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março 30, 2005
Fachadas

Fachadas ruínas rasgadas
escondem um e(in)terno terror
espelhos opacos da vida
memórias veladas guardadas
com chaves erradas torcidas.
Fachadas rostos sem visão
sem olhar real, só vidrado
bocas que falam palavras
de dúbia beleza amarrada
com nós apertados pela dor.
Fachadas rostos ruínas
espelhos bocas com nós
amarrados.
Foto: Revelações Avulsas (obrigada Tó Zé, porque o texto nasceu da foto)
Publicado por lique às março 30, 2005 12:44 AM
Comentários
Nem acredito que sou a primeira. ;) Outro dia, Lique, andando pelas ruas antigas de Natal, conversava com um amigo sobre esse mesmo aspecto, essa sensação que passam as fachadas em ruínas.
Gostei imensamente do terceto final do poema.
beijo daqui, onde é outono.
Publicado por: Márcia em março 30, 2005 01:24 AM
Espectacular poema Lique sobre as fachadas e sobre o que nos lembra. Não acrescento mais nada porque está tudo no poema e na linda foto. Muitos beijos:))***
Publicado por: wind em março 30, 2005 10:27 AM
Testemunhas silenciosas das vidas vividas e das outras também... :)
Publicado por: sotavento em março 30, 2005 11:09 AM
Há um tempo atrás liderei um projeto - Janelas da vida - em que as fachadas contavam a história da minha cidade. E qtas histórias elas nos contam, né? Belo poema... me trouxe deliciosas lembranças. Beijo amiga.
Publicado por: Loba em março 30, 2005 02:04 PM
a magia das letras, fotos, da arquitectura e do passado - uma publicação muito do meu agrado
um abraço - carlos p f
Publicado por: peres feio em março 30, 2005 03:00 PM
...agora assustaste-me!! Parecia dqueles filmes de terror com casa assombradas, com pessoas emparedadas, gritos lancinantes, facas afiadas, fantasmas como dantes, sangue nas janelas a escorrer, as meninas a aprender...qual será a mais bonita que se há-de esconder?!
Cá por mim dou de frosques que tenho o coração fraquito!!!
Beijos e intés!!
Publicado por: porquinho da india em março 30, 2005 03:26 PM
Uma formosa foto que merece o poema que recebe.
Só as minhas fotografias é que não têm direito a poema. ;) ;)
Publicado por: Papo-seco em março 30, 2005 03:31 PM
as fachadas humanas q nos levam a crer que são reais e que nos dão confiança para continuar...mas afinal é só fachada! beijos Lique
Publicado por: Luna em março 30, 2005 03:51 PM
Nunca tinha visto, que me lembre, uns vãos com esse formato!
As fachadas escondem tanta coisa! Como os nosso rostos, é todo um sentir interior, vivências de tantos anos!
beijinhos, amiga.
Publicado por: moriana em março 30, 2005 03:54 PM
qualquer dia até me convences....
ádorei este diálogo foto/poema.
Publicado por: ângela em março 30, 2005 04:38 PM
Ai, as fachadas... tantas vezes derrocadas.
Tb 'emperrei' nessa foto do Revelações, sim. Sobretudo, por provocar a reflexão...
As tuas palavras legendam-na sobremaneira.
Mas eu, sinto-me feliz - não feliz da felicidade, mas feliz do contentamento - por ter por fim conseguido sintetizar a minha insígnia.
"não existe melhor máscara que nos esconda
do que aquela com que nos mostramos" - a minha fachada é igualzinha a essa da foto: vê-se tudo por trás ;)
Kisses, Lique, por tudo (e só sei dizer tão pouco)
Publicado por: MJM em março 30, 2005 05:06 PM
Sensibilidade .
Publicado por: annie hall em março 30, 2005 06:10 PM
Gostei do poema, mas não me saiu da cabeça as fachadas que as pessoas têm...percebes?! Hoje estou desiludida com as pessoas, mas isso logo passa, cada vezs é mais uma constante ao longo da vida...e depois, haverá também alguém desiludido comigo também, sei lá, nunca ninguém se queixou até agora...
Jinhos, obrigada pelas palavras deixadas lá em casa.
Publicado por: Blue em março 30, 2005 06:22 PM
tendo passado pela fachada desta tua casa algumas vezes, resolvi hoje espreitar por uma brecha ou por uma janela. vou passear-me um pouco pelo interior. não mais passará despercibida a parede vertical e nobre que te apresenta à rua. J.
