« Pre(s)sentimento | Entrada | Zeca - 19 anos »
fevereiro 21, 2006
Da cor dos malmequeres

Sabem de que cor são os malmequeres? Brancos, amarelos, as duas coisas? Respostas prosaicas. Os malmequeres são cor de primavera. Esta é uma resposta poética.
Também a água não é bem água. Talvez seja um fio de prata ou um líquido caudal. Ou qualquer outra coisa. As cores não são bem as que vemos, mas as de alguma improvável paleta. E sobretudo a dor não é dor. Chamemos-lhe o que quisermos, mas não lhe chamemos dor. Nem tristeza, nem solidão. Nem sequer a tão desejada felicidade. Recorramos a todas as figuras de estilo. Sublimemos. Sobretudo, sublimemos. Façamos um enorme silêncio sobre a vida real, deixemos a poesia dizer do mundo inventado onde, ao de leve, só ao de leve, pairam os nossos sentimentos.
Será para isto que serve a poesia? E será que a poesia tem que servir para alguma coisa? Não para mim, não hoje, sobretudo.
Mas nem sei como vim parar aqui. Hoje eu só queria saber de que cor são realmente os malmequeres. Os verdadeiros que existem nos campos e se sentem nas mãos quando os colhemos. Nos campos reais, da terra real onde cresce a verdadeira vida.
Publicado por lique às fevereiro 21, 2006 12:02 AM
Comentários
Lique, sem dúvida que é tarefa poética olhar a realidade com outros olhos...
Fui buscar um dos antigos :-)
renomear
quando as mãos não tocam
chamam-se fim de braço
quando a um braço se encosta um corpo
chama-se a esse braço cadeira
quando uma asa de pássaro não escreve nos lábios sorriso
boca é uma parte do rosto que se chama boca
de pouco serve a poesia que se explica
porque a poesia não serve; renomeia
observe-se se o falador
se cala ou se fala a dor de outra maneira
--
Publicado por: mjm em fevereiro 21, 2006 02:13 AM
oh! Lique que a gente tem esta danação de definir, de querer saber explicar, catalogar, definir...ai Lique que "isso" que nomeias não cabe dentro de regras, não cabe dentro de chavetas, não se formula em hipóteses, não se implica em corolários...e nem aquilo que é "vida verdadeira" eu sei onde é ela ...não, não na sei verdadeira ou outra...será que se desprendem de uma a outra?! Um bom dia com aqueles beijinhos todos e doces.
Publicado por: seila em fevereiro 21, 2006 08:52 AM
Olá já foram várias as vezes em que me passeei por este espaço,mas desta vez resolvi deixar um comment de agradecimento por cada momento de partilha que passei ao ler estas páginas.
Parabéns :-)
Publicado por: Thiago em fevereiro 21, 2006 02:34 PM
Boa tarde querida Amiga;
Perdoa! tenho andado fugida dos Blogs dos Amigos e até mesmo dos meus.
Às vezes "outros valores se levantam", não quero com isto dizer que sejam "mais altos", mas são de certeza mais prementes...
Bom, mas agora, vamos ao que realmente interessa;
Belíssimo o que escreveste!
Quanto a mim, não importa já se a realidade é Realidade, ou se é a Poesia que toma o seu lugar;
O que verdadeiramente me importa, é o que tudo isto nos dá para que sejamos melhores; gente mais gente, com mais AMOR.
Um beijo enoooooooorme da
Maria Mamede
Publicado por: Maria Mamede em fevereiro 21, 2006 02:45 PM
PS. - esqueci-me de dizer que os Malmequeres (que se deveriam sempre chamar Bem-me-queres)
são maravilhosos, tanto na paisagem, como na fotografia.
Beijos
Maria Mamede
Publicado por: Maria Mamede em fevereiro 21, 2006 02:47 PM
Muito obrigada pela visita, seja sempre muito benvinda!
Publicado por: DanielaMann em fevereiro 21, 2006 05:12 PM
Olá amiga como percebo o teu texto, está fantástico a vida livre de amarras com as suas cores originais é belo. Beijinhos
Publicado por: adryka em fevereiro 21, 2006 05:29 PM
Tem dias, lique, tem dias!
Umas vezes brancos e amarelos, outras nem cor têm, e outras há que são cor de Primavera.
Quer seja aqui como lá, na terra real!
