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janeiro 03, 2005

O primeiro dia de trabalho

Naquele primeiro dia de trabalho, após as festas, a D. Fátima olhava pensativa para as revistas que tinha comprado e não lhe apetecia ler. Sabia que a engenheira já tinha chegado e, mais minuto menos minuto, estaria a telefonar para pedir o correio. Mas sentia-se cansada e os papéis à sua frente desencorajavam-na.
Pensou naqueles dias que tinha passado em casa do filho. Tinha feito todas aquelas coisas boas de que eles gostavam, tinha a sensação de não ter saído da cozinha entre o Natal e o Ano Novo. Mesmo assim, a serigaita da nora não tinha tirado o ar de enjoada no Natal e tinha passado a noite de Ano Novo a dizer como seria bom passar o ano no Casino. Onde iriam eles buscar dinheiro para isso? Aquela rapariga só pensava em coisas que o filho não lhe podia dar. Enfim, na verdade, eles que se entendessem. Mas ela preocupava-se. Nunca conseguia deixar de se preocupar.
A real alegria daquele Natal tinha sido a maluqueira do neto com as prendas que tinha recebido. Muitas. O marido era um mãos largas para o neto. Só para o neto, mesmo. A ela tinha-lhe dado um pirex para substituir um que se tinha partido. O filho tinha-lhe comprado um pijama (onde o iria arrumar naquelas gavetas cheias dos que lhe tinham dado nos outros anos?). Enfim… ela tinha comprado a prestações, a uma senhora que lá ia vender ouro, aquele colar que trazia posto e que toda a gente achava lindo. Prenda dela para ela. Tinha feito uma loucura e o marido estava farto de perguntar como é que ela tinha arranjado dinheiro para aquilo.
Pensou que a engenheira devia estar a pedir o correio e pegou nos papéis. Imaginava as Festas dela. De certeza, não tinha mexido uma palha. Devia comprar tudo feito, caríssimo, e havia de ter passado o ano em alguma festa fina, de certeza…


A engenheira também se sentia, a um tempo, cansada e aliviada por aquele período do ano ter terminado. Pensou que, todos os anos, enfeitava a casa e fazia para a família alargada aqueles petiscos da época de que todos gostavam, numa tentativa de criar um ambiente de conforto e felicidade. Naquele ano, ninguém lhe tinha parecido particularmente feliz e ela tinha sempre a sensação de ter falhado em alguma coisa. As prendas tinham sido escolhidas a pensar em cada um, um pouco à pressa porque o tempo tinha sido pouco. As que lhe tinham dado iam de encontro aos gostos que lhe conheciam. Cada vez lhe parecia mais fútil e cansativa aquela escolha e troca de prendas. Estava a ficar velha e desencantada, pensou. Aquele viver em solidão acompanhada a que se tinha habituado desde nova, começava a pesar-lhe.
Lembrou-se que tinha que pedir o correio. Decidiu ir lá abaixo e, de caminho, beber um café. Como teriam sido as Festas da D. Fátima? Não que lhe interessasse muito, pensou, a tentar chamar aquela carapaça de indiferença com que se defendia dos outros e dela própria, sobretudo. Imaginou-a com a família, feliz com a felicidade deles. Sem dúvidas, sem desencantos. E sentiu uma pontinha de inveja.


Entrou no gabinete. A D. Fátima parecia extraordinariamente atarefada. Milagre de Ano Novo?

- Bom dia , D. Fátima! Então esse Natal, como foi?

- Olha a Srª engenheira. Passou bem as Festas?

- Mais ou menos, D. Fátima. Esta época só tem graça para as crianças.

(Mentira. Lembrava-se de anos de rapariga e jovem mulher com Natais tão felizes…)

- Pois é. Mas olhe, eu estive muito bem em casa do meu filho. A minha nora fartou-se de trabalhar e eu aproveitei para descansar. A Srª engenheira também descansou, aposto!

