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março 17, 2005

Poema gorado

waiting2.jpg


Quero escrever um poema. Preciso de palavras,das que ajudam a vida a ter cor. Palavras que fluam dos meus dedos como uma torrente de água transparente. Letras que se juntem e digam esperança. Que falem de amor adulto, completo. Do amor. Frases seguidas de alegria, de entusiasmo, de ternura.
Preciso de palavras dessas, aquelas a que chamamos belas. Para que a vida me pareça bela. Não as sinto nos meus dedos. Não as sinto em mim. Nem sei se ainda se podem escrever palavras dessas. Talvez só se possa dizer da dor, da angústia, da raiva. Talvez só se possa falar de tudo o que nos enche a alma de lama. Porque momentos há em que nos sentimos presos na lama da vida.
Espero pelas palavras que não chegam. Talvez espere em vão pelo tempo em que as sabia. E o poema fica parado, esperando comigo. Poema gorado, mudo, incolor.

Ilustração daqui

Publicado por lique às março 17, 2005 10:45 AM

Comentários

Eu espero, pacientemente, porque sei que as palavras rapidamente chegarão a si!

Saudações

Publicado por: Carriço em março 17, 2005 11:13 AM

E para quem não conheça "palavras belas" estará sujeito a ocultar os seus sentimentos sinceros??? Ou, a beleza do amor, não estará no seu próprio significado e não na aparência das coisas???. beijo

Publicado por: Pantanero em março 17, 2005 11:18 AM

As palavras belas, são as que encontramos dentro do nosso coração.

Podem ou não ser de amor...

À falta de palavras, (que de coisas de amor, ando muito arredia)... deixo-te o poema, que coloquei ontem no meu blog...será de amor? Não sei...


Não me apetece dizer o que penso,
o que sinto, o que sou...
Não me apetece dizer-te
para onde vou, onde estou
o que senti...
Não me apetece manifestar meus afectos,
meus carinhos, pedir um beijo,
roçar o teu corpo, em mil desejos...
Não me apetece dizer
quantos orgasmos tive,
enquanto me possuias loucamente...
Não me apetece dizer o que sinto
quando o frenezim da tua boca,
roça as minhas coxas
e me deixas louca de tesão.

Não me apetece
E apetece-me tudo...


Um abraço terno.

Publicado por: Menina_marota em março 17, 2005 11:52 AM

e escreveste palavras bela lique e escreveste um poema lindo. e li o teu poema assim:

Quero escrever um poema.
Preciso de palavras,
das que ajudam a vida a ter cor.
Palavras que fluam dos meus dedos como uma torrente de água transparente.
Letras que se juntem e digam esperança.
Que falem de amor adulto,
completo.
Do amor.
Frases seguidas de alegria,
de entusiasmo, de ternura.
Preciso de palavras dessas,
aquelas a que chamamos belas.
Para que a vida me pareça bela.
Não as sinto nos meus dedos
Não as sinto em mim
Nem sei se ainda se podem escrever palavras dessas.
Talvez só se possa dizer da dor,
da angústia, da raiva
Talvez só se possa falar de tudo o que nos enche a alma de lama
Porque momentos há
em que nos sentimos presos na lama da vida.
Espero pelas palavras que não chegam.
Talvez espere em vão pelo tempo em que as sabia.
E o poema fica parado,
esperando comigo.
Poema gorado,
mudo,
incolor.

um beijo

Publicado por: encandescente em março 17, 2005 11:52 AM

SE...
pois! mas não houve nem nunca haverá SE.

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em março 17, 2005 12:01 PM

Esta (e)?!!! "Encandescente" é o máximo!!! Por isso lhe lancei o desafio na "Catedral".
Mas, amiga, aquilo que escreveste é a mais pura poesia, sentida, embrulhada em palavras que sairam do coração...
Se tinhas escrito "isto" em 2oo4 era este "poema" que selecionava e não o outro...
Um abraço, amiga.

