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maio 04, 2005
Fortaleza

Fechada assim por dentro frente ao mar
revelo só a luz que me ilumina
na fresta que de mim se entrevê.
Nada digo do que está por trás do muro
protecção ou barreira que me sela a alma
e impede a entrada dos ventos invasores.
Nada, nem as brechas que minam as paredes
nem as labaredas dos fogos acesos na noite
nem o bater das ondas e a carícia do mar.
Nada me descobre ou me desnuda.
Nada me mostra.
Eu, fortaleza de mim.
Foto: Revelações Avulsas
Publicado por lique às maio 4, 2005 12:03 AM
Comentários
A força das palavras na "máscara" da fortaleza:) Belo poema intímo e foto a condizer com o mesmo. Muitos beijos Lique:))***
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Obrigada, amiga. Fico contente que tenhas gostado da minha fortaleza!;) Beijinhos
Publicado por: wind em maio 4, 2005 12:07 AM
por vezes há essa necessidade, de ser ou parecer forte. mas o q mostras é o lado sensivel - a maior fragilidade na menor fresta da fortaleza.
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Ainda bem que mostro o meu lado sensível. O outro é muito menos agradável :) Beijos
Publicado por: TCA em maio 4, 2005 12:56 AM
"fortaleza de mim", bonito! mas concordo com o TCA.
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Bom, então a resposta é a mesma :)) Beijinhos
Publicado por: ângela em maio 4, 2005 09:16 AM
Querida Lique
Fortaleza, junto ao mar, serventia em tempo de guerra. No mais é referência, o povo molha os pés no mar, olhando ao longe a ausência do inimigo. Experimenta descer à praia...
Um beijo
Daniel
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Eu desço à praia, Daniel. Muitas vezes, mesmo. Isto é só um estado de espírito temporário. Beijos
Publicado por: Daniel Aladiah em maio 4, 2005 10:00 AM
A nossa muralha.
As defesas que cada um vai construindo. Medos, frustações, desilusões, aparências necessárias, a vida que se impõe.
Sem essa muralha sentir-nos-íamos perdidos sem limites.
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É verdade, João. De certa forma, por vezes necessitamos de recolher mesmo a essa fortaleza. Beijos
Publicado por: João Norte em maio 4, 2005 11:03 AM
Que seja um muro de protecção! Mas não creio que te sele a alma!Essa está aqui em cada palavra, em cada texto teu! Um beijo, lique, e um dia cheio de sol para ti!
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Obrigada, amiga! Tu já me conheces há muito. De vez em quando aparece este lado de mim. :) Beijinhos
Publicado por: MWoman em maio 4, 2005 11:54 AM
Gosto do teu poema. Há alturas em que também eu penso que deveria estar para lá da muralha. Nunca a consegui transpor e mantenho-me invariavelmente no terreiro cá fora. Não consigo esconder ou dissimular alegrias ou tristezas e ao contrário de ti, vou mostrando o que há em mim. Ficamos por isso... mais despidos. Mas o oposto, também tem os seus quês... parece que nuncalhes conhecemos a cor do próximo fato...
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Olá Maria! Não sei se já alguma vez comentaste por aqui. Acredita que esta fortaleza tem muitas frestas e muitas fragilidades. Bem vinda, se de facto é a primeira vez. Beijinhos
Publicado por: Maria em maio 4, 2005 12:17 PM
A força é mesmo apanágio da maioria das mulheres. Não há alternativa, não é Lique?
Lindo como sempre.
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Isso é verdade, Madalena. As mulheres têm mesmo que arranjar reservas de força. Mas não deixam de quebrar,de vez em quando, não é? Beijinhos
Publicado por: madalena em maio 4, 2005 01:43 PM
"...Nada me descobre ou me desnuda.
Nada me mostra.
Eu, fortaleza de mim..."
Que força de palavras, Lique! Quem me dera ter essa força...
Um abraço terno ;-)
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Nas palavras talvez exista essa força toda. Na vida real, sou igual a toda a gente. Beijinhos, amiga.
