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outubro 05, 2005
Memórias de Verão

Matisse, Femme endormie
Sesta
Lá fora parece só existir um som indistinto de pássaros e cigarras. Os normais ruídos da vida numa cidade abrandam ou distanciam-se, naquele concentrar de sentidos no calor do corpo e na dormência que o invade. Pairam no quarto aromas e sabores de mar, de sol, misturados com os perfumes familiares que ficam na casa em cada regresso da praia. Uma mistura complexa de champôs, cremes, água de colónia. Dentro dela, o silêncio, o total abandono à doçura do momento. O braço estende-se no lençol, como que tacteando a ausência. E, suavemente, o corpo entrega-se, rende-se e, envolto no calor da tarde, deixa-se deslizar para o espaço entre o sonho e a realidade.
Julho 2005
Publicado por lique às outubro 5, 2005 08:31 AM
Comentários
Gostei da tua ode à preguiça.
Cheia de imagens de um verão que teima em não acabar...
Beijinhos
Publicado por: NILSON em outubro 5, 2005 08:56 AM
A calma e serenidade que esta imagem e as tuas palavras provocam... senti-me flutuar com elas.
Um abraço terno e um feriado sereno ;)
Publicado por: Menina_marota em outubro 5, 2005 10:48 AM
:)Lique, sempre te visitei: sou a ângela, um pouco encoberta e amarga.
bjs
Publicado por: allegra em outubro 5, 2005 11:01 AM
Este texto, para quem estiver a ler com os sentidos todos aguçados, transmite uma imagem fiel da tua pessoa, não?
Gostei muito.
Aquele abração do
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado em outubro 5, 2005 11:10 AM
E eu cansada do verão.. tenho saudades da chuva e da trovoada.
Lindas palavras as tuas:)**
Rose
Publicado por: Rose em outubro 5, 2005 02:27 PM
Lique
sempre delicioso
um texto teu!
jibhux létinha.
Publicado por: létinha em outubro 5, 2005 03:44 PM
Amigos
a beleza e a simplicidade
das palavras,
do “jogo”...
deram origem...
a mensagens muito interessantes e belas.
a Maria,
a Dulce,
a Reverse,
a Carmem
e
a Wind
(que já terminaram as suao “obras”)
deviam ser premiadas,
não só pela participação
como...
pela clareza,
beleza,
harmonia,
ritmo,
e rico conteúdo que imprimiram
às suas mensagens.
para todas estas meninas...
”aquele” abraço...
amigos visitem estes blogues
por favor
QUE LINGUAGEM TEM O TEMPO QUE NÃO MORRE?
da Maria,
Além de Mim
da Dulce,
A outra face
da Reverse,
Eu Sei Que Vou Te Amar
da Carmem,
WebClub
da Wind,
..............e vejam se vos engano!
jinhux da létinha.
Publicado por: létinha em outubro 5, 2005 03:45 PM
Que crônica legal!... mas a poesia tá todinha aí! Um abraço.
Publicado por: batista filho em outubro 5, 2005 05:05 PM
E ainda há quem goste do Outono!... :|
Publicado por: sotavento em outubro 5, 2005 07:14 PM
Querida Lique
Consegues de forma doce levar-nos ao crepúsculo do sonho....
um beijo
Daniel
Publicado por: Daniel Aladiah em outubro 5, 2005 07:54 PM
Senti a preguiça de uma manhã "de não apetece fazer nada"através das tuas paavras,Lique!
Abri a janela e deixei entrar "aromas e sabores de mar, de sol, misturados com os perfumes familiares que ficam na casa em cada regresso da praia. Uma mistura complexa de champôs, cremes, água de colónia". Soube-me bem! Para trás ficaram os problemas, confusões, e tudo o mais que fere e desagrada! Obrigada pela manhã que me ofereceste! :)**
Publicado por: M.P. em outubro 5, 2005 08:39 PM
"Vê-se" o braço saido dos lençóis, tacteando...