Publicado por: josé gomes em março 17, 2005 12:13 PM

Lique cada vez ecreves melhor amiga:) Grande prosa poética, e as palavras estão cá:-) Muitos beijos:))***

Publicado por: wind em março 17, 2005 02:41 PM

Querida Lique
Como escrever um poema sobre um poema gorado, que não é sequer o tema do mesmo, pois esse passa pelo desejo de ouvir e não de dizer...
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em março 17, 2005 03:30 PM

Adorei este poema na horizontal. Li-o, reli-o, li-me e reli-me e emocionei-me, talvez porque a mim tantas vezes me faltam as palavras.
Beijo grande Lique

Publicado por: Lina em março 17, 2005 04:02 PM


atrevo-me a dizer que o melhor poema será sempre o que falta escrever! o teu não ficou parado, não! espera apenas o momento de explodir...

beijo

Publicado por: manuel em março 17, 2005 04:03 PM

as palavras belas que esperas estão em ti. às vezes um pouco escondidas, esperando que as procures e encontres e as uses com fervor. mas este teu texto é um poema para mim e com palavras belas porque são as tuas:)

beijito

Publicado por: isa xana em março 17, 2005 04:10 PM

Pois é, Lique... mas relembro-te "o poeta é um fingidor"... ;)

Publicado por: sotavento em março 17, 2005 04:29 PM

Escolhes bem as palavras...o antes...o durante...e o depois...
Um grande BJ do Luís

Publicado por: Luís em março 17, 2005 09:33 PM

Mas o texto que acabaste de editar é um poema muito especial. Esta prosa é poesia de elevado potencial emocional, lique.
A emoção está presente e uma elevada plasticidade acompanha-a.
Gostei muito.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em março 17, 2005 11:16 PM

Porque momentos há em que nos sentimos presos na lama... porque momentos há em que a tristeza chega e temos de a deixar estar, até estarmos preparados para a sua partida...
beijinhos
ps: Parece que o Paulo Querido já me arranjou os comentários, portanto se quiseres passar por lá, terei imenso gosto!

Publicado por: Sílvia em março 17, 2005 11:22 PM

Temo que não estejas no teu melhor, Alice. E indubitavelmente isso preocupa-me.
Um beijo solidário.

Publicado por: letrasaoacaso em março 17, 2005 11:29 PM

Lique, como já várias pessoas disserem o poema não ficou gorado, antes se transmutou numa prosa poética caudalosa na sua angústia e escrita sobre a lama que por vezes temos de atravessar para chegarmos a um cais que seja porto seguro. Um grande beijinho :-)

Publicado por: Dora em março 18, 2005 12:50 AM

Penso k não falas das palavras, mas das emoções. Essas não sendo boas trazem palavras de k n7 gostamos, k n7 são as k queríamos. Procura, o TEU amor por ti, o teu auto-respeito e descobrirás k todas as palavras lá estão intactas. Bjs e ;) e bom f.s (breve)

Publicado por: TMara em março 18, 2005 08:18 AM

belas são as palavras dessa prosa lírica, tua. o poema pode ser escrito em silêncio, com as cores mais belas, as do nosso sentir, guardado em nós.
beijinhos, Lique querida.

Publicado por: moriana em março 18, 2005 11:37 AM

ser poeta é maldição que acarretas há muito.

O que é escrever um poema?

desalinhar as frases?

:)

Bjs

Publicado por: mão de vento em março 18, 2005 01:38 PM

...tens tudo para escrever esse (e muitos mais) poema e que de momento, as palavras não te chegam (ou por isto e por aquilo lhes fazes ouvidos de mercador?). A tua e a disponibilidade de todos nós, não se encomenda numa grande superfície ou muma loja de bairro (daquelas dos nossos tempos de miudos e que estão práticamente desaparecidas).
Há quem lhe chame "momentos de criatividade"; eu que não sou exagerado, digo que são momentos para nos ouvirmos a nós próprios. E aí estão as palavras de que gostamos tanto nos nossos dedos...

Bom fim de semana, beijos e intés!!

Publicado por: porquinho da india em março 18, 2005 02:17 PM

Adorei este espaço.

A vida não necessita de palavras para ser vivida com intensidade. Precisa que tenhamos o coração aberto para saber recebê-la e aceitá-la na sua plenitude sem questionar o porquê.

Um beijinho *

Publicado por: Cakau em março 18, 2005 02:49 PM

As palavras...são arredias... e gostam de se fazer esperar. Mas para ti...elas vieram ...como barco que anseia ir ao mar....
Bshell

Publicado por: blueshell em março 18, 2005 04:20 PM

a falta de palavras segere ainda mais sentimento ao que escreves. gostei muito.

