« A minha cidade | Entrada | Se sou assim... »
janeiro 20, 2005
Neblina (?)
Estamos a pouco tempo das eleições legislativas. Dei comigo a pensar que falta só um mês.
(Aí vem ela com a porcaria da política, já cá faltava! Não podia limitar-se a fazer uns versos manhosos?)
Vá lá, permitam-me umas reflexõezinhas, ainda que sem a argúcia dos brilhantes analistas políticos da nossa praça. Por acaso, é algo em que este país é pródigo… E até dizem umas coisas.
Pois a minha grande interrogação, a neblina que turva o meu pensamento é mesmo esta: mas em que raio de partido vou eu votar?
(Ah, ela também não sabe!!! Então não é… nem…)
Pois é!! Eu não sei e (choquem-se lá com esta!) nunca tive tanta vontade de não pôr os pés na minha habitual assembleia de voto. Entendo bem as razões que, por exemplo, o Zecatelhado invoca para não ir votar. Na verdade, no dia 20 de Fevereiro eu vou deparar-me com um dilema (ou será mesmo trilema ?) que a campanha eleitoral, de certeza, não vai resolver. Não, não esperem que me ponha para aqui a dizer que não voto neste porque fez (ou não fez) isto e aquilo! Nem vou dizer que, vote em quem votar, o que aí vem é "mais do mesmo". Não faço o trabalhinho de casa a ninguém. E este é um TPC que todos devemos fazer.
Admitindo que voto à esquerda…
(ah que grande novidade!!)
Pois, admitindo que voto à esquerda, ainda tenho uma data de hipóteses. E eu queria que a neblina se fosse dissipando na minha cabeça. Parece fácil? A quem é que parece fácil? Acho que nem aos filiados neste ou naquele partido. A situação do país é de tal forma complicada que …
(Querem ver que ela vai defender o pacto como o Jorginho?)
A situação do país é de tal forma complicada que gostava de não ter que votar no menor dos males… que até pode vir a revelar-se maior! E mais não reflicto, por hoje. É que curiosamente a neblina está ainda a adensar-se mais. E eu gostava que um raio de sol entrasse e a dissipasse. No meu pensamento e no de todos nós. Para encontrarmos uma solução iluminada.
(Está bem, está bem, eu calo-me já.)
[Independentemente de neblinas, espero que todos façamos o trabalho de casa e vamos votar no dia 20 de Fevereiro em plena consciência. Essa vai ser a minha campanha.]
Publicado por lique às janeiro 20, 2005 07:17 PM
Comentários
Subscrevo praticamente tudo o que dizes.
E também vou votar.
Sem alinhar nessa história do voto útil (útil, para quem? só se for para aqueles que o apregoam...).
Vou fazer aquilo que os pequenos clubes de futebol, por vezes conseguem:intrometer-se na luta daqueles que jogam para o título...
Publicado por: ajcm em janeiro 20, 2005 08:19 PM
A tese de que do mal o menos, do voto útil...deixa-me desconsolado. No entanto, farei como sempre fiz: voto! não é em vão que alguns fizeram o 25 de abril...
Publicado por: hammer em janeiro 20, 2005 10:09 PM
É isso Lique.
O importante é que não pactuemos com a inércia.
O resto vem por impulso.
Se nos sentimos atingidos na nossa dignidade e aos que nos rodeiam, é por nós e por esses que devemos agir.
Publicado por: jgonçalves em janeiro 20, 2005 10:14 PM
Também me parece que é o exigível. Eu sei que é uma palavra pesada, mas é assim mesmo: é-nos exigido porque nós temos deveres, obrigações. E se não votarmos, depois não nos poderemos queixar ou protestar.
Beijos, é bom voltar a ler-te :-)
Publicado por: yardbird em janeiro 20, 2005 10:30 PM
Ai Lique, benvinda ao clube! Se tu ainda vais vendo neblina, olha que eu preciso de uma lanterna, e das potentes, menina. Esquerda, claro, ... mas...
Beijinhos, ó-amiga-que-já-me-lixáste-a-noite!
Publicado por: aguas de marco em janeiro 20, 2005 11:52 PM
Olá lique
Tens um mês para reflectir e tomar a decisão.
É tempo suficiente para tudo.
Eu irei votar para consagrar o direito que apenas há 30 anos me colocaram à disposição. A seguir, desenharei a cruzinha numa escolha que pretendo ser serena (ou até nem desenhá-la!)e esperar pelos resultados na noite de 20 de Fevereiro.