- Claro. Sabe, eu mando vir quase tudo feito. Nunca me deu muito para cozinhar…

(Gostava de cozinhar, sim… Mas por amor, sem obrigação)

- Pois claro, faz muito bem. Olhe, quer ver este colar que o meu filho me deu?

- Muito bonito, D. Fátima. O seu filho tem muito bom gosto.

(Sabia que ela tinha mentido. Uma colega tinha comentado que ela tinha comprado o colar.)


A engenheira saiu do gabinete e, olhou esperançadamente para o telemóvel que andava sempre consigo. Se ele tocasse, se… Talvez aquele dia ainda pudesse dar-lhe aquelas pequenas felicidades que ia coleccionando, antídoto único contra o cinza que por vezes lhe invadia a alma.

[Para quem não se lembra ou nunca leu sobre a D. Fátima e a engenheira, pode encontrar mais posts relacionados com o assunto aqui, aqui, aqui, aqui e aqui].

Publicado por lique às janeiro 3, 2005 06:34 PM

Comentários

Como deves ter percebido já, eu nunca simpatizei muito com esta "telenovela" da engenheira e da Dona Fátiam :) mas hoje li esta e senti que tu retratas muito bem uma realidade filha da p... como o caraças que é o disfarce de cada um o raio das carapaças! atão essas duas na podiam dar-se muito bem em vez de andarem a mentir-SE e por tal uma à outra também?! mas, isto é o que por aí acontece eu sei e por isso mesmo estou a retratar-me da embirração que sempre tive por este teu par. Perdoas-me?! eu na sou nada mesmo nadinha assim nem dum lado pra baixo nem de outro pra cima dou-me com toda agente da mesmíssima maneira -nem sempre é fácil quando se apanham as carapaças dos outros...a gente tem que ter um certo jeito ou preparar-se pra porrada que elas doem que se fartam!:) Pronto vou ficar fã da tua parelha prometo :) Um grande abraço! (ah! arranjei um belo sarilho: uma tal Titas agora na me larga é uma castiça essa tua amiga! fixe!)Outro beijinho, Alice.

Publicado por: seila em janeiro 3, 2005 06:58 PM

As tradicionais ocasiões em que as aparências têm a importância que não deveriam ter.

Publicado por: Prodigy_ em janeiro 3, 2005 07:39 PM

Um olhar diferente dos anteriores, ou talvez não, para a D. Fátima e a sua vida. Tem que se lhe diga viver-se em solidão acompanhada... beijocas muito grandes.

Publicado por: ognid em janeiro 3, 2005 09:50 PM

Estou a gostar mais destas duas! Cada uma à sua maneira, só precisavam mesmo de algo que desse cor às suas vidas. Acho que tanto uma como outra vivem em solidão acompanhada. Não há pior solidão que essa!Um beijinho, lique.

Publicado por: MWoman em janeiro 3, 2005 10:13 PM

D. Fátimas, engenheira... gosto muito desta telenovela da vida real. Relatada por ti tem um sabor especial... gostei da achega da Seila!! :oP. Só mesmo desta danada algarvia!!! Um beijo.

Publicado por: josé gomes em janeiro 3, 2005 10:31 PM

Lique, quero agradecer em meu nome e no da Mamede o poema que inseriste ontem... com a fotografia das gaivotas (sou louco por essas aves!!!) está um espectáculo!
Obrigado, amiga.

Publicado por: josé gomes em janeiro 3, 2005 10:33 PM

Esta D. Fátima e a senhora engenheira fazem cá uma parceria:) A solidão acompanhada é terrível...Por isso as máscaras que se usam e que têm de se usar. E felizmente que acabaram as "Festas". Muitos beijos amiga:)***

Publicado por: wind em janeiro 3, 2005 11:22 PM

Olá lique!
A D.Fátima acha-te uma interlocutora excelente.jamais abdicará dessa perrogativa de conversar contigo.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em janeiro 3, 2005 11:38 PM

De facto as pessoas preocupam-se tanto com o exterior, deixando que o interior se apague até não ter mais solução.

