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maio 11, 2005

No deserto

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Falas-me de oásis em que podemos descansar
matar a sede que nos toma na voragem dos dias.
Falas-me de momentos roubados em que a vida pára
de locais onde é possível haver intervalos no tempo.

Sei que os oásis são raros para a longa travessia
de um deserto feito de momentos iguais.
E na verdade o tempo não pára em lugar algum
apenas abranda e suaviza as afiadas arestas.

Por isso não me digas de oásis nem de tempo.
Fala-me da vida que nasce nos desertos
da beleza da planta que resiste e cresce
mesmo onde a água é escassa e o tempo árido.

Foto: Paulo Bizarro

Publicado por lique às maio 11, 2005 05:46 PM

Comentários

Fico tão feliz quando sou a 1ª a comentar que nem imaginas! Infantilidades... Faz-me lembrar a 1ª vez em que tive um comentário teu, até chorei de emoção... Mas eu queria dizer o quê? Hum... Ah! Que sou muito sensivel à beleza própria do deserto, o real, não o que pode emergir dentro das gentes.... Bj enorme. O teu deserto é lindo!

Publicado por: fernanda em maio 11, 2005 05:59 PM

é tão bom encontrar vida, nem q seja só uma réstea, no deserto! bjs para ti

Publicado por: ângela em maio 11, 2005 06:22 PM

...porque o "teu deserto" não é feito de facilidades, tem mais valor. Resistir e transformar da aridez, algo que se constrói de raiz, não é nada cómodo. Mas é o princípio geral da criatividade e tem a tua assinatura.
Obrigado por deixares partilhar.

Bertus, em missão de reconhecimento, algures no Saará.

Beijos e intés!!

Publicado por: porquinho da india em maio 11, 2005 07:51 PM

Sendo assim, talvez haja esperança aqui para esta minha terrinha!... :)

Publicado por: sotavento em maio 11, 2005 08:39 PM

No deserto de que falas há Vida ... a Vida que o tempo e a seca não conseguem corroer ou exterminar... Isso é a tua Força que te permite enfrentar as agruras e precalços do teu Caminho... Ainda bem que és assim! :)**

Publicado por: M.P. em maio 11, 2005 08:50 PM

Que belo poema Lique:) A vida no deserto é possível sim.) Bela foto. Muitos beijos:))***

Publicado por: wind em maio 11, 2005 08:53 PM

Ó lique.. é tão bom encontrar tanta vida nas tuas palavras

um abraço apertadinho**

Publicado por: Persephone em maio 11, 2005 09:08 PM

A vida é possível seja onde for... basta que haja amor, né? beijos querida.

Publicado por: Loba em maio 11, 2005 10:41 PM

Mesmo nos locais onde tudo é desolação, a vida consegue desabrochar!
Tens razão, não me fales dos oásis, fala-me antes dos desertos que são berço de muita vida.

Publicado por: Amaral em maio 11, 2005 10:46 PM

Não existe mais bela saudação à vida que a coragem das flores do deserto...
Lindo, Lique!!!
Beijinho

Publicado por: maria em maio 11, 2005 11:51 PM

É uma belíssima homenagem à vida e à ultrapassagem das dificuldades, este teu poema.
Um grande beijinho :-)

Publicado por: Dora em maio 12, 2005 12:15 AM

O deserto é lindo...para ver imagens e na televisão. mas eu prefiro os oásis seja do que for aos desertos...

Publicado por: saltapocinahs em maio 12, 2005 01:21 AM

Nem sei como dizer o monte de pensamentos para onde o teu poema me remeteu. Encadearam-se mil imagens, sobretudo quando caí de borco na última estrofe. Aí, não houve oásis que me salvasse...
A desenvoltura desse poema e um imenso Atlas a espreguiçar as vértebras dentro da minha cabeça. Nem sei se chore se agradeça.
Kisses, Mulher, plenty

Publicado por: MJM em maio 12, 2005 02:26 AM

Lique,
Voltamos às mesmices de nossas vidas sem nos apercebermos de que a luta deve ser sempre e cotidiana, e sem o torpor que nossas vitórias muitas vezes trazem. Gostei imensamente dos versos finais desta página, que nos alertam a isso:

"Hoje quero palavras novas
de cor rubra como os cravos
que em cada ano me enfeitam os olhos.
Palavras que voltem frescas e limpas
como voltam as flores que acordam gritos
numa nova madrugada."