Quanto aos debate, estarei atento aos mais interessantes. Quanto aos comentários, fixar-me-ei nos mais inteligentes.
Bjs
Publicado por: j em janeiro 21, 2005 12:23 AM
Há uns largos meses pensava eu que, finalmente, nas próximas eleições não iria votar contra (o que me vem acontecendo de há uns largos anos para cá). Breve ilusão... já ando outra vez a fazer contas de cabeça e a pensar que se calhar é melhor dar uma forcinha a este para aquele não virar de vez à direita, enfim, o avô Soares leu os meus pensamentos. Que grande gaita, chega uma pessoa a esta idade e não tem confiança em ninguém.
Um abraço Lique, e se chegares a uma conclusão diferente da minha avisa, tá?
Publicado por: Cecília em janeiro 21, 2005 01:43 AM
Eu pelo menos a esse respeito tenho algumas coisas a dizer, dia de eleições é dia de trabalho para mim...estou sempre nas mesas...ainda não houve uma alminha que achasse que sou desmiolada e me esquecesse de chamar para presidente de mesa...Dá cá umas dores de cabeça! Mas sim, achei essa tua missiva precisa e consciênte...espero que todos realmente façam trabalho de casa, eu farei o meu.
Jinhos
Publicado por: Blue em janeiro 21, 2005 11:06 AM
Lique, que é que queres que diga.
Compreendo as tuas razões... mas neste marasmo (ou, melhor, nesta luta de galos!) que estão os principais craques da política a minha dúvida - e que vai prevalecer mesmo depois do dia 20 - é que o zé povinho é masoquista ou, então, resolve de uma vez por todas mudar o sentido do voto... e não é ficar quietinho em casa a ver a água correr...
Que tenhas um bom fim de semana.
Um abraço,
Publicado por: josé gomes em janeiro 21, 2005 12:30 PM
No passado, nunca tive dúvidas quanto a política. Presentemente, a neblina instalou-se em mim! è um facto. O que era ontem, hoje já não é. Ou não tenho a certeza! E eu gosto de certezas! Já não vivo para a política. Já não gosto de politicos. Os que eu gostava, passaram a ser comuns. Iguais aos outros, na luta pelo poder! Já não há excepções! Que desilusão! Tanta desilusão! Mas que se há-de fazer? é o país que temos. Os políticos possíveis. Os outros não dão a cara. Por medo? Para não correrem risco? Hoje certa comunicação social portuguesa tem o poder. De virar opiniões. De virar valores. Onde está a verdade? Onde está a mentira? Haja senso... É o que eu espero! Jinho grande :-)
Publicado por: menina_marota em janeiro 21, 2005 01:00 PM
Claro que sim e antes do almoço para não haver desculpas! Não sei se vamos resolver alguma coisa, mas tenhamos fé - assim nesta angústia é que não dá!!!
Um abraço e mesmo em campanha, os meus blogs gostavam dum comentário da Lique.
Um outro abraço
Marta
Publicado por: MARTA TEIXEIRA em janeiro 21, 2005 01:47 PM
E eu que queria votar, nao vou poder faze-lo... fui tarde demais fazer o cartao de eleitor. Mas concordo contigo, deviamos fazer tods o TPC.
Agora no da esquerda... :P
Volto sempre
Publicado por: Vab em janeiro 21, 2005 02:37 PM
Amiga Lique:
Subscrevo (quase) por inteiro o teu post de hoje; o quase pode valer(ou não) uma cruz no boletim de voto,que é como quem diz: ir às urnas vou, votar efectivamente num qualquer partido, é uma questão que estou a ponderar sériamente. Penso que já tudo se disse sobre a política e os políticos neste país nos últimos trinta anos...e em liberdade, pela qual também me bati. Ao contrário de muita gente, gosto de política e dos políticos que a fazem democráticamente. Por existirem muitos(demasiados!!) que são a antítese dos primeiros, não caío no primarismo de "tomar a nuvem por Juno" e deixar de opinar e intervir (fazer política) quando julgue necessário. Se por acaso não desenhar a cruz no boletim de voto, não deixarei por isso de ser tão cidadão como aquele que o fez. A democracia, prevê o voto em branco, e eu também... em última análise. Não prevê é o oportunismo descarado e declarado de tantos que fazem politica e "empurram" este país para uma situação quase descontrolável. Não posso oferecer de bandeja um voto que será malbaratado. Que é meu.
Fica bem. Beijos e intés!!