Publicado por: Jornablogar em janeiro 3, 2005 11:54 PM

Contrariamente à Seila, acho fantástica esta dupla Fátima - Engenheira,
Estou tão surpreendida que nem sou capaz de comentar, Dou-te os parabéns!
----
Nota para a dona Seila, ouve lá ó algarvia dum caneco. Eu não te largo? Encho-te a caixa do correio de coisas giras e ainda tás mal contente. Mal agradecida. Pindééérica!!!!!!!

Publicado por: titas em janeiro 4, 2005 12:07 AM

Uma Dª Fátima dolorosamente real, entristeceu-me o olhar. Fica o desejo para que lhe inventes um futuro mais sorridente... ( já tinha saudades dela :) )
Muitos beijos minha amiga!

Publicado por: Maria Branco em janeiro 4, 2005 12:53 AM

:)

Sinto-me tão a "engenheira" que pareço saída da história!

Bjs. :)

Publicado por: náufrago em janeiro 4, 2005 08:49 AM


tão humana e tão frágil a "senhora engenheira" para além do celofane do Natal e da treta da D.Fátima! quem poderá não gostar dela(s)?!...

(concerteza que o telefone acabou por dar sinal ... subtilmente!)

beijos

Publicado por: DonBadalo em janeiro 4, 2005 10:34 AM

Proposta:- um conto em que o telefone toque:)))O ano começa muito cinza:(((vamos lá dar-nos uma engenheira em orbita de coisas boas:)
como sempre bem escrito.bjs

Publicado por: annie hall em janeiro 4, 2005 12:24 PM

...este par não era aquele que já entrou num filme amaricano (amaricano digo bem...) que se bem me lembro era também com o Quevim Bacom e a Ursula Andrajosa? e que elas andavam sempre ao puxa virão e no fim o Quevim Bacom casava-se com a Senhora Engenheira e a Ursula juntava os trapinhos com a Dona Fátima porque esta tava farta de homens?! Quer dizer que este é o "Da Muvie Tu". Tá bem, que eu gosto muito de sequelas...
Beijos e intés!!

Publicado por: porquinho da india em janeiro 4, 2005 12:48 PM

Juro-te que nunca pensei que me rolasse uma lágrima por causa da D. Fátima! Tenho de passar a ser mais atenta à minha. Beijo

Publicado por: fernanda em janeiro 4, 2005 01:26 PM

Todos temos cinzentos na vida... Mas por favor mata essa D. Fátima... xiça, até eu já não posso com a mulher.

Publicado por: polittikus em janeiro 4, 2005 01:46 PM

Confesso que já tinha saudades de ler a saga dessas duas mulheres nas suas angústias paralelas em mundos diferentes, que descreves com tanto realismo e humanidade.
As regras do jogo que abraçámos, Lique, poderemos algum dia escapar-lhes e sair incólumes?
Um beijinho
Ana Maria

Publicado por: aguas de março em janeiro 4, 2005 01:47 PM

é a pior das solidões....a acompanhada.
Beijo Lique

Publicado por: Luna em janeiro 4, 2005 02:35 PM

Lique querida.. um ciclone esta entrando no nosso litoral..com ventos de 12o kms por hora
deixo-te beijos e
saio correndo..
deixei recados no luz..
Lique mil beijos!!
Liaaaaaa!!!!!! muitosss beijos!!

Publicado por: em janeiro 4, 2005 02:51 PM

Andamos todos a fingir não é Lique?
Eu tenho mesmo é que aproveitar os meus velhinhos vivos e pensar que o Natal é só isso: é tê-los, fraquinhos, debilitados , queixosos, mas ainda a gostarem de nós como o meu paizito, que é o que está pior mas é o que diz coisas mais engraçadas e ainda nos faz rir.
Beijinhos

Publicado por: madalena em janeiro 4, 2005 05:58 PM

E D. Fatima perguntou: "como vai seu marido, Dona enginheira?"

