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novembro 18, 2005

Canção para uma geração… ou várias?

elisregina8mo.jpg

Em 1976, Elis Regina tinha 31 anos e estava no auge da fama. O disco “Falso Brilhante” e o show que o acompanhou foram um êxito que parecia difícil ultrapassar. Desse disco fazia parte esta canção que, para mim, mais nova (não muito, não muito…) mas já com responsabilidades de casamento e filha, me pareceu a “cara” da minha geração. Curiosamente, cerca de vinte anos mais tarde, as minhas filhas emocionaram-se tanto como eu, quando a ouviram. Assim, deixo aqui a voz de Elis e a letra da canção para que possam dizer se, sendo embora uma canção datada, fala ou não das angústias dos jovens de várias gerações.

Como Nossos Pais

António Carlos Belchior



Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu 'tô por fora', ou então que eu 'tô inventando'
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
como nosso pais.

Canta: Elis Regina

Publicado por lique às novembro 18, 2005 12:02 AM

Comentários

Lique,
As grandes canções são intemporais.
Esta canção é um belo exemplo disso.
Bjs.

Publicado por: Art Of Love em novembro 17, 2005 11:38 PM

"é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem" - a Elis Regina a cantar e a enviar mensagens. Como tantos outros grandes, por esse planeta fora…

Publicado por: Amaral em novembro 18, 2005 12:56 AM

Há canções que perduram por muitos anos.
Eu ainda ouço com agrado muitas dessa época e dos anos 60. E a Elis Regina, nesta e noutras canções, mostra que o que é bom é intemporal.
Beijinhos.

Publicado por: Nilson em novembro 18, 2005 10:23 AM

a Elis, a gente não comenta: ouve.
obrigada. bjs

Publicado por: allegra em novembro 18, 2005 12:14 PM

...@miguinha eu não conhecia esta música...mas conheço outras da Elis e gosto da forma peculiar como ela canatava...agora encontro-a na voz de sua filha, Maria Rita...que tem um timbre parecidíssimo com o da mãe...


Tem um bfs.

Beijinhos.

Publicado por: Estrela do Mar em novembro 18, 2005 12:27 PM

Querida Lique
bela recordação...
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em novembro 18, 2005 12:40 PM

Intemporal, claro!... :)

Publicado por: sotavento em novembro 18, 2005 12:57 PM

e mesmo, Lique! Obrigada, amiga!

Publicado por: seila em novembro 18, 2005 01:06 PM

É por coisas assim que eu digo que há gente que não morre nunca.

A Elis está viva.

:)

Bjs BFS

Publicado por: pés descalços em novembro 18, 2005 03:06 PM

Elis! Elis! Elis! No fundo, no fundo, eh tudo uma questao de imprinting (entra a biologa de servico). Aprendemos com os nossos pais como amar, como viver, como partilhar, como julgar. Sao eles o nosso exemplo de adultos, entao eh natural que voltemos a ele quando a pressao de encontrar o nosso "eu" se minimiza e a necessidade de finalmente sermos adultos a serio se impoe. A cancao eh sobre uma geracao especifica, mas aplica-se em geral a todas as geracoes de pais e filhos, desde a Lucy caminhando no Olduvai Gorge, ate a Britney, futura mamae - e aposto que a diferenca de intelecto nao eh grande. Agora... porque eh que isso nos causa dor, nao sei?! Pelo sim pelo nao vou por-me ao fresco. Pode ser que com a distancia, a compreensao de que, apesar de tudo tudo tudo o que fiz, vivo como os meus pais, nao me cause dor mas sim alegria. Eles nem sao assim tao maus. ;)

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Oh bióloga, foi preciso pôr a Elis para dares à costa! Gosto dessa teoria, sobretudo se me explicares quem é a Lucy porque a Britney acho que ainda sei... ;) Até já!

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Para quem seguiu esta conversa, Lucy é, claro, a nossa longínqua antepassada Auatralopitecus afarensis...
Como se eu me lembrasse, neste contexto, de a comparar com a Britney Spears... :))

Publicado por: hana_le em novembro 18, 2005 03:28 PM

É a época da MPB que muito me marcou. Pena ela ter morrido prematuramente. Temos agora a sua filha Maria Rita. Seguindo as pégadas da mãe? Ainda não ouvi o CD dela.

Publicado por: Peter em novembro 18, 2005 04:29 PM

Elis, aqui a cantar para nós! Grande canção! "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos, como os nossos pais..." Beijo

Publicado por: Maria Papoila em novembro 18, 2005 06:31 PM

Geração de ouro

Elis é visita permanente cá da toca

Vou melhor para o fim de semana

fiz bem em passar por aqui

Publicado por: Papo-seco em novembro 18, 2005 06:34 PM

Bela recordação a que nos deixas! Voz, música e palavras!
Canção sem tempo!
Um beijo, Lique.

Publicado por: Ana em novembro 18, 2005 07:11 PM

adoro elis, sempre elis, amei ouvir
amei lembrar e relembrar e lembrar e fiquei aqui ouvindo e ouvindo
jocas maradas

Publicado por: susanagar em novembro 18, 2005 09:15 PM

O repertório da Elis, a emoção que colocava nas canções, são inolvidáveis.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em novembro 18, 2005 10:08 PM

Imperecível, no álbum de recordações que perpetua na nossa existência
a vontade de viver…

Publicado por: jgonçalves em novembro 18, 2005 11:06 PM

Um bonito tributo à Elis Regina, que bem se completa com a música de fundo. Beijinhos.

Publicado por: Maria do Céu Costa em novembro 18, 2005 11:43 PM

partilho o sentir k aqui expressa e continuo a sentir um arrepio aoouvir esta mulher, esta voz excepcioal, interpretando esta belíssima canção. obrigada por esta maravilhosa partilha. bom f.s Bjs e ;) d eluz e paz

Publicado por: TMara em novembro 19, 2005 10:22 AM

Elis será sempre uma referência e que é tão bom sp recordá-la.

