maio 19, 2006
Mais recordações...

Como temos andado, por aqui, numa onda de recordações, deixo-vos para o fim-de-semana a voz e a poesia dum senhor que me encantou há muito tempo. E continua a encantar, de cada vez que o oiço. Espero que gostem tanto como eu. Bom fim de semana!
Patxi Andión, Me está doliendo uma pena
Publicado por lique às 05:32 PM | Comentários (25)
março 19, 2006
Uma canção antiga, uma nova voz (III)

O tempo escasseia mas quero deixar convosco um bocadinho do novo disco de Jacinta, em que ela canta, entre outras, versões portuguesas de temas de Duke Ellington, canções de Djavan, António Carlos Jobim e esta versão da Canção de Embalar de Zeca Afonso. Para quem não conhece e quer conhecer, fica aqui o link do site oficial da cantora.
Publicado por lique às 04:35 PM | Comentários (15)
janeiro 06, 2006
Poemas de Manuel Filipe

Foi lançado o livro que reúne os poemas escritos por Manuel Filipe entre 1969 e 2004. São quase 400 páginas de poesia de qualidade. O livro pode desde já ser encomendado através deste e-mail. O preço é de 12 euros acrescido de portes de correio. Deixo-vos aqui uma amostra da poesia deste autor, esperando que vos desperte a vontade de ler mais.
Dia azul
Num dia azul, meu amor,
Irei contigo.
Porque é fatal partir,
(há outras ilhas)
porque a alma se vai embalando de vazio,
porque o corpo definhará com a espera.
Anunciado já o fim das maravilhas,
desterrei os meus olhos pelo rio
até ao mar,
cintilante refúgio da quimera...
E de repente
no ar vibrou, breve e plangente
o apelo insistente da sirene;
Largaremos lentamente em fumo e sonhos,
entre as gaivotas que pairam no poente.
Publicado por lique às 09:17 AM | Comentários (8)
dezembro 08, 2005
Uma canção antiga, uma nova voz (II)
Eu gosto de jazz. Foi um gosto que aprendi, ouvindo e vendo de que forma a voz e os instrumentos podem dialogar fazendo de uma canção algo que ultrapassa em muito música e letra, transformando-a em qualquer coisa única para o intérprete, naquele momento.
Vem isto a propósito de um disco que traz versões jazísticas (nem sei se a palavra existe) de canções clássicas da música portuguesa. Canções que quase todos conhecem e que se afirmaram pela extraordinária beleza da música e da letra. O disco é de Paula Oliveira (voz) e Bernardo Moreira (contrabaixo) e chama-se "Lisboa que adormece".
Fica aqui um "cheirinho" para aguçar a curiosidade. E a minha confissão de que a escolha da canção não foi nada, mas mesmo nada, inocente...
Então, escutem e deixem o jazz "entranhar-se".
Uma flor de verde pinho
Letra: Manuel Alegre
Música: José Niza
Eu podia chamar-te pátria minha
Dar-te o mais lindo nome português
Podia dar-te um nome de rainha
Que este amor é de Pedro por Inês
Mas não há forma, não há verso, não há leito
Para este fogo amor, para este rio
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou e eu sem navio
Gostar de ti é um poema que não digo
Que não há taça, amor, para este vinho
Não há guitarras nem cantar de amigo
Não há flor, não há flor de verde pinho
Não há barco nem trigo, não há trevo
Não há palavras para escrever esta canção
Gostar de ti é um poema que não escrevo
Que há um rio sem leito e eu sem coração
Mas não há forma, não há verso, não há leito
Para este fogo amor, para este rio
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou e eu sem navio
Gostar de ti é um poema que não digo
Que não há taça, amor, para este vinho
Não há guitarras nem cantar de amigo
Não há flor, não há flor de verde pinho
Canta: Paula Oliveira
Publicado por lique às 08:05 PM | Comentários (34)
novembro 18, 2005
Canção para uma geração… ou várias?

