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abril 23, 2005

Palavras novas

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Preciso de palavras novas
palavras não gastas.
Dissemos
esperança
igualdade
liberdade
paz.
Dissemos
mas foram morrendo
as palavras na garganta.
Foram morrendo os gritos
nas praças abertas à luz.

Surgiram outras palavras.
Dissemos
pobreza
iniquidade
corrupção
guerra.
Dissemos.
Esquecemos as palavras
ditas na primeira hora
as que gastámos nos dias
de todo o descontentamento.

Hoje quero palavras novas
de cor rubra como os cravos
que em cada ano me enfeitam os olhos.
Palavras que voltem frescas e limpas
como voltam as flores que acordam gritos
numa nova madrugada.

Publicado por lique às abril 23, 2005 10:05 PM

Comentários

É preciso reinventar as palavras. E nunca desistir!

Publicado por: ajcm em abril 23, 2005 11:50 PM

Obrigada pela tua visita!
Estas tuas palavras são soberbas, aliás como sempre!
Bom fim de semana
beijo bom

Publicado por: Lina em abril 24, 2005 01:38 AM

Sou grato aos homens da revoluçaõ de Abril...

Publicado por: ChuvaNegra em abril 24, 2005 02:57 AM

Quando dizemos "A Madrugada" associamos a expressão ao 25 de Abril e, tal como a palavra "saudade", a palavra "madrugada" também não existe em mais nenhuma das principais línguas (o "principais" é só para prevenir que haja para aí escondido algum dialecto turco-tártaro com tanta imaginação como o português, mas acho que não há mesmo)...

Portanto, uma revolução de cravos numa madrugada é algo de duplamente único e só poderia acontecer mesmo no país que inventa palavras sem igual. As mesmas que tu reinventas. Obrigado.

Publicado por: Fernando em abril 24, 2005 07:09 AM

Palavras fortes com sabor a liberdade!
Xi♥

Publicado por: euroafricana em abril 24, 2005 08:39 AM

Palavras fortes com sabor a liberdade!
Xi♥

http://fotobloguice.blogspot.com/

Publicado por: euroafricana em abril 24, 2005 08:39 AM

Hmmm, liberdade. Gostava imenso de a ver.

Belas palavras {as tuas

Deixo te um beijo terno
Rose*

Publicado por: black rose em abril 24, 2005 01:17 PM

Eis um texto sentido e representativo do que foi e do que é agora. As mudanças, as diferenças. O tempo passa, as coisas mudam.

Beijinho terno e bom domingo :) *

Publicado por: Cakau em abril 24, 2005 01:58 PM

"...mas foram morrendo
as palavras na garganta...."

E é dessas gargantas, em que morrem a esperança e o sabor de viver-se em Liberdade, que eu quero ouvir o grito forte de sermos puros e nobres, nos conceitos, que levaram ao nascimento, da revolução dos cravos.

Que em cada um de nós, exista um cravo vermelho, na acção e no coração, e não somente, em palavras de ocasião.

Um abraço terno ;-)

Publicado por: Menina_marota em abril 24, 2005 07:04 PM

Lique amiga, estou contigo para continuar a gritar liberdade e justiça. Grande poema:) Muitos beijos:))***

Publicado por: wind em abril 24, 2005 08:19 PM

Vc já as tem, amiga, senhora das palavras.
Beijo grande.

Publicado por: Márcia em abril 24, 2005 09:52 PM

Querida Lique
Junto a minha à tua voz, eu quero mais que palavras, quero acções, quero ver as promessas de Abril cumpridas. Ainda há muito a fazer....
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em abril 24, 2005 10:22 PM

Eu
é que agradeço a visita. Obrigada.

Publicado por: ChuvaNegra em abril 24, 2005 10:27 PM

Eu não me importo de usar as velhas... as velhinhas "saúde, educação, habitação. liberdade...".Bom feriado com muita alegria e muitos cravos.

Publicado por: saltapocinhas em abril 24, 2005 10:40 PM

Olá, Lique

São sentidas as tuas palavras de Abril. Também penso como tu, também sinto as palavras gastas.É preciso sair à rua e renovar os significados de Abril.
Abril sempre!

Publicado por: laerce em abril 24, 2005 11:24 PM

Um grande abraço.:)


Publicado por: annie hall em abril 24, 2005 11:29 PM

nada é mais novo que recomeçar.
bjos querida

Publicado por: Liliane em abril 24, 2005 11:49 PM

olá Lique!

Acho este poema admirável!
De uma actualidade incontornável.
Beijinhos.

Publicado por: Jose Duarte em abril 24, 2005 11:58 PM

Um excelente poema que nos recorda palavras, que apesar de muito usadas, nunca ficarão gastas, nem deixarão de ser novas.
Viva a Liberdade!
Um beijo.

Publicado por: Ana em abril 25, 2005 03:20 AM

SEMPRE SEMPRE!!!

Publicado por: JOTA_CE em abril 25, 2005 03:34 AM

Quem pensa que alcançou a liberdade ou que pensa que conhece alguém com esse conhecimento, está sujeito a que ainda sem disso se aperceber seja prisioneira de algum poder. A liberdade é um processo em continua concretização. Quando se julga ter alcançado a liberdade a liberdade está em automática questão. A liberdade é uma constante interrogação, uma ineterrupta dúvida. Na liberdade não há certezas, por isso escrevo sempre sem razão!

Beijos

André

Publicado por: André em abril 25, 2005 04:28 AM

Vamos a elas! E de poesia! E de rua! Que elas andam por aí, à nossa volta, a desafiarem-nos para a vida.

Vamos a elas!

Beijos.

Publicado por: OrCa em abril 25, 2005 04:24 PM

>>AMIGOS: este era, na verdade, o meu texto para o 25 de Abril mas depois deixei-me levar por outras emoções e não consegui evitar o post que se seguiu. :)) Enfim...
A necessidade de palavras "novas" sem que isso signifique que sejam diferentes das iniciais corresponde para mim à necessidade de encontrar soluções para o nosso dia a dia. Será que vamos conseguir? Apesar de tudo eu ainda tenho esperança (dizem que é a última coisa a morrer, não é?).
Beijinhos e abraços.

Publicado por: lique em abril 26, 2005 06:46 PM

e do medo se fez alguma esperança!

Publicado por: hammer em abril 29, 2005 01:33 PM