Palavras que não se acomodam diante de um tempo ainda incômodo.
Belo seu Blogue.
Dunga

Publicado por: Eduardo Alexandre em maio 12, 2005 09:12 AM

diria deste teu belissimo poema : "este difícil amor". o que resiste à intempéries da alma...

bijinhos, amiga.

Publicado por: moriana em maio 12, 2005 01:28 PM

Gosto das flores que crescem no deserto! Criam raízes fundas! E são de cores vivas! Muito belo.

Beijo

Publicado por: manuel em maio 12, 2005 03:31 PM

Querida Lique
Mesmo no fundo da terra e no fundo mares se encontra vida. Mesmo que frio e deserto, sabemos que dentro de nós hibernam as sementes duma selva luxuriante.
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em maio 12, 2005 04:00 PM

E até mesmo no deserto há vida... :)
Mais um poema lindo. Beijo grande, doce Lique *

Publicado por: Cakau em maio 12, 2005 04:07 PM

Mesmo no deserto de todas as dificuldades há quem cresça e resista! Magnífico, lique!Um beijo para ti.

Publicado por: MWoman em maio 12, 2005 04:18 PM

fala de tudo, fala de vida até naquela que aos olhos dos outros parece não existir, fala do mundo, poesia, porque tudo cresce e vive, dentro de tudo, fala de tudo o que aí dentro se sente porque o coração não é mudo.


beijos

Publicado por: Carlos em maio 12, 2005 04:46 PM

Mesmo nas piores travessias de desertos, é sempre possível encontrarmos vida que desabrocha!
A tua escrita - que acompanho há muito - tem vindo num tremendo crescendo. Cada dia melhor.
Um Beijo Alice

Publicado por: zezinho em maio 12, 2005 04:57 PM

Eh pá, até me assustei. Quando li a primeira frase, pensei que era o Cavaco que te falava. :)

Publicado por: Fernando em maio 12, 2005 06:04 PM

Mais do que acreditar em oásis é importante acreditar na resistência à secura do mundo. Gostei muito, Lique :)

Publicado por: jacky em maio 13, 2005 12:04 AM

Olá Lique. No deserto sabe-se a Vida, no oásis sente-se. Muito belo o teu poema. Bjinhos

Publicado por: amita em maio 13, 2005 12:16 AM

E que este fim de semana seja um pequeno oasis! Bj enorme

Publicado por: fernanda em maio 13, 2005 09:56 AM

Pois, há sempre as miragens, Lique.
Gosto muito desta tua poesia :-)
Beijos

Publicado por: Yardbird em maio 13, 2005 12:55 PM

O que eu encontrei !

Deserto. Porque terei passado por aqui ?

Não me falem em flores do deserto. Por lá encontrei uma rosa, e por lá a perdi. Não era flor, nem era pedra. Era a minha rosa ... do deserto. Mas que não podia ser. Foi minha no sonho. Perdi-a ao acordar.


Pode crer que vou passear por aqui. Muitas, muitas vezes. Para insistir em não relembrar.

Beijitos. Milhões deles.

Publicado por: Dono da Lua em maio 29, 2005 11:48 PM

Esta imagem recorda-me alguns rios (oueds)que de rio só mesmo o nome, pois acabam por ser rios de areia e lama seca pelo sol e pelo vento, rios esses no deserto do Saara.
Nalguns deles, se perfurares a lama seca aind anecontras humidade e vida.

Podemos então, fazer um paralelismo com o ser humano, por vezes um aspecto seco por fora, mas com um interior fértil, em várias coisas.
É isto que penso quando sou confrontado com a tua imagem.

beijos

Bin

Publicado por: bin da fauna em junho 3, 2005 06:47 PM