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junho 18, 2006

A teia dos afectos

teia-1.jpg

Assim pouco a pouco
cai a distância como bruma
espessa e quente
nos frágeis fios da teia dos afectos.
Qual estranha espuma dissolvente
parte um, depois outro
até que o nada se instala sem aviso.
Logo falamos estranhos dialectos,
palavras como gumes escondidos
fechada que é a alma
selados os sentidos.

Foto: Lmatta

Publicado por lique às junho 18, 2006 10:34 PM

Comentários

O tempo tudo tenta. E nós nem sempre estamos atentas aos pequenos sinais.
Beijos

Publicado por: samartaime em junho 18, 2006 10:56 PM

Oh,sim! Outros dialetos. E vão vindo aos poucos, sem percebermos. E quando ficamos frente a frente descobrimos,com tristeza, que não falamos mais a mesma língua. E em nada se compara ao tempo em que não precisávamos falar. É que agora não há o que dizer.

Publicado por: pitanga em junho 19, 2006 12:39 AM

Perdoe-me um post tão longo é que poderia "escrever um livro" sobre o assunto.

Publicado por: pitanga em junho 19, 2006 02:42 AM

Quem pode fugir à teia de afectos?
Bem podemos fechar a alma, selar os sentidos, que fica sempre uma pequena falha, uma frincha, como uma fraqueza eterna na solidez de um corpo fingido de rocha.

Bjtos

Publicado por: catarina em junho 19, 2006 08:04 AM

Poema triste. Como a partida dos afectos. Mas eles sempre voltam. Embora outros.
Beijos.
Licínia

Publicado por: Licínia Quitério em junho 19, 2006 10:39 AM

Voltaste triste...! espero que passe depressa esse sentir.
Bjs

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Para dizer a verdade, estava triste quando fiz o poema. O que já foi há uns dias largos. Hoje estou até divertidíssima! :)

Publicado por: Ilhota2 em junho 19, 2006 12:10 PM

Belíssimo poema. Posso levar o teu sentir até ao meu jornal? Exteriorizas o que vai lá dentro, dor quase fel, amargura, desilusão. Possa a vida dar-te muitas cerejas e mel. Tens uns sentidos muito lindos. Merci pela partilha de mais um momento. Quando não podemos escolher partir e ficar, qdo não depende de nós, temos que nos transformar nuns bravos aparentes, tolerantes amargos.Andando até chegar o nosso dia. O de regressar de novo à teia dos afectos que não se dissolve, pois não? Somos essência para sempre, Lique, acho. Espero. Um pó que regressa a nós vindo dos outros, somos os outros tb. Os que amamos. E se atrevem a partir sem nós. Tb são nós. Que nos atam. Fica bem.

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Claro que podes levar. Tudo pode ser daqui levado, tendo eu a certeza de que a autoria é citada.

Publicado por: Nina em junho 19, 2006 12:51 PM

Olá, meninas este poema é triste,lindo e verdadeiro.É assim que as coisas acontecem. Gostaria de encontrá-las no meu blog.
Talvez se divirtam um pouco com as histórias do Rio. pitangadoce.blogspot.com

beijos da pitanga

Publicado por: Pitanga em junho 19, 2006 09:08 PM

Os afectos...Essa teia de fios invisíveis que tanto nos torna estúpidos de paixão como nos provoca dor de alma.

Será possível que duas pessoas que "ouvem" a mesma música falem dialectos diferentes?

Ultrapassa a minha compreensão.
Surgem as rugas na alma e, como dizes, selam-se os sentidos.

Porquê?

Publicado por: mité em junho 19, 2006 10:18 PM

Porem, haverá sempre um voltar, um regresso...mesmo que não se cumpram, secretamente essa ténue esperança vivifica.
Belo poema.
Bjs

Publicado por: Jose Duarte em junho 19, 2006 10:24 PM

Vê lá tu que li: "ateiam-se os afectos"!... :)

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Isso é uma das coisas que mais gosto em ti : esse optimismo ;)

Publicado por: sotavento em junho 19, 2006 10:53 PM

Espero-te para lá da teia...

daniel

Publicado por: daniel sant'iago em junho 19, 2006 11:27 PM

Muito bom poema e certíssimo (óptima ilustração)!

:)

Publicado por: nome em junho 20, 2006 12:26 AM

Olá menina,

Poema triste,
afectos que por vezes não são compreendidos, e ficamos envolvidos.


Uma semana excelente

Isa

Publicado por: isa&luis em junho 20, 2006 12:51 AM

Excelente poema!! Beijos.

Publicado por: Paula Raposo em junho 20, 2006 08:46 AM

Hum... Noto uma certa mágoa nas tuas palavras...

Publicado por: Lobo Solitário em junho 20, 2006 11:29 AM

Mité, muda-se o dialeto porque a música que "ouvem" também já não é a mesma. Às vêzes nem música mais há. Só um enorme muro de silêncio... e eu também pensava que não acontecesse.

