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março 27, 2006
No verso da folha

Quero escrever
no verso da folha
palavra incorrecta
de sentir errado.
Virar-me do avesso
e dizer de mim
o que está calado.
Porque, de ser certa,
a frase escondida
breve se revela,
perdido o encanto
que nela habita.
E o verso falado
deixa por não dita
aquela palavra,
a tal incorrecta,
o olhar perverso
que apenas espreita
no poema escrito
na folha perfeita,
na beira do verso.
Foto: Joanna N.
Publicado por lique às março 27, 2006 12:02 AM
Comentários
Demoro sempre uma eternidade dentro deste blog...
1º Porque fico com uma cara de parvinho a ler muito lentamente o que escreves e a ver a associação de palavras que fazes...e de facto fico por vezes perpelexo, onde vais tu buscar certas palavras que se enquadram ali tão bem....certinhas no lugar delas..outras vezes em uma só linha e meia duzia de palavras descreves algo que eu usaria 4 linhas !! Por isso tu tem Dom... mas sabes disso é claro!!!Ou não mantivesses sem interrupção este blog a funcionar sempre a todo o vapor...!!!(sorrisos)- Depois: ainda por cima perdi uma montanha de tempo que foi bastante util no conhecimento da Jacinta que sinceramente não conhecia mas que gostei de visitar alguns sites atraves de uma pesquisa no google!!! gostei muito!!! Tambem gostei dos teus posts que andava em atraso que eram mais do que o que imaginava!! ai ai.... agora vou!!!Ups.....
Publicado por: Armando em março 27, 2006 01:17 AM
A palavra certa. a maturidade na escrita. o equilíbrio. a sobriedade. o gosto do gostado transmitido. Uma boa semana para ti!
PS o "nosso" Armando e os seus comentários amorosamnete enormes! Armaaaaando!
Publicado por: seila em março 27, 2006 09:22 AM
Linda, Lique - não há palavras para dizer o que sinto, não vá dizer a "palavra incorrecta" que às vezes até é a certa.
Um xi muito grande e obrigada pela visita ao meu blog.
Marta
Publicado por: Marta Teixeira em março 27, 2006 10:02 AM
palavra certa que serve qualquer momento incerto para quem sentir perto... a solidão!
Admirável, amiga!
jorgesteves
http://www.contextualidades.blogspot.com/
Publicado por: jorgesteves em março 27, 2006 10:08 AM
Lindo poema! Quantos versos de folhas, nos sonhos dos Poetas. Beijinhos para ti.
Publicado por: Paula Raposo em março 27, 2006 12:22 PM
Estou a ver... queres escrever amor.
Publicado por: polittikus em março 27, 2006 12:58 PM
"...Virar-me do avesso
e dizer de mim
o que está calado."
Ah Lique, que melhor definição se pode fazer daquilo que queremos, do que esta fabulosa expressão?
...e, o que está calado, grita em ti, palavras poéticas, que saltam da tua alma, assim..
Grata por esta partilha soberba!
Beijo ;)
Publicado por: Menina_marota em março 27, 2006 01:38 PM
Lique .. Ai a Sei lá.. é frequentadora desta "biblioteca"??? Agora entendo onde vem ela buscar a inspiração...ou será o contrário??? (sorrisos)
Publicado por: Armando em março 27, 2006 01:40 PM
Estive a colocar a leitura em dia. Bela, como sempre, a poesia. Também gostei muito da "Maria".
Beijos :)
Publicado por: Betty em março 27, 2006 01:40 PM
Uau!!! - de tirar o fôlego, amiga. Mui belo. Um abraço fraterno.
Publicado por: batista filho em março 27, 2006 03:47 PM
a modos que muito provavelmente é para mim se não o melhor dos poemas que aqui li de certeza é um dos mais saborosos
Obrigado
Publicado por: Papo-seco em março 27, 2006 04:08 PM
As palavras certas não existem para exprimir tudo aquilo que sentimos. Nem as palavras perdidas ou erradas nos versos da folhas chegam para preencher essa falta, que se dilui nos silêncios, nos olhares, nas mãos fechadas, nos gestos traidos. Bjtos
Publicado por: catarina em março 27, 2006 04:41 PM
Minha querida Lique, que BELEZA!!!!!!!!
