« 100 000 cliques | Entrada | As campaínhas mágicas »
maio 14, 2006
Roda, roda...

Roda, roda, cinco cantinhos
onde a solidão se esconde,
não há lugar que não ronde,
baila em volta das esquinas
dos desvios dos caminhos.
Ai, que acorda as meninas
na falua que lá vem!
E aquele medo que navega
já pendurado na quilha…
Queres chocolate ou baunilha?
Roda, roda a escuridão,
já não há lugar seguro.
A menina lá no escuro
é que vai ser apanhada.
Foge, foge, minha linda
para a luz que te aguarda.
Não queiras olhar ainda
para a solidão escondida,
repara na longa estrada.
Ela espera lá ao fundo,
dança nas voltas da vida
em cada esquina do mundo,
roda, roda, cinco cantinhos.
Foto: andreas hering
Publicado por lique às maio 14, 2006 06:22 PM
Comentários
Todas as crianças deveriam ter direito á sua infância e tão prolongada quanto possível, mas, neste mundo em que vivemos, esse direito é-lhes quase negado, tendo em "cada esquina do mundo" uma armadilha.
Bjs
Publicado por: jo em maio 14, 2006 09:08 PM
Olá Lique
Lembro-me de ter jogado aos 4 cantinhos.
Lembro-me perfeitamente de crianças a brincar a esse e outros jogos e serem felizes. Por isso lamento muito que, entristeço-me, crianças na idade adequada não apenas não brinquem como também não percebem por que razão a fúria, a desumanidade dos adultos sobre elas se abata, tantas vezes de uma forma irreversivelmente letal.
Bjs
Publicado por: Jose Duarte em maio 14, 2006 10:17 PM
"roda, roda, cinco cantinhos" lembra-me a minha infância. Até que ponto os pais das grandes cidades, na ânsia de tudo proporcionarem aos filhos, não lhes estão a roubar a infância, com as aulas de ballet, o judo, a natação ...?
Brincar, brincar para eles, acaba só por ser no intervalo entre aulas, em que o fazem no recreio com os amigos da escola, livremente e à sua vontade.
Publicado por: Peter15 em maio 14, 2006 11:03 PM
Afinal somos quase sempre nós os Adultos, que com a nossa generosidade, ofuscamos o desenvolvimento livre das crianças.
Publicado por: jgonçalves em maio 14, 2006 11:10 PM
um poema que eu gostava de ter escito e sabes quando vi este desenho na/(da?)VELHA quiz escrever algo assim. Obrigada, fizeste-o e muito bem por mim. e a propósito de um teu post aí abaixo, eu defendo-me muito e bem (?) mas fica assim uma coisinha roendo quando um se evola e lembro sempre o que me custou o desaparecimento desta VELHA discretíssima que reapareceu discretíssima... sei lá alguma coisa de pessoas neste mundo onde ainda vou encontrando razões para ficar PORQUE me dá prazer. Tás vendo porque pedi perdão? rss uma boa semana
Publicado por: intervalos em maio 14, 2006 11:16 PM
Também joguei os cinco cantinhos e todos as meninas de agora o deveriam jogar com toda a alegria e inocência que os adultos teimem em tirar-lhes. Os teus versos dizem tudo sobre o mundo em perigo das crianças.
Publicado por: Luisa em maio 14, 2006 11:33 PM
Também joguei os cinco cantinhos e todos as meninas de agora o deveriam jogar com toda a alegria e inocência que os adultos teimam em tirar-lhes. Os teus versos dizem tudo sobre o mundo em perigo das crianças.
Publicado por: Luisa em maio 14, 2006 11:34 PM
Os "cantinhos" a que subtil mas eficazmente te referes neste teu poema agridoce são bem escuros e esconsos, como esconsas são as voltas trocadas na roda da vida de tantas crianças...Mas sabes? concordo vivamente com o Pedro (e sei do que estou a falar...), para se ser criança "já não há lugar seguro"...