Publicado por: metalgehere em janeiro 4, 2005 07:32 PM

Adorei as duas personagens. Parece que tenho um pouco das duas, se é que são realmente duas, porque trajetam sobre as várias facetas que todos carregamos. Abraços!!

Publicado por: Jane em janeiro 4, 2005 08:09 PM

Uma D. Fátima com um Natal que queria que tivesse sido assim.. Um engenheira em refelxo do consumismo e futilidade de vidas onde a parência conta muito mais do que o ser-se..**

Publicado por: M.P. em janeiro 4, 2005 09:59 PM

>>seila: minha querida amiga, ainda me lembro da nossa primeira "pega" por causa destas duas. Lá no Sapo. Nunca foi minha intenção menosprezar a D. Fátima ou as tantas Fátimas deste mundo mas sim tentar explicá-la. Aqui, neste post, não me parece que haja grande diferença entre uma e outra. Cada uma com os seus motivos, a sua solidão. Muito acompanhada. Beijos, mulher.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 09:59 PM

>>prodigy: não sei se aqui se trata de aparências ou de defesa perante a realidade que fragiliza. Há aqui mentiras que são ditas para evitar remexer em mágoas. Bjs

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 10:03 PM

Adorei este post, Lique. Este ponto de convergência, este em comum das duas mulheres foi comovente. Já estava com saudade das histórias delas, mas o enfoque deste é bem diverso. Talvez justamente por ser Natal. E mulheres sabem bem o agridoce natalino. Beijo grande.

Publicado por: Márcia em janeiro 4, 2005 10:04 PM

>>ognid: um olhar que quase as iguala. As duas vivem em solidão acompanhada. E tem que se lhe diga, de facto. Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 10:09 PM

>>MWOMAN: olha, tu dizes exactamente o que eu tenho estado a responder! O que significa que me leste na perfeição. É o treino! :) Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 10:30 PM

>>José Gomes: esta história das duas já vai longa. De vez em quando aparece-me uma ideia... e lá vai mais um episódio. Mas a tua amiga Seila, algarvia marafada, não gosta (ou gostava) muito delas. E uma vez pegámo-nos por causa disto. Daqui a uns tempos eu faço as crónicas da minha vida nos blogs... :)

Quanto ao agradecimento: a Maria Mamede está aqui por mérito próprio. Quando li o livro gostei de vários poemas, mas senti que gostava de ter escrito aquele. Que tinha tudo a ver comigo. E por isso fiz dele o meu primeiro post de 2005. Com muito gosto.
Beijos, amigo.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 10:42 PM

>>Wind: pois é, minha querida amiga, ainda bem que acabaram as festas! Até porque este ano deixaram um gosto particularmente amargo. Enfim... olhar em frente! Beijinhos, amiga.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 10:49 PM

>>José Duarte: ela (ou as muitas elas em que me inspiro) vão-me dizendo coisas, sim. Tal como as muitas engenheiras. :) Beijos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:00 PM

>>Jornablogar: amiga, aqui o exterior, tanto para uma como para outra, não é senão uma defesa. Pelo menos eu concebo-as assim. Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:01 PM

>>titas: ainda bem que gostaste. Há por aí nos arquivos uma série de posts se tiveres tempo para ler.
Agora eu acho que vou ter que fazer a crónica de outra relação problemática: a titas e a seila. Olha que duas!!! :))

Beijos, amiga. Tenho-me rido bastante com os teus mails.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:06 PM


Prezada Amiga,

Ao longo do texto eu fui-me apercebendo que era uma estoria da Vida real e que a Lique era uma das intervenientes.

Quase todas as pessoas andam mascaradas. Os sorrisos rasgados, na maior partes dos casos, encerram dramas muito profundos.

Faz por ser Feliz!