Publicado por: Menina_marota em maio 4, 2005 01:49 PM
Gosto do poema, da força das palavras e dessa evidência da mulher-fortaleza que mostras ser. :)
Desculpa a raridade nas visitas, mas ando com imensa falta de tempo :( (que bom seria que o dia tivesse 36 horas rrsssss) Bjitos
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Ainda bem que gostaste. Vem sempre que puderes. A porta está sempre aberta. Beijinhos
Publicado por: Anjo do Sol em maio 4, 2005 02:05 PM
Que maravilha Lique, a imagem ganhou muito mais , com as tuas palavras ! Obrigado :)
Agora fiquei tentado a roubar-te o poema :)))
Beijos
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Obrigada. A foto foi a inspiração, não te esqueças! Já vi que levaste o poema e acho que ficou muito bem, lá no teu espaço. Beijos
Publicado por: toze em maio 4, 2005 02:23 PM
aparentemente somos fortaleza, às vezes, só aparentemente. e tão vulneráveis somos...
beijinhos, querida lique (já estou de volta)
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Somos essa mistura de força e vulnerabilidade. Tem que ser. Estou contente por estares de volta e tudo ter corrido bem. Beijinhos
Publicado por: moriana em maio 4, 2005 03:48 PM
Frente ao mar é dos poucos locais onde as minhas frestas se abrem e me reduzo à minha insignificância.
Adorei
(como aliás é hábito)
:)
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Frente ao mar, quem não deixa cair as defesas? Esta fortaleza também é sensível ao mar! :) Beijos
Publicado por: Papo-seco em maio 4, 2005 03:49 PM
Muito bom!
Queria sentirme fortaleza, de novo.
:)
Bj
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E porque não, amiga? Porque não? Beijinhos
Publicado por: pés descalços em maio 4, 2005 04:46 PM
Já te roubei o Poema Lique :)
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:))
Publicado por: Toze em maio 4, 2005 04:49 PM
Excelente Lique...excelente! :)...**
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Obrigada! Excelentes acho eu os teus poemas. Beijinhos
Publicado por: Virgínia Pedras em maio 4, 2005 05:20 PM
Gostei muito destas tuas fortalezas. Revi-me em cada palavra. Mas sabes,as barreiras que nos selam a alma e impedem a entrada dos ventos invasores, tambem impedem a entrada a novos ventos. Ventos bons! Brisas suaves e tranquilas. beijinho
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Deixemos então entrar os ventos doces e tranquilos da Primavera! Beijinhos
P.S. Já trataste dos documentos das LAPISeiras? :))
Publicado por: lyra em maio 4, 2005 06:41 PM
Fortaleza contra as adversidades de fora e sem muros para as de dentro!... :)
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Perspicaz, como sempre Sota! Beijinhos :)
Publicado por: sotavento em maio 4, 2005 07:04 PM
...as fortalezas trazem-me recordações algo pesadas de um passado mais ou menos recente; mas não é dessas fortalezas que falas no teu poema. Do modo como nos defendemos de uma vida também ela feita de coisas menos boas e que nos obriga a erguer muralhas para nos protegermos e, porque não?, à nossa privacidade...
Parabéns que a fresta-onde-te-encontras está no sítio certo do poema.
beijos e intés!!
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Sei que entendes o que eu quis dizer. Talvez tenha saido um pouco brusco demais, mas que é que se há-de fazer, "that's me!" :)) Beijos
Publicado por: porquinho da india em maio 4, 2005 07:10 PM
Gostei muito .Deu-lhe uma vida (fragil /forte ,misteriosa )
bjs
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Ainda bem que gostou, annie. Frágil/forte, acho que somos quase todos. Misteriosa?? Nada, nada. Temos que nos conhecer :) Beijinhos
Publicado por: annie hall em maio 4, 2005 08:05 PM
Fortaleza não tão forte que não deixe passar claramente a luz que alimenta o sujeito poético. Gostei muito deste poema. Adoro faróis e fortes e fortalezas. Pedras antigas, lugares de abrigo e de contemplação do mundo. Linda tb a foto. Beijinho de boa noite!
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Se a fortaleza não deixasse passar nada, nem havia razão para poema. Passa até muito mais do que pode parecer. Ainda bem que gostaste! Beijinhos
Publicado por: LibeLua em maio 4, 2005 09:17 PM
Na fortaleza, eu, prefiro as brechas...ninhos de gatas parideiras de flores ... nelas se pode amar e jogar de esconde esconde...Brechas...rugas na Fortaleza... beijocas
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Ninhos de gatas parideiras? Amar e jogar de esconde esconde, já me parece melhor...:)) Obrigada pela foto. Beijão
Publicado por: seila em maio 4, 2005 10:26 PM
um beijo Lique
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Beijo, Luna. Gosto de te ver por aqui.
Publicado por: Luna em maio 4, 2005 11:48 PM
Pois é miga, a máscara ambígua da fortaleza!.. Mas nessa ambivalência, somos!
Muito bonita a forma como a descreves.
Beijo amigo.
