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novembro 20, 2005
Vou-me sentar à janela

vou-me sentar à janela
a ver a vida lá fora.
os meninos do jardim
aquela mulher que passa
o homem que vai embora.
e eu sentada aqui dentro
com um vidro de permeio
vejo os risos que não oiço
sinto os olhos da mulher
presos na pressa do homem
que se cruza no passeio.
a rua é um mar de acasos
de vidas que não se sabem.
tento eu ligar os passos
em qualquer conto inventado
visto através da vidraça.
a chuva esconde os pedaços
da vida que está lá fora
e eu sentada à janela
olhando o que sonho dela.
Ilustração: daqui
Publicado por lique às novembro 20, 2005 07:24 PM
Comentários
já te disse q gosto de tudo o q escreves , e q as fotos q escolhes são spre maravilhosas.
já te tinha dito? acho q não? mas é verdade, é um prazer vir aqui ao teu cantigo, sempre tão lindo, tão terno, tão saudoso, tão belo
jocas maradas de gostar
Publicado por: susanagar em novembro 20, 2005 08:22 PM
ops cantinhoo
Publicado por: susanagar em novembro 20, 2005 08:22 PM
Tu deixa-te estar, não vás é p'rá chuva que ainda te constipas!... :)
Publicado por: sotavento em novembro 20, 2005 09:29 PM
Obrigada pela generosa contribuição para o " Aguarelas..." Já está em post devidamente ilustrado. Espero que goste! Um bj
Publicado por: addiragram em novembro 20, 2005 11:12 PM
Um excelente retrato de uma certa melancolia que os dias de chuva sempre se encarregam de envolver, de condicionar o nosso quotidiano.
Muito bom.
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em novembro 20, 2005 11:16 PM
É sempre bom poder estar-se à janela... sobretudo quando chove...
Publicado por: Casepagam em novembro 20, 2005 11:48 PM
Querida Lique
Todos temos a nossa janela quando vemos a pressa passar à nossa frente, num rodopio de vida, que já nem sei se é vida....
Um beijo
Daniel
Publicado por: Daniel Aladiah em novembro 21, 2005 12:35 AM
Gostei muito. è limitado eu sei, mas não consigo comentar poesia para além do gosto ou do silêncio ainda que goste.
Bjs.
Boa semana.
Publicado por: ferina em novembro 21, 2005 10:38 AM
Estar no quentinho do lar, com a família, e ver a chuva lá fora a cair é das coisas q eu mais gosto... :)
beijo e uma boa semana
Publicado por: mar em novembro 21, 2005 11:06 AM
O fio da poesia escorre até mesmo no quotidiano mais banal.Ter os sentidos despertos e captar a transfiguração da vida em poesia é o destino de poetas maiores. Como tu o sabes fazer. Gostei mto. Beijos
Publicado por: manuel em novembro 21, 2005 12:19 PM
Não gosto de me sentar à janela e ver a vida lá fora, como que a passar por mim. Prefiro estar lá fora e sentir a vida dentro de mim, mesmo que os sonhos me fujam e eu não consiga alcançá-los. > Um beijinho doce, minha querida *
Publicado por: Cakau em novembro 21, 2005 02:36 PM
Sabes Alice, hoje apeteceu-me sentar à janela...
Olhar o céu escuro, o sol que não apareceu, as aves que desapareceram, ouvir o uivo gélido do vento zangado.
É assim que estou a ler o teu post e a ouvir a música...
Mas continuo triste.
Com o coração mais escuro que o Tempo.
Um abraço.
Publicado por: josé gomes em novembro 21, 2005 03:00 PM
A vida está lá fora e está dentro de ti em cada sonho que sonhas.
É bonito o que escreves e fazes sonhar.
Um beijo, Lique.
Publicado por: Ana em novembro 21, 2005 03:46 PM
A vida que se vive para lá da janela que só nos é permitido vê-la sentados na janela, absorto da própria vida que nos consome na sua absorvente intensidade. Gostei muito! Beijos!!!
Publicado por: ferrus em novembro 21, 2005 04:23 PM
{ ...
deixo.te:
da janela [p1]
sinto as lágrimas nos beirados;
sinto o aroma da húmida noite;
sinto o tempo em silêncio;
sinto o cheiro da saudade
só não te sinto a ti...
as lágrimas correm-me na face.
© biquinha
beijos*mil
... }
Publicado por: © biquinha em novembro 21, 2005 11:23 PM
A janela é sempre um espaço de evasão. Gostei muito de toda esta noção.
Um beijo Alice
Publicado por: zezinho em novembro 21, 2005 11:30 PM
Que pintura extraordinária e que excelente casamento com as palavras. Como aquela tinta foi aplicada na tela! Há melancolia, mas a luz que entra pela janela.....