Publicado por: r.e. em março 30, 2005 07:34 PM
olá.
há muito{nem muito} que venho ao teu cantinho, leio-te, por vezes emociono-me, sorrio, fico confusa...sinto-te{quiçá...}
Adorei este teu poema
Deixo te um beijo se me permitires
Rose*
Publicado por: black rose em março 30, 2005 07:44 PM
... será que a beleza vai-se perdendo no tempo?
Publicado por: AmigaTeatro em março 30, 2005 08:48 PM
O primeiro pensamento que me surgiu ao ler a palavra "fachadas" foi o seu sentido figurado para denunciar uma vertente humana.
Depois de ler o poema, e ao contrário do que esperava, o meu pensamento inicial manteve-se.
Gostei :) *
Publicado por: Cakau em março 30, 2005 09:19 PM
Há uns meses comecei a dedicar-me a tirar fotos de edifícios degradados, a fim de recolher algo que onde pudesse basear um trabalho sobre a degradação de edifícios o nosso país.
(mais um projecto que vou levando como hobbie a médio/longo prazo).
Mas, decerto não seria capaz de "ilustrar" nenhuma das fotos com palavras tão ricas como as tuas. :) Bjitos
Publicado por: Anjo do Sol em março 30, 2005 09:37 PM
O último terceto, como já atrás foi referido, é realmente cheio de significado. Causa medo. Vejo essas caras de boca cerrada com nós como a total incapacidade de transmitir o que quer que seja mesmo aruína interior. Essas caras assim representam a morte para mim! **
Publicado por: M.P. em março 30, 2005 10:15 PM
{ ...
semblantes [rostos] de muros envelhecidos
de frontaria transparece velha e de memória
que vidas recorda decadente [envelhecida]
memórias ocultas, existências [imaginadas]
em fachadas meditadas, enredos e histórias
supor-se [em dor e] decai em tristes paredes
enroladas de sarça [e branha] a ruir em face
[desmoronada] mesmo que de amor [cuide]
transparece esta ruína demente [observada]
© de[mente]
beijos*
... }
Publicado por: de[mente] em março 30, 2005 10:59 PM
{ ...
desculpa, faltou o título! :)
de[mências].ruínas
... }
Publicado por: de[mente] em março 30, 2005 11:09 PM
As vezes por detrás das fachadas e das ruinas há uma história feliz. Acontece tantas vezes.
Publicado por: lyra em março 30, 2005 11:35 PM
E testá muitobom lique!
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em março 30, 2005 11:59 PM
...Lique...que bonito enquadramento entre o poema e a foto...adorei ler-te...afinal...estas fachadas "metafóricas"...existem...e são tão reais...gostei muito amiga...
Um beijinho* grande.
Publicado por: Estrela do mar em março 31, 2005 12:16 AM
Olá Lique. Tanto o teu poema como a foto são condizentes, são bons. As ruínas das fachadas são máscaras disfarçadas, mas nem sempre o olhar que espelha perde o brilho e o sorriso por trás da máscara (fachada). Bjinhos amiga
Publicado por: amita em março 31, 2005 12:35 AM
O texto nasceu da foto e, como tal, o coração pulsou.
Rasgaram-se as amarras das recodações esquecidas. Emoções, fachadas da vida…
Publicado por: Amaral em março 31, 2005 01:49 AM
“Fachadas rostos ruínas espelhos bocas com nós amarrados.”
Sintonia perfeita entre a imagem e o texto…
Adorei lique (como sempre…)
Um beijo,
Miriam
Publicado por: Litostive em março 31, 2005 10:20 AM
Uma fotografia excelente que, como já tive oportunidade de comentar, serve muito bem para fazer o paralelismo que acabou de fazer.
E com a mestria habitual, diga-se!
Saudações
Publicado por: Carriço em março 31, 2005 10:59 AM
amenas escadarias
desencontrados degraus
esfarpeladas tábuas de soalho
nada como num antes de muito tempo foi
de véus e saias e camisas
talvez chapéus e saias
apenas o roçar arrepioso
muitas... lindas... enormes
tranlúcidas...rendilhadas...
teias de aranha
das janelas já não se vê para fora…
a casa chora!
coloquei ali e como disse, ao invés, a M.P., ofereço-te com uns toques :) e dois beijões
Publicado por: seila em março 31, 2005 11:58 AM
Quando vejo uma fachada assim, ponho-me a imaginar quem lá viveu e lhe deu vida, para depois a abandonar. Bj querida
Publicado por: fernanda em março 31, 2005 01:50 PM
Vi, mais do que li, o teu blog até ao fim da página. De entre tantas coisas, sabes o que me sensibilizou aqui encontrar? A defesa da despenalização do aborto.
