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janeiro 22, 2005

Se sou assim...

Pelos caminhos da vida
Sem acautelar meus actos
Solto a palavra ferida
Transformo rosas em cactos

Caminho sem precaução
Dou passos desprevenida
Não paro para ver o chão
Pelos caminhos da vida

Sigo em frente sem temor
Nem evito desacatos
Entrego a alma no amor
Sem acautelar meus actos

Se sonho feras espreitar
Ou armadilha estendida
Não me permito hesitar
Solto a palavra ferida

Ao pisar os meus afectos
Sem do amor negar os factos
Firo com dardos directos
Transformo rosas em cactos


(Quadras para um amigo que me deu uma rosa que eu transformei num cacto)

Publicado por lique às janeiro 22, 2005 07:06 PM

Comentários

Caminhar assim pela vida é um risco e pode trazer dissabores mas passar por ela sem a viver é um risco ainda maior...nem rosas nem cactos! Fiz-me entender? Amiga, eu ando a adorar os teus poemas, essa é que é essa!Beijinhos e bom fds.

Publicado por: MWoman em janeiro 22, 2005 08:11 PM

Cito de cor Richard Bach: a vida é o teu caderno de exercícios... és livre até de rasgar as folhas...
Beijinhos e se vier outra rosa sei que não a transformarás em cacto.

Publicado por: madalena em janeiro 22, 2005 09:51 PM

Transformar rosas em cactos é uma imagem forte, dura demais. Porém, bela. Muito bela. Beijo, amiga.

Publicado por: Márcia em janeiro 22, 2005 10:53 PM

Querida Lique, deixo-te as palavras de Florbela Espanca:
«..."Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas dum raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser uma espécie de D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dar de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa! Toda, enfim, nesta frase a propósito de Delteil: "Très simple avec son enthousiasme à sa droite et son désespoir à sa gauche."»

Beijos. Continuação de um fim de semana feliz!

Publicado por: Maria Branco em janeiro 22, 2005 11:31 PM

Num exame de consciência, quem de nós já, talvez, não transformou rosas em cactos? Lindo, muito lindo e sentido este poema. Beijos e bom domingo com cheiro verdadeiro a rosas...

Publicado por: menina_marota em janeiro 23, 2005 12:30 PM

...não és nada assim; que se por uma vez foste mais azeda..., mas quem nunca o foi? que atire a primeira pedra...
Vá lá, que o sol brilha lá fora e convida ao positivismo.
Beijos e intés!!

Publicado por: porquinho da india em janeiro 23, 2005 12:51 PM

Olá Lique!Muito lindo o poema mas ao mesmo tempo triste!todos nos temos momentos bons e menos bons k passanos ao longo da vida!Beijinhos e boa semana!Vá visitando-me!

Publicado por: sandra em janeiro 23, 2005 03:48 PM

Que exagero, hein? Ainda em cardos ou coisa assim... agora em cactos :)) Anima-te que, como dizia o outro, a vida é curta e isso é muito bom :) bjks

Publicado por: ognid em janeiro 23, 2005 04:07 PM


Que lindo poema...

Que bonito blogue...

O poema é lindo, sonoro e muitas vezes real na nossa vida.

Mas considero muitas vezes as rosas mais espinhosas que certos cactos, falo que o amor é sempre tortuoso... Sejamos contundentes ou não.

Adorei tanto o poema como o blogue.

Um suspiro pela realidade que essas palavras transmitem.

Beijo.

Publicado por: Artur Rebelo em janeiro 23, 2005 05:39 PM

Parafraseando o Gedeão: Vês rosas? São rosas. Vês cactos? São cactos...

Nada pior que, ao tentar aperceber o odor da rosa, picarmo-nos nos seus espinhos... Nada melhor do que, ao acautelarmo-nos dos espinhos do cacto, dele colhermos o fruto da sobrevivência.

Tudo será, pois, relativo. E relativas, também, as expectativas de cada um.

Se de ti te fazes cacto, agradeço-te a franqueza. E o teu lugar, para mim, é claro e necessário (vê-se nestas tuas quadras).

Defendam-me, antes, das rosas que me inebriam os sentidos para me fustigarem, depois inadvertido, com os seus espinhos.

Beijos, Lique... e viva a poesia popular!

Publicado por: OrCa em janeiro 23, 2005 06:39 PM

Lique, que transformes os cactos em rosas,de novo.
Beijos.


uma semana boa.

Publicado por: maat7 em janeiro 23, 2005 07:10 PM

Um poema de uma beleza simples e tão bom de se ler. Eu também já tranformei algumas rosas em cactos... Sei do que falas.
Jinhos...

