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março 15, 2005

Make my day, boss

clint_eastwood10.jpg


Por onde andas depois daquela escolha definitiva, daquele rasgar do coração, daquela doação de amor total? Eu entendo, claro. Por vezes só se mostra o amor dessa forma. Tu sempre tiveste medo da destruição física daqueles que treinavas, mesmo sabendo que, para eles, chegar ao topo, era a única via de saída para uma vida sem horizontes.
E ela? Ela era especial. Viste isso no primeiro dia e tentaste protegê-la. Mas ela não queria. Não viste como ela não queria, como ela tinha escolhido aquele destino como o único possível? Não te culpes. Your darling, your blood. Muito mais do que a que era verdadeiramente do teu sangue. Não te culpes. Não falo do que tiveste que fazer no fim, mas de a teres tentado levar até ao topo, passando por cima das tuas protecções bem tecidas durante anos. Fizeste-o porque ela o desejava, porque ela queria a glória. E porque a amavas. Ela conquistou-te no primeiro round. KO ao primeiro round, lembras-te? Amor é uma palavra tão abrangente! Provavelmente vias nela a filha, ou não só. Que importa? Fizeste-o por amor.
O teu acto final é só o corolário desse amor. Só tu o podias fazer. Era o que ela esperava de ti. A tua filha, o teu sangue.
Por onde andas? Queria encontrar-te de novo, Frankie, boss! Quero encontrar-te muitas mais vezes, Clint, em cujos olhos de água se reflecte a humanidade de tantas “vidas comuns”. Make my day!


[Texto inspirado no filme Million Dollar Baby e num outro texto desta senhora]

Publicado por lique às março 15, 2005 04:10 PM

Comentários

Preciso assistir este filme...
bjos querida

Publicado por: Liliane em março 15, 2005 04:57 PM

Este teu texto é só o melhor comentário que eu já vi sobre o filme (e já li para aí uns 20).
Aqui estou de acordo contigo, não há fingimento algum... (tem a ver com o teu texto do outro blogue).
Convenceste-me, definitivamente, a ver o filme.
Beijinhos

Publicado por: NILSON em março 15, 2005 06:57 PM

Querida Lique
Lindo texto, comoveu-me... mais do que o próprio filme.
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em março 15, 2005 07:54 PM

Pronto, ok, convenceste-me! Lá terei que assistir ao filme da minha banheira! Por falar em banheira, és loira, lique? (tem tudo a ver, não sei se sabes!)Pergunto, porque anda por aí uma concorrência!!!??
Recolho-me. Uma beijoca repenicada.

Publicado por: A loira da banheira em março 15, 2005 09:01 PM

Texto lindo e que comove, lique:) Muitos beijos:))***

Publicado por: wind em março 15, 2005 09:34 PM

Noto sobretudo neste teu texto uma enorme capacidade de te comoveres e de nos comoveres.
Está excelente, Alice.
"A vida está também nas nossas apostas", nos nossos sonhos, no nosso querer. Porém sem o sonho nada seria possivel.
Este filme é muito mais do que querer vencer. É também o querer dar, é também o direito de decidirmos da nossa vida. Se e quando queremos que ela acabe.
Um beijo preocupado.

Publicado por: LetrasAoAcaso em março 15, 2005 10:49 PM

minha linda! o bonito e rico é podermos ver a mesma coisa, neste caso um filme magnífico, por ópticas diversas! A minha (e te agradeço comovida a referência e o comentário) saíu como já disse assim brutal e quase (até a mim parece !) desligada do filme -não está e talvez ainda escreva sobre issso! A tua é uma ternura, uma suave visão do que está à vista e envolve toda a narrativa. Ternurenta. Mas ...e a violência?! e as mulheres no ring? e aquela "família"? e aquela filha daquelas cartas?! e o Deus dele? e o ar a chiar a chiar... o ar que a fazia rir?! o ar que fazia aquele lindo sorriso e aquela voz?! ai Lique onde anda a Vida?
Eu coloquei-as a atirar...podiam ser murros (disseram que queria mutilar-me...pois!!! quem escreve sujeita-se!!!)e a amar-se e a querer não querer sair daquilo e a rir e...coloquei-as sozinhas...muito sozinhas...
Eu vi outra história .... eu escrevi e depois vi ! Foi muito angustiante e sincera a pergunta o que é que este texto me quer dizer...
e acho que o que ele ME quiz dizer, eu ainda não sei, mas ando a ler o que me escrevem e a pensar e já sei ao menos isto que acabei de escrever - que vi no filme as mulheres que lutavam...foi isso que me chocou no filme...isso e a solidão delas e de cada um dles!
Um abração Mulher!

Publicado por: seila em março 15, 2005 10:55 PM

A perseverança de quem sabe que pode conseguir, leva, quase sempre, a lugares cimeiros.
Duvidar de que somos capazes, deixa-nos trôpegos, esquecidos no caminho.
E mesmo sabendo que é um truque, uma encenação, o valor maior está na representação dedicada e sem pedir nada em troca.
O amor terá que ser sempre incondicional, senão não é amor!

Publicado por: Amaral em março 15, 2005 11:43 PM

Olá lique

Ainda não vi o filme. Não deixarei de fazê-lo.
Estou seguro que esta tua iniciativa de comentar os filmes terá a qualidade que nos habituaste ao editar poesia ou outras temáticas.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em março 16, 2005 12:04 AM

As críticas despertaram-me a vontade de ver o filme, há algum tempo já. Ainda não aconteceu por falta de oportunidade.

