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fevereiro 03, 2006
Match point , das escolhas e da sorte…

A sorte. As opções de vida. As paixões. As diferenças de classe. Crime com ou sem castigo? A sorte.
Parece ser impossível juntar tudo isto num filme. Mas não é. O último Woody Allen (diz-se assim, como quando se fala de outra qualquer obra de arte…) é, quanto a mim, um filme que marca uma viragem. Não estamos em Nova Iorque, não estamos a falar de uma classe média neurótica, o humor é quase inexistente. Dir-se-ia que Woody optou claramente por considerar o lado trágico da vida. E mudou-se para Londres, ao melhor estilo europeu.

Chris Wilton, o rapaz pobre irlandês a quem o ténis abre as portas da dita “classe alta” britânica, tem noção de quanto a sorte é importante no jogo e na vida. E força a sua sorte, abrindo caminho para uma carreira promissora através de um casamento “acima da sua classe”. Será que isto já não existe? Mas as diferenças de classe estão claramente marcadas, até na “benevolência” com que Chris é tratado. Benevolência com condições que podem não ser ditas mas estão implícitas.
O mesmo não se passa com Nola, a sexy aspirante a actriz que, além de ser americana, é demasiado “emocional” e com poucas condições para se integrar naquele meio.
Nola e Chris vêm “de baixo”. Chris é aceite, Nola é rejeitada. A escaldante paixão entre eles mantém-se mas torna-se óbvio que Chris terá que fazer uma escolha. Livre arbítrio completo. Não está em causa se ele ama a mulher ou a amante, mas sim o estilo de vida que escolhe. E o que faz para o assegurar. É assim que uma história, aparentemente já contada muitas vezes, se torna única e completamente diferente.
E, no fim, entra novamente a sorte. Durante uns minutos do filme, existe algum suspense. Será Chris castigado? A referência a “Crime e Castigo “ de Dostoievsky não é casual, claro.
Talvez se possa considerar que a sorte está do seu lado e Chris ganha o jogo. Mas a que preço? Num final aparentemente feliz, o seu rosto traduz o quão trágico pode ser conseguirmos o que ambicionamos.
Só mais uma coisinha. Num cast quase perfeito, Jonathan Rhys-Meyers e Scarlett Johansson são absolutamente brilhantes.
Publicado por lique às fevereiro 3, 2006 12:37 PM
Comentários
Também gostei muito do filme. Não consigo perceber como é que a representação de Scarlett Johansson não é suficiente para ela ser nomeada para o óscar de melhor actriz secundária .
Publicado por: LP em fevereiro 3, 2006 01:43 PM
Olá Lique
Ainda não vi este filme. Quer dizer que tenho mesmo que o ir ver! Pela tua "narrativa" excelente.
Beijinhos
Bfs
Publicado por: Betty Branco Martins em fevereiro 3, 2006 06:16 PM
Olá Lique
Ainda não vi este filme. Quer dizer que tenho mesmo que o ir ver! Pela tua "narrativa" excelente.
Beijinhos
Bfs
Publicado por: Betty Branco Martins em fevereiro 3, 2006 06:19 PM
Ora bolas, agora já contaste!... ;)
Publicado por: sotavento em fevereiro 3, 2006 06:23 PM
hummmmm....a ver :-) Obrigado pela partilha...beijinhos
Publicado por: ferrus em fevereiro 3, 2006 07:15 PM
Apesar de tudo, sou uma burra porque não quis ser condecorada pelo Jorginho. Apesar da bagagem de cultura andar à solta pela cidade. SOU MESMO BURRA! Um beijo
Publicado por: Eva Luna em fevereiro 3, 2006 09:51 PM
"Match Point", um filme de que falam alguns blogs, mas que eu ainda não tive oportunidade de ver. Por tudo isto que aqui li e outras opiniões que andam por aí, tenho mesmo que conseguir essa oportunidade…
Publicado por: Amaral em fevereiro 3, 2006 09:58 PM
Lique, dito por ti,arrisco.
É que já tinha deixado de suportar a psicanálise do homem.
Bjs e BFs. :)
Publicado por: paperlife em fevereiro 4, 2006 01:28 AM
Olá! Estou prestes a ir ver. Primeiro vou ver Munique pelo realizador e porque é oportunidade de levar as minhas "torturadas" para fora do sítio habitual de "tortura"...LOL ;) Bom fim de semana! Beijinho
Publicado por: M.P. em fevereiro 4, 2006 10:07 AM
Vou só deixar um beijo daqui. Ler, só depois que vir o filme. ;)))
Publicado por: Márcia em fevereiro 4, 2006 10:43 AM
Não vi o filme, mas eu sou um fã do Woody Allen.
