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agosto 27, 2005

Barco abandonado

barco.jpg

Entre mim e a água
só o abandono dos homens.
Esqueleto ancorado no lodo,
restos dos dias do orgulho
de dominar o azul ondulante.
Entre mim e o céu
só vidas que desta se cansaram.
Não alcanço o espelho em que se vê,
não o toco no destino da viagem,
meu sonho perdido de navegar.

Passam outros, proa erguida sem olhar
que o abandono dói por o sabermos nosso
nalgum dia breve, nalgum tempo próximo.


Julho 2005

Foto: hana_le

Publicado por lique às agosto 27, 2005 06:41 PM

Comentários

>>Talvez convenha explicar que este post foi também escrito em Tavira e foi inspirado pelos vários "esqueletos" de barcos abandonados que se encontram no caminho de barco da cidade até à ilha. A foto foi tirada pela minha filha Ana que não é profissional mas desenrasca-se... :))

Publicado por: lique em agosto 27, 2005 07:01 PM

Gostei da foto. As tuas palavras são belas, como já (tão magicamente) nos habituaste:)

Beijos**

Publicado por: Persephone em agosto 27, 2005 07:23 PM


As palavras unem-se para se desdobrarem em música. Gosto mesmo de a ler!

Publicado por: addiragram em agosto 27, 2005 07:59 PM

Muito bonito este poema, Lique. É mesmo o abandono dos barcos. A foto ilustra-o muito bem:) Muitos beijos))***

Publicado por: wind em agosto 27, 2005 08:14 PM

O que viste sentiste e tão bem nos deste, ao olhar essa carcaça de barco, sinto eu quando olho os velhos nos bancos de jardim.

Quando o meu dia?

Beijos.

:)

M

Publicado por: rain-maker em agosto 28, 2005 01:14 AM

Gostei do poema, achei muito "puro" e trazia o sabor do meu Algarve.Parab+ens! Excelente domingo. Bjs

Publicado por: docerebelde em agosto 28, 2005 01:40 AM

Nos microcomos da Vida reflecte-se o macrocosmos do Mundo... Quantas "proas erguidas" por aí que são "putrefactos barcos" que nada valem e empestam tudo o que os rodeia!... :/**

Publicado por: M.P. em agosto 28, 2005 08:12 AM

"o abandono dói por o sabermos nosso
nalgum dia breve, nalgum tempo próximo"
Estes dois versos são dolorosamente deliciosos.
(Maria Rita em fundo, então!...)
Kisses de bom domingo

Publicado por: mjm em agosto 28, 2005 12:09 PM

"Entre mim e a água
só o abandono dos homens."

Esta é uma verdade, que não se aplica só aos barcos...

Este teu tão sentido poema, retrata por si só, o abandono, que tanto pode ser de barcos, como de pessoas...

Como eu gosto desta tua sensibilidade, tão calma, mas ao mesmo tempo tão pura e intensa.

Um abraço terno e um bom domingo...

(Parabéns à tua filha Ana. A foto é de uma verdadeira profissional. Senão te importas, vou "visitá-la") Bjs ;)

Publicado por: Menina_marota em agosto 28, 2005 12:57 PM

Belo poema. É mesmo: abandono é quase água, quase lodo, abandono é quase proa. Bjs.

Publicado por: Jane em agosto 28, 2005 09:56 PM

Belo poema, lique.
Não se tratará de um barco que perdeu a função por os marinheiros que nele se cumpriam terem perdido as graças do mar. Muito menos por hostilidad do mar. Um barco como aquele que descreves tão bem e que a foto evidencia deveria estar estacionado mas sem a resignação e a dor de tamanho abandono. Tratado e a cumprir uma função de recreio e educação de jovens...mas, nós por cá, continuamos a evoluir mal...
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em agosto 28, 2005 10:33 PM

O abandono dói e as tuas palavras dizem-no de uma forma tão intensa!
Um beijo.

Publicado por: Ana em agosto 29, 2005 12:14 AM

Lique, esse terceto final é fantástico.
Beijo grande daqui por ele. ;)

Publicado por: Márcia em agosto 29, 2005 12:23 AM

Haja alguém que escreva algo de jeito!

Mas cá para mim também só andaste a "trabalhar" em Julho e agora nada! E depois eu é que sou preguiçosa!
(um ano e qualquer coisa de convívio por aqui e já nos dá este à vontade para estas brincadeiras, se bem que eu não precise de tanto tempo!hehehe)

Tu andaste inspirada estas férias, mulher! Os ares do Algarve fazem-te bem!

Beijo grande e vou dormir (ai as horas!)

