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março 04, 2005
Raízes

Na noite que foi origem de mim
Procuro o local onde tive vida
Dentro da raiz de todo o meu ser
Enrolo-me
Protejo-me
Em casca rugosa faço o meu casulo
Uno-me ao corpo antigo do tronco
De olhos alheios me escondo
Descanso.
Foto: Herzog
Já publicado num post colectivo no Estrela Vertiginosa
Publicado por lique às março 4, 2005 11:40 PM
Comentários
Belo poema de intimidade. Fechar-se na concha, quantas vezes temos de fazer isso para nos sentirmo-nos mais aconchegados?:) Linda foto a condizer com o poema:-) Muitos beijos amiga:))***
Publicado por: wind em março 5, 2005 12:25 AM
Levo comigo no pensamento,a beleza deste poema...no desejo que aqui vinha expressar, de um bom dia... e, bom fim de semana, também...
Um beijo ternurento ;-)
Publicado por: Menina_marota em março 5, 2005 10:07 AM
Feliz de ti que ainda tens "tronco" para te unires.....há os que não têm esse "porto de abrigo"......Gostei do poema e dou-te os meus parabéns. Bjs e excelente fim de semana
Publicado por: docerebelde em março 5, 2005 12:08 PM
E eu contigo, também, descanso. Beijo, amiga.
Publicado por: Márcia em março 5, 2005 02:16 PM
Uno-me ao corpo antigo do tronco
Que lindo isso, minha apoetisa.....
bjos e bom fds
Publicado por: Liliane em março 5, 2005 03:12 PM
Como é que sabes que foi de noite??? beijo
Publicado por: Pantanero em março 5, 2005 03:24 PM
Venho convidar-te a ti e a todos os visitantes do teu blog q se inscrevam no concurso do blog "Na Blogosfera".
Um abraço e bom fim de semana.
Publicado por: Juiz Arbitro em março 5, 2005 06:46 PM
Mesmo inconscientemente sabemos que as nossas raízes têm uma função regeneradora...
Beijinhos
Publicado por: madalena em março 6, 2005 02:03 AM
descansa até te sentires pronta a sair do casulo de novo e abraçar o mundo. quando de novo precisares protecçao volta ao casulo:)
muito bonito o teu poema:)
bêjo
Publicado por: isa xana em março 6, 2005 02:11 AM
Não consegues esconder de olhos alheios a tua sensibilidade na escolha das palavras exactas.
Um beijinho.
Publicado por: Ana em março 6, 2005 02:26 AM
Muito bonito este poema e acompanhado por uma imagem fantástica. Sinto-me bem aqui.
Bj**
Publicado por: Luís em março 6, 2005 11:14 AM
Esclarecimentos complementares sobre Florença, a não perder. A Páscoa é a altura ideal. Bom Domingo.
Publicado por: Peter em março 6, 2005 02:41 PM
Um poema intimo, Algo me diz que vossa Exmº está apaixonada por um principe encantado.... Estou certo?
Publicado por: polittikus em março 6, 2005 03:22 PM
Vim a correr dar-te um beijinho e, como já o domingo vai a mais de meio, desejar-te uma óptima semana :)*
Publicado por: Cinda em março 6, 2005 03:33 PM
Por isso gosto de vir aqui....Jinhos mil, BShell
Publicado por: blueshell em março 6, 2005 04:25 PM
Por vezes damos tanto valor ao nosso tronco e à nossa copa que esquecemos as raízes que nos mantêm em pé. E acaba por ser a raìz o nosso refúgio.
Publicado por: Tim Bora em março 6, 2005 04:56 PM
Passei para ler-te. Desejo um resto de bom domingo. Abraço ;-)
Publicado por: Menina_marota em março 6, 2005 06:25 PM
Qual guerreira... :)
Publicado por: sotavento em março 6, 2005 07:18 PM
No teu casulo te confortas, te fortaleces e no dia do teu renascimento reapareces em pleno equilíbrio contigo mesma com forças para enfrentar o todo sempre da tua Vida!
Boa semana! :)**
Publicado por: M.P. em março 6, 2005 08:31 PM
Sobreviveríamos sem as nossas raízes, que são afinal o alimento para a vida?!
Alice, é certo que a tua poética se torna intimista e bela.
Quero saber-te bem.
O meu beijo, amiga
Publicado por: LetrasAoAcaso em março 6, 2005 09:33 PM
o meu casulo já foi demasiado protector durante demasiado tempo. estou num ponto da minha vida em que tenho de o rasgar e seguir em frente sem ele.
beijinhos
Publicado por: sonia em março 7, 2005 12:12 AM
Lindo este poema..., tão equenino, mas que diz tanto.
Tem uma boa semana.
Beijo bom
Publicado por: Lina em março 7, 2005 02:52 AM
sempre achei que madeira não é carne, mas como é que eu aceito a carne do peixe?!
Publicado por: knuque em março 7, 2005 03:37 AM
K belo casulo encontrate/criaste. Boa semana. Bjs e ;)
Publicado por: TMara em março 7, 2005 09:14 AM
Às vezes precisamos quase voltar às raízes assim.
E refugiarmo-nos.
Beijinhos
Publicado por: Vulcão em março 7, 2005 10:03 AM
uff e como sabe bem!!! e como faz um bem!!! Boa semana!
Publicado por: seila em março 7, 2005 11:00 AM
:)
Se soubesse eecrever, escreveria qualquer coisa muito muito parecida, lique.
Beijo.
(ah, hoje há uma foto real, a única que haverá, no areal.)
Publicado por: náufrago em março 7, 2005 11:12 AM
corrijo: escrever.
:)
Publicado por: náufrago em março 7, 2005 11:37 AM
Os teus poemas são sempre magníficos e este não foge à regra.