Publicado por: caterina em março 31, 2005 02:52 PM
A imagem e o poema evocam-me rostos e corpos frágeis na sua decrepitude, espelhos estilhaçados, sofás já gastos, gatos que mancando procuram comida e uma imensa solidão...
Publicado por: Dora em março 31, 2005 02:54 PM
O teu poema e a inclusão da foto tocaram-me, hoje particularmente.
Há dias assim...e, hoje estou melancólica, carente, desiludida…
Porquê? Na fachada de um sorriso que, quero manter no meu rosto, mas que por vezes, são sorrisos de lágrimas, há muito por derramar, onde existem momentos caóticos, prontos a derrocar.
E como tu bem dizes:
"Fachadas rostos ruínas
espelhos bocas com nós
amarrados."
Um abraço terno... sabe tão bem, ler-te aqui... ;-)
Publicado por: Menina_marota em março 31, 2005 04:03 PM
uma casa em ruinas é um desencontro do destino. Pode ser um fim ou um recomeço. Foisem duvida, um caminho, mas no olhar fica um silêncio com uma pergunta sem resposta...sorriu-se aqui? ou apenas se existiu?
Publicado por: almaro em março 31, 2005 04:09 PM
O céu através das ruinas...
Como a alma através dos olhos...
Bj**
Publicado por: Luís em março 31, 2005 06:26 PM
E ainda bem.
Já tinha saudades da tua escrita.
Jinho e carinho, BShell
Publicado por: blueshell em março 31, 2005 07:00 PM
Tu sabes que me tens deixado entalada quando aqui venho ultimamente, não sabes? Sabes quantas vezes já li estas tuas fachadas? É melhor não dizer senão vão mesmo pensar que sou "loira"! (Vou tratar deste assunto de uma outra forma!)Um beijo.
Publicado por: MWoman em março 31, 2005 07:24 PM
primeiro um grande beijo. não tenho podido vir à net, mas assim q vim, vim ver os blogs do costume q tanto gosto:) (espero q dia 11 ja possa vir à net normalmente)
segundo: sorri ao ler este teu poema porque senti a tua escrita tão forte e bela e senti-me privilegiada por ler-te.
**
Publicado por: isa xana em março 31, 2005 08:27 PM
De facto, é preciso muita paciência e muito afecto pelos nossos amigos para suportar esta crise de "encravanço" do Blogger. Gostei muito, Lique. Como sempre :) Beijinhos
Publicado por: Cinda em março 31, 2005 10:41 PM
Lique, a intensidade de um poema sente-se nas sensações que provoca. Estas palavras ferem a alma!...
Um abraço
Publicado por: Frog em março 31, 2005 11:33 PM
Já tinha lido há dias mas não consegui comentar. Mas hoje parece que isto vai mesmo funcionar.
Já todos o disseram e não posso acrescentar muito mais. Só te digo que este poema é mais um exemplo da tua mestria com as palavras. Excelente...!
Beijo e bfs.
PS: Já votaste hoje? Ainda posso ter mais 2 votos teus (o de hoje e o de amanhã). Se puderes...
Publicado por: NILSON em abril 1, 2005 12:34 PM
>>A TODOS: obrigada por terem vindo ver a minha versão das fachadas que o Tó Zé fotografou. Talvez tivesse saido um texto um pouco "dark" mas foi o que eu associei ao ar um tanto assustador da foto.
Espero que não tenha assustado seriamente ninguém (já sei que assustei o Porquinho, mas não acredito que tenha sido seriamente... :))
Beijinhos e abraços para todos
Publicado por: lique em abril 1, 2005 08:12 PM
pois, pois... se fosse eu a postar isto já estava a levar uma valente cacetada! deixa :) a foto já tinha visto no Tó Zé e acho fantástica. o teu poema ficou como se fosse a pele da foto. bjks
Publicado por: ognid em abril 2, 2005 09:54 AM