Publicado por: MWoman em agosto 29, 2005 01:51 AM

Lindo Poema, en sintonia con la image...guapisimo ! ahora me quede sin palabras :)
Besito

Publicado por: romero em agosto 29, 2005 11:12 AM

Querida Lique o teu post tá lindo mas transmite tanda mágua, o que se passa amiga?.
Um beijinho grande para ti

Publicado por: adryka em agosto 29, 2005 02:11 PM

Resta a memória de tempos em que o sonho foi concretizado e a esperança de que no futuro, possa voltar às águas, para matar a saudade. Um beijo, querida Lique :) *

Publicado por: Cakau em agosto 29, 2005 05:18 PM

lique, aqui estou de regresso :) lindas as fotos, belas as palavras. ler-te é um consolo para a alma, minha amiga.
beijos.

Publicado por: moriana em agosto 29, 2005 05:29 PM

lique, podes, por favor corrigir a minha homepage? por engano saltou (nem sei como veio para aqui parar!...) o endereço do orablogues, ai que o EL ainda me mata!

Publicado por: moriana em agosto 29, 2005 05:31 PM

De repente deu-me as saudades e voltei a ler isto tudo.
E lembrei os dias que passamos juntos, em amena camaradagem.
Fui ver as fotos.
Estás lá... parece que agora mais triste.
Ou sou eu que estou a perder a frescura dos meus olhos?
Um abraço amiga e madrinha.

Publicado por: josé gomes em agosto 29, 2005 07:18 PM

De regresso vim cá deixar-te um beijo.
Vou sp para tavira na páscoa e é uma terra sem duvida inspiradora ainda que tenha paisagens dessas.

Publicado por: Lina em agosto 29, 2005 07:27 PM

ao ver o barco lembrou.m a morte. assim num momento foi o que me veio a cabeca

o poema esta muito bem escrito, lique

beijito

Publicado por: isa xana em agosto 29, 2005 10:01 PM

Keridos Amigos

As férias terminaram...
...assim como um muro de areia
se desfaz... frente a uma onda... mais ousada.

o tempo passou
sem horários...
livre...
repousante...
um pouco dorido...
e
guloso.

não foram as melhores férias
...pois a saúde falhou um pouco
e
não ajudou
como deveria,
porém foi tão bom
estar junto dos meus deuses
que até o tratamento me pareceu mais leve.

devo dizer-vos
que senti saudades
das palavras
dos desenhos
das músicas
das imagens
a que todos vocês me habituaram
(principalmente
quando era castigada
pela imobilidade da medicação)
...mas...
para o ano
levarei comigo um portátil
que irei ganhar no euro-milhões...
... por esse motivo vou desde já começar
a lançar a sorte
e escolher os números.

Keridos
tudo isto para vos dizer
que não vos esqueci
e
para avisar
que a partir de hoje
vou perder
muitas horas gulosas...
a “fazer visitas”.

Beijux létinha.

Ps. desculpem ter usado a mesma
mensagem para todos...
mas não foi possível “personalizar”
.....................................
obrigada pelo “perdão”
.....................................
sois uns amores.

Publicado por: létinha em agosto 29, 2005 10:34 PM

>> Amigos, obrigada a quem leu e a quem comentou. Reconheço que o abandono, seja lá do que (ou de quem) for, não é um tema agradável de tratar,
Neste caso, agradecendo eu a quem se preocupou com a tristeza do post, a inspiração foi mesmo aquele esqueleto de barco abandonado. Aceito que se pode aplicar a outros abandonos.
Beijinhos e abraços para todos.

Publicado por: lique em agosto 29, 2005 11:54 PM

o teu poema está belissimo. mas hoje tenho de realçar a foto da hana_le :) gosto muito. e isto é o que dá passar tanto tempo sem ir a tavira. ela aproveita e adianta-se :)) bjks

Publicado por: ognid em agosto 30, 2005 09:02 AM

QUE GRANDE POEMA.
PARABENS E ESPANTO!!!
JCESAR

Publicado por: jota_ce em agosto 30, 2005 12:23 PM

"Entre mim e a água
só o abandono dos homens" - magnífico e pavoroso retrato de nós.

Grande, grande poema, Lique. E tanta a dor. Também se canta a ausência de "luz ao fundo do túnel". Nem sempre a esperança é o mote. Mas a denúncia do abandono é urgente.

Grande, grande poema, Lique!

Beijos

Publicado por: OrCa em agosto 30, 2005 12:24 PM

Quanta beleza nas palavras, quanta dor que por elas perpassa, quantas evocações que um barco abandonado pode trazer...

Publicado por: batista filho em agosto 30, 2005 02:20 PM

... diferentemente desse barco, sabes bem: sempre terás aqueles que se importam, sentem tua falta, vem em quando passarão por aqui, darão uma espiadinha - mesmo que não comentem -, à tua espera.
... diferentemente desse barco - tu.

Um beijo fraterno.

Publicado por: batista filho em setembro 8, 2005 04:16 AM