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É mesmo isso. Nessa ambivalência, somos. Tenho uma coisa para ti. Não sei se já arranjaste ou não. Mando mail. Beijinhos
Publicado por: aguas de marco em maio 5, 2005 12:10 AM
Muito bonita a tua fortaleza, quando souber escrever vou construir uma assim...
Gostei muito!
Beijos fortes
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Ora, quando souberes escrever... Começa a construir, que sabes muito bem :) Beijos
Publicado por: Friedrich em maio 5, 2005 04:09 AM
Tantas vezes sou exatamente assim...
Beijo!
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Márcia, adivinhei que serias... Sente-se. Beijos
Publicado por: Márcia em maio 5, 2005 04:22 AM
fortaleza com exílio de ti? é por vezes necessário! mas não como cerco, quando se alcança o infinito na vertigem da paisagem, como bem sabes ...
beijo
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Não como cerco, não! Ficar refem de mim não tinha graça nenhuma... :) Beijo
Publicado por: manuel em maio 5, 2005 10:33 AM
O lado sensível de nós é sempre o lado mais forte de nós, mesmo quando isto pode parecer um paradoxo.
E tu és uma pessoa de imensa sensibilidade.
Um beijo, Alice
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Obrigada por pensares que sou assim. Beijos, Zé
Publicado por: zezinho em maio 5, 2005 12:40 PM
tantas vezes somos fortalezas, não nos mostramos aos outros, guardamos nosso eu nessas muralhas e aí ficamos. sem pensar, fazemos dessa fortaleza uma máscara e ninguem nos vê realmente porque estamos para lá das muralhas...
belo o teu poema, lique
beijito
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Pois é, linda, isso acontece. Mas às vezes apetece-nos esconder atrás das muralhas... :) Beijinhos
Publicado por: isa xana em maio 5, 2005 01:07 PM
Pois. Só que as paredes da "tua" fortaleza são feitas do mais brilhante papel de lustro... Bj
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Achas mesmo isso, Nanda? Não sei, não. Também tu tinhas que me conhecer para avaliar. :) beijinhos
Publicado por: fernanda em maio 5, 2005 01:18 PM
anda cá...
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Já vou.... :))
Publicado por: uma delas em maio 5, 2005 03:29 PM
Bravo.
Uma belíssima mulher. Lindo Ser humano, com uma sensibildade tão pura
deixo te um beijo e um abraço bem apertadinho
Rose**
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Rose que agora és Persephone, obrigada pelas tuas palavras. Gosto de te ver animada, lá no teu lindo espaço. Beijinhos
Publicado por: Persephone em maio 5, 2005 04:19 PM
é lindo e cheio de força este teu poema.
deixo-te um beijinho
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Obrigada. Beijinhos para ti, também
Publicado por: nina em maio 5, 2005 05:55 PM
Somos sempre, Lique, fortaleza e fraqueza de nós.
Beijos,
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Tens razão, passarinho. Somos sempre. Beijos, amigo.
Publicado por: yardbird em maio 5, 2005 06:09 PM
...eu só me faço assim..mais naum sou..tudo me atinge...bjus lique...
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E achas que a mim, não? Claro que me atinge :)) Beijos.
Publicado por: £å£i em maio 5, 2005 07:27 PM
{ ...
deixo-te um copy and paste: "que temporais, me arrastam [desviam] destas tuas palavras [macias] ; que dilúvio, me arranca [separa] da tua pura escrita [porto e abrigo] ; nem tempestade, nem ventos, nem alentos … [] ; nada me separa; desvia; arranca; arreda … []" © temporal
... }
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Coisa linda que são os teus copy and paste, os teus mimos, toda a beleza em que te desdobras! Obrigada. Beijos
Publicado por: temporal em maio 5, 2005 11:25 PM
belíssima foto. E as palavras, sendo tuas podiam der dela, da fortaleza, e do k imaginamos k uma fortaleza pensa. Bom fs. Bjs e ,)
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De facto, pode haver essa duplicidade de interpretação. beijos, amiga
Publicado por: TMara em maio 7, 2005 02:56 PM
o poema como sempre... como sempre. como alguém diria. a fotografia certa. mas o que mexe comigo é este sistema finesse de resposta a comentários :) bjks maninha
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Sistema finesse, olha agora! Parece-me o mais fácil, até para não me enganar e responder qualquer coisa que não tenha nada a ver com o comentário da pessoa :) Mas isto não vai ser sempre, não se habituem mal! :)) Beijinhos
Publicado por: ognid em maio 9, 2005 09:28 AM