Com sestas assim para quê desejar as noites?!...
Verdadeira poesia nesse corpo rendido.
Beijos
Publicado por: manuel em outubro 5, 2005 09:13 PM
Gostei muito do texto. Está muito equilibrada a relação entre o espaço ocupado e o desejado. Perfeito.~Bjs
Publicado por: jose duarte em outubro 5, 2005 10:52 PM
A leveza com que descreves o sentir profundo continua a encantar-me. Beijinho doce como tu, amiga.
Publicado por: Mitsou em outubro 5, 2005 11:10 PM
Adormecida e envolvida por uma aura de magia. Foi assim que me senti ao ler-te. Um beijo enorme, minha querida *
Publicado por: Cakau em outubro 6, 2005 01:29 PM
gostei de ler e de sentir
jocas maradas
Publicado por: susanagar em outubro 6, 2005 02:29 PM
Que texto delicioso!!! Apetece mesmo...perguiçar um tadinho, hummm! Jinhos
Publicado por: Sílvia em outubro 6, 2005 02:47 PM
E sabe tãããõoo bem... Bj
Publicado por: fernanda em outubro 6, 2005 04:18 PM
Lindo... duas belezas juntas, Matisse a encantar e tu a escrever.
Bj Vagabundo
Publicado por: Vagabundo em outubro 6, 2005 09:29 PM
Ai que maravilha. Quase me senti assim numa tarde quente a fazer uma doce sesta!
Beijinhos, lique.
Publicado por: MWoman em outubro 6, 2005 10:02 PM
Olá Lique. Muito doce e sereno este teu texto. Não sei porquê, lembrei-me de um excerto de um conto de Maria Isabel Barreno que transcrevo: "Quando Korê foi raptada para o mundo subterrâneo, por Hades, o da morte e do fogo, e também o dos metais, levou consigo o manto verde, até aí da vida, a partir de então da esperança. Da esperança porque sua mãe Demeter a ficou chorando e esperando, jurando trazer a vida à superfície...........Noutro reino, no mesmo onde caíram Adão e Eva, gastronomicamente faltosos, Branca de Neve, a dos alvores dubiamente invernosos ou místicos, apresta-se a comer a maçã envenenada, seio redondo da natureza madrasta. Materna na vida, madrasta na morte. ......O corpo de Branca de Neve é recusado à terra, e ela ressucita, não como Korê pelo amor de sua mãe, mas pelo amor de um príncipe, força masculina fecundadora e amante..felizes para sempre."
Talvez a sensação de felicidade deixada no ar pelo deslizar suave entre o sonho e a realidade me lembrasse este conto "A Primavera". Bjinhos, Lique, uma flor e uma excelente semana
Publicado por: amita em outubro 7, 2005 12:41 AM
esta é a verdadeira imagem do verao...
bjos
Publicado por: Liliane em outubro 7, 2005 01:23 AM
Momento de abandono em que o corpo ganha asas e que as tuas palavras traduzem bem.
Um beijo.
Publicado por: Ana em outubro 7, 2005 09:18 AM
senti esses aromas, esse torpor depois de momentos de sol passados na praia. foi o teu texto que me levantou memórias bem frescas ainda :)
beijinhos.
Publicado por: moriana em outubro 7, 2005 04:10 PM
sou tao preguicosa!! 'e bem capaz de ser eu deitada naquela cama sem se querer levantar!
beijito
Publicado por: isa xana em outubro 7, 2005 04:43 PM
>>Então e não sabe bem uma sesta após a praia? Recordações gostosas de um Verão que teima em não nos deixar, apesar do calendário dizer que é Outono. Obrigada por terem passado por aqui.
Beijinhos e abraços
Publicado por: lique em outubro 7, 2005 05:38 PM
:(
este ano não senti esse Verão.
mas guardo muitos na memória.
a ambiência q passas é mesmo a da sesta. ai.... q sono. (desculpa o bocejo) :-)
Publicado por: mjm em outubro 8, 2005 06:57 PM