Fraterno Beijo,

Publicado por: Fernando em janeiro 4, 2005 11:11 PM

>>Maria Branco: Acho que, neste episódio, ambas parecem dolorosamente reais. Há pouco de jocoso neste episódio, de facto. Deve ser das Festas... :) Beijo grande, Maria.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:11 PM

>>náufrago: não teremos todos(as) um pouco de cada uma destas personagens, pelo menos uma vez na vida? Ou muitas vezes na vida? Beijinhos.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:16 PM

>>DonBadalo: desta vez humanizei-a, não foi? Expus-lhe as fragilidades. Deve ter sido das Festas... :) Já sabia que eras um fã da D. Fátima. E gosto que gostes da engenheira.
Ah... na minha cabeça, embora eu não tenha escrito isso, o telefone tocou. Beijos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:20 PM

Pois é Lique, eu simpatizo com essas duas, como também simpatizo com aquelas pequenas ficções que, sem trazerem mal algum ao mundo,servem por vezes para pôr um pouco de calor e colorido (às vezes os únicos),na vida de cada um...
Alguém atira a primeira pedra????
Beijinho grande...:))

Publicado por: maria em janeiro 4, 2005 11:21 PM

>>annie: mas muito provavelmente o telefone tocou. E a engenheira, como eu a imagino, não se deixa afogar em tristezas com muita facilidade. Tem as marcas da vida. Não temos todos? Beijinhos, annie.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:24 PM

>>porquinho: este já é "da muvie sixe"... vê lá tu onde já vão as sequelas. Não sei se a engenheira gostará do par que lhe arranjaste. Se eu escolhesse por ela, queria o Jorge Clunei que é um gajo bem apessoado... faz parte da minha selecção!! Agora a D. Fátima fica muito bem com a Ursula, o que vem dar à história um toque polémico que lhe está a faltar. Bem alembrado (pois, alembrado)! Para a próxima sequela, consulto-te. Beijos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:31 PM

{ ... como sempre o ultimo [eu] ... mas aqui fica o meu comentário: [narração];[qualidade];[elaboração];[gosto];[e toque] © de[mente] ... }{ beijos* }

Publicado por: de[mente] em janeiro 4, 2005 11:38 PM

>>fernanda: provavelmente, se estiveres mais atenta, vais ver as razões pelas quais ela é como é. Humanas, amiga, somos todas humanas. Engenheiras, D. Fátimas ... Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:38 PM

>>polittikus: episódio seguinte: num acesso de loucura, a engenheira mata a D. Fátima! Vou pensar nisso... Bjs

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:41 PM

>>águas de março: disseste tudo, amiga: angústias paralelas em mundos diferentes. Não sei se será fácil escapar às regras do jogo. Mesmo que finjamos que não lhes ligamos nenhuma. Beijos para ti.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:47 PM

>>Luna: e é uma das mais frequentes. Às vezes, essa solidão atenua-se. Mas a maior parte das vezes torna-se um hábito. Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:53 PM

>>Lú: amiga, não sei qual dos sentimentos predomina: a felicidade por ter notícias tuas ou a preocupação pelo que contas. Espero que tudo passe depressa. Por favor, dá notícias logo que possas. Beijos muitos.

Publicado por: lique em janeiro 4, 2005 11:56 PM

Diria que retratas a solidãom de forma muito realista; na verdade, uma e outra me parecem dois seres humanos muito sós.
Um beijo Alice.

Publicado por: LetrasAoAcaso em janeiro 5, 2005 12:03 AM

>>madalena: andamos um pouco a fingir, sobretudo a fingir que estamos bem... Acho que a tua análise do que é importante no Natal está profundamente correcta. Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 12:04 AM

>>metalghere: muito interventivo para um primeiro comentário! Gosto. Mas sabes que eu não decidi ainda se a engenheira tem marido. É uma personagem não totalmente definida. E afinal ela também não perguntou à D. Fátima pela família. Esquecimento imperdoável.
Volta sempre.