Em 1976, Elis Regina tinha 31 anos e estava no auge da fama. O disco “Falso Brilhante” e o show que o acompanhou foram um êxito que parecia difícil ultrapassar. Desse disco fazia parte esta canção que, para mim, mais nova (não muito, não muito…) mas já com responsabilidades de casamento e filha, me pareceu a “cara” da minha geração. Curiosamente, cerca de vinte anos mais tarde, as minhas filhas emocionaram-se tanto como eu, quando a ouviram. Assim, deixo aqui a voz de Elis e a letra da canção para que possam dizer se, sendo embora uma canção datada, fala ou não das angústias dos jovens de várias gerações.
Como Nossos Pais
António Carlos Belchior
Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu 'tô por fora', ou então que eu 'tô inventando'
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
como nosso pais.
Canta: Elis Regina
Publicado por lique às 12:02 AM | Comentários (40)
novembro 01, 2005
Uma alegria esperada

Aqui na blogoesfera, algumas pessoas são para mim referência e tenho orgulho em, durante mais de ano e meio, lhes ter seguido o percurso sabendo que era sua vocação escrever e que um dia teriam o seu trabalho publicado.
A Encandescente é uma dessas pessoas. E a alegria esperada cumpriu-se. Foi hoje lançado o livro de poesia “Encandescente”. O livro, ainda não disponível nas livrarias, poderá ser adquirido através do mail da editora.
Parabéns, Encandescente! Sabes como te desejo toda a felicidade para este livro.
E parabéns a todos nós porque mais um blogger vê a sua obra publicada. Mas, na verdade, o importante é que mais um poeta de qualidade vê as suas palavras escritas em letra de imprensa.
Publicado por lique às 11:21 PM | Comentários (10)
outubro 29, 2005
Uma canção antiga, uma nova voz

“Era uma vez a história de um grande amor entre um aristocrata e uma acrobata. Desse amor criou-se um circo. A saga do circo virou poema. Do poema nasceu inspiração para a mágica de texto, música e poesia. A magia ganhou vida no palco, em forma de dança. E o final feliz da história foi o sucesso. O itinerário de O Grande Circo Místico poderia ser contado assim - mas esta história ainda não acabou”
Foto e texto : Tom Lisboa
A música do ballet, criada em 1982 para o Balet Teatro Guaíra, por Edu Lobo e Chico Buarque viria a ser um enorme êxito, com temas interpretados, na época, por vozes como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Gal Costa, Zizi Possi, Simone e Jane Duboc. Muitos têm sido recriados ao longo do tempo por outros cantores.
O tema que aqui deixo hoje é um dos que mais gosto, era originalmente interpretado por Gilberto Gil e foi recentemente incluído no segundo disco de Maria Rita: essa, a filha de Elis Regina.
Sobre todas as coisas
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado: desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém abandonado
Pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor, pergunte se ele
construiu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado: o macho, a fêmea, o bicho, a flor
criado pra adorar o Criador
E se o Criador inventou a criatura por favor,
se do barro fez alguém com tanto amor
para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor, não há de ter lançado em movimento
Terra e Céu, estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
pra circular em torno ao Criador
Ou será que o Deus que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
e esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado
desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém abandonado
Pelo amor de Deus!
Edu Lobo – Chico Buarque
Publicado por lique às 09:23 AM | Comentários (32)
outubro 14, 2005
Rosario Flores