Continua a descansar que o teu casulo é o teu...
Beijinhos.
Publicado por: NILSON em março 7, 2005 01:59 PM
da seiva da raiz e do lenho do tronco, se faz vida e calor...
beijos
Publicado por: manuel em março 7, 2005 02:47 PM
Intimidade, aconchego, protecção para de novo renascer. O teu poema é lindo. Bjinhos e o meu sereno sorriso, amiga.
Publicado por: amita em março 7, 2005 06:45 PM
lique, tratas tão bem o impulso para nos recolhermos em nós mesmos...Adorei, uma boa semana para ti :-)
Publicado por: Dora em março 7, 2005 06:49 PM
VOLTEI, né?
Mudando de assunto…heheh
Venho pedir um votinho….para melhor nick em http://peciscas.blogspot.com/
Ontem fugiram-me os assessores…hoje foi a urna de votos que se sumiu…( e não é todos os dias que se vê uma concha AZUL…)
Jinho, BShell
Publicado por: BlueShell em março 7, 2005 07:59 PM
Lindíssimo, tão bonito como tu, irradia luz.
Beijo
Publicado por: stillforty em março 7, 2005 08:53 PM
a raiz pode ser a mãe, longínquo o momento
Publicado por: oisaubeau em março 7, 2005 09:25 PM
Quantas vezes!!! Quantas vezes apetece escondermo-nos dentro de nós, em busca de um tempo e de um espaço que apenas intuímos, mas sabemos lá...reconfortante... Um bonito pedacinho de alma, este, que aqui nos ofereceste, Lique...
Beijinho
Publicado por: maria em março 7, 2005 10:04 PM
Raizes!!!pobre de quem não as têm!
deixei-lhe os parabens lá no out,viu?:)
Publicado por: annie hall em março 7, 2005 10:59 PM
>>A TODOS: agradeço-vos terem lido e comentado este texto que já tem uns meses mas que está totalmente de acordo comigo e a minha necessidade de me recolher num qualquer casulo. São fases. Talvez amanhã seja diferente, quem sabe?
Beijinhos e abraços para todos.
Publicado por: lique em março 8, 2005 12:39 AM
São fases, mesmo. Saber disso, é ter já aprendido a reconhecer os trajectos da seiva...
(Recordo-me bem dessa iniciativa da saravert que deu um momento lindo na blogosfera.)
Descansar. Faz bem, descansar. Para depois exibir maravilhosas copas frondosas. Pois... o 'evergreen' sem se dar pelo outono... (não me ligues. sabes bem como me obrigas a incursões pela minha própria seiva.)
kiss
Publicado por: MJM em março 8, 2005 01:00 PM
"Raízes"
Uma vez um homem deitou-se, todo, em cima da terra. A areia lhe servia de almofada. Dormiu toda a manhã e quando se tentou levantar não conseguiu. Queria mexer a cabeça: não foi capaz. Chamou pela mulher e pediu-lhe ajuda.
- Veja o que me está a prender a cabeça.
A mulher espreitou por baixo da nuca do marido, puxiu-lhe levemente pela testa. Em vão. O homem não desgrudava do chão.
- Então, mulher? Estou amarrado?
- Não, marido, você criou raízes.
- Raízes?
Já se juntavam as vizinhanças. E cada um puxava sentença. O homem, aborrecido, ordenou à esposa:
- Corta!
- Corta, o quê?
- Corta essa merda das raízes ou lá o que é...
A esposa puxou da faca e lançou o primeiro golpe. Mas logo parou.
- Dói-lhe?
- Quase nem. Porquê me pergunta?
- É porque está sair sangue.
Já ela, desistida, arrumara o facão. Ele, esgotado, pediu que alguém o destroncasse dali. 'Me ajudem', suplicou. Juntaram uns tantos, gentes da terra. Aquilo era assunto de camponês. Começaram a escavar o chão, em volta. Mas as raízes que saíam da cabeça desciam mais fundo que se podia imaginar. Covaram o tamanho de um homem e elas continuavam para o fundo. Escavaram mais que as fundações de uma montanha e não se vislumbrava o fim das radiculações.
- Me tirem daqui! - gemia o homem, já noite.
Revesaram-se os homens, cada um com sua pá mais uma enxada. Retiraram toneladas de chão, vazaram a fundura de um buraco que nunca ninguém vira. E laborou-se semanas e meses. Mas as raízes não só não se extinguiam como se ramificavam em mais redes e novas radículas. Até que já um alguém, sabedor de plantas, disse:
- As raízes dessa cabeça dão a volta ao mundo.
E desistiram. Um por um se retiraram. A mulher, dia seguinte, chamou os sábios. Que iria ela fazer para desprender o homem da inteira terra? Pode-se tirar toda a terra, sacudir as remanescentes areias, disse um. Mas um outro argumentou: assim teríamos que transmudar o planeta todo inteiro, acumular um monte de terra do tamanho da terra. E o enraizado, o que se faria dele e de todas suas raízes? Até que falou o mais velho e disse:
- A cabeça dele tem que ser transferida.
E para onde, santos deuses? Se entreolharam todos, aguardando pelo parecer do mais velho.
- Vamos plantar a cabeça dele lá!
E apontou para cima, para as celestiais alturas. Os outros devolveram a estranheza. Que queria o velho dizer?
- Lá, na lua.
E foi assim que, por estreia, um homem passou a andar com a cabeça na lua. Nesse dia nasceu o primeiro poeta.
in CONTOS DO NASCER DA TERRA, Mia Couto, ed. Caminho, 2002
Publicado por: MJM em março 8, 2005 04:43 PM
Custa crescer. Tem dias que apetece voltar para trás e crescer de novo. Beijos grandes :)
Publicado por: Betty em março 9, 2005 12:52 PM