E o teu texto está muito, muito bom! :)

Beijinhos

Publicado por: Vulcão em março 16, 2005 09:51 AM

...raios se não hoje que vou ver o filme, caraças!! Há duas semanas que o tenho agendado e por isto e por aquilo,nikles! E depois do teu comment e o da Seila, ou de duas visões diversas, que os produtos artísticos mais interventivos sempre proporcionam...tem mesmo de ser hoje!
E sobre o teu texto, "estou na mesma" quando comentei o da Seila: a zero, porque não vi o filme, mas adivinhando desde já que vou gostar; porque este comment só pode sair de quem "esteve envolvida" com a fita.

Beijos e intés!!

Publicado por: porquinho da india em março 16, 2005 10:18 AM

... "em cujos olhos de água se reflecte a humanidade de tantas “vidas comuns”. Julgo ter encontrado na tua frase final o chave para "descodificar" o fascínio do filme: andamos "órfãos" de heróis trágicos! ainda bem que voltam ...

beijos

Publicado por: manuel em março 16, 2005 10:44 AM

Alice,
Passo por aqui para te dizer que já começo a ficar operacional...
Já tenho vontade de visitar os blogs dos amigos.
Esta deu-me forte!!!
Aquele abraço

Publicado por: josé gomes em março 16, 2005 11:57 AM

Ainda não vi, Shame om me. Mas lá iremos. Lique, adorei este teu texto. O filme tem que ser mesmo muito belo para o merecer :-)
Beijos

Publicado por: yardbird em março 16, 2005 12:14 PM

Depois de ler a força e a convicção do teu texto, vou ver o filme! Aliciaste a minha vontade de o ver. E olha, que não é fácil. Tenho tanta coisa pendente, que gostava de fazer e, que não sei, não consigo fazer. Mas esta, ver o filme, é uma das coisas que vou fazer!

Abraço-te carinhosamente :-)

Publicado por: Menina_marota em março 16, 2005 12:45 PM

O texto corresponde ao filme. Lindo...

Publicado por: polittikus em março 16, 2005 02:40 PM

O teu texto transmite a fragilidade e a força do filme e dos personagens. Fragilidade e força que estão ali de mãos dadas. No sonho, no amor, na realidade. Por mo lembrares You've make my day Alice :)Beijinhos

Publicado por: Betty em março 16, 2005 02:50 PM

Olha agora, as meninas andam as duas a pedir sangue e em nome do amor?!... Como é que isto se interpreta?!...
Mas 'tá bem, o Clint merece o sangue derramado!... :)

Publicado por: sotavento em março 16, 2005 04:32 PM

Dás-me vontade de ver o filme! Bj querida

Publicado por: fernanda em março 16, 2005 07:03 PM

Já está! E não foi como beber um copo de água...que o Clint, apesar de já o conhecer como actor e realizador, surpreendeu-me. Este filme fez-me regressar ao bom cinema americano de meados e finais dos anos sessenta e tem um campo de leituras muito abrangente, sendo sem dúvida a relação treinador-pupila-filha (sempre presente na fita e quanto a mim o golpe de asa maior nesta fita de Clint, a adopção de alguém que venha colmatar a ausência) o centro-regresso de e para onde partem e chegam todas as pontas da história. Morgan Freeman ficou-me na retina com o seu trabalho.
A teu comment ao filme cola-se perfeitamente. Parabéns.

Publicado por: porquinho da india em março 16, 2005 08:25 PM

... Só mesmo para te dizer, ofegante da corrida, que me convenceste a parar o rodopio em que ando para ir ver o filme. Eu até gosto do velhote, mesmo assumindo uma ponta de inveja e tudo... Sim, que andava para aí muito crítico a chamar-lhe canastrão, mas era tudo raivinha de dentes!...

Beijos, cara amiga

Publicado por: OrCa em março 16, 2005 11:33 PM

Um excelente texto para um excelente filme.
Um beijo.

Publicado por: Ana em março 17, 2005 01:51 AM

Ainda não vi o filme, tenho de ver se o vejo antes de me ausentar. Nem sempre tenho tempo de passar por aqui e penitencio-me por isso.

Publicado por: Peter em março 17, 2005 10:25 AM

>>A TODOS: Se convenci alguns a irem ver o filme, já fiz a minha boa acção do dia. Pelo menos o Porquinho/Bertus (qual de vocês foi ao cinema?) foi no próprio dia. E veio dar a sua opinião que muito agradeço.
Seila, vi tudo isso de que falas. Mas sabes que as mulheres, de facto, lutam no ringue (por vezes no ringue da vida) e que famílias daquelas existem em todo o lado. Isso faz parte do que a leva, a ela, a querer sair dessa merda toda. Desculpa o palavrão mas hoje é só o que me apetece dizer.

Sotavento, mas quem é que anda a pedir sangue? Eu até fiz um post tão docinho... :) Admito que o Clint merece!

José Gomes, fico feliz por te ver de novo por aqui e espero que tudo esteja agora mais controlado.

Beijinhos e abraços

Publicado por: lique em março 17, 2005 11:27 AM