinatos selectivos de lideres e grupos palestinianos rebeldes, tentando dobrar o povo palestiniano pelo terror. Agora é o próprio Sharon que está ameaçado, ao fracassar a sua estratégia, devido à continuação e ampliação da heróica resistência palestiniana e devido às divisões que esta tem provocado no interior de Israel.•
O polícia do imperialismo procura mostrar que controla a situação
Na verdade, o assassino Sharon tenta mostrar força e domínio da situaçâo com os ataques contra a população civil nas últimas semanas, no momento em que a heróica Intifada não dá tréguas e se amplia. Essas matanças foram também expressão da nova situação aberta pela guerra imperialista contra o Afeganistão. O governo sionista recebeu licença do imperialismo norte-americano para matar após o massacre no Afeganistão, quando Sharon tratou de embarcar na onda da 'guerra contra o terror.•
A dependência total do imperialismo sempre serviu de garantia para que Israel cumprisse o seu papel de verdadeiro enclave militar dos EUA numa região estratégia, o Médio Oriente. A ajuda financeira norte-americana é peça chave no Orçamento de Israel, são 5 a 6 biliões de dólares por ano para Israel. Sem ela, Israel não poderia sobreviver em estado de guerra permanente, e sem as moderníssimas armas que os EUA fornecem, Israel não poderia manter a opressão permanente sobre os palestinianos e impor aos estados árabes a sua hegemonia regional militar. No dia 3 de Dezembro do ano passado, o primeiro ministro israelita afirmava que "Da mesma maneira que os EUA actuam numa bataIha contra o terrorismo mundial sob a direcção decidida do presidente Bush, actuando com todas as suas forças, assim nós actuaremos". Essa posição de Sharon foi directamente estimulada pelo governo de Bush, que declarou abertamente que não se vai deter no Afeganistão, e se propõe manter a sua cruzada contra o 'eixo do mal composto por lraque, Irão, Coreia do Norte, e ainda Iemen, Filipinas, ou... qualquer país ou região onde os interesses dos monopólios dos EUA se sintam ameaçados. Sentindo-se fortalecido por essa nova situação, e na medida em que não conseguia derrotar a resistência, Sharon passou da repressão selectiva ao assassinato em massa nos territórios ocupados.•
Nas últimas semanas Israel atacou a Faixa de Gaza e a Cisjordânia por terra, água e ar matou dezenas de palestinianos. Essas acções foram mais violentas do que tudo o que foi feito desde Setembro de 2000, data em que começou a segunda Intifada. O exército israelita invadiu seguidamente campos de refugiados como os de Balata e Jenin e cidades como Ramallah com tanques, aviões, helicópteros; usando mísseis, matando quaisquer pessoas, crianças de 9 anos, médicos e motoristas de ambulância, em nome, cinicamente, de perseguir ninhos de terroristas. Até membros da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho foram mortos cobardemente quando tentavam socorrer os feridos. Por isso houve uma manifestação dos funcionários de ambas as organizações em Ramallah contra as violações das convenções de Genebra pelo governo sionista.•
Para os dirigentes do imperialismo que enchem a boca com slogans do género 'guerra contra o terror, como o governo de Bush, não preocupa o terror e os crimes de guerra desde que sejam cometidos pelo seu fiel aliado Sharon. Na verdade, sabem que aquela é a lógica de quem quer manter uma ocupação contra um povo que luta e não se rende. Porém, apesar de todos os ataques à população civil árabe, de mais de 1000 mortos palestinianos desde 2000 e dos abusos de toda a sorte, a resistência palestina manteve-se, a amplíssima maioria da população palestina apoia a Intifada e cerca de 2/3 apoiam inclusive os atentados suicidas em repúdio à opressão sionista. Essa impressionante resistência começou a abrir fissuras no próprio apoio da população israelita à guerra e dentro do próprio exército de Israel.

