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dezembro 11, 2005

Natal, hoje

emothercalms.jpg


Jesus hoje
num qualquer canto do terceiro mundo.
Reis, não terá em adoração
talvez algum chefe da guerrilha
se comova com o choro daquele frágil ser.
Mais um miúdo, afinal, para morrer cedo.
Pastores, talvez
que ainda os há, de olhos doridos
e mãos sem ofertas.
A vida depende das contas bem certas.
Menino com fome, doenças
fugindo das minas, das bombas, das balas
dormindo ao de leve, sem sono profundo.
Se o avião que passa não acertar na gruta
se outra guerrilha não olhar o pardieiro
se escapar à doença
se encontrar comida
dirá a mensagem ao mundo inteiro.
Não terá apóstolos, chega a televisão.
Expulsará os vendilhões
que lhe infestam os templos
políticos, lobbies, multinacionais
e outros que mais.
Dirá:
Amai-vos uns aos outros!

E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia
como naquele tempo
em que, com estrela, reis e pastores
num pequeno estábulo de Belém
um natal de esperança acontecia.


Foto daqui


(Este poema foi escrito para as Noites de Poesia em Vermoim com o mesmo tema e já foi publicado no blogue Movimentum II )

Publicado por lique às dezembro 11, 2005 07:22 PM

Comentários

que texto lindo... parece que o mundo n mudou, Jesus tbm foi perseguido e rejeitado, como mtos hj em dia.
bjoks

Publicado por: Liliane em dezembro 11, 2005 08:18 PM

Tão dolorosamente bonito que arrepia!!!
Não tenho mais palavras, só um beijo e desejo de boa semana :)

Publicado por: maria em dezembro 11, 2005 08:29 PM

Claro que quero comentar:
Que Deus te dê tudo que mereces, mulher.

Um abraçao do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em dezembro 11, 2005 08:40 PM

Comentei já este poema no blog Movimentum II. Mas aqui deixo um beijinho pela bonita selecção.

Publicado por: Maria do Céu Costa em dezembro 11, 2005 09:33 PM

Minha querida amiga, este poesa tem muita revolta, e tem muita verdade mas a essencia dele é que na terra para alguns viver com excessos outros terão de morrer de fome, para ums viver em grandes palácios outros vivem em contentores, para uns deitar fora o útil outros vivem como pedintes, é tudo culpa da soberba, da ganancia do homem, Deus colocou-nos no mundo, não decide somos nós que decide tudo. Lamento tuas as dores do mundo, embora eu me inclua também no canto dos que sofre, pelo menos de solidão e falta de afecto, mas amargurada isso nunca. Beijinhos

Publicado por: adryka em dezembro 11, 2005 10:31 PM

Acabei de o ler no Zé Gomes e ainda estou comovida pela força dele!

A escolha da imagem não poderia ser mais adequada.
Grata pela tua partilha.

Um abraço carinhoso ;)

Publicado por: Menina_marota em dezembro 11, 2005 10:43 PM

Sem mais comentários, por desnecessários.

Beijos.

Publicado por: OrCa em dezembro 12, 2005 12:14 AM

Continuamos na esperança que o Amor e o Perdão possa reinar no coração do homem.
Beijo grande

Publicado por: Isa em dezembro 12, 2005 01:36 AM

"E morrerá assassinado num qualquer buraco
que amor é palavra punida hoje em dia"...

Se o mundo fosse nosso...seria o melhor dos mundos...

Bj**

Publicado por: Luís em dezembro 12, 2005 01:48 AM

Pois é, Lique, o triste é mesmo teres conseguido um poema intemporal.
Quem dera que o não fosse!

Este ano nem falo de Natal. Não por vergonha do Homem cujo nascimento se celebra, por vergonha de nós.

Bjs. Tudo de bom.

:)

Publicado por: paper life em dezembro 12, 2005 11:21 AM

Pois... os natais e coisas que tais... :|

Publicado por: sotavento em dezembro 12, 2005 12:10 PM

Os inconformistas pagam sempre um preço pelas ousadias que cometem.
O teu poema é uma realidade, bem escrita.
Beijinhos e boa semana.

Publicado por: Nilson em dezembro 12, 2005 01:18 PM

Oiro, incenso e mirra no teu poema...

Belíssimo como uma noite estrelada. Beijos

Publicado por: manuel em dezembro 12, 2005 01:56 PM

Que este teu POEMA de NATAL acorde consciências para esta triste, dura e negra realidade de sempre! UM BEIJO

Publicado por: Maria Papoila em dezembro 12, 2005 02:34 PM

verdade, Jesus revive em cada criança. desprotegida, acarinhada, sofredora. em todas elas. e porque não ontem ou hoje, o Natal? não o quero vinculado a 25 de Dezembro, quero-o sempre. mas isto é o que eu quero...
beijinhos, amiga.

Publicado por: moriana em dezembro 12, 2005 04:08 PM

São os tempos de hoje, são as sociedades que nos legaram os nossos antepassados, mercê de crenças impostas por religiões organizadas, com intuitos duvidosos e apelativos a "amai-vos uns aos outros!"…
A construção da humanidade da maneira como está a ser conduzida, não leva ao amor do ser humano um pelo outro. Basta escutar ao que acontece por esse mundo fora… Terá de surgir uma nova mentalidade para que o comportamento humano sofra uma mudança!...