Hoje são só malmequeres mas são lindos, anyway!
Um beijinho grande para ti.
Publicado por: MWoman em fevereiro 21, 2006 07:46 PM
Os malmequeres, assim como outra qualquer coisa da vida, tem as cores que tu lhes deres. Se te disserem que é amarelo, não acredites. Nem tudo o que o homem vê é real. Beijos *
Publicado por: Cakau em fevereiro 21, 2006 08:26 PM
O silêncio de que precisamos para meditar...
Beijos fresquinhos
BShell
Publicado por: BlueShell em fevereiro 21, 2006 09:07 PM
Os malmequeres Lique têm cor de vida e avida é colorida quando não é a preto e branco. Beijo
Publicado por: Maria Papoila em fevereiro 21, 2006 09:08 PM
quanta sensibilidade nessa escrita! Lindo... de que cor são? eu tb não sei...
Publicado por: Caíla em fevereiro 21, 2006 09:16 PM
Eu diria que a poesia é feita de múltiplas cores que aos olhos de outrém até pode delinear outras bem diferentes...cada cor é singular na palete que compomos justaposta ao compasso do verso que lapidamos feito de fel e melaço, tempestade ou serenidade. Um beijo enormeeeee :))
Publicado por: Neith em fevereiro 21, 2006 09:59 PM
Oups .... tive que reformular o meu comentário, uma vez que o primeiro deu-me erro :S
Publicado por: Neith em fevereiro 21, 2006 10:04 PM
Falaste de emoções de uma forma muito segura, elegante, irreprensível (Com a qualidade que tanto me enternece)
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em fevereiro 21, 2006 10:17 PM
Mas... são da cor do talvez! De que outra cor poderiam ser?
Bjs
Publicado por: Samartaime em fevereiro 22, 2006 09:04 AM
As flores não têm cor. Temos nós cor nelas. Olha a mesma flor em dois instantes diferentes, e serão duas flores diferentes também. A primeira transmorfada na segunda, mudada, porque também tu mudaste, porque o instante, o tempo mudou.
Nada é estático. A não ser que o descrevas, e não o sublimes.. A beleza da poesia é como a das flores: está nos olhos de quem a lê, no instante em que é lido, no como é lido.. numa combinação irrepetível de tudo isso e mais alguma coisa.
Devolvo-te a pergunta, agora mudada: de que cor é um poema?
Beijo
Publicado por: Daniel Marinha em fevereiro 22, 2006 11:28 AM
Que posso dizer ao teu texto, para além da sua beleza... poética! Talvez oferecer-te um ramo de malmequeres brancos e amarelos, sublimando a vida...
Beijos
Publicado por: manuel em fevereiro 22, 2006 02:39 PM
... de que cor são os malmequeres?!
... da cor que quiseres!
Belíssimo momento que pintaste nesse ramalhete!
Publicado por: batista filho em fevereiro 22, 2006 03:10 PM
Foi a primeira vez que visitei este cantinho, adorei, vou voltar
um beijo
Publicado por: mimi em fevereiro 22, 2006 04:07 PM
Lindissimo. Maravilhoso texto. Parabens.
jc
Publicado por: jota_ce em fevereiro 22, 2006 05:19 PM
Assim como a tua prosa sabe a poesia, também não deviamos desfolhar os malmequeres!... ;)
Publicado por: sotavento em fevereiro 22, 2006 07:13 PM
Reais como os que existem nos campos ou poéticos como os dos nossos sonhos, os malmequeres são da cor da brisa, da liberdade e da paz. E sem poesia nem sequer existiriam, porque os nossos olhos perderiam a capacidade de os ver.
Um beijo, Lique.
Publicado por: Ana em fevereiro 22, 2006 08:39 PM
Porque não hão-de as figuras de estilo existir numa realidade que não se sublima mesmo que as utilizemos de maneira esteticamente perfeita? Usemo-las mesmo assim!
Que sejam o açúcar na agrura real que é este mundo louco em que vivemos. Que sirvam de lenimento suave à rotina que nos engole e que nos deem o mel que nos adoce o fel de sermos tantas vezes tão pouco humanos. Beijinhos
Publicado por: M.P. em fevereiro 22, 2006 10:35 PM
são poéticos , das cores que os meus olhos os quiserem ver,
são lindos!
e neste silêncio leio este teu belo texto poético e consigo sentir a proximidade da primavera e da vida onde o amor ainda existe
beijinhos meus, minha amiga
lena
Publicado por: lena em fevereiro 22, 2006 10:38 PM
O teu diário está a surpreender-me! Que post bonito, lique! Não, bonito não, grande! A imaginação faz poesia. O conhecimento "sai" da cor dum simples malmequer!...