Como alguns dos que me dão o prazer de por aqui passar manifestaram curiosidade relativamente à senhora que aqui tem várias vezes servido de "pano de fundo" musical, este fim de semana deixo-vos a voz extraordinária de Rosario Flores. Espanhola, filha de Lola Flores (os mais velhinhos ainda se lembram...) e de António González, "El Pescadilla", nasceu definitivimente predestinada para a música. Aqueles a quem o nome não diga nada, talvez se lembrem da actriz que dá corpo à toureira Lydia em "Hable con ella" de Pedro Almodóvar. Ela mesma, Rosario.
Então escutem, cantem, dancem, façam o que quiserem mas sejam felizes e tenham um bom fim de semana.
Al son del tambor
Esta rumba dedicada
a un gitano muy señor
que aprendio en barrio de gracia
y hacer el ventilador.
Esta rumba que yo canto,
yo la canto con amor
pa' que sepa todo el mundo
el regalo que dejó
Con el son de una mesa
y sentao en una silla
ya no se canta la rumba
como cantaba "El Pescadilla"
Y al son del tambor
bailando esta rumba
tocando la tamborera
y va moviendo sus caderas (bis)
Esta rumba tiene fuerza
y brilla tanto como el sol
nadie tocara la rumba
como Antonio la toco
La cantaba en mil idiomas
y un ingles muy catalan
con su arte a lo gitano
no se podrian aguantar
Con su baile de guerra
y la camisa se partia
ya no se canta la rumba
como cantaba "El Pescadilla"
Y al son del tambor
bailando esta rumba
tocando la tamborera
y va moviendo sus caderas (bis)
Con su baile de guerra
y la camisa se partia
ya no se canta la rumba
como cantaba "El Pescadilla"
Y al son del tambor
bailando esta rumba
tocando la tamborera
y va moviendo sus caderas (bis)
Y las guitarras estan mirando al sol
de esta rica rumba
Publicado por lique às 07:25 PM | Comentários (21)
fevereiro 19, 2005
Que há-de ser de nós?
Já viajámos de ilhas em ilhas
já mordemos fruta ao relento
repartindo esperanças e mágoas
por tudo o que é vento.
Já ansiámos corpos ausentes
como um rio anseia p´la foz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?
Que há-de ser do mais longo beijo
que nos fez trocar de morada
dissipar-se-á como tudo em nada?
Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós.
Já avivámos brasas molhadas
no caudal da lágrima vã
e flutuando, a lua nos trouxe
à luz da manhã.
Reencontrámos lágrimas e riso
demos tempo ao tempo veloz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?
Que há-de ser da mais longa carta
que se abriu, peito alvoroçado
devolver-se-á: «endereço errado?»
Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós.
Já enchemos praças e ruas
já invocámos dias mais justos
e as estátuas foram de carne
e de vidro os bustos.
Já cantámos tantos presságios
pondo o fogo e a chuva na voz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?
Que há-de ser da longa batalha
que nos fez partir à aventura?
que será, que foi
quanto é, quanto dura?
Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós.
Sérgio Godinho
Ivan Lins
(Porque sim. Porque gosto da canção. Porque, vá lá saber porquê, me apeteceu cantá-la.)
Publicado por lique às 06:19 PM | Comentários (20)
dezembro 11, 2004
Just like a woman
Diz o Yardbird que esta é a minha música. Como estamos num fim de semana cheio de sol e há que espantar a côr cinza que por aqui tem andado, aqui deixo a letra para que me possam dizer se estão de acordo com ele ou não (ele não se zanga, garanto). Vá lá, não se inibam e, se quiserem sugerir outra, estão à vontade.
Nobody feels any pain
Tonight as I stand inside the rain
Ev'rybody knows
That Baby's got new clothes
But lately I see her ribbons and her bows
Have fallen from her curls.
She takes just like a woman, yes, she does
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.
Queen Mary, she's my friend
Yes, I believe I'll go see her again
Nobody has to guess
That Baby can't be blessed
Till she sees finally that she's like all the rest
With her fog, her amphetamine and her pearls.
She takes just like a woman, yes, she does
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.
It was raining from the first
And I was dying there of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what's worse
Is this pain in here
I can't stay in here
Ain't it clear that--
I just can't fit
Yes, I believe it's time for us to quit
When we meet again
Introduced as friends
Please don't let on that you knew me when
I was hungry and it was your world.
Ah, you fake just like a woman, yes, you do
You make love just like a woman, yes, you do
Then you ache just like a woman
But you break just like a little girl.
(Podem sempre cantá-la, enquanto deixam que este sol de quase Inverno lhes dê pensamentos dourados)
Publicado por lique às 12:25 PM | Comentários (24)