Tenho que o ver, até pela análise que fazes do filme.
PS: Sim, sou engenheiro, com quase todos os defeitos e virtudes que a coisa acarreta... Perspicaz, é o que tu és...
Beijinhos.
Publicado por: NILSON em fevereiro 4, 2006 02:07 PM
Lique, vou ter de ir ver o filme. Venho depois aqui... O texto torna-o imperdível. Beijo
Publicado por: Maria Papoila em fevereiro 4, 2006 03:39 PM
Pronto! Convenceste-me. Impossível resistir ao filme agora! Beijinhos, lique e um resto de bom fim de semana.
Publicado por: MWoman em fevereiro 4, 2006 10:39 PM
Já vi o filme e revejo-o nas tas palavras :o)
Publicado por: Nekynho em fevereiro 5, 2006 12:05 PM
Já tinha intenção de ver o Match Point,mas a leitura do teu post aguçou-me a curiosidade.Além disso também sou fã do Woody Allen.Um abraço
Publicado por: O PACIENTE PORTUGUÊS em fevereiro 5, 2006 05:42 PM
Estamos a falar de um génio Alice.
A versatilidade apenas confirma isso. Gosto dos vários registos dele.
Beijos já com saudades
Publicado por: zezinho em fevereiro 5, 2006 05:50 PM
Bom ,não é verdade?Filmes de woody allen parecem um livro que estamos lendo com o bonus de sempre fantastica musica e bela fotografia.fico satisfeita por ter encontraddo aqui tantos fãns do Woody ( realizador:))))).boa semana de trabalho.bj
Publicado por: annie hall em fevereiro 5, 2006 06:27 PM
já tinha lido noutro blog um comentário sobre este filme, que me estusiasmou, não tive ainda oportunidade de o ver,não sou apreciadora de Woody Allen, mas prometi a mim mesma que o iria ver e agora ainda com mais vontade
obrigada a ti também pela excelente sugestão
beijinhos muitos pata ti
lena
Publicado por: lena em fevereiro 5, 2006 07:40 PM
Este belo comentário ao filme é mais um incentivo para eu ir ver o filme.
As ligações de Woody à europa foram sempre fortíssimas. Aliás, sempre teve orgulho nelas.
Tanto quanto estou informado, haverá outro filme na forja, rodado também em Londres. Saber-se-á se a vinda para Inglaterra corresponde ao corte com as neuroses e o humor.
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em fevereiro 5, 2006 10:34 PM
Francamente GOSTEI.
Publicado por: Carlos em fevereiro 6, 2006 11:14 AM
Ainda não vi... mas depois de um comentário desse...! # Um beijo, amiga.
Publicado por: batista filho em fevereiro 6, 2006 12:20 PM
Eu vi o filme. E adorei. Claro que como fã de Woddy Allen sou suspeita...
Mas creio que, mesmo para quem habitualamente não gosta dos filmes dele, irá gostar deste e surpreender-se com o final.
Beijinhos :)
Publicado por: Betty em fevereiro 6, 2006 03:41 PM
Vou ver. E comparar com "O Leopardo" do "velho" Luchino Visconti. Ando com estranhas "associações"...
Beijos
Publicado por: manuel em fevereiro 6, 2006 04:48 PM
Não gostei do Jonathan
Tardou a entrar na personagem e não me convenceu
No resto está perfeito
Tão diferente, mas tão diferente do "Munich"
Publicado por: Papo-seco em fevereiro 6, 2006 06:31 PM
Farta do pseudo charme do herói e da heroína, saí antes da tal 1/2 hora final q dizem ser crucial - acho banal o desfecho q já conheço.
Desculpe
Publicado por: JE em fevereiro 8, 2006 05:05 PM
{ ... vou ver.lo (ainda; lento e a gosto) © .8. ... }
Publicado por: © .8. em fevereiro 8, 2006 09:26 PM
Olá!
Já vi e sou suspeita pra falar qqr coisa por que sou fã incondicional do Woody Allen, por isso, quando você menciona: "O último Woody Allen (diz-se assim, como quando se fala de outra qualquer obra de arte…)" me conquista plenamente.
O Filme, vi esta semana, é muito bom e a seu texto expressa-o de uma forma sublime. parabéns!
Vou passar por aqui mais vezes.
Publicado por: Noa em fevereiro 22, 2006 06:15 AM