Publicado por: diluida em março 18, 2005 06:14 PM

Poema, prosa, whatever. Está belissimo. bjks

Publicado por: ognid em março 18, 2005 07:51 PM

E eu preciso de palavras para expressar o que sinto depois de ler as tuas. Adorei. Um grande beijinho e óptimo fim de semana :)

Publicado por: Cinda em março 18, 2005 07:59 PM

As tuas palavras nunca são goradas, Lique.
Só para embelezar a poesia... beijinho

Publicado por: madalena em março 18, 2005 10:32 PM

{ …

deixo um mimo (o de ontem):

sinto[-me] amarrar, apertar com nó ou laçada
em teu desejo, impele, neste nunca desatar e
caminho, rodeio, talvez enleio [neste teu] beijar
© de[mente]

… }

Publicado por: de[mente] em março 18, 2005 10:53 PM

Prosa-poesia. As palavras estão lá, as necessárias.

Publicado por: Peter em março 19, 2005 12:22 AM

Não vale esperar... pelo momento passado. Vive

Publicado por: knuque em março 19, 2005 03:41 AM

Passei para deixar um beijo e bom fim de semana :-)

Publicado por: Menina_marota em março 19, 2005 05:01 AM

Minha querida Lique estou comovida. Deixa que converse com a Encandescente e que o teu mano me ouça (vai rir!) Oh! Encandescente eu também li o texto dela como tu de tal modo que se o escrevesse eu lhe daria uma (a tua...outra...) estrutura "vertical" (ouviste Ognid ?!rss) e todos diriam poema... e a nossa Lique escreve sempre poemas, né Encandescente? E o eu se escreve não precisa das palavras que se dizem (?!) de poemar ... precisam das tuas ..das palavras que saltam e como o teu poema que a Encandescente assim reescreveu pode ver palavras cruas duras feridas agressivas ...e ... obrigada por existirem os três!

Publicado por: seila em março 19, 2005 10:37 AM

Ora viva!
O Zecatelhado, camarada destas lides da blogosfera, deseja para esta casa um fim de semana cheio de bons posts e demais coisas agradáveis.
Envia ainda
AQUELE abração amigo.

Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em março 19, 2005 10:54 AM

mas, a vida é sempre bela mesmo quando magoa

Publicado por: oisaubeau em março 19, 2005 11:05 AM

>>Carriço: obrigada pela confiança. As palavras estão sempre latentes.

>>Pantanero: amigo, já te respondi. As palavras que espero são as minhas que, por alguma razão, parecem um pouco bloqueadas. Os sentimentos valem pelo que são não pelas palavras com que se expressam.

>>Menina marota: obrigada pelo poema que já lá fui ler e comentar e pelo desejo de bom fim de semana. Um bom fim de semana para ti também.

>>Encandescente: et voilá! Só tu mesmo. Obrigada por teres dado ao meu texto a dimensão de um poema.

>>Zecatelhado: Esse SE parece-me que já sei ao que se refere :) Que tenhas um bom fim de semana, tu também.

Publicado por: lique em março 19, 2005 11:44 AM

>>José Gomes: totalmente de acordo contigo. A Encandescente é o máximo! :) Quanto ao resto... obrigada, de qualquer forma.

>>wind: obrigada. Ainda bem que gostaste. :)

>>Daniel: sabes, aqui o desejo era mesmo de dizer, mas de dizer esperança. Pareço estar emperrada nesse tema! :)

>>Lina: é bom ter esse retorno da parte de quem lê. Mas não me lembro de te terem faltado palavras. Tenho é saudades de te ler. :)

>>manuel: é verdade que, quando acabamos de escrever algo, já aspiramos a fazer melhor da próxima vez. É essa aspiração de perfeição que nos faz avançar. E se a escrita se faz no fluir dos dias, certamente haverá um tempo para as palavras explodirem.

>>isa xana: obrigada pelo teu voto de confiança e por, apesar do meu "bloqueio", teres gostado.

Publicado por: lique em março 19, 2005 11:56 AM

>>sotavento: ai, agora, vens com o Fernando e a minha peregrinação á volta de ser ou não ser poeta... :) Mas aqui, por acaso, não havia fingimento. Por acaso... :))

>>Luis: obrigada. Bem escolhidas são sempre as tuas palavras e bem pena tenho de o meu tempo ser tão pouco para te ler.

>>Jose Duarte: obrigada, amigo, pela tua leitura atenta e pelas tuas palavras.

>>Sílvia: ainda bem que o problema está resolvido. Claro que passo por lá! :)

>>letrasaoacaso: não estava no meu melhor quando escrevi este texto, é verdade. Parece que agora as coisas estão mais estáveis. Talvez consiga encontrar as palavras de esperança. Obrigada pela tua preocupação.

>>Dora: disseste tudo, amiga. Mas custa atravessar a lama. Enfim, tudo isto faz parte do percurso da vida.