As divisões na frente interna
Em Setembro de 2001, mais de 60 alunos de escolas do segundo grau israelita declararam numa carta ao primeiro-ministro Ariel Sharon e ao ministro da Defesa Benjamin Ben-Eliezer que eles iriam "recusar a tomar parte nas acções opressivas contra o povo palestino". Protestavam contra "a política agressiva e racista do governo e do exército israelita" e afirmavam que "a expropriação de terras, prisões, execuções sem julgamento, destruição de casas, encerramento de fronteiras, torturas e a suspensão de atendimcnto médico são apenas parte dos crimes que o Estado de Israel está a praticar, numa grosseira violação das convenções internacionais que assinou". E acrescentavam: "recusamo-nos a tomar parte em acções que deveriam ser chamadas de actividades terroristas".

Depois, mais de 200 oficiais da reserva das Forças Armadas israelitas fizeram um manifesto público no mesmo sentido e publicaram-no nos jornais. E cerca de outros mil oficiais reservistas também se declararam dispostos a devolver os territórios de Gaza e Cisjordânia, ainda que não a totalidade. E entre eles existem altos oficiais do Exército (coronéis, generais, etc.) e membros dos serviços de inteligência militar.•
Como reconheceu o diário Yediot Aharonot, baseado numa sondagem de 8 de Fevereiro, mais de 26% da opinião pública de Israel simpatiza com a recusa dos oficiais em servir nos territórios; o jornal também notou que no auge do movimento anti guerra da década de 60 e do inicio da de 70, nunca chegou a haver uma tal percentagem de apoio nos EUA aos soldados que se recusavam a servir no Vietname.•
Pela primeira vez, depois da segunda Intifada, realizaram-se em Israel manifestações como a de Tel Aviv, com 10.000 pessoas, pela retirada das tropas israelitas, que contou com intervenções de oficiais na reserva do exército que se recusaram a servir nos territórios ocupados. Segundo o informe do grupo Gush Shalom, o centro das atenções da manifestação foram os insubmissos, que foram os mais aplaudidos, particularmente três deles que intervieram: Yishai Rosen-Tzvi, recém-saído de uma prisão militar; Yishai Menuchin, um veterano que já tinha sido preso durante a guerra do Líbano há vinte anos, e Noa Levy, um dos estudantes do segundo grau que assinaram a carta aberta.

O Líbano mostrou o caminho: o sionismo não é invencível
No ano passado completou-se a retirada unilateral do exército israelita do Sul do Líbano. Foi a primeira derrota política e militar de Israel. Para esse resultado, combinaram-se a resistência heróica dos libaneses e palestinos com a mobilização interna de sectores da juventude e das mães de soldados israelitas que obrigaram o governo Barak a finalmente retirar-se do território.•
Esse é o único caminho para o povo palestiniano. E o povo palestiniano saiu à luta apesar da desproporção gritante entre o armamento de ambos os lados e do apoio irrestrito concedido a Israel pelos EUA.•
E mais recentemente outros acontecimentos começaram a demonstrar que o exército israelita não é invencível. Um blindado considerado inexpugnável, o Merkava, foi destruído e três dos seus quatro tripulantes morreram. No dia seguinte, um tenente-coronel das forças secretas de Israel, EyaI Weiss, de 34 anos, foi morto num incidente obscuro quando demolia casas em Saed. Weiss era o responsável máximo da unidade Duvdevan, corpo de élite do exército israelita cujos membros actuam disfarçados de árabes e se infiltram em territórios ocupados para prender ou matar activistas palestinos. O exército declarou que ele havia morrido numa explosão acidental de uma casa que estava a ser demolida pelos seus homens, mas a Jihad Islâmica declarou que teria sido vítima de troca de tiros com os seus milicianos que resistiam às demolições. Nas últimas semanas, dois postos de controlo israelitas dentro dos territórios ocupados foram atacados e os seus elementos mortos ou feridos. Esses factos levaram Sharon a responder com o assassinato puro e simples de qualquer palestino como vingança. O problema para esse carrasco, já conhecido pelas suas matanças em Sabra e Chatila, é que a sua acção, longe de provocar a rendição palestina, está a gerar uma maior disposição e heroísmo da Intifada, pondo em risco o plano sionista e pode obrigar a um recuo bem maior, tal como se deu no Líbano.

