« Poemas de Manuel Filipe | Entrada | Fugir »

janeiro 07, 2006

Olhares (gravados em mim)

IMG_502.jpg


O olhar de súplica da criança esfarrapada.
O desencanto nos olhos sem brilho dos velhos solitários
O olhar revoltado dos que sofrem injustiças inesperadas
Os olhos de aceitação dolorida dos que só esperam injustiças
O olhar sem vida das mulheres que a abandonaram no percurso
A desilusão nos olhos daqueles que ainda se decepcionam
As múltiplas tristezas pintadas nos muitos olhares de todos os dias

O olhar cristalino das crianças felizes
A sabedoria nos olhos dos velhos que a podem transmitir
O olhar de luta dos que acreditam no seu poder colectivo
O desafio nos olhos dos que acreditam no seu poder individual
A radiosa alegria nos olhos das mulheres que descobrem a vida plena
Os olhos de ilusão daqueles que todos os dias acreditam
Todas as alegrias de um dia reflectidas num só olhar


A humidade da ternura nos teus olhos quando somos o que queremos ser
O véu de tristeza no teu olhar de adeus, como se cada vez fosse a última.


Foto: Laura Sina, These are the last tears

Publicado por lique às janeiro 7, 2006 04:16 PM

Comentários

Olá Lique

Verdades... e que verdades um olhar nos diz!
Neste teu "sentido" poema.

Um olhar
uma doce lágrima que desliza
Esperança!
sempre...
nascente

Beijinhos

bfs

Publicado por: Betty Branco Martins em janeiro 7, 2006 05:26 PM

Não tem nada a ver mas, há pouco, algures, um senhor fez 108 anos e foi notícia. Sabes o que me impressionou? Os olhos... tinham a frescura azul de um bebé!... :)

Publicado por: sotavento em janeiro 7, 2006 09:37 PM

Nos olhares de cada um podemos saber quase tudo o que é preciso saber. bjks

Publicado por: ognid em janeiro 7, 2006 09:41 PM

De olhos nos olhos lê-se Alma e fala-se coração! BOM fim de semana!**

Publicado por: M .P. em janeiro 7, 2006 10:22 PM

Gostei sobretudo do contraste de semelhantes olhares.

Olhos e Vida.

Bjs Lique.
BFS :)

Publicado por: paperlife em janeiro 8, 2006 12:02 AM

há olhares terríveis, k nos perseguem pela vida fora como k lembrando k + alguma coisa poderia ter sido feita. E nós sem sabermos como,Impotentes mesmo...
Aproveito para anunciar o nascimento da Amla e do
FRAG(mo)MENTOS
bjocas e bom domingo ;)

Publicado por: TMara em janeiro 8, 2006 12:48 AM

é só uma expª a ver se acita com o novo endereço. bjocas

Publicado por: Amla em janeiro 8, 2006 12:50 AM

soueupois: Amla, Tmara. Amla, a recém nascida e o seu blog FRAG(mo)MENTOS
Bjs de luz e paz para este domingo amiga.

Publicado por: Amla em janeiro 8, 2006 09:34 AM

E, no entanto, o poema desliza sereno e majestoso, como cisne abrindo reflexos nas águas serenas. Talvez pela lucidez de quem sabe que há sempre um olhar reinventado em cada olhar, não de adeus, mas de "apartamento de olhos"...

Gostei muito. Beijos

Publicado por: manuel em janeiro 8, 2006 10:49 AM

Um lindo poema, que em versos perfeitos fica a mostrar o poder do olhar. Tão bom relembrar quando ele se faz terno, apaixonado, como uma carícia na alma... e tão doído, machucado, sofrido, quando nos acena um adeus de quem parte prometendo não mais voltar... Ah, esse adeus de quem fica querendo partir... de quem parte, querendo ficar! Deixo um beijo e um afago, com carinho, e os votos de um domingo de olhares doces, risonhos, felizes.

Publicado por: Mily em janeiro 8, 2006 12:18 PM

O coração e os olhos
são dois amigos leais
quando o coração está triste
logo os olhos dão sinais

Um @bração do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em janeiro 8, 2006 12:38 PM

a frase batida de que os olhos são o espelho da alma está muito bem descrita nas tuas palavras. Impressiona o olhar dos velhos abandonados que denota a tristeza de uma vida passada em prol de outros que já não têm lugar nas suas vidas para os que os antecederam.
Emociona o olhar puro e inocente de uma criança que descobre aos poucos o mundo que a rodeia, ainda magico e cheio de fantasia.
Muito bonito o teu poema
Um abraço
Zica

Publicado por: zicacabral em janeiro 8, 2006 04:20 PM

há olhares que me tocam, que conseguem falar comigo,
consegui ver muitos olhares no teu poema e todos eles especiais, olhares com cheios de poder, profundos e que nos tocam

beijinhos, muitos

lena

Publicado por: lena em janeiro 8, 2006 05:31 PM

Olá Lique, "...nada mais delicado que o tecido do olhar, que é sempre um nascimento e como um navio, equilibra a substância das coisas..." Beijo

Publicado por: Maria Papoila em janeiro 8, 2006 06:43 PM

Este é o tipo do poema que chamo de piscianamente belo! Qta sensibilidade, moça! É o poema que eu gostaria de ter feito!
Beijos muitos

Publicado por: Loba em janeiro 8, 2006 08:43 PM

o olhar que tudo diz
beijinhos doces*

Publicado por: Rose em janeiro 8, 2006 09:47 PM

Diferentes olhares, o mesmo sentir.
Um beijo para ti, Lique.

Publicado por: Ana em janeiro 9, 2006 12:43 AM

Querida Lique
E o olhar brilhante dos apaixonados...
Um beijo
Daniel

Publicado por: Daniel Aladiah em janeiro 9, 2006 01:08 PM

Não se diz que os olhos são o espelho da alma? Os olhares, dizem-nos tanto... e às vezes somos incapazes de os decifrar. Falta-nos a atenção.
Um beijinho grande e boa semana *

Publicado por: Cakau em janeiro 9, 2006 04:38 PM

A Maria da Paula Oliveira encanta este post. Olhos abertos numa alma desperta. O olhar de tudo o que é, aqui e ali, ao nosso redor. São olhares que nos dão tudo…

Publicado por: Amaral em janeiro 9, 2006 08:00 PM

e tão co nos/os olhamos...olhando...

Publicado por: seila em janeiro 9, 2006 08:03 PM

o que custa é esse momento, em cada momento do encontro, a despedida. o olhar, a angústia. inexplicavelmente dorido.
beijinhos, lique.

Publicado por: moriana em janeiro 10, 2006 12:44 AM

No silêncio das palavras, fala alto o olhar.

O teu, querida Lique, encanta-nos sempre pela ternura e lucidez que nele escutamos.

Beijinhos, amiga, e uma óptima semana

Publicado por: Mitsou em janeiro 10, 2006 01:14 PM

Bela a imagem, belas as palavras.

Curiosamente os meus posts recentes também têm profusão de olhares como título. No entanto as humanidades são outras. Não são de raça, como as tuas, com tanta beleza....

ESta é a humanidade que nos pára a garganta e humedeçe a Alma.

Beijinhos

Publicado por: AntónioR em janeiro 10, 2006 08:11 PM