Publicado por: Amaral em dezembro 12, 2005 05:50 PM

minha crida, já lera o poema no Movimentum. E um belo poema. Forte e verdadeiro sobre um dos males do mundo( afalta de amor e de respeito pelos epovos e entre eles). Recebi um email dizendo k o teu blog foi eleito o blog do dia. Parabéns. São merecidos.Por cá nos vemos. Boa semana. Bjocas de luz e paz

Publicado por: TMara em dezembro 12, 2005 09:21 PM

Eu já comentei o Poema lá no Movimentum II onde ele foi publicado! LINDO e de INTERVENÇÃO!
Tudo o que lá se diz é a imagem de um mundo atordoado e louco quiçá em fim de uma era civilizacional.
Mas. .. agora quero deixar-te os meus PARABÉNS pelo DESTAQUE tão justamente MERECIDO num jornal de grnade tiragem da minha "tripeiríssima" terra! Beijos

Publicado por: M.P. em dezembro 12, 2005 09:25 PM

Bem... grande poema! E aqui dizes tudo sobre esses (tantos) que tiveram o azar de nascer fora do (dito) mundo desenvolvido. E PARABÉNS pela distinção do DN. Merecida :) bjks

Publicado por: ognid em dezembro 12, 2005 09:35 PM

Querida amiga,
Parabéns pela distinção do DN, mais que justa.
Quanto ao poema já o disse em Vermoim, já o postei no Movimentum... é pena 2000 anos e tal as tuas palavras continuaram actuais.
Parabéns, amiga.
Um abraço.

Publicado por: josé gomes em dezembro 12, 2005 09:49 PM

E é um poema que trata muito bem a exclusão social, a miséria e o abandono a que são votados muitos inocentes por haver sempre um pretexto estúpido, a guerra, a usura, tanta porcaria sobejamente conhecida.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em dezembro 12, 2005 10:25 PM

Tive q fazer uma pausa para recuperação. Por inúmeros motivos. O maior deles sendo por estar bem escrito, senão, nada tinha acontecido - certo?
Esta época destrói-me. É irremediável.
--
Sorri contigo por essa menção do DN! Essa coisinha do orgulho tb me mexeu aqui dentro, Lique. Lamechas que eu sou, ó gentxi! :-)
Pega lá muitos kissinhos, anda

Publicado por: mjm em dezembro 12, 2005 11:50 PM

Que poema lindo, Lique!
e os meus PARABÉNS!!! sabe sempre bem e tu mereces! Um grande abraço!

Publicado por: seila em dezembro 13, 2005 12:22 AM

Passei só para te dar Parabéns pelo destaque merecido.

Beijos, Lique.

:)

Publicado por: paper life em dezembro 13, 2005 12:31 AM

Querida Lique
Tempo de renovação e querer continuar a acreditar que um dia será diferente.
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em dezembro 13, 2005 10:28 AM

Sem palavras e profundamente sensibilizada. Um texto arrepiante, devo dizer. Aplaudo. Um beijo doce, amiguinha *

Publicado por: Cakau em dezembro 13, 2005 02:20 PM

Sinto-me contemplado pelos comentários que me antecederam... e se há algo mais a acrescentar de minha parte, é tão somente dizer: grato! - por conseguires traduzir tão bem o que me vai n'alma.

Publicado por: batista filho em dezembro 13, 2005 02:49 PM

Esse menino agrada-me, embora lhe lamente o futuro e me angustie o presente. Parece que a paciência também é revolucionária. Mas sinto em mim cada vez menos paciência para isto.

Fiquei feliz por te ver no meu «salão de baile»! rsrsrs
Bjs

Publicado por: Samartaime em dezembro 13, 2005 03:49 PM

Foi postado lá e aqui e deveria ser postado em toda a blogosfera pela mensagem que nos traz.

Beijo grande, Lique

Publicado por: Lina (Mar Revolto) em dezembro 13, 2005 07:24 PM

Dos poemas bons, mas bons, que tenho lido, Amiga!
Ai! Quanta gente devia ler tudo isto! Mas LER!
Aplaudo-te de pé!

Publicado por: Cris em dezembro 13, 2005 08:08 PM

Desculpa, mas fiquei emocionada para comentar...foram-se as palavras. Eu sou católica praticante e fiquei a pensar...fechei os olhos nas conclusões.

Publicado por: Vera Cymbron em dezembro 13, 2005 09:02 PM

belo poema.... esperemos que seja diferente.
jocas maradas

Publicado por: susanagar em dezembro 13, 2005 10:21 PM

Hoje como há 2000 anos mantêm-se as injustiças, a fome, a pobreza. Os pobres como simbolo e o consolo da esmola para quem muito tem. A fé como esperança última. Gostei. Há uma parte de nós que resiste ao comodismo, à indiferença.
Quanto ao DN,merecido. Um beijo agora e outro por... há umas horas atrás:)

Publicado por: encandescente em dezembro 13, 2005 11:03 PM

>> AMIGOS: hoje quero agradecer a todos os que, durante mais este ano, por aqui passaram, comentaram, deram achegas por vezes mais pertinentes que o próprio texto. Aos que se mantêm, neste caminho que já me parece bem longo, aos que por esta ou aquela razão desapareceram da blogoesfera ou se afastaram daqui. A todos, sem excepção. Porque têm sido o melhor, o mais gratificante desta aventura.
Agradeço também a todos os que me felicitaram agora por aquela menção no DN que tem obviamente uma importância relativa mas que me deu prazer, como é lógico.
Vou fazer um pequeno intervalo ( a filhota vem aí...) mas espero passar nos vossos espaços para vos dar as Boas Festas.
Até breve e sejam felizes. Beijinhos e abraços.

Publicado por: lique em dezembro 14, 2005 11:22 AM

Lembras-me o mundo em que vivemos!
Um beijo

Publicado por: Dono da Lua em dezembro 16, 2005 11:55 PM