Publicado por: porquinho da india em janeiro 21, 2005 04:28 PM
tão distante que eu andei... eu sei.
Lique :)*
Publicado por: AmigaTeatro em janeiro 21, 2005 06:06 PM
nao sei...nao sei mesmo em quem vou votar. vou fazer o meu trabalho de casa com calma e em consciencia..:)...um beijo
Publicado por: Lianor em janeiro 21, 2005 08:06 PM
Olha eu, do lado de cá do Atlântico, longe das eleições - seja elas quais forem - mas entendendo e compartilhando desta sua "preguiça" de ecercer a cidadania. Ainda que vivendo realidades diferentes, nós os eleitores, vivemos sentimentos sempre parecidos,né? Mas o dever de casa precisa ser feito então que o façamos bem, sempre! Beijos amiga.
Publicado por: Loba em janeiro 21, 2005 09:41 PM
Gostei de ler a partilha da tua reflexão!... :)
Publicado por: sotavento em janeiro 21, 2005 10:19 PM
O meu voto será em branco.
Quero que eles se catem.
Beijos minha querida amiga
Publicado por: letrasaoacaso em janeiro 21, 2005 10:25 PM
{ ...
e voto
e voto sempre que quero
e voto sempre em memória(*)
e voto
e voto só por eles
© in[culto]
(*)daqueles que o fizeram possível
beijos*
... }
Publicado por: © in[culto] em janeiro 21, 2005 11:37 PM
Vitorino!
Publicado por: madalena em janeiro 21, 2005 11:41 PM
Fui ao Zeca, deixei lá este comentário:
Tu ias falando, Zeca, e eu acenava com a cabeça, a concordar.
O Yard disse: "e até me apetecia fazer coro"
e eu acenava com a cabeça, a concordar.
Mas detive-me no jgonçalves:
"Pois! Temos de ir combatendo sempre com mais rigor e abnegação.
Com as armas que temos na mão…!"
E assim farei (não me perguntem ainda é como...vou ali aconselhar-me com a lique.)
Publicado por: titas em janeiro 22, 2005 01:38 AM
Bem, a minha experiência daqui do outro lado do Atlântico me diz que um voto não dado é um voto passível de ser negociado, como se o negligente tivesse ido às urnas. Bjs.
Publicado por: Jane em janeiro 22, 2005 02:19 PM
Muito sinceramente Lique...deixei de ponderar sobre a Politica, e de votar também. Não acredito muito neste País !
Publicado por: finurias em janeiro 22, 2005 05:42 PM
Olá Lique. Já nem é um caso de neblina, mas um denso nevoeiro em que estamos metidos. E vagueio orientada pelos sentidos que neste momento foram de férias. Bjinhos amiga e um bom fim de semana
Publicado por: amita em janeiro 22, 2005 06:28 PM
>>A TODOS: várias opiniões aqui ficaram expressas. Outras haverá, igualmente válidas. Parece-me que importante é pensar sobre o assunto e, votando ou não, fazê-lo com a consciência do que se faz. Por mim, defendo o voto, mesmo que seja em branco. É não abdicar de um direito que me deram e pelo qual muitos lutaram. Por isso, eu vou votar. Como ou em quem? Ainda não sei. Lá chegarei, espero.
Beijinhos e abraços
Publicado por: lique em janeiro 22, 2005 06:47 PM
Há quem sonhe ainda com o rei menino surgido do nevoeiro; eu também gostava de sonhar mas... já sabes.
Penso que deves fazer o que o teu ordenar ou pensar que é melhor.
Um abração sentido do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado em janeiro 22, 2005 10:18 PM
Pois eu, como todos já sabem, não voto, não voto e não voto.
Se o voto é um direito; se eleger é um direito; não votar e não eleger, também têm de ser direitos igualmente respeitados; ou então o direito transforma-se numa falácia, numa prisão, numa imposição revoltante e violentadora da nossa consciência.
Só vou votar quando a abstenção passar a ser valorada; quando os políticos perceberem que têm de mudar e deixar de merecer o nosso desprezo.
Quando, com tudo isto, o sistema for, realmente, uma democracia.
Quando os outros repoeitarem devidamente, o nosso direito de não votar, então, talvez, eu passe a ir votar, em quem mereça. Agora, e nestas circunstâncias, ninguém merece o meu voto. Eles também não me ouvem...