Beijinho, Lique e boa semana para ti :)
Publicado por: maria em maio 14, 2006 11:41 PM
Vou responder ao desafio que fiz: - Para mim: O amor serve apenas para corrigir a natureza!
Que linda poesia, sentimos, a rodar a sua beleza à nossa volta, alegre e corridinha que até dá gosto cantá-la...
Beijos, Lique!
Publicado por: Friedrich em maio 15, 2006 02:05 AM
Não conheço tal jogo, mas teus versos apontam o sentido... e, de certa forma, doem no mais fundo d'alma... infância sem infância ou infância abortada - dói saber não se tratar de meras palavras.
Publicado por: batista filho em maio 15, 2006 03:03 AM
Gostei muito de ler e de avivar memórias.
Publicado por: hfm em maio 15, 2006 07:14 AM
Rodinha de rodar memórias de laços e chitas que a ternura guarda lá mais no fundo...
Um desvelo!
(com jeito para não repetir a 'gaguice' anterior...)
sorrisos,
jorgesteves
Publicado por: jorge esteves em maio 15, 2006 09:06 AM
A magia dos velhos jogos da infância!
Agora a maioria das crianças nem sabe jogar e apesar da quantidade enorme de brinquedos que tem entedia-se mais do que os do nosso tempo :) coisas dos tempos modernos...
Um bjto
Publicado por: catarina em maio 15, 2006 03:06 PM
Fizeste-me recordar a minha infância... voltei a ser menina e na roda, fui jogando o sonho da Vida..
Um abraço carinhoso e obrigada pelo "sonho"...;)
Publicado por: Menina_marota em maio 15, 2006 06:46 PM
Um belo Poena a recordar os dias da minha infância...
Mais uma vez, tive a ousadia de te "roubar" um poema daqui... algum inconveniente diz, que o retirarei de imediato.
Um abraço carinhoso ;)
______________________________
Amiga, é para mim um privilégio que escolhas um poema :-)
Publicado por: Poesia Portuguesa em maio 15, 2006 06:49 PM
Sabes o que me apetecia?
Continuarem a chamar-me criança, cada dia!
daniel
Publicado por: daniel sant'iago em maio 15, 2006 06:53 PM
Um poema bonito e uma menina no escuro e uma solidão escondida ao fundo na longa estrada… Para quê fugir, se podemos ler ainda uma outra vez?...
Publicado por: Amaral em maio 15, 2006 07:00 PM
Lindissimo :-)
Publicado por: Bruno em maio 15, 2006 07:34 PM
Perdoa-me a presunção, mas julgo que continuas a rodopiar no jogo dos cinco cantinhos. Exorcizando a solidão, umas vezes; embarcando em faluas doiradas, algumas outras. Afinal a humana condição. Gostei muito.
Publicado por: heretico em maio 16, 2006 12:33 AM
Também não sei o que é este jogo mas o certo é que este teu Poema tem música e faz lembrar as rodas de infâncias idas de encantos romanticamente perdidos no tempo. Há ao mesmo tempo um projectar no futuro sem tempo que traz Esperança . :) Beijo
Publicado por: M.P. em maio 16, 2006 08:22 AM
A candura de quem é descrito, a nostalgia de quem recorda. Infâncias. Jogos. Esse saber, que sempre se adquire tarde demais, de que a infância é algo que tem tanto de maravilhoso quanto de efémero. Belíssimo poema, minha querida. Gostei muito.
Publicado por: canela-e-jasmim em maio 16, 2006 04:57 PM
que saudade:)
eu também me lembro desse jogo. já la vai o tempo
...
beijinho,
Lúcia
Publicado por: Lúcia em maio 16, 2006 06:30 PM
Tambem gostava tanto de voltar a esses tempo, sem preocupações, pensamentos negativos, só alegria (não sei se para todos) para mim sim, ainda continua a ser uma pessoa muito alegre, graças a deus. bj da tibeu
Publicado por: tibeu em maio 18, 2006 01:58 PM