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 12:12 AM

>>Jane: sabes que começaram por ser duas e bem distintas, na minha cabeça? À medida que escrevo sobre elas, tenho-as aproximado. E, de facto, podemos todos ter um pouco das duas. Beijos

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 12:17 AM

Parabéns por mais este episódio: um texto cujo conteúdo é espantosamente real. Real pelo que tem de verdadeiro, nomeadamente em termos de sentimentos, desejos, vontades e situações escondidas ou adaptadas. Real pela chamada de atenção que faz para o problema da Solidão e das aparências. Real pelo que sublinha sobre o que é e o que devia ser/queria que se fosse. Real pela relação estabelecida entre estatutos sociais e supostos estados de espírito (e como se pensa a seu propósito). Real porque nos entra pela porta dentro.

Beijo grande :)

Publicado por: Sandra em janeiro 5, 2005 06:54 AM

>>M.P.: e, no fundo, ambas tão humanas nas suas fragilidades... Não o somos todos, amiga? Não mostrar fraqueza, corresponder à imagem que os outros têm de nós, eu sei lá... Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 10:31 AM

>>Marcia: é isso, há aqui uma convergência que não era clara nos outros posts. Talvez por ser Natal e talvez, de facto, pela consciência do papel que se espera das mulheres no Natal. Beijos

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 10:34 AM

>>Fernando: digamos que é uma história baseada na vida real. Nem a D. Fátima é só uma pessoa real (tem elementos de várias pessoas que conheço), nem a engenheira sou eu (por muito que haja quem identifique). Acordemos em que a engenheira tem uma boa percentagem de mim mas bastantes achegas de outras pessoas.
Dramas por baixo dos sorrisos, todos temos em certas alturas da nossa vida. E tentamos manter o sorriso, não por fingimento mas por defesa. Beijos, amigo.

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 10:42 AM

>>maria: ficções, defesas, o que lhe queiras chamar, parecem-me bem inofensivas, neste caso. Ainda bem que gostas destas duas. Parece-me que eu estou a aproximá-las cada vez mais. Isto começa a tirar alguma graça à história. :) Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 10:55 AM

>>de[mente]: não foste o último. E que fosses...serias bem vindo, sempre. Agradeço-te a apreciação. Começa a ser difícil manter a história destas duas. Beijos

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 10:59 AM

>>LetrasAoAcaso: Tu deves saber que variantes da solidão não faltam. Há pessoas que, até pela sua forma de ser, estão quase sempre condenadas a esta "solidão acompanhada". Quis conceber a engenheira dessa forma. A D. Fátima tem a solidão de alguém a quem cortaram as asas (que, aliás, ela nem sabe que tem). Beijos, Zé.

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 11:05 AM

>>Sandra: minha amiga, tenho que te agradecer a tua apreciação que demonstra uma leitura atenta do texto. Há lá coisa melhor para quem escreve que sentir que foi lido com atenção? Beijinhos.

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 11:09 AM

Você tem uma maneira fantástica de narrar acontecimentos...perdi-me de vontade de ler todo o resto. Tem um blog fantástico!
Jinhos

Publicado por: Blue em janeiro 5, 2005 11:14 AM

Perdoa a minha falta de assiduidade mas tenho o meu pai no hospital...e está tudo a ser muito complicado! BShell

Publicado por: blueshell em janeiro 5, 2005 11:19 AM

>>Blue: obrigada pelo primeiro comentário tão encorajador. Podemos tratar-nos por tu? É um hábito meu. Prometo-te uma visita em breve. Bjs

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 11:23 AM

>>Blueshell: tu sabes que não há faltas de assiduidade para os que aqui passam. Desejo muito as melhoras do teu pai! Beijos

Publicado por: lique em janeiro 5, 2005 11:24 AM

Estes teus textos são sempre tão...como direi? carinhosos, ternos. Estas tuas confissões...gosto mesmo muito delas. Beijo, noite feliz, dorme com os anjos que te inspiram

Publicado por: yardbird em janeiro 5, 2005 11:56 PM

Ainda vais desvendar que essas duas mulheres são gémeas separadas à nascença... Muito realista este episódio. Muito sofrido, também. Com aquelas dores que só mortificam a alma. Caramba, Lique, que me emocionei um pouco, devo confessar-te.
Há uma imensa tragédia neste tipo de solidão. E assustadora, também. Corremos tanto, nesta vida, que já nem são só os outros que deixamos para trás. Somos nós próprios.
Beijos.