Bom fim de semana

Beijoka da LIna

Publicado por: Lina (Mar Revolto) em novembro 19, 2005 01:43 PM

Se eu quero comentar?! o ontem?... quando achava que éramos capazes de mudar o mundo?... quando a guerra, que de "fria" nunca teve nada: Angola, Vietnan... as ditaduras, tanto cá, quanto aí - castrando gerações?... Elis, Elis, Elis!!! - retrato de uma época: apaixonada e apaixonante - recebe nas tuas palavras, Lique, uma bela e merecida homenagem. Um beijo, amiga.

Publicado por: batista filho em novembro 19, 2005 03:43 PM

ah, Elis er a fenomenal... e eu adoro essa musica, vc conhece Paralelas, tbm de Belchior? é linda.
bjos

Publicado por: Liliane em novembro 19, 2005 04:22 PM

que emoção enrar ver e ouvir Elis Regina, bela homenagem Lique
uma recordação sempre presente, comos gosto de a ouvir


beijinhos meus

lena

Publicado por: lena em novembro 19, 2005 04:46 PM

Assim não vale. Não era suposto ter lágrimas na cara, hoje.
Obrigado. JC

Publicado por: jota_ce em novembro 19, 2005 06:28 PM


Querida amiga,cada visita é uma surpreza e,sempre, sempre boa. Que bom irmos ao encontro do que mais gostamos e podermos,depois,dividir com os nossos amigos! Obrigada Lique.

P.S- amanhã, a propósito do post nº200 e, como é Domingo, vou dedicá-lo ao" Poeta Desconhecido". Porei uma foto( minha) entregando-a a todos aqueles que quizerem escrever a partir dela. Era bom poder contar com a sua visita...se quizer, é claro!

Publicado por: addiragram em novembro 19, 2005 08:21 PM

Elis Regina eres una grande cantante mismo :)
bueno fin de semana , Lique.Besito y bueno fin de semana

Publicado por: romero em novembro 19, 2005 08:52 PM

Lique

Elis Regina

É IMORTAL na sua obra... IMORTAL na sua voz - devolve-nos as emoções vividas - pois não se perdem no tempo - e estão sempre "naquela" voz que nos faz voltar... a (re)viver novas emoções...

Beijinhos

Publicado por: Betty Branco Martins em novembro 19, 2005 08:54 PM

A sua saga continua na filha apesar de ter estilo próprio! Elis Regina continua porém também como Artista no volátil do Tempo por outras gerações por aí fora! Bom fim de semana! Beijinho.. :)

Publicado por: M.P. em novembro 19, 2005 10:01 PM

Obrigada, Lique.Ninguém consegue cantar como ela.
Inimitável!Beijo e um bfs

Publicado por: Cris em novembro 20, 2005 01:43 AM

Belo belo ... adorei. Parabens. Beijinho bom domingo*

Publicado por: Lina em novembro 20, 2005 02:29 AM

lá vou eu tentar comentar de novo... já nem me lembro o que disse há bocado... hum... disse que nunca tinha prestado atençao às pelavras da música como prestei agora e disse que gostei muito, sim foi isso :)

beijito

Publicado por: isa xana em novembro 20, 2005 04:55 AM

"...Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração..."

...fiquei sem palavras, na comoção do momento.

Grata por esta partilha.

Um abraço carinhoso e um bom domingo ;)

Publicado por: Menina_marota em novembro 20, 2005 10:10 AM

Quem foi a Elis Regina? A fundadora dos famosos chocolates? Ah! Essa! Mas ela preferia o chocolate branco...

Publicado por: ugaju em novembro 20, 2005 11:30 AM

Há, assim, palavras que nos ferem como punhais. Nada meiga esta canção da excelente Elis, hino de alerta datado e, ao mesmo tempo, de projecção para o futuro, pela consciência social...

Veja-se o mundo, em nosso redor, e sente-se o premonitório desta canção.

Como se costuma dizer, um poema não muda o mundo. Mas por vezes muda o homem. E o homem pode mudar o mundo (... e deve!)

Fiquei a ouvir a Elis toda a manhã, repetidamente, enquanto me ocorre deixar-te um grande, grande abraço pela tua visita de ontem.

Publicado por: OrCa em novembro 20, 2005 11:52 AM

É bom recordar Elis Regina, não era só uma bela voz, mas acima de tudo uma grande intérprete.Um abraço

Publicado por: O OACIENTE PORTUGUÊS em novembro 20, 2005 12:51 PM

Que bom recordar aqui Elis Regina!!!
O que angustia é a constatação de que para além de tantas mudanças, algo de ancestralmente imutável subsiste em nós, sempre, para o bem e para o mal...
Beijo, Lique e bom resto de fim de semana :)

Publicado por: maria em novembro 20, 2005 01:20 PM

Canção para qualquer geração!

Um beijo, lique, e votos de um bom domingo.

Publicado por: MWoman em novembro 20, 2005 02:13 PM

Elis é fascinação!!!Para além da qualidade da música e de um timbre de voz que me envolvem há qualquer coisa nela que me prende,não explico,adoro ouvi-la!!!
Beijinho grande

Publicado por: margarida em novembro 20, 2005 06:48 PM

Foi bom ficar a ouvir a Elis.
Beijos

Publicado por: stillforty em novembro 22, 2005 07:04 PM

Tenho pena de não conseguir ouvir correctamente a música.Deve ser problema do computador que utilizo. Mas continuo a apreciar muito as palavras que leio por aqui... bjs

Publicado por: Ilhota2 em novembro 25, 2005 09:36 AM