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junho 13, 2005
Até sempre, poeta!

As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
As tuas palavras, escutamo-las nós. Até sempre, poeta!
(Nestes dias, vi desaparecer três pessoas que para mim eram, de alguma forma, referências. Tristes são os tempos em que aqueles que pensamos que não morrem, vão desaparecendo um a um. A obra fica, é verdade. E a minha saudade também.
A minha homenagem a Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal está aqui.)
Publicado por lique às junho 13, 2005 11:29 AM
Comentários
Há pessoas que não deviam morrer.
Beijinhos e boa semana.
Publicado por: NILSON em junho 13, 2005 12:13 PM
No teu último post sobre as palavras, pensei neste poema de Eugénio de Andrade. talvez não me lembrasse do autor, mas do poema.
Beijinhos tristes
Publicado por: madalena em junho 13, 2005 12:42 PM
Pois é amiga...a vida é feita de partidas...mas realemnte o nosso país perdeu 3 grandes homens que honraram o nosso país!
Bela homenagem a Eugénio de Andrade, bem merecida, são homens como ele, como Alvaro Cunhal e Vasco Gonçalves que nunca deviam ser esquecidos!
beijinhos e uma boa semana!
Publicado por: sandra em junho 13, 2005 02:08 PM
Fiquei tão triste... Um beijo daqui.
Publicado por: Márcia em junho 13, 2005 02:09 PM
Sinto o mesmo, minha amiga!
Beijos e um grande abraço.
Publicado por: ângela em junho 13, 2005 03:44 PM
Os homens, como tudo, são o que são. Valem o que valem. Pesam uns mais do que outros neste concerto da vida. Nós, aqueles que sobrevivemos, temos a obrigação da memória e o dever do testemunho.
É esta a homenagem que junto à tua, nestas incontornáveis referências à portugalidade. Neles, sim, a dignidade e o orgulho de ser português, aqui.
Publicado por: OrCa em junho 13, 2005 03:47 PM
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
[Eugénio de Andrade in Urgentemente]
A minha melhor homenagem é "cantar" os seus poemas, nesta língua que é a nossa Pátria.
Morreu um dos Poetas vivos, que eu mais gostava.
Mas fica VIVA a sua memória, no legado da sua palavra, bem Portuguesa.
Um abraço solidário, neste mês de Junho, em que perdemos 3 Homens que dignificaram o nome de Portugal.
Publicado por: Menina_marota em junho 13, 2005 05:41 PM
Lique como muito bem escreveste, a obra fica. Bela homenagem que lhes fizeste. Muitos beijos:))***
Publicado por: wind em junho 13, 2005 05:53 PM
Perdoem-me a indiferença mas...todos morremos!...Eugénio de Andrade teve muita sorte porque foi reconhecido o seu valor antes mesmo da sua morte, morreu a saber que as suas palavras não vão ser esquecidas...como um prolongamento à sua vida...e eu terei o privilegio de ler-lhe a vida em cada verso...=)...um bj**
Publicado por: Virgínia Pedras em junho 13, 2005 06:15 PM
Lique, semana passada comecei a preparar um post sobre Eugénio de Andrade e hoje tive essa notícia. Uma grande perda mas com certeza suas palavras jamais serão esquecidas. Brevemente estarei publicando o post sobre ele no LS. Beijos
Publicado por: Marcia em junho 13, 2005 07:23 PM
estamos, de novo, em época de fazer o luto por grandes pessoas que partem. belissimo este poema que escolheste.
Publicado por: ognid em junho 13, 2005 07:54 PM
Mesmo para quem não tenha outra fé,enquanto houver um vivo que os recorde, não morreram completamente.
:)
Um beijo.
Publicado por: pés descalços em junho 13, 2005 09:11 PM
{ ... assim nos deixam pobres de corpo mas ricos de alma © biquinha ... }
Publicado por: © biquinha em junho 13, 2005 09:18 PM
um beijo, apenas*
Publicado por: Persephone em junho 13, 2005 09:51 PM
Somos nós todos os portadores das suas palavras. Deixemo-las aos nossos filhos, aos nossos netos... Assim ficará sempre ao nosso lado,parte integrante da nossa cultura.
Publicado por: addiragram em junho 13, 2005 10:35 PM
Há uma geração consumida pelos anos, que mais tarde ou mais cedo nos irá deixar.
Subsiste a esperança que novos valores se erguerão, do facilitismo em que se tornou esta sociedade.
Publicado por: jgoncalves em junho 13, 2005 10:36 PM
Olá lique
Estas três mortes são muito relevantes na vida social, política e estética portuguesa. Jamais serão esquecidos.
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em junho 13, 2005 11:05 PM
Eugénio de Andrade é o meu poeta favorito. Claro que ficará no meu coração. São duros estes tempos em que as pessoas que muito nos dizem, mesmo se desconhecidas pessoalmente, partem para longe dos nossos olhares...
Publicado por: Dora em junho 13, 2005 11:23 PM
Sinto que perdi três pilares onde tenho suportado um pouco dos meus sonhos.
Utopias, ou talvez não, estes três senhores fizeram-me acreditar no poder do sonho.
Um beijo, Alice.
Publicado por: zezinho em junho 13, 2005 11:36 PM
Querida Lique
Três personagens que à sua maneira ficarão na história, sonhadores, políticos, artistas.
Um beijo
Daniel
Publicado por: Daniel Aladiah em junho 14, 2005 10:23 AM
Junto-me a ti. Bj grande
Publicado por: TMara em junho 14, 2005 01:05 PM
Paz às suas grandiosas almas. Fica-nos a Obra e o exemplo de Vida! Bj
Publicado por: fernanda em junho 14, 2005 01:19 PM
...três homens que tiveram encontro marcado com a história recente deste país e que e que os historiadores não poderão esquecer. O homem comum, não os esquecerá.Bem hajam!
Beijos.
Publicado por: Porquinho da India II em junho 14, 2005 02:19 PM
Ah então voltou! Tava com saudades, amiga!
Pois é... não nos acostumaremos à morte! Nunca! A perda sempre nos será onerosa demais! Beijos querida.
Publicado por: Loba em junho 14, 2005 04:23 PM
Gostei da visita que aqui fiz.
Parabéns pelo Blog.
Bjs
Publicado por: Isabel F em junho 14, 2005 06:13 PM
o poeta permanece na obra, imortaliza-se. descansou apenas. revivemo-lo a cada (re)leitura.
beijos, amiga.
Publicado por: moriana em junho 14, 2005 11:13 PM
Hoje fiquei pasma com um comm deixado pela Monalisa no Yardbird. E sem dúvida exprime este sentimento que parece termos em comum: o de que os há eternos em vida, mesmo antes de entregues à eternidade. Eu sou fã de Eugénio. E os imortais, são homens assim.
Kisses
Publicado por: MJM em junho 14, 2005 11:49 PM