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setembro 23, 2005

Uma manhã

f907072.jpg


De manhã, parei junto ao portão e, à luz do sol, olhei de perto os cavalos que sacudiram as cabeças como se eu fosse um ser extraterrestre. Percebo aquele olhar altivo de narinas frementes. Devo parecer-lhes mesmo um alien e de uma espécie bem inferior à deles. Quem sabe o que se passa na mente de um cavalo?
Dei comigo a pensar que o que estragava o quadro era aquele portão fechado. Se eles fossem selvagens e independentes de qualquer outro ser, se pudessem correr pelo campo, sem portões, a minha felicidade podia ser completa só de os ver, brilhantes e tão absolutamente perfeitos.
Ideias estranhas nos podem invadir a mente quando pensamos em algo tão desejado como felicidade. Pensei que bastava a coragem de abrir portões, o deles e o meu. E correr como eles, absolutamente livre, ser talvez um alien para quem ficasse e para quem encontrasse. E daí? Tudo se resumia em correr livre à luz do sol…

Ah, pois, nada disto faz sentido. Foi só uma daquelas manhãs em que me senti extraterrestre aos olhos de um cavalo.

Foto: Luís Zilhão

Publicado por lique às setembro 23, 2005 09:10 AM

Comentários

Não faz sentido? Claro que faz! E muito!
Muitas vezes fazemos ligação de coisas que parecem muito distintas e na realidade não o são.

Também nós, muitas vezes, vivemos dentro de portões, que não conseguimos abrir.
E eles estão lá, ao alcance de um esticar de braço e dedos nossos.
A inércia priva-nos de correr em liberdade e ir em busca da felicidade, que vagueia "por aí".
Tal e qual como esses cabalos que viste logo pela manhã.
Mas eles precisam de ajuda para abrir o portão. E quem sabe nós também precisamos?

Um belo assunto para pensar... e conversar :)
Beijo grande, lique

Publicado por: Vulcão em setembro 23, 2005 10:10 AM

"Também nós, muitas vezes, vivemos dentro de portões...". Eu diria que sempre vivemos dentro de portões, uns mais pesados que outros.
E a fotografia é lindíssima, precisamente porque não nos mostra os portões.

Publicado por: S. em setembro 23, 2005 10:47 AM

Mas também se não se abrem os portões como é que se sabe?

HOJE fui ao ontem e mesmo sendo hoje não quis deixar de ontem te dizer qualquer coisita até porque o amanhã nunca se sabe

Publicado por: Papo-seco em setembro 23, 2005 12:17 PM


E eu fiquei deliciado com o texto. E acompanhei à distância, com um sorriso, essa desfilada... A tua e a dos cavalos. Beijos

Publicado por: manuel em setembro 23, 2005 12:18 PM

Faz sentido e muito:) Que corras livre como os cavalos selvagens!;))))) Linda foto. Muitos beijos:))***

Publicado por: wind em setembro 23, 2005 01:06 PM

Esta coisa das novas tecnologias é uma parvoíce! Agora os nossos portões só abrem com comandos à distância e a gente nunca consegue a distância suficiente para os accionar!... Para além disso, as correrias também cansam!... ;)

Publicado por: sotavento em setembro 23, 2005 01:14 PM

Que bom tornar a ler-te, minha querida.
Abram-se todos os portões, sobretudo os do coração!
Deixo-te um grande beijo doce e votos de ótimo fim de semana, cheio de liberdade :)*

Publicado por: Mitsou em setembro 23, 2005 01:31 PM

a blogosfera é um paraíso de descompensados :)
é ipressionante.

Publicado por: Luis O. em setembro 23, 2005 04:30 PM

Foi bom voltar a ler-te!
A liberdade é sempre um bom tema!
Um beijinho.

Publicado por: Ana em setembro 23, 2005 05:57 PM

Claro q as associações não são aleatórias. Sempre vão buscar com sentido o que anda a vagear num limbo; dar-lhes sentido é que por vezes é difícil.
Fizeste-me lembrar algumas, mas, com sentido, as guardo. Às tuas, porém, agradeço-as por me terem trazido as minhas - que egoísmo!... ;)
É muito bom saber-te aqui. Não vou referir os portões, ok? ;)
Big kiss, big woman

Publicado por: mjm em setembro 23, 2005 07:04 PM

Cheguei aqui de link em link....... Mas gostei do q li, e do q vi. Bjs e

Publicado por: mar em setembro 23, 2005 07:20 PM

Que bueno retorno ese :))) me quede muy feliz con tu vuelva. Siempre nos regalas con esas palabas guapisimas, esa imagen preciosa y una musica maravillosa !
Besito y bueno fin de semana :))

Publicado por: Romero em setembro 23, 2005 07:35 PM

Que bom ver que voltaste :)

Beijosssssssss

-deste post.....bem....fizeste-me.....:(
O momento q vive....era tudo o que queria sentir.....não que me ajudassem a abrir os portões...mas apenas que me deixassem eu mesma abrir-los.......e tratar de vida.....pois as vezes os outros que os encerram, para nos prenderem :(

Publicado por: um-beijo-salgado em setembro 23, 2005 07:39 PM

Pois pra mim faz muito sentido. E como faz!