Publicado por: OrCa em janeiro 6, 2005 12:11 AM

>>Yardbird: estes textos, se têm esse toque carinhoso que notas, resultam da observação da minha realidade e da dos outros. Depois sacoleja-se, mistura-se bem e sai assim este cocktail que ainda bem que é do teu agrado. Beijos, passarinho.

Publicado por: lique em janeiro 6, 2005 11:34 AM

>>OrCa: o que acontece é que muitas mulheres têm algo de D. Fátima e algo de engenheira e muito mais concerteza... Por isso, o texto pode parecer dolorosamente real. Talvez a minha intenção não fosse essa. Talvez fosse apenas mostrar, como diz a "águas de março" angústias paralelas em mundos diferentes. De qualquer forma, a solidão no meio de muita gente é comum em qualquer "mundo". Beijos

Publicado por: lique em janeiro 6, 2005 11:40 AM

tanat e tanta gente que é como a D.Fátima e como a engenheira, e não são só a mulheres ou taõ pouco só as telenovelas!
isto de criar expectativas sob nos mesmos, isto de criarmos uma imagem do que não temos ou somos...acaba mal, se não for em relação aos outros e contra nós mesmos!
valerá a pena??

Publicado por: impressaodigital em janeiro 6, 2005 08:38 PM

>>impressaodigital: devo dar-te as boas vindas, dado que é a primeira vez que aqui comentas.
Sabes que estas imagens que criamos, pelo menos no que respeita a este texto, têm mais a ver com alguma incapacidade de comunicação que permitiria desfazer equívocos. Ou talvez com o medo de não corresponder ao que o outro(a) espera de nós. É aqui que tenho mais dúvidas porque também é aqui que a personagem "engenheira" se separa mais de mim.
Visitarei o teu espaço em breve. Um abraço e volta sempre.

Publicado por: lique em janeiro 7, 2005 11:54 AM

Porque é que todos assumem que és a Engenheira e não a D. Fátima? Na verdade, és as duas, assim bem misturada... Quanto à solidão acompanhada, és tu que a escolhes, claro. Mas eu sei que tu sabes. Um dia uma amiga disse-me e cada dia percebo mais que ela tem razão: às vezes, as nossas defesas magoam-nos mais do que a realidade de que nos defendemos. Bem, vou voltar para o meu artigo sobre «behavioural syndromes». Ironia??? Não, é mesmo verdade. Beijos

Publicado por: hana_le em janeiro 9, 2005 09:22 PM

>>hana_le: não vale usar informação previlegiada! :)) Ora esta! Em vez de estudar, vem para aqui mandar bitaites... Beijinhos, holandesa.

Publicado por: lique em janeiro 9, 2005 10:41 PM

Já andava com saudades da D. Fátima e da srª engenheira...
Há dias passei por aqui numa de ver só, sem disposição para comentar, e não dei por isso.
Continuo uma apreciadora desta dupla. Percebo a seila mas essa não é a imagem real.

Publicado por: Cecília em janeiro 10, 2005 05:46 PM

>>Cecília: Então ainda bem que mataste as saudades. Eu acho é que elas se estão a aproximar bem mais que a minha ideia inicial previa. Mas enfim, isso significa que há algum dinamismo neste relacionamento! Beijinhos

Publicado por: lique em janeiro 10, 2005 10:24 PM

Parabéns. Este post está fantástico! Gostei tanto que fui ler os episódios anteriores da D.Fátima e da Engª. Vou voltar!
Cumprimentos

Publicado por: SonecasS em janeiro 11, 2005 09:37 PM

>>SonecasS: bem vindo. Ainda bem que gostaste e tiveste a paciência de ir ler os outros posts. Far-te-ei uma visita em breve. Um abraço.

Publicado por: lique em janeiro 11, 2005 10:38 PM