Publicado por: Biranta em janeiro 23, 2005 03:26 PM
Olá, Lique. O meu aplauso por trazeres o assunto à ribalta. A esta, que não outra. Sem me alongar muito, direi que há duas coisas distintas a ponderar:
1. O meu direito ao voto.
2. A minha escolha.
Penso que se misturam e confundem em demasiadas cabeças estas duas coisas... e isso não é saudável.
Votar é um exercício de cidadania inalianável. O não votar, como antítese, é um exercício de não-cidadania. É o fecharmo-nos na nossa concha, esperando que o mundo mude graças a alguma divina providência ou à queda, também providencial, de algum meteoro - que esperamos sempre que não nos atinja, para sobrevivermos num outro amanhã maravilhoso...
Estará no SEU direito quem não quiser votar. Terá apenas de se questionar se a sua não-atitude serve para alguma coisa ou produz algum efeito.
Algo muito diferente é o não nos revermos em nenhum dos candidatos. Aí temos o voto branco, o voto nulo... até a "declaração no voto". Mas essa atitude terá, pelo menos, o peso estatístico, por um lado, e será o acto solidário, por outro, que permitirá mostrar a outros (e a nós próprios) que não se está sozinho.
Alguém terá dúvidas, se alguma vez ocorrer o cenário antecipado pelo Saramago, no "Ensaio sobre a Lucidez", do que isso representa como repúdio pelos candidatos em presença?
É evidente que todos somos (razoavelmente) livres de fazer o que acharmos melhor. Mas quantos tiveram de "VOTAR", assumindo o passo em frente num dado momento da vida, para que todos nós possamos AGORA fazer o que achamos melhor?
Por mim, é claro que voto. E muito me apraz registar que o meu filho também vota, sem que alguma vez a tal tenha sido coagido.
Desculpa a extensão... mas já há muito tempo que não falava contigo. Beijos.
Publicado por: OrCa em janeiro 23, 2005 06:25 PM
Venho dizer-te que aquele "Adeus" lá no "palavras..." foi mais um dos meus impulsos.Bolas para este meu (mau) feitio!
Quanto ao teu texto, está decidido.Vou acreditar num "Bloco"!...Beijitos,Amiga,e,um resto de um domingo feliz!
Publicado por: Cris em janeiro 23, 2005 06:49 PM
Boa semana .. tenho andado arredia por complicações lá pela minha "casa" que me tem andado a fazer umas partidas e me obrigou a começar a configuração do zero... mais uma vez!!:/ Amanhã por cá passarei para deixar uma "palavrita" nestes dois últimos "posts"...**
Publicado por: M.P. em janeiro 23, 2005 10:28 PM
Aqui estou a cumprir uma promessa... neste Pais envolto em "neblina" política, vive-se um estado de coisas indescritível! A pior crise de que há memória depois do 25 de Abril diria eu! Numa casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão! É o que está a acontecer nesta casa chamada Meu País!.. Tudo quer mandar, todos dão sentença, mas ... não passamos disto... É pena.. temos tanto para fazer!Pena +e que não haja uma consciencialização colectiva que foça assim uma força motriz para em conjunto fazer reviver este velhino País que está a precisar de para caminhar em frente de "nariz" erguido e d emostrar o que vale!..( Olha eu a falar de política... :/)**
Publicado por: M.P. em janeiro 24, 2005 10:52 PM
Aqui estou a cumprir uma promessa... neste Pais envolto em "neblina" política, vive-se um estado de coisas indescritível! A pior crise de que há memória depois do 25 de Abril diria eu! Numa casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão! É o que está a acontecer nesta casa chamada Meu País!.. Tudo quer mandar, todos dão sentença, mas ... não passamos disto... É pena.. temos tanto para fazer!Pena é que não haja uma consciencialização colectiva , uma força motriz para em conjunto fazer reviver este velhinho País que está a precisar de caminhar em frente de "nariz" erguido e de mostrar o que vale!..( Olha eu a falar de política... :/)**
(Esta é a versão melhorada do comentário anterior!!! LOL:. Sorry!)
Publicado por: M.P. em janeiro 24, 2005 10:55 PM
O meu voto será nulo. Sinto-me como o condenado que tem de escolher o seu carrasco. Liberdade, há muito que não sabemos o que é. Deveres cívicos, não os praticamos... Somos barrigudos a ver publicidade e a comer lixo... Desculpem, mas já não usamos o cérebro para pensar, nem o coração para sentir - agora fazemos tudo com o estômago.
Publicado por: Samykas em fevereiro 4, 2005 07:49 AM