As cedências da direcção da Autoridade Palestiniana•O heroismo da população palestina contrastem com o entreguismo da direcção da Autoridade Nacional Palestiniana. O Plano de Paz na verdade foi um embuste que só foi possivel devido à posição da maioria dessa direcção que gira em torno de Arafat. Quando, em 1992, Israel sentiu o golpe da primeira Intifada e foi obrigada a levantar uma política de paz, Arafat prontamente aceitou e correu a retirar qualquer referência a uma Palestina laica e não racista dos estatutos da OLP. Oslo foi isso, a tentativa de montar uma 'paz' que mantivesse todo o essencial do status quo com o consentimento dos dirigentes palestinianos. Porquê? Porque Israel não cedia nada, e embora falasse em trocar terras por paz, queria legitimar a sua ocupação em troca de uma autonomia apenas de fachada, parecida aos bantustões africanos. A Intifada de Al Aqsa só eclodiu depois do cansaço da população com a opressão cada vez maior causada pela ocupação sionista que não cedeu em nada e que até aumentou o número de colonos e assentamentos nos 8 anos seguintes à aplicação dos acordos assinados nas conversações de Oslo.•
Arafat abandonou na prática a única bandeira que poderia trazer a paz, ou seja, a Palestina laica, democrática e não racista, que implica a destruição do Estado sionista de Israel. Em nome do realismo, deixou de lado reivindicações históricas como o direito ao retorno imediato de todos os palestinos expulsos ou exilados. O problema é que essas reivindicações democráticas chocam-se frontalmente com toda a estratégia sionista dos últimos 50 anos e, mais ainda, com a sua política desde 1967. Significariam destruir o apartheid, portanto a própria base racista e teocrática que está na origem e na prática diária do Estado de Israel, tanto dos govemos trabalhistas, como o de Barak, como o actual do Likud de Sharon associado aos trabalhistas de Peres.•
O colaboracionismo de Arafat chegou a 2 de Dezembro ao seu ponto máximo quando a ANP declarou o estado de excepção em Gaza e Cisjordânia em resposta à pressão de Sharon. Com a lista de 'terroristas' que Israel lhe deu, Arafat começou a deter activistas, a fechar locais e jornais da oposição. A onda de prisões debaixo do estado de excepção incluiu, além de dirigentes da FPLP (Frente Popular de Libertação da Palestina) como Ahmad Saadat e militantes do Hamas ou da Jihad, até mesmo membros das organizações como a milícia Tanziin, vinculada a Al Fatah ou à Força 16, a ex-guarda pessoal de Arafat. Uma reacção das organizações da resistência palestina colocou em xeque a liderança de Arafat e inclusive chegou a arrancar das prisões palestinas vários Iideres detidas. A onda de protestos contra as detenções levou a manifestações e enfrentamentos causando várias mortes e centenas de feridos palestinos nos confrontos contra a polícia de Arafat.•
