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janeiro 03, 2006
Pedra

hoje sou pedra
nada me move
me incomoda
ou me comove.
duro granito
parado algures
ténue limite
entre o horizonte
e o infinito.
digo: sou pedra
e espero o vento
sobre as arestas
sopro de gelo
um corte lento.
direi: sou pedra
e sei que minto
um toque leve
mesmo de acaso
tudo desfaz.
restam partículas
um ser difuso
a visão breve
da dor que sinto.
Foto: José Angel Mintegui Bilbao
Publicado por lique às janeiro 3, 2006 10:16 PM
Comentários
Estou numa corrida... O teu poema é belo e sofrido.
Entretanto e além da mensagem que já te remeti por outras vias, aqui fica um lembrete:
Desculpa o incómodo, mas hás-de ver se o meu desafio no Sete Mares te interessa.
Beijos.
Publicado por: OrCa em janeiro 3, 2006 11:16 PM
É bom começar o ano a ler a tua poesia.
Beijos
Publicado por: stillforty em janeiro 4, 2006 12:52 AM
Saiu mal o endereço :)
Publicado por: stillforty em janeiro 4, 2006 12:53 AM
Há dias assim. Em que somos pedra e água...
Muito belo! Bom Ano...
Beijos
Publicado por: manuel em janeiro 4, 2006 12:26 PM
Muito sofrido mas LINDO!
Um @bração do
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado em janeiro 4, 2006 12:47 PM
(passo para te deixar um beijo que te leve alguns raios de sol neste dia frio. estou sem computador em casa e aqui é tudo muito a correr. leio apenas. mas deixo-te o tal beijo :) )
Publicado por: lyra em janeiro 4, 2006 02:54 PM
Que belo poema Lique! Envio-te esta minha receita para a angústia...
R/.
Esta angústia está cada dia
(quem diria…)
menos digestiva
Tome-se um pouco de areia,
e água, em quantidade certa.
Mastigue-se bem.
Conforme o estado geral
da situação digestiva do momento,
aumente-se,
(gradualmente, ou não)
as doses de areia e água,
até ficarmos nós mesmos
um corpo,
inteiramente mineral.
Beijo
Publicado por: Maria Papoila em janeiro 4, 2006 04:04 PM
Ai, que pedrinha mai linda!... ;)
Publicado por: sotavento em janeiro 4, 2006 04:30 PM
Por vezes temos que ser pedras, duras...
:) Que linda foto.
Um excelente 2006 recheado de paz, saude e amor
Rose*:)
Publicado por: Rose em janeiro 4, 2006 04:35 PM
O teu poema é dolorosamente belo!
Para ti o melhor em 2006!
Um beijo da Lina
Publicado por: Lina (Mar Revolto) em janeiro 4, 2006 05:00 PM
olá que bom ter-te de volta:)) o poema é lindo, apesar da tristeza.
jinhos fofos
Publicado por: Isa em janeiro 4, 2006 05:01 PM
Olá Lique
É belo o teu poema
Na dureza da pedra
também se sente o toque -liso e macio... essa, a dor obstante do sentir
tudo desfaz
em pó...
Beijinhos
Publicado por: Betty Branco Martins em janeiro 4, 2006 08:07 PM
:) :) :)
Bjs
Publicado por: paperlife em janeiro 4, 2006 09:06 PM
Choramingas. Lololol... Eu nao te chamaria pedra, mas uma rocha, solida e estavel, com quem posso sempre contar, sim. Ja agora fica aqui a minha pergunta estupida: porque eh que dizemos que somos fortes como uma rocha e frios como uma pedra? Porque nao fortes como pedra e frios como rocha? Ou isto ja eh de estar a fazer arrumacoes ha 48 horas? Beijos grandes... e saudosos, apesar d'inda ontem vos ter visto. Gosto de dizer Inda, em vez de Ainda. Eh tao giro. Ja tou mesmo a bater mal...
Publicado por: hana_le em janeiro 4, 2006 09:35 PM
Talvez a pedra seja o que fica da dor.
Melhor ano e que o desemprego e a pobreza não continuem a manchar a nossa dignidade.
Bjs
Publicado por: Samartaime em janeiro 4, 2006 10:37 PM
nem a maior pedra consegue resistir à erosão de uma lágrima...
Publicado por: seila em janeiro 4, 2006 11:02 PM
Ao começar um novo ano, um Poema assim dorido?? Lá terás as tuas razões.. mas , Amiga, se a tua Poesia é sofrimento, porque não procurar nela um novo alento? Se calhar foi isso mesmo... Ou será que a "Poeta" aqui também é "fingidor"? Beijinho.
Publicado por: M.P. em janeiro 4, 2006 11:44 PM
Amiga como sempre apresentas poesia com muita classe , embora reconheça que os teus poemas tem sempre alguma dor e amargura. Beijinhos para ti e feliz 2006
Publicado por: adryka em janeiro 5, 2006 08:23 AM
Bom dia Amiga... um 2006 cheio de alegrias.
Já regressei da outra "fuga", ainda meio baralhado!!!!
Bj Vagabundo
Publicado por: VAGABUNDO em janeiro 5, 2006 11:51 AM
muito bonito e dorido, sim. gostei. e já vi que gostaste do Montegui ;) bjks
Publicado por: ognid em janeiro 5, 2006 02:15 PM
Adorei!!!
adorei a escrita, adorei o ritmo. dava uma musica muito gira:)
beijito
Publicado por: isa xana em janeiro 5, 2006 04:16 PM
Gostei de ler e reler a "Pedra". A pedra que vive e que consola, a pedra que cala o barulho da vida, da azáfama e das preocupações. A pedra é alma que sente. A pedra é gente.
Publicado por: Amaral em janeiro 5, 2006 05:09 PM
"...um toque breve/mesmo de acaso/tudo desfaz..."
Quanta dor e verdade! Quanta vez é assim o amor!!! Parabéns Amiga; bela maneira de começar o ano. Lindo poema.
Publicado por: Maria Mamede em janeiro 5, 2006 05:15 PM
lique, eis-te regressada. e com um belo poema. fingimos que nada sentimos e no entanto... a pedra tem sentir.
beijocas.
Publicado por: moriana em janeiro 5, 2006 05:54 PM
Sei que mentes ,pois pedra nao és.
Poema lindo mesmo nao sendo pedra .
Beijocas
P.S diz Como poço ser Pedra?
Publicado por: Lmatta em janeiro 5, 2006 07:36 PM
um belo poema e muito sentido,
mas muitas vezes apetece escrever assim,
mas uma pedra também se desfaz
gosto muito de te ler
beijinhos meus
lena
Publicado por: lena em janeiro 5, 2006 09:20 PM
passei por aqui para deixar-te resmas de jocas maradas
Publicado por: susanagar em janeiro 5, 2006 09:24 PM
Gostei de te ver como pedra...
Ainda que me pareceu seres mais pedra pomes.
Mas a flexibilidade é uma qualidade e não um defeito, desde que não seja excessiva.
Mais um bom poema que escreveste.
Beijinhos.
Publicado por: Nilson em janeiro 6, 2006 08:12 AM