Publicado por: lique em março 19, 2005 12:14 PM

>>Tmara: Claro que são as emoções negativas que me bloqueiam as palavras de esperança. Mas tens razão: é sempre dentro de nós que as reencontramos.

>>moriana: e belo é tudo o que escreves. Até um simples comentário. Obrigada

>>mão de vento: É capaz de ser maldição, sim. Por não saber o que isso é exactamente, por não me agarrar à forma, por ter que dizer o que sinto e sair assim... Mas às vezes é uma maldição que nos faz encontrar momentos gratificantes.

>>porquinho da índia: só discuto esses assuntos com o Bertus! :))
Há, para mim dois tipos desses ditos "momentos de criatividade" : aqueles em que nos sai de jorro algo que normalmente tem a ver com sentimentos muito fortes (foi o caso deste texto) e aqueles em que a partir de uma ideia, de um momento, construimos algo que ponha essa ideia ou esse momento em palavras. Ambos são válidos, claro. Tudo depende da qualidade do que sai.
Agradeço a tua confiança na minha capacidade! :)

Publicado por: lique em março 19, 2005 12:37 PM

>>Cakau: Sê bem vinda. A vida não precisa de palavras, é verdade. A escrita, sim. E, por vezes, parece-nos ser impossível viver sem escrever. :) Volta sempre. Visitar-te-ei.

>>blueshell: as palavras acabam sempre por chegar. Podem é não ser aquelas que nós desejaríamos transmitir.

>>diluida: obrigada pela tua apreciação.

>>obrigada, maninho. Esta discusão de poema e prosa vai longa, já vi! :)

>>Cinda: e vais encontrá-las, sem dúvida. Bom fim de semana para ti.

Publicado por: lique em março 19, 2005 01:22 PM

>>madalena: obrigada pela apreciação e pela confiança. :)

>>de[mente]: gosto deste teu mimo. Quem não gosta, não é? :)

>>Peter: fico feliz por ser essa a tua opinião. Obrigada

>>knuque: eu espero pelos momentos que hão-de vir. E queria dizê-los em esperança e beleza.

>>Seila: e eu que julgava que andavas a passear!!:) Também leste na vertical e tens razão quando constatas que para dizermos de nós não precisamos de palavras de "poemar". Este texto diz de mim no momento em que o escrevi com a crueza e dureza que lhe encontraste. Mas por onde anda a esperança, raios?


Beijinhos e abraços para todos

Publicado por: lique em março 19, 2005 01:33 PM

>>oiseaubeau: desculpa, esqueci-me de ti. Não sei se a vida é bela quando magoa. Eu não a sinto bela. Mas a vida é feita de alegria e tristeza, sem dúvida. beijos

Publicado por: lique em março 19, 2005 01:36 PM

"Preciso de palavras dessas, aquelas a que chamamos belas. Para que a vida me pareça bela."

- Trouxeste à reflexão uma das funcionalidades linguísticas: significado e significante e subsequente dialética da linguagem, mostrando o efeito poético no seu avesso; não enquanto espelho de um sentimento, reflexivo, portanto, mas como a génese para um sentimento. Se as palavras são representativas (se representam; surgem no lugar de; interpretam), tb podem ser responsabilizadas enquanto geradoras de sentimentos. No seu âmago, apenas se troca o sentido da viagem, como "o trem que chega é o mesmo trem da partida". (Sente-se e escreve-se; escreve-se e sente-se.)

Por exemplo, ? o que farei com a abstracção a que me sujeitei ao ler-te esta maravilha:

"Espero pelas palavras que não chegam.
Talvez espere em vão pelo tempo em que as sabia"

[Estranhamente, voltei a lembrar-me de um comm que te deixei há muito tempo sobre a sabedoria que o tempo traz... Remember? Se viesse acompanhada de serenidade...]

Kisses, Mulher!

Publicado por: MJM em março 20, 2005 09:24 PM

>>MJM: tenho sempre que agradecer a forma extraordinária como analisas o que escrevo. É talvez o mais gratificante, para quem pretende fazer passar sentimentos através das palavras, ter uma leitura tão atenta. É verdade que aqui há um desejo de palavras que, elas próprias, gerassem a beleza que o momento não tinha. Também é verdade que foi um momento em que, pese embora a sabedoria adquirida com os anos, a serenidade não se impôs. E é claro que notaste isso no texto. :-)

Beijinhos, baby.

Publicado por: lique em março 21, 2005 12:34 AM