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janeiro 13, 2006

Poesia (?)

fougere-sophiethouvenin.jpg

Poesia. Caminho que as palavras escolhem para se juntar. Sem justificação ou prévia intenção. Expressão de sentimentos, de sensações. Jogo de palavras, até.
Olhando à minha volta, a poesia pode estar em todo o lado. Uma flor, uma pedra. O belo e o feio. Tudo pode despertar uma frase que insiste em fazer-se ouvir. Uma frase que sei ter ligação com outras. E que só me larga quando encontra as palavras que a completam. Nessa obsessão pelo complemento, pela forma, pelo final, o poema instala-se e sussurra-me ao ouvido, como se não fosse possível dizer nem escrever mais nada. Tento fugir dele, agarrar outras palavras, outras ideias. Tudo sai imperfeito. Tudo desagua naquele que está dentro de mim, latente.
Num momento, numa hora inesperada, o poema encontra a forma de se dizer e os versos jorram, encaixam. Lutam um pouco entre si, até encontrarem a forma procurada. E eu escrevo.
Mas nenhum poema me deixa completamente. As palavras parecem mudar, acendem interrogações, sugerem novas ideias e inquietações. Por vezes, outra frase salta. E tudo recomeça.
Poesia. A que leio e a que tento escrever. Aquela sem a qual não vivo. A que acende o sonho ou denuncia a iniquidade. A ideia que se faz palavra e as palavras que são alimento das ideias.

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Escrevi isto há uns meses para ser publicado noutro local. Nunca me pareceu adequado para editar aqui. Relido, pareceu-me até um texto que reflecte alguma presunção.
Fica aqui hoje apenas porque, de alguma forma, a poesia parece ter-me abandonado. Nenhuma palavra me persegue, nenhuma frase se torna obsessiva. Só o porquê deste silêncio. Talvez temporário. Talvez não…

Foto: Sophie Thouvenin

Publicado por lique às janeiro 13, 2006 08:05 PM

Comentários

Se a poesia te abandonou...vai bater-te à porta quando menos esperares. Gostei da presunção...
Jinhos

Publicado por: Vera Cymbron em janeiro 13, 2006 09:25 PM

gostei de ler.te. não achei de modo algum o texto presuncoso, simplesmente coerente, bem escrito, ...qto muito alguma obsessão .... mas é obvio que a poesia não te abandonou, este texto prova-o, as tuas palavras .....
jocas maradas

Publicado por: susanagar em janeiro 13, 2006 09:29 PM

Minha querida Lique, a poesia é animal de várias manhas. Não te livras dela tão cedo, acredita.

quanto ao texto, cabe muito bem aqui.

bjs.

bfs.
:)

Publicado por: paperlife em janeiro 13, 2006 11:37 PM

um texto bem escrito e na de presuncoso, um texto que fica muito bem aqui

a poesia não te abandonou, está em todas as palavras e em tudo o que tocas, atrevo-me a dizer que tu és poesia

um beijo grande, um bom fim de semana Lique, poeta mesmo sem palavras

lena

Publicado por: lena em janeiro 14, 2006 10:42 AM

Muito antes pelo contrário, eh,eh,eh!
Quanto ao "vazio"... é natural, não te preocupes, todos passamos por fases semelhantes.

Um @bração do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em janeiro 14, 2006 11:49 AM

Olá minha querida Lique! Boa tarde!
Gostei muito do texto. Quanto à ausência da Poesia, tenho a certeza que é temporária...
A inspiração, tal como o peixe, tem épocas de defeso, que nos angustiam,nos desgostam e por vezes,até nos desesperam, mas tudo é passageiro; e quando ela regressa, como o filho pródigo, que festim lhe fazemos!!!
Desejando que a fugitiva regresse rapidamente,
envio-lhe um beijo enoooooooorme
e pode estar certa que chega logo, se é que ainda não chegou.
Maria Mamede

Publicado por: Maria Mamede em janeiro 14, 2006 02:22 PM

A poesia não abandona, Lique. Ela descansa, dormita e, quando menos você espera, desperta.
Beijo grande daqui.

Publicado por: Márcia em janeiro 14, 2006 03:19 PM

estas tuas palavras "Fica aqui hoje apenas porque, de alguma forma, a poesia parece ter-me abandonado. Nenhuma palavra me persegue, nenhuma frase se torna obsessiva. Só o porquê deste silêncio. Talvez temporário. Talvez não…" são exactamente o que sinto neste momento. dás-me um abraço miuda? um beijo a ti.

Publicado por: Lyra em janeiro 14, 2006 04:25 PM

Lique, seu texto não tem nada de presunçoso e a poesia não te abandonou, faz parte de você. Beijos.