Mas nem toda essa repressão interna motivada pela política colaboracionista de Arafat conseguiu parar a luta. O impulso da Intifada impôs a unidade de acção entre numerosas organizações palestinas e estruturas unitárias que são dirigidas por um Conselho de 15 membros, e integram até 11 organizações que são islamistas, nacionalistas ou marxistas e que dirigem a Intifada em Gaza e Cisjordânia. É esse o movimento que se combate em nome da luta "contra o terrorismo" e é esse movimento a que o imperialismo norte-americano e europeu exigem que Arafat reprima e derrote para dar lugar à "paz". E agora Arafat pede… uma maior intervenção dos EUA. Ou seja, daqueles que sustentam os assassinos sionistas!•
Na verdade, o que levou a que Arafat não fosse varrido da cena política foi que Sharon passou a sitiá-lo e atacá-lo militarmente, por não conseguir conter a Intifada, apesar da sua disposição total para a colaboração. A acção terrorista de Israel, explodindo escritórios da ANP e postos da polícia civil palestina, reforçou o seu protagonismo perante as massas palestinas, levando a que recuperasse a sua imagem de adversário do sionismo.•
A vitória da Intifada e o novo "Plano de Paz"
A única saída é a luta e não os suplicantes pedidos de negociação de Arafat e dos govemos árabes fantoches do imperialismo, como o da Arábia Saudita, que acaba de lançar um plano de retomar as negociações a partir do velho plano de Oslo, estratégia logo acolhida pela União Europeia. A saída não está em novas conversações com Sharon-Peres e no reconhecimento da legitimidade do sionismo por todo o mundo árabe como propõem os sauditas, aceitando dois Estados, em que o sionismo fica com a parte de leão da Palestina. Ela passa por derrotar Israel. Começando por expulsá-lo dos territórios ocupados e retomar todos os direitos usurpados pelo agressor sionista.•
É claro que se Israel fosse obrigada a aceitar a retirada imediata das suas tropas de todos os territórios ocupados em 1967, assim como dos assentamentos impostos pela força dos colonos israelitas ali instalados, seria uma importante vitória parcial. Essa vitória seria significativa, como foi a retirada do Líbano, pois fortaleceria a luta palestina, mas só seria completa quando toda a Palestina fosse um Estado Laico, democrático e não racista.•
Fora disso continuará a haver a opressão contra os palestinos. E para quem duvida da possibilidade de triunfar, lembremos o Vietname. Na guerra do Vietname, a resistência heróica do povo vietnamita combinou-se com a recusa da juventude norte-americana em morrer para manter a ordem e com um importante apoio do movimento operário, democrático e da juventude do mundo inteiro.•
Hoje, a heróica Intifada serve de exemplo a todos os povos do mundo de que é possível lutar contra a opressão colonial e imperialista e deve ser apoiada por todo o apoio militante do movimento operário, democrático e popular no mundo inteiro.•
As recentes manifestações de massas na Jordânia e Líbano contra os massacres sionistas, que foram realizadas apesar de toda a repressão policial dos govemos locais, marcaram um novo momento para que esse movimento se amplie e generalize a todo o Médio Oriente. A intensificação da resistência palestiniana, sustentada pela mobilização de massas no mundo árabe e no resto do mundo e a cada vez maior divisão no interior de Israel podem levar à primeira e decisiva derrota da ofensiva imperialista levada a cabo após os atentados de Setembro, representada no Médio Oriente por Israel e o govemo Sharon.