Beijo de comecinho de primavera, Lique.

Publicado por: Márcia em setembro 23, 2005 08:54 PM

Hoje foi um cavalo que te fez sentir assim. Ontem foi um pássaro, pousado num fio, a qualquer momento podendo bater as asas e sumir... Antes de ontem, talvez, as nuvens, empurradas pelo vento, ou, quem sabe? - as ondas do mar, no seu eterno vai-e-vem... ## Belo texto, o teu. Muita sorte, a minha - poder te ler. Um abraço, amiga.

Publicado por: batista filho em setembro 24, 2005 02:25 AM

«Não faz sentido»....?????
Lindos e magníifcos seres esses. e este outros. Bjoca e bom f.s

Publicado por: TMara em setembro 24, 2005 08:00 AM

"...E daí? Tudo se resumia em correr livre à luz do sol…"

Claro que faz sentido... quando existem portões fechados, na nossa frente, tudo faz sentido...

Gostei da pureza do texto.

Um abraço carinhoso e bom fim de semana ;)

Publicado por: Menina_marota em setembro 24, 2005 10:00 AM

Querida Lique
Às vezes, sinto-me extra-terrestre em relação à nossa espécie...
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em setembro 24, 2005 01:25 PM

..."E daí? Tudo se resumia em correr livre à luz do sol…" - Gostei deste seu texto.

Publicado por: Maria do Céu em setembro 24, 2005 11:27 PM

... correr livre ...
Por vezes apetece, e muito.
Bjts.

Publicado por: Dono da Lua em setembro 25, 2005 01:01 AM

Lique,
Daqui das Americas vim ler este teu texto numm fim de tarde bem fresco, metido numa paisagem bem outonal.
Estou com a Sonia, na America, mas uma America diferente, rodeado de arvores, agua e uma calmitude que enche bem o meu coracao.
Aqui e ali ouco ruidos de animais, dos sapos, das aves.
Pena nao ver por aqui cavalos livres de grades e pessoas livres das suas doencas...
Hah pouco uma crianca autista que tah aqui no Campo pegou na minha mao e levou-me ateh ao carro onde ele costuma passear... e eu, impotente, por nao poder cmunicar com ele e nao ter a chave que o levasse para a sia liberdade...
Nao tenho a coragem da Sonia, sabes, Alice.
E fiquei triste.
Porque esta America nao eh a America que todos conhecemos...
Um abraco, minha amiga.

Publicado por: jose gomes em setembro 25, 2005 01:56 AM

que legal, ETs e cavalos, nesse meio termo, humanos.
bjos

Publicado por: Liliane em setembro 25, 2005 02:26 AM

Tive precisamente essa sensação quando fui à Coudelaria de Alter e estive a cinco centimetros dos cavalos... tão estranho...

Obrigada pela tua visita! Ainda bem que de vez em quando comunicamos. BEijinho.

:D

Publicado por: guevara em setembro 25, 2005 12:44 PM

Belo texto.
A projecção no cavalo das mais apaixonadas ideias de liberdade, fugosidade, altivez, elegância são pontos muito fortes de aproximação ao animal e de através dele sonhar. Há também um factor importante: deixando-se domar, uma vez ensinados, tornam-se vaidosos e deslumbram-se com os plausos. Quem não admira e se rende a isso?
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em setembro 25, 2005 02:06 PM

>>Bom, os cavalinhos já me olharam durante o tempo suficiente! :) E eu a eles, claro!
Obrigada a quem por cá passou. Beijinhos e abraços a todos.

Ah, descompensados da blogoesfera, não se preocupem, que o senhor (?) que comentou já teve a resposta.... :))

Publicado por: lique em setembro 25, 2005 04:39 PM

Descompensados da blogosfera, uni-vos!

Nunca esquecendo que os cavalos também se abatem mas recordando uma Inês de paixão à cova, permite, cara amiga, que te ajude a abrir esses portões ronceiros e enferrujados para que os cavalos galopem, livres...

Tenta, contudo, evitar as auto-estradas e algumas vias de acesso mais constrangido, pois as portagens, mesmo com via verde, tiram todo o romantismo à coisa.

Entretanto, belo texto...

Beijos.

Publicado por: OrCa em setembro 26, 2005 12:12 AM