Gostava de ter escrito isso!
Muitíssima inspiração.
Um beijo enooooooooooooooooooooorme
da
Maria Mamede
Publicado por: Maria Mamede em março 27, 2006 05:40 PM
Estou com a Maria Mamede :)
Gostava MESMO de ter sido eu a ter escrito isso!!!
Logo... dizer mais, o quê?
Publicado por: mjm em março 27, 2006 05:56 PM
Pois é. Sendo legítimo, esse desejo é tão exigente quanto a asua afirmação.
Toda a tentativa é meritória. Ficarei a aguardar.
Porem, não deixa de me ocorrer o poema do mario de Sá Carneiro «...qualquer coisa de intermédio/pilar da ponte do tédio/entre mim e o outro»
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em março 27, 2006 09:29 PM
"Virar-me do avesso
e dizer de mim
o que está calado."
Quero. preciso fazer isso....nem imaginas!
Beijito...Posso?
***BShell***
***********
Publicado por: blueshell em março 27, 2006 10:51 PM
Lique está lindissímo este poema
"o poema escrito na folha perfeita"
adorei ler
da tua alma brotam palavras que encantam
beijinhos muitos, menina linda
lena
Publicado por: lena em março 27, 2006 11:17 PM
Adorei o poema e aplaudo!... E quereria dizer mais nada, que a poesia não se ajuiza nem critica. Apenas se sente. Não sei se é surpresa, apenas que é um poema que gostei de ler e reler…
Publicado por: Amaral em março 28, 2006 02:29 PM
Belo poema...palavras buriladas com mestria :) Um beijo enorme
Publicado por: Neith em março 28, 2006 03:38 PM
acho que sou uma folha em branco..
bjoks
Publicado por: Liliane em março 28, 2006 03:58 PM
Amiga gostei do teu poema nele encontro pedaços de vida vivida "Quero escrever
no verso da folha
palavra incorrecta"
Adorei os meus parabéns. Beijinhos
Publicado por: adryka em março 28, 2006 08:43 PM
Conhecer o nosso avesso e ter a coragem de deitar cá para fora o que está calado é uma boa terapia e tu, como sempre, deste expressão ao tema e escreveste um belo poema.Um abraço
Publicado por: GATOESCALDADO em março 28, 2006 08:53 PM
No verso talvez,
em verso,
nem pensar,
porque
incorrectamente
a palavra
nunca estaria certa!
Sem dom!
B
Publicado por: jo em março 28, 2006 10:47 PM
Escrever "na beira do verso" e ainda para mais "na folha perfeita" requer sagesse e delicadeza, pois as palavras são caprichosas...
No equilibrio do poema, as palavras "subvertem" e inauguram um novo sentido, liberto do peso mole da palavra advinhada. Tudo para te dizer, quanto apreciei o teu poema. Beijos
Publicado por: manuel em março 29, 2006 12:18 AM
Lique é esta vontade de revelarmos o reverso do verso que faz deste teu poema uma perfeição. Parabéns e um beijo.
Publicado por: Maria Papoila em março 29, 2006 12:03 PM
belísismo poema, exactas as palvras e o ritmo k nos leva, nos arrasta, como folhas em enxurrada de emoções.Bj
Publicado por: Amla em março 29, 2006 12:08 PM
O verso da folha de um livro pode sempre ser o frontespício de outro... a palavra incorrecta de um personagem é a verdade de outra ... deve ser por causa de coisas assim que existem os heterónimos...
Gostei muito ;)
Bjnhs
Publicado por: Vlad em março 29, 2006 01:36 PM
Assim como falham as palavras
quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos
Quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas pensada,
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,....
Alberto Caeiro
Publicado por: ciloca em março 29, 2006 06:04 PM
'quero escrever no verso da folha'...
um tempo de Primavera, uns dias-de-valer-a-pena, um regresso colorido e um sol no sorriso!
Regresse bem!
jorgesteves
http://www.contextualidades.blogspot.com/
Publicado por: jorgesteves em março 30, 2006 02:50 PM
Lindo, Alice. Um beijinho para ti! Boas férias!
Publicado por: madalena em abril 5, 2006 10:17 AM