Publicado por: Blue em janeiro 23, 2005 07:24 PM

sabes que adorei imenso este poema gostaria de usar ele para um fado...diz-me se concordas, sim ? beijinho

Publicado por: ruiluis em janeiro 23, 2005 09:50 PM

Mas, lique...se a tivesses transformado em pão quem se lembraria ou ousaria sequer de te acusar de plágio?
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em janeiro 23, 2005 10:51 PM

As rosas também picam :) Gostei bastante...

Publicado por: almaébria em janeiro 23, 2005 11:10 PM

belo, belo poema:)

Publicado por: isa xana em janeiro 24, 2005 12:18 AM

As rosas tb têm espinhos, não tantos como os cactos, mas compensam-nos com a sua beleza e o seu perfume. Os cactos crescem nos desertos e nos locais áridos e pedregosos. Não estou a ver, pelo que tenho lido aqui, que este seja um local para eles proliferarem ...

Publicado por: Peter em janeiro 24, 2005 12:37 AM

Ia dizer que a vida é feita de encontros e desencontros, mel e fel, e outas baboseiras.

Mas era capaz de não ser oportuno e raiar um pouco a crueldade.

Publicado por: Papo-seco em janeiro 24, 2005 12:05 PM

"Sigo em frente sem temor
Nem evito desacatos
Entrego a alma no amor
Sem acautelar meus actos"
Somos muito parecidas, Lique...
Lindo poema!!!
Beijo grande.

Em tempo: minha "Dama da Noite" é tb uma homenagem à minha avó, que tanto gostava do perfume desta flor tão intensa!
Beijos querida

Publicado por: Vinha em janeiro 24, 2005 12:34 PM

Espero bem que não caminhes sempre assim. Ainda vais atropelar alguém.
Mas às vezes faz mesmo falta triturar o que nos embraça a vida, de transformar mesmo rosas em cactos. Mas não pode ser sempre.
Beijos.

Publicado por: Nilson em janeiro 24, 2005 02:14 PM

Gostei bastante deste teu poema. Às vezes parimos pérolas, Lique. Na seu conteúdo curto, lucido e muito poético, esta foi uma delas.
Beijos e muito boa semana.

Publicado por: aguas de marco em janeiro 24, 2005 02:16 PM

a seguir é aprender a tirar água dos cactos.

:)

Bjs.

Publicado por: náufrago em janeiro 24, 2005 04:26 PM

A TODOS: obrigada por terem lido e comentado. Quero agradecer especialmente à Maria Branco que parece ter-me "descodificado" bastante bem. Um beijo, amiga.

Para todos, beijinhos e abraços.

Publicado por: lique em janeiro 24, 2005 07:10 PM

Muito curioso o "aparte". Ficarei atenta...
Um beijo.

Publicado por: Maria_Oliveira em janeiro 24, 2005 07:12 PM

Não seremos todos nós um pouco assim? Não faremos todos nós essas transformações? Creio que sim, porque é natural. É-nos natural, por mais inconsciente que por vezes possa ser. Claro que as frequências e intensidades podem variar, mas é algo que nos está. Acima de tudo há que ter capacidade de transformar também para corrigir. E haver compreensão por parte de quem for necessário ou importante ter.

Beijinho :)

Publicado por: Sandra em janeiro 25, 2005 12:09 PM

A sobriedade da forma deste poema aparenta leveza, mas é de um conteúdo denso. Poder-se-ia arriscar dizer tratar-se de uma descrição íntima de estética emocional; quase um desvelar das características de um modo de ser.
A imagem "Transformo rosas em cactos" - último verso da primeira e última estrofes - dão o 'redondo' da expiação; tornou-se quase absolutamente necessária essa repetição, como quem enfatiza o grande propósito do 'inventário' do desenvolvimento do poema. Sendo uma afirmação, quase parece uma confissão, que deixa antever uma pontinha de 'remorso'.
Essa frase é uma delícia!
Big Kiss, Mulher!

Publicado por: MJM em janeiro 25, 2005 01:33 PM

Como eu te compreendo,Lique! Às vezes isso também acontece pr estes lados! Simplesmente porque sou cega e não quero ver que o que se esconde pr traz de certos actos.. Vejo fel e é de mel que se trata! Depois, não há nada a fazer... apenas assumir o erro e carregar com o fardo do remorso! :/**

Publicado por: M.P. em janeiro 25, 2005 10:56 PM

O poema é lindo, e outros já o comentaram e elogiaram bem melhor do que alguma vez eu poderia fazer. Por isso deixo uma pergunta: o que é que fazes com aquilo que sabes?

Publicado por: hana_le em janeiro 26, 2005 11:00 PM