Publicado por: AntónioR em novembro 22, 2005 03:04 AM
Olá :)
Vem brindar connosco, vens? ;)
Beijinhos
Publicado por: Lina (Mar Revolto) em novembro 22, 2005 03:49 AM
Ai Alice como eu sinto o mesmo... com uma pequena diferença: a minha janela tem grades. Douradas. Mas sempre grades... bj querida
Publicado por: fernanda em novembro 22, 2005 01:16 PM
Olá amiga, belo o teu poema. Adorei. beijinhos
Publicado por: adryka em novembro 22, 2005 02:13 PM
Entrei no poema e sentei-me ao teu lado, posso? Belíssima ilustração! Gostei muito! Beijo
Publicado por: Maria Papoila em novembro 22, 2005 02:50 PM
A poesia não se comenta, dizem! Mas este pedaço, com versos feitos, sentidos, brotados do mais íntimo, é um pedaço de vida também, envolvida no véu das emoções mais vividas. Sentada à janela, o espectáculo exterior a ti, desmontando risos e lamentos, trouxeste o reflexo do palco para dentro de ti.
Publicado por: Amaral em novembro 22, 2005 02:57 PM
m.a.r.a.v.i.l.h.a !!!
quer em termos de construção, quer em termos de conteúdo/mensagem, quer em casamento com a imagem.
dizia-te tanto lugar-comum... e p'ra quê, se já me adivinhas?
(tempo e disposição associaram-se para boicotar a minha presença. desculpa.)
deste-me pretexto para postar algo que não é meu, mas que eu 'guardei' for a rainy day.. ;)
Kisses
Publicado por: mjm em novembro 22, 2005 04:38 PM
e a vida corre
e a vida passa
e quase não nos
permite um sentimento
"e eu sentada à janela
olhando o que sonho dela"
Publicado por: stillforty em novembro 22, 2005 06:57 PM
clap! clap! clap!
bravíssimo, Lique.
muitos beijos por ele.
Publicado por: Márcia em novembro 22, 2005 08:21 PM
belo esse sentar à janela que fez com que eu me sentasse aqui no teu blog e saboreasse cada verso teu
beijinhos meus
lena
Publicado por: lena em novembro 22, 2005 10:00 PM
Ás vezes, sabe bem.
Hoje, no Peciscas,divulgam-se as listas de mandatários e a Comissão de Honra|
Publicado por: peciscas em novembro 22, 2005 10:48 PM
Pois eu de vez em quando também me sento à janela e gosto! Sobretudo quando chove lá fora! É mau não? ;)
Beijocas.
Publicado por: MWoman em novembro 22, 2005 11:58 PM
A tua veia cronista, no teu melhor!... quanta intensidade colocaste em cada palavra. Pesadas e pensadas na balança do "escrevo porque sou página e pena, porque penso e sinto...", essa janela é mágica! Um beijo.
Publicado por: batista filho em novembro 23, 2005 12:47 AM
Lique
A beleza... do teu poema...
No teu olhar
a paisagem se prolonga
como se ninguém visse
tudo
ou quase tudo
vai guardando
a identidade das coisas
geometria
que sob um céu
e a simples passagem
dum pássaro
vai desenhando
a luminosidade
dos horizontes.
Beijinhos
Publicado por: Betty Branco Martins em novembro 23, 2005 01:43 AM
Como tu sabes olhar pela janela...
E passar para o papel... gostei imenso desse teu olhar. Continua (sentada, de pé, deitada...) porque ler-te é sempre uma ocasião especial.
Beijinhos.
Publicado por: Nilson em novembro 23, 2005 01:08 PM
bonito esse olhar daqui (escrito)...
beijo
Publicado por: Carlos em novembro 23, 2005 01:34 PM
Desculpa sentar-me aqui contigo... mas fico silenciosamente a ler-te, porque adoro a tua escrita. Já te tinha dito?
"...a chuva esconde os pedaços
da vida que está lá fora..."
perfeito.
Um abraço carinhoso ;)
Publicado por: Menina_marota em novembro 23, 2005 03:58 PM
...querida Lique...que bela descrição do que vai na rua...aos nossos olhos sem darmos conta...mais um lindo poema teu...
Beijinhos.
Publicado por: Estrela do Mar em novembro 23, 2005 06:12 PM
Olha. para que tar triste? tamos a organizar uma viagem a Ibiza, queres vir? aquilo é mt giruuuuuuuuuuuuuuuuu!
bjs
Publicado por: Maria do Céu em novembro 23, 2005 06:28 PM
1 belo poema de maturidade.Bom restinho de semana e bj de luz
Publicado por: TMara em novembro 24, 2005 05:56 PM