Perdoe-me, a dona do blog, pela intromissão.
abraços da pitanga

Publicado por: pitanga em junho 20, 2006 01:48 PM

Somos meras gotas de água como essas da foto se deixar-mos fugir os afectos...
Tudo seria tão mais bonito se cada um de nós vivesse numa teia onde os afectos foram tecidos com amor!

Publicado por: Ana Luar em junho 20, 2006 03:23 PM

ainda bem que gostaste do meu poema no blog da nina... vai-me visitando!

Publicado por: luis em junho 20, 2006 05:12 PM

ainda bem que gostaste do meu poema no blog da nina... vai-me visitando!

Publicado por: luis em junho 20, 2006 05:14 PM

Querida Lique

Ainda bem que agora estás mais divertida :))

Palavras sufocadas, entre a língua e um céu
Acorrentadas, anseiam o mar, qual caravela
De medos vestidas, disfarces em rostos de véu
Assemia, grito que se apaga, na luz duma vela

Beijinhos

Publicado por: Betty Branco Martins em junho 20, 2006 06:10 PM

o doce deslassar dos afectos que ficam para sempre! mas nem sempre os afectos se deslassam, mudam apenas de tonalidade...

gostei muito.

Publicado por: heretico em junho 20, 2006 06:25 PM

A separação,a perda,a partida daqueles que amamos,é triste e inevitável.Chega uma altura na vida em que ficamos enredados numa teia de afectos que são apenas recordações,mas estas ninguém nos pode tirar,ficam para sempre guardadas no cantinho das coisas boas que tivemos.Beijinhos

Publicado por: GATO ESCALDADO em junho 20, 2006 07:29 PM

essa teia...é algo de precioso que nos acompanhará e fará com que sejamos mais humanos,
LINDO....
Beijo AZUL
Bshell-º0º0º0º0º
º0º0º00º0º0º0º0

Publicado por: BlueShell em junho 20, 2006 07:42 PM

deixei-me envolver nos "fios da teia dos afectos" nesses fios invisíveis que nos prendem
a recordações...

tristinha doce Lique? espero que tenhas regressado bem e com a tua alegria

beijos doces para ti e o meu abraço carregado de carinho

lena

Publicado por: lena em junho 20, 2006 09:03 PM

Lique, imagem fabulosa que nesta teia de afectos por vezes em dialectos diferentes sempre é possível como a aranha voltar a fiar e reconstruir.
Poema triste, mas que não é absoluto.
Obrigada pela visita ao campo.
Beijo

Publicado por: Maria Papoila em junho 20, 2006 09:50 PM

Sinto-te triste ! Não leves tão a sério a vida! Sei que a tristeza tem sempre uma auréola azulada, uma cor não-cor aveludada, intimista mas .. a vida é tão curta ! Apenas a doença e a morte merecem importância !

Publicado por: Frioleiras em junho 20, 2006 10:19 PM

Mas eu sempre ouvi dizer que a teia de afectos é feita de fios tão grossos, tão duros e ao mesmo tempo tão maleáveis que não se pode desfazer! Essas teias são indestrutíveis embora às vezes pareça que um fio se rompeu. Mas logo a aranha o coze e remenda e o embrulha com os outros. Experimenta limpar uma teia de aranha num canto da tua casa: no dia seguinte volta a aparecer. É assim com a teia dos afectos.

Publicado por: Luisa em junho 21, 2006 12:31 AM

Sim, com a teeia de afectos por vezes se torna tão complicada, e tão frágil ao mesmo tempo. è muito, mas muito complicado conservá-la intacta, mas não impossível...
Jinhos

Publicado por: Maria Clarinda em junho 21, 2006 09:03 AM

Amiga,
Por vezes, é tão fantasticamente real essa dor calada que escreves e descreves na perfeição...

Por vezes, a vida a dois, nunca é a multiplicar ou a somar, mas sempre a dividir ou a diminuir...

Muito belo.

Beijos

Maria Mamede

Publicado por: Maria Mamede em junho 22, 2006 02:06 PM

PS.:- Alice, perdoa ter voltado; não tinha dado os parabéns à LMatta, pela fotografia.

Abraços de Amizade


MM

Publicado por: Maria Mamede em junho 22, 2006 02:08 PM

Boa gostei
esta lindo
beijos

Publicado por: Lmatta em junho 22, 2006 10:35 PM

Bom Dia, Lique! Hoje é um dia especial na vertente dos afectos de teias de pérolas como esta da Lmatta: é o nonagésimo (!) aniversário do meu Pai. E foi o teu Poema que encontrei logo pela manhã! :) Adorei as palavras como a imagem. Beijinho

Publicado por: M.P. em junho 23, 2006 07:46 AM

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