O exemplo dele será seguida por muitos.
A Palestina vencerá

Publicado por: LetrasAoAcaso em novembro 12, 2004 10:02 AM

Uma bela e mais que merecida homenagem.
Beijo.

Publicado por: Márcia em novembro 12, 2004 12:43 PM

merecida homenagem
que Arafat descanse finalmente em paz...
beijos

Publicado por: Luna em novembro 12, 2004 01:25 PM

Creio que finalmente obteve a paz que tanto desejava... Sempre quero ver agora a força de vontade de Israel em obter a paz... ou não.

Publicado por: polittikus em novembro 12, 2004 01:51 PM

...citando e contrariando (?!) o Dom Badalo, cada vez acredito menos em milagres. O homem não me dá essa esperança -quando me refiro ao "homem" estou a falar dos que decidem os destinos dos povos, não o vulgar cidadão comum...
A guerra, neste final do ano de 2004, está presente em todo o mundo; com ou sem o estrépido das armas e das vítimas, o homem, a cada dia que passa, parece procurar, insano, a autodestruição.
Exagerado?. Quem me dera que fosse.
Beijos e intés!!

Publicado por: porquinho da india em novembro 12, 2004 02:14 PM

Bem-Haja, querida amiga, por estas palavras tão belas.
Os grandes homens, porque são filhos das grandes causas, NUNCA MORREM!

VIVA A PALESTINA LIVRE!!!

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado em novembro 12, 2004 07:22 PM

A TODOS: este é um post no qual eu estava disposta a não dizer absolutamente nada. No entanto, tendo aparecido aqui tantas opiniões diferentes, vou só tentar dar a minha opinião e dizer algo sobre alguns comentários mais polémicos.

A questão palestiniana foi, desde a minha juventude, uma das causas que mais discussões me fez ter, até com pessoas muito próximas de mim. Isto porque eu sempre apoiei a causa da Palestina e sempre condenei que os perseguidos de ontem se tivessem tornado nos perseguidores de hoje. Neste contexto, obviamente que Arafat foi sempre para mim uma referência. Por isso, é mais que justo que lhe preste aqui homenagem.

Também não acredito, de forma alguma, que haja hipótese de paz com este governo em Israel. Ou por outra, pode haver uma "paz" em que o povo palestiniano seja ainda mais espezinhado.

>>Myryan e Annie: respeito, e à Annie já o disse, o vosso posicionamento. Só que tenho que citar o que diz o Hammer "Se me assaltarem a casa eu ataco!!" . É exactamente assim. Terrorismo é uma noção que podíamos estender a alguns estados e nem vou citar quais. Beijinhos ás duas.

>>Lú: entendo-te, minha querida, mas não sei se neste caso as pedras de David chegam para derrotar Golias. Deve ser preciso algo mais. Como sempre as tuas palavras são tão belas como tu. Um beijo grande, amiga.

>>Lia: minha muito querida amiga, só quero saudar o teu regresso aos comentários. Fico muito feliz por te ter por aqui. Beijo grande.

>>LetrasAoAcaso: meu amigo, tenho que te agradecer a lição de história recente que nos deste. Li-te com muita atenção (e tempo :)) e só te quero dizer que as cedências de Arafat no fim da sua vida, as quais eu não consigo (desculpa) chamar de colaboracionismo , não me fazem esquecer o papel do guerrilheiro, do resistente. Estou aqui a homenagear o homem e toda a sua vida, não só os seus últimos anos. Quanto à questão da paz, já deixei a minha opinião.
Zé, apesar do teu belicismo ter feito com que não me deixasses um beijo de amigo, eu deixo-te um para ti.

E para todos os outros, agradecendo as vossas contribuições, beijinhos e abraços.

Publicado por: lique em novembro 12, 2004 09:14 PM

{ ...

tentei desesperadamente sentir algo nesta [morte] publicada, mas em vão... nada senti. [me] perdoem [], nesta tentativa manipulada de parecer sempre bem [por vós], decerto de pedra sou [...], nada senti. [ ... ] sinto [mais] nesta [nessa] gente de rua em sangue mutilada em dor manifestada [já não lembrada; esquecida]... sinto mais por aqueles que [toda a viva] sempre o bem presente e nunca re[conhecido]; sentido vou [eu] por [nada] sentido... perdoem-me por não querer agradar... sinto só que lhe vou [um dia] perdoar.
© de[mente]

... }

Publicado por: de[mente] em novembro 12, 2004 09:14 PM

Arafat não "morrerá" nunca, como não morrerá nunca o sonho da justiça de uma Palestina livre, que oxalá deixe um dia de ser sonho...
Beijinho grande e bom fim de semana...:))

Publicado por: maria em novembro 12, 2004 09:17 PM

Sou um acérrimo defensor da causa palestiniana... No entanto, desconfio sempre dos líderes que possuem fortunas pessoais enquanto o seu povo vive mal e passa fome. Por isso, não posso deixar de aqui recordar que Yasser Arafat era um dos homens mais ricos do mundo. À custa de quê e de quem é o que falta saber.

Publicado por: Rui Jorge em novembro 17, 2004 01:35 AM