Publicado por: Marcia em janeiro 14, 2006 04:33 PM

Olá
Abandonada nãaaaaaaaaaaaaao.
Menina sabes isso é falta duma filhota
A tua cabeça não esta cá.
Vá lá poemas para nós
Beijocos

Publicado por: Lmatta em janeiro 14, 2006 06:14 PM

Quando as palavras e as frases despertam qualquer coisa que a mente não entende, é óptima altura para as transportar para o papel. Quando o pensamento insiste que nada faz sentido, é quando alguma coisa está a brotar doutro lado.
Tudo faz sentido neste texto, tudo cheira a poesia, tudo faz parte dum silêncio que se quer manifestar.
Ainda bem que escreveste, porque deste uma resposta a uma interrogação que não entendias. É assim que acontece com muitas outras pessoas… e tu deste-lhes também uma ajuda…

Publicado por: Amaral em janeiro 14, 2006 08:18 PM

Alice,
Até a escreveres prosa soa a poesia. Sabes que gostaram dos teus poemas em Vermoim?
Espero que te recomponhas breve... mas se me deres licença vou usar este teu texto.
Desculpa lá não ter aparecido por aqui mas tenho estado arredio aos blogues.
Qualquer coisa (ou alguém) me bloqueou.
Um grande abraço, amiga

Publicado por: josé gomes em janeiro 14, 2006 08:52 PM

por vezes esse silêcio antecede uma forte gestação k pode levar + ou - tempo.
Deixa-te estar, absorve a vida e a beleza e segue k um dia elas retornam na forma usual. Bom domibgo. Bjs e ;)

Publicado por: Amla em janeiro 14, 2006 10:47 PM

não venho trazer nenhuma consolação,porque não posso. mas hoje chove tão bem..tão belamente. e o caminhar dentro de ti,que acabo de ver, é como a chuva de hoje...e tu sem saberes...


Bj.

***maat

Publicado por: maat7 em janeiro 15, 2006 08:39 PM

Simulacro de pousio. Esse teu campo está a descansar...Enquanto isso, tratas das alfaias Prefiro pensar nesse teu Talvez temporário... porque o Talvez não não cabe neste teu espaço, pleno de maravilhas
Beijo Amigo.
Gosto de te ler, muito!

Publicado por: Cris em janeiro 15, 2006 08:46 PM

a poesia. a sensibilidade está dentro de ti, lique. nunca deixará de estar. por isso escreves, escreves...
beijinhos, amiga.

Publicado por: moriana em janeiro 15, 2006 10:06 PM

Lique como pode a poesia ter-te abandonado se é poesia que cada uma das tuas palavras transmite?
Como diz o texto que escreveste a poesia pode estar em qualquer lado. Em ti está, de certeza, e para sempre, talvez adormecida, mas viva!

Publicado por: Ana em janeiro 16, 2006 12:02 AM

Por que diabo nos andam a faltar algumas palavras? Embora a minha "poesia" seja outra...

Este também seria um bom tema para ficarmos aqui à conversa!

Mas hoje vou dormir, sim?

Beijinho e até amanhã.

Publicado por: MWoman em janeiro 16, 2006 12:27 AM

passei para te desejar uma boa semana, amiga. bjs de luz e paz

Publicado por: Amla em janeiro 16, 2006 09:43 AM

Um texto muito poético. Apesar do momento de ti...

Gosto de dizer que melhor que escrever, é "fazer" poesia... E estou certo que, no dia a dia, (ainda que a palavra poética esteja porventura ausente) os teus gestos e partilhas são eivados da mais genuína poesia...

Beijos

Publicado por: manuel em janeiro 16, 2006 10:24 AM

Ufa, ler este teu texto correctamente mata um gajo... que enfase. Mas gostei, muito...

Publicado por: polittikus em janeiro 16, 2006 10:51 AM

A Poesia nunca abandona ninguém, muito menos a Lique.A Poesia tem é dias que se transforma em palvras e tem dias que fica entranhada misturando-se com o ADN.
Abraços

Publicado por: Carlos Estroia em janeiro 16, 2006 01:34 PM

Querida Lique

Escreveste poesia - neste teu texto

Poesia
onde se recolhe
frutos e incenso
e
aquilo que trazem...
tem o sabor
que é feito os sonhos
iluminando a vida
Poesia
é roupa
e alimento para a alma

Beijinhos

Boa semana


Publicado por: Betty Branco Martins em janeiro 16, 2006 05:42 PM

é, a poesia às vezes foge da nosso vida. bjks

Publicado por: ognid em janeiro 16, 2006 06:06 PM

"Mas nenhum poema me deixa completamente. As palavras parecem mudar, acendem interrogações, sugerem novas ideias e inquietações. Por vezes, outra frase salta. E tudo recomeça."
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Esse intimismo assim descrito está soberbo. Certa vez, enqt explicava à minha maneira, e, servindo-me de imagens, recorri ao orgasmo, de repente estaquei: mesmo essa imagem era errónea e redutora - só o prazer se assemelha e nem esse é nunca igual. Tanto de corpo q há nas palavras; tanto de sensorial; tanto q depois exigimos delas enqt veículo.
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Mostar a Esconder

nunca me escondo num poema.
é o poema que me escolhe para o esconder.
e saem frases caóticas se estiver caótica.
e frases assemânticas quando estou neurótica.
e eu escolho-as criteriosamente até parecer que as estou a dizer.
por vezes parece um poema.
por vezes não há poema; é só dizer.
é que ele equilibra-se melhor do que eu.
agora, por exemplo,
tenho um poema alojado em mim
e eu mostro-me por não o saber dizer.
podia até escrever com isso um poema
que continuava a existir um poema enorme por dizer.
nunca lamento um poema.
apenas mostro que ele está escondido.
não eu, se o tentar dizer.
adoro sentir um poema e guardá-lo sem o esconder.

Publicado por: mjm em janeiro 17, 2006 07:06 PM

A poesia, companhia de cada batimento do coração, cada poro da nossa pele, cada palavra e cada gesto, abandona-nos, por vezes, mas nunca nos trai!! Beijinhos

Publicado por: Paula Raposo em janeiro 21, 2006 08:49 AM