Publicado por: Amaral em fevereiro 22, 2006 10:51 PM
Olá Lique
Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo.
Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelida a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum.
Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Porém, procuro as cores dos Malmequeres – muitos no meu olhar – de várias cores - mas os verdadeiros ainda não os consegui encontrar.
Um dia... eu os encontrarei – tu os encontrarás.
Beijinhos
Publicado por: Betty Branco Martins em fevereiro 22, 2006 11:35 PM
Quem consegue sentir a alma das coisas saboreia mil vezes o casulo que a envolve e vive em simbiose com o todo. A cor do malmequer? E o aroma da sua essência, já pensaram qual é?
Beijinhos
Publicado por: ferrus em fevereiro 23, 2006 09:44 AM
Ai amiga, são apenas a minha flor preferida, não me interessa a côr... Beijão
Publicado por: fernanda em fevereiro 23, 2006 10:06 AM
os malmequeres, brancos, amarelos, alegres. alegria, é isso. cobrem os campos e alimentam o nosso olhar. sobretudo quando el está vazio, perdido...
beijinhos, amiga.
Publicado por: moriana em fevereiro 23, 2006 03:32 PM
os malmequeres, brancos, amarelos, alegres. alegria, é isso. cobrem os campos e alimentam o nosso olhar. sobretudo quando el está vazio, perdido...
beijinhos, amiga.
Publicado por: moriana em fevereiro 23, 2006 03:32 PM
Malmequer ... Bemmequer...não interessa a cor, são lindos, são singelos, são frescos, são alegres, são viçosos,adoro malmequeres.Nada mais belo do que um campo juncado de malmequeres.Abaixo as flores exóticas e viva o malmequer.Beijinhos
Publicado por: O PACIENTE PORTUGUÊS em fevereiro 23, 2006 07:04 PM
Na casa onde vivi em Portugal tinhamos beirais cheios dessas flores, la chamavamos-lhe Marias. Sei là porquê... se calhar eram mesmo malmequeres. Quando floriam o beiral ficava como que coberto por um manto branco salpicado de pintinhas amarelas.
Publicado por: catarina em fevereiro 23, 2006 08:45 PM
Nem sei q te diga...
Dentro de mim só existem dúvidas, e respostas... nada!
Tenta sorrir... ajuda!
Publicado por: GNM em fevereiro 24, 2006 12:05 PM
Lique, os malmequeres são de uma das cores que habitam o mundo inventado. E a poesia serve para, entre figuras de estilo de outras sublimações, recuperarmos a cor e o cheiro dos nossos Jardins do Éden particulares e, por momentos, acreditarmos que um dia voltaremos a sentir essa brisa de inocência primordial, que tornava "todas as coisas" possíveis...
Publicado por: Dora em fevereiro 24, 2006 04:00 PM
São de todas as cores,mesmo daquelas que não estão no arco-iris:)
Que saudades tinha de aqui vir!tenho estado sem telefone,sem net...isolada no campo, vendo malmequeres:)))bj
Publicado por: annie hall em fevereiro 25, 2006 03:33 AM
São de todas as cores,mesmo daquelas que não estão no arco-iris:)
Que saudades tinha de aqui vir!tenho estado sem telefone,sem net...isolada no campo, vendo malmequeres:)))bj
Publicado por: annie hall em fevereiro 25, 2006 03:34 AM
São de todas as cores,mesmo daquelas que não estão no arco-iris:)
Que saudades tinha de aqui vir!tenho estado sem telefone,sem net...isolada no campo, vendo malmequeres:)))bj
Publicado por: annie hall em fevereiro 25, 2006 03:35 AM
Fizeste-me chorar... não vou dizer agora porquê... mas os malmequeres estão presentes em mim...
"...Chamemos-lhe o que quisermos, mas não lhe chamemos dor. Nem tristeza, nem solidão."
...ou saudade...
Um abraço terno e um sorriso por entre as lágrimas...
Publicado por: Menina_marota em fevereiro 27, 2006 01:44 PM